domingo, setembro 30, 2007

The Special One

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Uma Câncio a Mais

Sobre o manifesto de Fernanda Câncio no DN contra os alegados privilégios concedidos pelo Estado aos capelães católicos, já vários Incontinentes comentaram com o brilhantismo habitual. Destaco, não desfazendo, uma ideia do ZLM com a qual me identifico em grande parte, enquanto católico: faz parte da natureza intrínseca da Igreja Católica ser torpedeada pelos poderes e potestades, visto que o seu fundador começou por dizer, preto no branco, lapidares como «O meu Reino não é deste mundo», ou «A César o que é de César». A Igreja sempre se deu mal quando apaparicada por homens de armas, em conúbio supostamente vantajoso para ambas as partes, e até se pode defender que na génese da sua oficialização por Constantino - por motivos porventura mais temporais que espirituais - residem alguns dos seus vícios futuros. Mas adiante. A Igreja prova que é uma entidade viva quando, ao longo de 2000 anos de história com os seus podres, foi no essencial a última linha na defesa dos pobres e ofendidos. Por cada Papa corrupto houve milhares de franciscanos que cuidaram das chagas e da lepra dos seus irmãos. E não pode ser por acaso que, após perseguições sanguinárias, sempre se tenha levantado mais forte. ---
Dito isto, sempre houve também, embora com maior intensidade desde os tempos ditos iluministas, os que combateram o alegado ópio do povo proclamando a supremacia da razão humana. Desempenharam o seu papel, nomeadamente questionando o resvalar da Igreja para o colo do poder, mas, hélàs!, inebriaram-se da sua autosuficiência, e o resultado é conhecido: essa revolução sacralizada de 1789, e o propósito de eliminar a dissidência, com os milhões de exemplos vivos, isto é, mortos, onde quer que tenha sido levada às últimas consequências do socialismo real.
Algum socialismo percebeu as lições da história, e renegou aparentemente a autocracia, mas nunca perdeu o tique directivo e impositivo, regulador e proselitista. Os arautos da nova religião da não-religião, que em França continuam a ter o seu berço, só aparentemente defendem a igualdade dos credos. Como realça a Mafalda no seu post, querem nivelar por baixo, acabando igualitariamente com todos, e ensinar o povo a tomar o seu destino em mãos, em vez de se entregar aos vapores alienantes do ópio.
Ora, mesmo quem se bata existencialmente por uma sociedade mais justa, e denuncie a opressão da dignidade humana, de onde quer que venha essa denúncia - e este escriba, por exemplo, subscreve as denúncias de Karl Marx, desde que se fiquem pela Inglaterra recém-industrializada do capitalismo selvagem - percebe que a mudança não se faz por decretos, mas dentro do coração humano. E por isso, a a visão do mundo dos arautos do laicismo mais radical é triste. Declinam acudir ao exemplo concreto do desvalido, para não substituirem as leis através da prática da caridadezinha. Reservam toda a responsabilidade de mudar o mundo aos eleitos da nação e negam a acção dos que, silenciosamente, sem que uma mão saiba o que faz a outra, metem mãos à obra enquanto as leis não concretizam as epifanias que levarão a sociedade avante camarada avante.
Fernanda Câncio, Você é triste. Senta-se no seu cocuruto no DN e julga que vê mais longe. E ignora ostensivamente, porque cego maior é a que não quer ver, a acção dos 193 capelães que decreta arrogantemente estarem a mais. Mas não é Você que está à cabeceira do preso que, encerrado num hospital-prisão, coitado, ignorante, alienado, vítima do obscurantismo difundido pela padralhada, se volta para a religião como ponto cimeiro de esperança no meio do seu sofrimento. Quem lá está é o capelão, percebe? Ou, se quiser, é também o capelão, para além do funcionário que algumas vezes, felizmente nem sempre, não tem o suplemento de alma para correr a «extra mile». Estes 193, e já agora os milhares de voluntários católicos (e de outras religiões, mas em números muito inferiores, que quer?) que anonimamente, se entregam à «caridadezinha». Imagino que lhe façam pele de galinha, mas sabe que mais? Aqueles que eles e elas visitam gostam. E pedem a sua visita. Pode ser que Você consiga acabar com eles por uns tempos, especialmente agora que o PSD vos parece querer entregar o poder mais uma legislatura para se entregarem aos vossos desmandos zapateristas. Mas mesmo que consigam pôr a andar aqueles que acreditam que o Estado não é tudo, não será por muito tempo. É que eles acreditam no que fazem. E de vez em quando também ganham eleições. E fazem petições, e berram, e escrevem em blogues. (Ou Você pensava que estavam todos nas sacristias?) E sobretudo, acreditam que nem só de pão vive o Homem.

sábado, setembro 29, 2007

...e já agora, que estamos com a mão na massa...

aproveitando esta lufada de ar fresco da separação entre o estado e a igreja, não podemos aproveitar também para promover a separação entre o estado e maçonaria?

O que há de errado com o PSD

O que há de errado com o PSD é ter-se transformado, durante o consulado de Cavaco Silva, um partido dependente de poder. Ficou agarrado ao poder como um janado fica agarrado à heroína. E, tal como um heroinómano, não pensa. Só tem uma obsessão: voltar a arranjar uma dose. Tudo o resto se torna secundário relativamente a essa objectivo primário: voltar a agarrar o poder.
Por isso, corre para a frente, mesmo quando toda a prudência aconselha o contrário. Quando Durão Barroso fugiu para Bruxelas e tudo aconselhava uma reflexão interna para escolha de um novo líder, o partido não quis nem pensar no caso, não fosse o compasso de espera dar ao Presidente um pretexto para dissolver a Assembleia e afastar o partido do poder. Em vez disso, optou pelo "chuto" rápido de Santana Lopes, com os resultados que ficaram à vista.
Hoje, a história repete-se. Marques Mendes definiu a estratégia possível para um partido em minoria, depois de ter alienado o seu eleitorado. Estava a tentar recuperar pouco a pouco o partido para, daqui a cinco anos, poder ter credibilidade para disputar o poder. Não é uma política atraente. Não há sangue. Não se aproveita as medidas impopulares do governo para ganhar votos fáceis. Os caciques locais começaram a ficar nervosos. Não só a máquina estatal laranja não começaria a distribuir benesses tão cedo como, horror dos horrores, as próximas eleições estarão coladas às autárquicas e porão em perigo o único refúgio que sobra aos viciados nas autarquias laranjas. Por isso, era necessário correr para a frente. Arranjar um candidato sanguinário, um candidato de resultados rápidos.
Pode ter sido o golpe fatal na credibilidade do partido. Nenhuma organização pode resistir a ser liderada por Santana Lopes e Luís Filipe Menezes no espaço de uma legislatura. Por mal que as coisas corram ao PS, agora, o partido do governo está seguro por mais duas legislaturas, pelo menos enquanto a memória das pessoas durar.
O PS cometeu o mesmo erro uma vez, quando apeou Vitor Constâncio por este não lhe garantir um regresso rápido ao poder. Pagou caro, com uma cura de oposição de duas legislaturas. Não me parece que voltem a cometer o mesmo erro. O PSD, pelo contrário, parece ter mais dificuldade em aprender. Ou então está mais "agarrado".

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Aqui há atrasado, Menezes saiu de um congresso laranjinha a chorar, depois de ter clamado contra os sulistas, elitistas e, imagine-se, liberais. Nos últimos dias, porém, fico com a impressão que os liberais da blogosfera se acotovelam em apoios a Menezes. Fico na dúvida: será que, para Menezes, o problema das 3 qualidades invocadas se verificava apenas em caso de acumulação?

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Um tal de Ribau Esteves faz a 1.ª declaração da noite, na sede de candidatura de Menezes. Confesso que não percebi muito bem o que ele disse, mas tinha um ar de incontida satisfação.

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3 amigos meus de 3 partidos que não o psd dizem-me que preferem Menezes como presidente do partido. Cá para mim é o primeiro passo para chegar a 1.º ministro.
P.S.D. Não estão curiosos para saber o resultado das directas na tal tribo da Amazónia?

psd

Incapaz de entrar na minha outra casa - presumo que a presença do Daniel Oliveira tenha alguma coisa ver com o problema, deixo aqui as primeiras impressões:
(i) ao que parece, a diferença situa-se em algumas dezenas de votos a favor de Mendes. No entanto, fontes bem informadas dizem-me que Menezes sai vencedor. Sócrates rejubila.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Boas Novas

Que a fernanda cancio, o Vital Moreira e o CAA são anti-clericais e que destilam anti-clericalismo, já se sabia. Agora, que o CAA descubra no Presidente da Comissão de Festas do Centenário desta República a Que Estamos Condenados um liberal é que me parece uma verdadeira novidade. Não sei se os ditos se considerarão em boa companhia. Mas nós, os que não somos, ficamos muito mais aliviados.

No Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades

...o Presidente em exercício da UE prepara-se para dificultar, com mais uma série de ridículos obstáculos burocráticos, a assistência espiritual nos hospitais. Em nome da igualdade e da liberdade religiosa e da laicidade do Estado.
Respeitar a liberdade religiosa é muito mais que tolerar o exercício de um credo. É também facilitá-lo. O Estado não precisa de o promover, basta não o recusar a quem pede ajuda para o fazer.
Que o Estado é laico, já todos sabemos. Mas por muito que lhe custe, e ao Governo que o representa, a esmagadora maioria da sociedade não é laica, tem convicções religiosas e, voilá, segue a Igreja católica apostólica romana.
Em nome da igualdade e da liberdade, o Governo deve antes garantir que todos e cada um podem exercer a sua fé nos hospitais, seja ela cristã, islâmica, judaica ou budista. Isso sim, é respeitar a liberdade religiosa.

SÃO EXACTAMENTE 193 CAPELÃES A MAIS

A propósito do artigo de Fernanda Câncio sobre a promiscuidade entre estado e igreja ao nível dos capelães, só posso dizer que ela tem razão, deixa de ter razão e volta a ter razão mas não pelos motivos que ela julga. Passo a explicar.
À letra da lei, de facto Fernanda Câncio está coberta de razão. Goste-se ou não se goste, a nossa Constituição foi aprovada sob princípios republicanos, com uma clara separação de estado e igreja. Mesmo a Concordata, que distingue a Igreja Católica das outras confissões (o que constitucionalmente já é polémico), não dá espaço para um tratamento tão privilegiado como aquele de que goza a Igreja Católica. Para quem não se conforme, não há outro remédio senão mudar a Constituição nesse ponto o que, no actual equilíbrio democrático,seria inviável.
Fernanda Câncio deixa de ter razão no campo da ética moral, pois ignora olimpicamente a realidade do país onde vive. Se olhar à sua volta, o que encontra em qualquer vila, aldeia ou lugar, são campanários de igrejas católicas. Não são minaretes nem sinagogas. Mesmo templos protestantes são bastante mais rarefeitos. Esse pormenor geográfico não é um mero acaso. É o produto de 800 anos de história como país católico, com a fé Católica como a fé da esmagadora maioria da população portuguesa, com reflexos culturais em todas as instituições portuguesas. Para negar isso, teria de negar uma parte fundamental da essência do país.
Fernanda Câncio volta a ter razão (embora não o saiba) porquanto a solução por ela preconizada seria a melhor coisa que poderia acontecer à verdadeira Fé Católica. De facto, é um facto indesmentível ao longo da história que a Igreja atingiu os seus pontos mais sublimes quando era uma religião perseguida ou, no máximo, tolerada e atingiu os seus piores momentos quando esteve mais próxima do poder. Já não vou mais longe, para os exemplos clássicos da Inquisição ou da Igreja com Ordens Militares. Lembro-me de exemplos tão próximos como o da TVI, em que a igreja moveu todas as suas influências para ter um canal que, no papel, era um canal de evangelização mas, na prática, era uma ferramenta financeira que, quando começou a perder dinheiro, foi despejada pela janela, transformando-se no canal mais materialista, mais baixo e mais anti-cristão do espectro radioeléctrico português. Por isso, bem faz o estado em não dar facilidades à Igreja Católica. Esta tem dois mil anos de provas dadas como instituição resiliente, capaz de sobreviver às maiores provações e dar verdadeiros sinais de Fé quando tudo corre contra ela.

A liberdade religiosa de alguns

A justificação avançada por muitos para as medidas governamentais em matéria de assistência sacerdotal aos doentes só pode ser compreendida no quadro de um jacobinismo reinante ou, em alternativa, como expediente discursivo de quem procura racionalizar uma obsessão por certo explicável pela psicanálise.
Pois que, não só a liberdade religiosa não implica a imposição legislativa do ateísmo militante – mas tão só a desobstrução à prática de qualquer credo religioso –, como se sabe que o princípio da igualdade em que aquela se louva está longe de ser desvelável em termos meramente formais. Impondo o entendimento hodierno acerca do direito justo que o mesmo seja eivado pela notas da materialidade, afirma-se, unanimemente, dever-se tratar como igual o que for igual e como diferente o que diferente for.
Posto isto, pergunto eu se fará sentido, a par das capelanias hospitalares, criarem-se as correspondentes mesquitas ou templos budistas, porquanto, contra a vontade de muitos, a população portuguesa continua na sua maioria a ser católica. E porque, em dessintonia com o laicismo obnubilador da religiosidade enquanto dimensão fundamental da pessoalidade do ser consigo e com o outro, entendo ser atendível o sentimento de fé inspirador de quantos não seguem Cristo e a Igreja de Roma, acharia, ainda assim, defensável que se criassem as estruturas viabilizadoras da prestação de análoga assistência aos que, pertencendo a uma minoria e estando aos cuidados do serviço nacional de saúde, o pretendessem.
Que faz o Governo? Constatando que todos têm fome, mas só alguns acedem à comida saciadora da necessidade, não procura alimentar uns e outros, mas – almejando alcançar um desiderato igualitário paupérrimo – opta pela condenação de todos à privação ou, outrossim, coloca obstáculos que, em muitas situações, redundarão na impossibilidade de saciar o desejo espiritual.
Mas mais. Este mesmo Estado que se mostra purista em alguns casos, num perfeito venire contra factum proprio, serve-se da Igreja para suprir a sua incapacidade em matéria de assistência social. Este Estado que agora se quer liberal, mas que muitos reclamam social e o continua a ser, usa e abusa dos meios postos em movimento pelas estruturas da hierarquia episcopal e diocesana para se ver livre da concretização da ameaça real da falência no que respeita ao auxílio dos mais carenciados. Quantas são as obras com directa ou indirecta inspiração católica que cumprem, entre nós, esse papel? Estarão os arautos da ingénua (ou nem tanto) neutralidade confessional do Estado dispostos a levá-la às últimas consequências também aqui?

vá, peçam lá para o gajo ser castigado por 2 ou 3 anos por humilhar os adversários

IPA 10


laranjinhas

Para os laranjinhas com dúvidas, deixo aqui a minha contribuição. Saiu hoje uma sondagem acerca da preferência quanto àquele que deve ser o próximo líder do psd. Ao que parece, Mendes regista maiores apoios no partido, mas no eleitorado socialista quem reúne mais preferências é Menezes. Vá lá saber-se porquê. Agora vão lá votar.

"foquinha" de Kerlon

Há dias, no Brasil, umas das maiores promessas do futebol brasileiro - Kerlon - decidiu fazer uma finta que lhe é característica e que é apelidade de "foquinha". O problema é que a finta é feita com a cabeça tornando quase impossível o seu desarme que não seja através do recurso à falta. Alguns mais zelosos do "espírito desportivo" acham que é falta de respeito para com os adversários. Cá para mim, para além da imensa estética da coisa, acho óptimo que alguém se tenha lembrado de o fazer. Como também não me choca que os adversários, na eminência de serem "comidos" optem por deitá-lo ao chão. Seja como for, gostaria de dedicar este vídeo a todos aqueles que decidiram gostar de futebol a partir do momento em que Scolari deu um "tapa" num sérvio, exigindo a sua irradiação, para que possam discorrer durante alguns dias sobre a inadmissibilidade das "foquinhas".

IPA 9 - soluções


É mais forte do que eu...

Caros Amigos,

Tenho andado muito arredado destas andanças por compromissos profissionais. No entanto, há coisas que me tiram do sério e que não me permitem ficar calado (tipo Santana Lopes). Tenho que partilhar este assunto com alguém antes que tenha um acidente de carro um dia destes por causa de um maldito anúnico radiofónico.

Refiro-me, claro está, ao anúncio do Jornal O Jogo que agora é vendido acompanhado de uma carta (de jogar). E para anunciar esta promoção, os responsáveis pelo anúncio puseram um ignorante a falar - armado em treinador de cartas - que diz a seguinte alarvidade:

"Na Sueca, joga o Ás e depois a Manilha, blá blá blá." "São 52 cartas e qualquer um pode ter o trunfo."

52 cartas??? na Sueca??? Então este idiota está a fazer um anúncio de cartas e diz que há 52 cartas na Sueca! Com Manilha?!?

Há gente muito idiota neste mundo e o que mais me irrita é que todos os dias, antes de ouvir a Bola Branca, tenho gramado com estas alarvidades.

O que vale é que a seguir entra a música da Bola Branca e a voz inconfundível do seu locutor...

quinta-feira, setembro 27, 2007

Bondades estrangeiras

O meu patriotismo não me permite a veleidade de me intrometer na política interna de potências estrangeiras. Contudo, registo que mais relevante do que haver índios da Amazónia a querer Mendes na presidência do PSD, é haver valerosos portugueses apostados na vitória eleitoral de um candidato a candidato à presidência de uma potência estrangeira. Esta cruzada lusa pode ser acompanhada aqui e os mais impressivos argumentos do senhor são estes:
Está tudo dito. Iremos importar estas bondades estrangeiras?

O partido na diáspora


Aqui na minha tribo dei ordens para se votar Mendes porque acho que só um homem com o seu nível de integridade pode voltar a pôr o PSD nos eixos.

quarta-feira, setembro 26, 2007

haja Tino



Estou cada vez mais convencido que o único traço distintivo entre o saudoso Tino de Rans e o candidato a candidato a primeiro-ministro Menezes será o fato escuro que este último ostenta. É, pois, confrangedor constatar ao que chegou o partido mais popular e com maior número de militantes em Portugal. Já parece o Glorioso, com a (enorme) diferença de que de clube ninguém muda, já de partido... A culpa é do Cavaco, do Durão, do Santana, do Mendes... que foram alimentando este tipo de gente com tachos e cargos, aparentemente de menor importância, como contrapartida pelo seu silêncio. O resultado está à vista e seria cómico se tão dramático não fosse para o país.

Pontapés na Língua


E eis que a asneira alastra, ou, como se diz hoje, alastra-se. O vetusto DN, que era unanimente considerado, ou, como se diz hoje, unanimemente considerado por todos, uma referência na utilização correcta da língua portuguesa, comete um deslize, não numa noticiazinha anódina das páginas interiores, mas num tema candente: os McCann. É preciso, não obstante, porque inteiramente justo, realçar, ou, como se diz hoje, relevar, que o dito deslize foi feito com alguma intencionalidade, repetido que foi para que não haja dúvidas. Será quiçá um ensaio para a alteração da grafia do verbo «haver», «há» como em «há muitos anos», para «à», ditada pela utilização porventura maioritária da população da forma errada, ou, como se diz hoje, alternativa. Repudiamos veementemente, ou, como hoje se diz, repugnamos veemente, o alastrar da nódoa ao DN, e solicitamos a quem de direito no matutino (quando o Saramago era controleiro no jornal, nada disto aconteceria, reconheça-se), tome providências. Quem diria que poderia haver erros no DN! E a seguir? Na Bíblia? Ele à coisas fantásticas, não à?

Até ao momento, a Interpol ainda não confirmou se a menina da fotografia é mesmo Madeleine McCann, desaparecida à 146 dias. No entanto, trata-se de mais uma pista com origem em Marrocos. Nos últimos dias, várias notícias sobre o facto de Madeleine poder estar ou ter estado em Marrocos, são cada vez mais frequentes.Poucos dias depois de a menina ter sido dada como desaparecida, no Algarve, um turista britânico afirmou ter visto uma criança parecida comMadeleine no hall de entrada do Hotel Íbis, em Marraquexe. No entanto, esta denúncia só foi feita dias depois, quando a testemunha regressou à Grã-Bretanha e tomou conhecimento do desaparecimento da menina. Este facto só foi tornado público à pouco tempo.
Notícia toda aqui.

terça-feira, setembro 25, 2007

Brinquedo novo...


Não pode haver coisa pior do que ter mil coisas para fazer em casa, no trabalho, outdoors (como ir jogar ténis ou ao concerto dos Police) e ter de ficar em casa com uma coleira, digo, colar cervical. Nem quero pensar na vergonha que vai ser sair à rua e voltar ao trabalho com esta coisa à volta do pescoço. Infelizmente não vou poder dizer que é uma tendência da estação do Outono que se iniciou há uns dias atrás. É mesmo um torcicolo…

imperdível

"nada como uma boa tragédia para mitigar a nossa má consciência
Não percebo este entusiasmo com os protestos em Myanmar. Monges contra generais. E todos têm muita experiência nestas coisas. Os monges estão habituados a ser reprimidos e os generais estão habituados a reprimir. Como uns têm tanques e outros não, sabemos todos como é que isto vai acabar. É certo que a comunidade internacional podia fazer qualquer coisa. Tipo mandar tropas para derrubar o regime e salvar os monges. Mas depois vinha a esquerda do costume queixar-se das interferências do ocidente em países soberanos (tipo Bósnia). Algum deles até se podia lembrar que o melhor era ter negociado com os generais (tipo Iraque). E sem apoio da opinião pública acabaria por ser necessário retirar as tropas (tipo Ruanda) e deixar novamente os monges à mercê dos generais (tipo somália). O melhor é, desde já, não perder muito tempo com eles (tipo tibete) para evitar grandes desgostos (tipo darfur). Podemos passar para o assunto seguinte?"
Rodrigo Moita de Deus, na minha outra casa

Um atestado de ignorância ou ignocância

A não perder o texto de Pedro Picoito, em que se denuncia a ignorância afoita de uma jornalista do DN.

Ainda Mourinho ou a concretização prática do adágio "junta-te aos grandes e serás como eles"

No meio da onda de comentários acerca de Mourinho, deparo-me com a referência a críticos ingleses que o acusam de ser produto do Salazarismo. Desconheço as tendências políticas do mais recente desempregado - se bem que milionário - do futebol europeu, mas, a haver alguma base de sustentação na análise, só posso dizer que isso explicaria muita coisa. Tal como o facto de ele ser um excelente - quiçá o melhor - treinador da actualidade.

Originalidades

Que o nosso ZLM se deixe impressionar pela estridência do argumentário do BE, percebe-se. Já é menos admissível que não queira ver o amontoado de preconceitos que naquele saboroso naco de prosa se pode ler. A originalidade do Dr. Semedo, na verdade, é aquilo de que é feito o BE. Há 30 anos que oiço os Drs. Louçãs que enfeitam as mais diversas franjas revolucionárias ruminarem as mesmas verdades. Sempre novas. Sempre originais. O problema de fundo, ZL, não é saber se é verdade ou se é mentira que o coordenador não sei de quê seja dirigente de uma qualquer unidade de saúde pertencente a privados (e até parece que é mentira, a acreditar no desmentido do próprio). O que os originais bloquistas não levam à paciência é que os privados, esses servos do grande capital, nos tratem da saúde. Só alguém muito original pode, sem mais, apelidar de generosa a entrega da gestão de um estabelecimento de saúde a capitais privados. O facto de haver "entrega", independentemente das condições e das contrapartidas, é, para estes originais, o mesmo que "capitulação". Uma originalidade, de facto.

Tudo ao Léu Air


O mercado não pára e hoje em dia a moda do low cost já são àguas passadas.


O cluster do Very Low Cost está pronto a arrancar e os primeiros voos de teste já foram efectuados. Ao que parece, e segundo estudos feitos por magus mundiais do marketing, não vão ser só os passageiros interessados em viagens baratas que vão usar este tipo de serviço.


45% vs 55% e / ou dos avanços médicos essenciais para a evolução de sociedade Ocidental

A luta interna no PSD já não anima ninguém. Até há alguns dias atrás eu ainda estava relativamente interessado nas directas e gastava tempo (e dinheiro no pagamento da quota deste ano) a pensar num destino a dar ao meu voto, para além de votar em branco, que não me deixasse mal disposto.

Após ver apenas parte do debate Mendes vs Menezes na SIC Noticias, porque não consegui aguentar o tédio até ao fim, fiquei com muito pouca vontade de votar e concluí que há realmente coisas muito mais importantes para a sociedade ocidental. Aconselho uma introspecção profunda sobre um tema que realmente interessa a todos, e que Patrick Mallucci, num gesto de enorme generosidade, se prepara para partilhar com o mundo no London’s Royal College of Surgeons.

segunda-feira, setembro 24, 2007

Promiscuidade público-privado

Este artigo apresenta um ponto de vista muito original do velho problema da promiscuidade entre os sectores público e privado na área da saúde.

Cabeças debaixo da terra

A propósito da recente medida de troca de seringas nas prisões, algumas cabeças bem-pensantes têm-se insurgido contra esta complacência, como se estivéssemos a ceder aos princípios morais da sociedade.
Essas opiniões não são mais do que cabeças bem enterradas debaixo da terra que ignoram que esta medida serve mais para proteger a sociedade como um todo do que propriamente os reclusos.
Ninguém está a propor distribuir droga nas prisões. Se alguém o faz serão possivelmente os mesmos guardas prisionais que agora se insurgem contra esta medida. Se a droga circula nas prisões, só a eles mesmos se podem culpar por incompetência da vigilância ou por cumplicidade activa nas redes de tráfico.
Mas o facto mantém-se que a droga lá circula no sítio onde as pessoas teoricamente mais estariam fisicamente impedidas de a consumir. E se esse facto é indismentível, também é indismentível o facto de que a população prisional tem altíssimas taxas de infecção por HIV e Hepatite B. Sendo também dado que essa população não ficará eternamente na prisão, acabarão por vir cá para fora contribuir para a disseminação de tão terríveis doenças. Ainda que não venham cá para fora, irão aumentar substancialmente a despesa da sociedade em cuidados médicos aos reclusos, para não falar das responsabilidades morais de um estado que deve zelar pela saúde das populações, incluindo as prisionais.
Assim, a distribuição de seringas é uma medida do mais elementar bom senso. Se, por poucos cêntimos, podemos evitar a propagação de doenças avassaladoras, com custos económicos brutais, criminoso seria não o fazer. Os críticos podem enterrar a cabeça na areia pelo tempo que quiserem mas não vão circular nem mais nem menos drogas nas prisões pelo facto de serem injectadas com seringas limpas e seguras.

É tudo gente séria!


Na passada 6ª feira, o Prof. Loucã, com o ar de quem é sistematicamente devorado por verdades axiomáticas, acusou o Governo de permitir e até fomentar ligações perigosas entre os sectores público e privado, nomeadamente na Saúde.
Porque o poder de síntese é também uma virtude, aqui deixo a conclusão que resulta desse debate parlamentar. Há que dizê-lo com frontalidade. Assim, olhos nos olhos.
post actualizado às 10h56m

psd

Juro que tentei, nestes últimos tempos, "situar-me" politicamente próximo do psd. A realidade, porém, é madrasta: tivemos Durão, agora fugido em Bruxelas, Santana "o não eleito" e, finalmente, deparamo-nos com uma eleição que tem como potenciais candidatos a primeiro-ministro Marques Mendes e Menezes. Acresce que, corre por aí o boato, infundado digo eu, que Sócrates é de direita e que este governo é o mais reaccionário desde o dia 25 de Abril de 1974. O psd, infantilmente crédulo, acreditou que os rumores eram verdadeiros e vai daí decidiu (não) fazer oposição à esquerda. É, pois, evidente que o psd foge dos seus potenciais eleitores como o diabo da cruz. O melhor mesmo é não insistir.

(quase) engenheiro José Sócrates

Ao que parece, o nosso primeiro-ministro sr. José Sócrates arranjou forma de ser engenheiro... de forma legal:
As ordens profissionais vão deixar de poder realizar exames de acesso à profissão, tendo de aceitar como inscritos todos os licenciados. A medida consta do projecto do PS que já foi aprovado no plenário da Assembleia da República, e que vai ser agora analisado em detalhe na comissão parlamentar do Trabalho. (OA)
Quer isto dizer que o curso que Sócrates (aparentemente) concluíu - lembram-se, com aquele brilharete em inglês técnico, que tanto jeito lhe tem dado nas suas deslocações ao estrangeiro - terá de ser aceite pela Ordem dos Engenheiros, a qual, a ser aprovada a lei, não poderá recusar a inscrição do licenciado em causa.

domingo, setembro 23, 2007

boa vizinhança

O que ainda nos vai valendo é a solidariedade do outro lado da segunda circular.

As "canções" do meu imaginário de A a Z

Depois de na semana passada a minha identidade ter sido indecentemente usurpada por um tal de Rui Castro, o qual decidiu manchar a minha reputação com a escolha que fez para a letra "G", chega a vez do "H". Digo-vos que a escolha foi difícil e pouco convicta. Seja como for, só pelo guarda-roupa e pela coreografia, acho que a escolha não podia ser mais 80's: Human League - Fascination. Até já.

sábado, setembro 22, 2007

Perplexidades médicas!


Compreendo que os recursos sejam escassos e as necessidades, fruto de uma população que se confronta agora – e felizmente – com o aumento da esperança de vida, crescentes. Sei que a relação inversamente proporcional de ligação entre os dois anunciados vectores determina a urgência de uma racionalização dos meios disponíveis. E que racionalidades há muitas, segundo os figurinos da época e a pressuposição de sentido de que se parta, também não ignoro. Pelo que, ainda que sindicáveis pela intelecção do justo e criticáveis pelos cidadãos de pleno direito – todos nós –, as opções do Senhor Ministro da Saúde poderiam ser justificáveis, mesmo que de duvidosa eficácia.
Há, porém, um mínimo que se há-de ver cumprido, sob pena de se ultrapassar o limbo do aceitável e se encaminhar o sistema que deveria ser colocado ao serviço do doente, até porque por ele suportado, para a instrumentalização própria de quem se orienta por uma agenda oculta.
Pois que, desde o dia que tomou posse, Correia de Campos não considerou problemático que portugueses tivessem de ir nascer na vizinha Espanha, ignorou que, em determinados momentos, talvez fosse razoável para a pessoa que sofre, por exemplo, de um ataque cardíaco não ter de percorrer não sei quantos quilómetros para ter acesso aos primeiros socorros, achou que viagens a Cuba para suprir a falta de uma consulta por que se espera há cinco anos é um sintoma de vitalidade da sociedade civil e do poder autárquico.
Problemático, problemático, segundo o Senhor Ministro teve oportunidade de confessar, era mesmo o número diminuto de abortos realizados nos hospitais públicos. Problemático, problemático é agora o facto de um doente – quantas vezes em estado terminal – poder receber o conforto espiritual de um sacerdote.
Empenhou-se afincadamente na resolução do primeiro. Tão afincadamente que, à época, garantiu que seria assegurado um sistema de aconselhamento da mulher grávida que, passado uma semana, se tornou, afinal, residual.
Pretende agora fazer face ao segundo. Visitas de padres só com horário marcado, quando solicitadas por escrito pelo doente. Não sei se isto é amor pela burocracia ou ódio visceral à Igreja, mas mais perfunctoriamente revela novamente o profundo desrespeito por aqueles que deviam estar no centro das suas preocupações.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Pum, pum...

A iluminada nandinha entre as costumeiras irrelevâncias, libertariamente escreve:


Estas palavras dizem bem do calibre da criatura e não calam a profunda ignorância que a este propósito povoa o seu imaginário. Mas a levar por diante a profundidade deste exercício intelectual, não é tanto a Isabel II ou o Juan Carlos de Espanha que têm de estar com um olho no burro e outro no cigano. É o vosso Cavaco. Não vá algum monárquico querer liquidar a república. E se tal fatalidade sucedesse, algo me diz que os democratões do tipo da nandinha, por essa república, não verteriam sequer uma furtiva lágrima.

E a Nandinha, importa-se que eu a mande para casa do Diabo mais velho?

É já conhcecida a avareza de que a fernanda câncio dá mostras quando se entrega ao seu passatempo de predilecção: a emissão de atestados de cidadania. Quem não passou agora no rigorosíssimo teste foi a Dra. Zezinha. E razões para o chumbo não faltam, sendo os mais graves, ter-se assumido salazarista e declamado a trilogia do regime.
Aparentemente, por cima dos ombros da Dra. Nandinha, não há espaço para outra coisa que não seja o débito de chavões libertários empacatodos no mais boçal jacobinismo. Salazarista é todo aquele que tenha votado na autoritária figura no polémico concurso televisivo e que lhe reconheça traços de liderança. E todos estes (uma perigosíssima minoria, já se vê) o que querem mesmo é encerrar as urnas e restaurar o Tarrafal, como é evidente. Em piores lençóis estarão, apesar de tudo, os que votaram no D. Afonso Henriques ou no D. João II. O primeiro era apologista incontrito da violência doméstica, como se sabe, e o segundo, um mero criminoso de delito comum. Se me perguntarem quem escolhi, temo que duvidem da minha abstenção, e direi, sem receios, ter votado na Dra. Maria do Carmo Seabra.
Igualmente perplexizante é a trilogia do regime. Deus, Pátria e Família? Deus é um engodo, a Pátria um arcaísmo e a Família uma instituição castradora das mais irreprimíveis liberdades. Só uma grande selvagem, como deve ser a Dra. Zezinha, acredita no menino Jesus, ama e quer bem servir o seu País, honra ascendência, respeita cônjuge e zela pela descendência.
Apesar de Deus não existir, a Dra. Nandinha importa-se que a mande para casa do Diabo mais velho? Ficará em muito boa companhia, acredite.

Ainda Aquilino

Pedro Mexia, a propósito de Aquilino e da trasladação dos seus restos mortais para o panteão nacional, diz:

Aquilino, que é um grande escritor, não foi trasladado para o Panteão por ser um grande escritor. O que agora se homenageia é o carbonário, o bombista, o republicano, o «democrata». Razões não muito diferentes das que levaram Junqueiro ao mesmo pedestal. Mas isso também não tem mal nenhum. Cada regime tem os seus heróis.

Não contesto. Mas ver num bombista que atenta contra a vida do Rei um herói não pode deixar de ser o espelho da mediocridade deste nosso regime.

IPA 9


IPA 8 - soluções


Pensamentos do Dalai Lima 2468


Estou a chegar à idade da reforma,
tenho de fazer qualquer coisa.
- Lutero

fartar à vilanagem

Apresentei a minha declaração de IRS em Abril, através da internet. Porque o Estado publicitou que reembolsaria em primeiro lugar quem indicasse o seu NIB, optei por fazê-lo. Passados 2 ou 3 dias, ficou disponível a liquidação provisória. Confesso o meu contentamento quando percebi que, o mais tardar em Setembro, regularizaria o meu cartão de crédito. O tempo foi passando e ainda em Julho, foi amplamente noticiado que, apesar do prazo para o reembolso só terminar em Setembro, o mesmo seria realizado o mais tardar até 31 de Agosto. Confirmei a informação na net, onde na minha área aparecia "reembolso até 31 de Agosto". Chegados a 21 de Setembro, constato que o Estado ainda não devolveu o dinheiro que me reteve em 2006. Verifico igualmente que na net continua a informação "reembolso até 31 de Agosto". Se eu fosse adepto de teorias da conspiração, diria que estão à espera que eu falhe alguma obrigação fiscal declarativa para, aplicando-me uma coima, reterem o reembolso por mais algum tempo. Como, porém, ainda acredito na bondade da nossa administração fiscal, prefiro imaginar que não passa de pura incompetência.
Seja como for, gostaria que um dia alguém me explicasse como se eu fosse muito burro, porque razão o Estado se arroga no direito de reter uma parcela significativa do meu rendimento (a parte que é suposto ser reembolsada) meses sem fim, sem que tal facto dê origem ao pagamento dos respectivos juros de mora. Bem sei que até à minha declaração anual não é possível determinar o montante do reembolso, mas a verdade é que, pelo menos, desde finais de Abril possui o Estado todos os elementos de que necessita para me devolver o meu dinheiro.
Já agora, gostaria também de saber qual a razão que leva tantos órgãos de informação "independentes" a fazer o frete ao Estado na publicitação de notícias falsas acerca das datas do reembolso, não cuidando de confirmar se as mesmas correspondem efectivamente à verdade. A nossa sorte é que as eleições se aproximam, pelo que nos 2 próximos anos os serviços do Estado que procedem ao reembolso deverão ser bem mais eficientes...

quinta-feira, setembro 20, 2007

Ovos, pintainhos e melancias

Deus (o outro) no seu melhor, em resposta a alguém que não só desconhece a História como legitima a morte de pessoas em nome de interesses espúrios. Nada a que não estivéssemos já habituados!

"quando os Lobos Uivam"

Sou daqueles que se deixam facilmente seduzir pelos testemunhos de quantos apregoam os malefícios da prática desportiva. Sobretudo dos desportos ditos colectivos, aqueles que somam à falta de jeito de uns o mau feitio dos outros, com resultados, as mais das vezes, dependentes da incompetência dos juízes ou de outras coisas piores ainda. Seja como for, não conheço quem sustente que seguir o fenómeno desportivo provoca lesões irreversíveis, o que me dá a tranquilidade de espírito bastante para ir acompanhando, com mediana atenção, desafios de futebol e eventos de dimensão planetária. Como, por exemplo, o Campeonato do Mundo de Rugby.
Causou surpresa a raça que os nossos lobos demonstram no campo de jogo, entregando-se à luta até ao limite das suas forças, conscientes de que, ali, são mais do que eles próprios. Nota-se que sentem com orgulho o peso de representarem o País que gostam de chamar seu. Para além disso, o que já não é pouco, espantaram meio mundo por saberem, todos, entoar o hino nacional e por cantarem-no com indisfarçável brio. É evidente que a memória da bufa assaltou os espíritos menos livres e foram muitas as penas de onde jorraram enormidades de um anti-nacionalismo primário, a que não faltou o costumeiro e jacobino preconceito social, como se o pecado original fosse agora, na fase pós-moderna do relativismo católico, o de provir de famílias de apelidos menos usuais ou de origens mais remotas.
As almas mais intranquilas com tão desbragada manifestação de patriotismo tomaram como lenitivo o facto de a RTP não se ter dignado cobrir, em sinal aberto, a participação da selecção nacional no campeonato mundial de rugby, por considerar que tal cobertura não integraria o conceito de serviço público, não explicando por que razão nele cabe a transmissão de um jogo de basquetebol entre as lusíssimas formações da Espanha e da Grécia. Sobre este mistério insondável, julgo não ter ouvido os gemidos do senhor presidente da república, mais talhado para comentar "tapinhas" de seleccionadores de futebol.
Enquanto os lobos uivam em França, por cá, consuma-se a transmutação do Panteão Nacional em Talhão Oficial dos Artistas e dos Escritores. Para além de ter sabido conspirar contra as trevas que foram os tempos da Monarquia e do Estado Novo, terá tido Aquilino o mérito de não ter andado para aí a gritar o hino nacional ou a exibir quaisquer outras serôdias mostras de espírito patriótico.
Nuno Pombo (Diário Digital)

Special One

terça-feira, setembro 18, 2007

A verdadeira história do 11 de Setembro

Finalmente, a verdade sobre o que realmente se passou dentro daquele avião.

Exegese matemática

Tempos houve em que a fidelidade estrita a um princípio de autoridade impunha, como padrão de abordagem dos textos, um método exegético filológico-gramatical. Perdia-se a intencionalidade mais funda do enunciado linguístico, ainda que se não apartasse do horizonte do exegeta um contexto histórico-civilizacional de emergência do mesmo. Tido por empobrecedor, foi ele – embora não definitivamente – superado, contagiando-se o intérprete por outras racionalidades de pendor material.
Dita, ao arrepio disto, a pós-modernidade jacobina, posta em marcha, não raras vezes, para encobrir a vacuidade de quem se julga arauto da intelectualidade, a substituição da primitiva impostação metodológica pela exegese matematizante, própria de quem faz contas de merceeiro.
Elucidativo de quem lança mão do expediente, propunha a quem se lembrou de semelhante contabilização que prossiga com o exercício. Mas desta vez mais detidamente, para contar o número de vogais e consoantes que surgem no Texto Bíblico. O interesse é igual ao do cálculo já encetado, mas tem a vantagem de deixar o exegeta contabilístico ocupado por uns tempos. O que só pode ser motivo de júbilo.

ainda há quem os tenha no sítio

O Governo chinês voltou hoje a criticar o encontro de responsáveis políticos com o Dalai Lama depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter anunciado que receberá o líder tibetano no seu próprio gabinete. (Publico)
Por cá, como aliás é hábito em política internacional, baixou-se as calcinhas. Pena é que o nosso conceito de bons alunos não nos faça seguir os bons exemplos que chegam de fora.

Giorgio Moroder - From Here To Eternity

Se a Gi teve dificuldade em escolher o seu eleito para a letra "G", já o mesmo não se passou comigo. Se bem que o meu escolhido não seja propriamente um icone dos anos 80, a verdade é que foi nessa época que mais ouvi o disco de vinil de Giorgio Moroder que os meus pais guardavam na estante. Aqui fica "from here to eternity".

As "canções" do meu imaginário de A a Z

Terminadas (há muito) as férias, está na altura do regresso. Para a letra "G" tive algumas dúvidas (a oferta não é muita). Estive tentada em trazer Genesis, mas confesso que tenho sentimentos contraditórios relativamente à banda de Phil Collins. Assim, apesar da pirosice, a verdade é que GM, enquanto vocalista dos Wham, deixou a sua marca nos anos 80. Até já.

Pensamentos do Dalai Lima AEIOU


Melhor que um busto em bronze,
é um busto bronzeado.

kafka

Têm sido muitas as vozes insurgentes contra a libertação de presos preventivos, alegadamente perigosos. Se me permitem, porém, gostava de saber se o problema é o da nova lei que estabelece prazos de prisão preventiva mais curtos e condições mais rigorosas para a sua aplicação, ou do antigo sistema que insiste em não acusar e, consequentemente, não julgar quem é presentemente suspeito da prática de um crime, encontrando-se preso preventivamente por esse motivo.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Ervas Daninhas


Brilhante. Genial. E perverso. Hoje à noite, não percam por nada deste mundo "Weeds" (ou "Erva", numa tradução preguiçosa), sitcom, ou algo de parecido com isso, que passa na RTP 2 . Trata duma pobre mãe de família que depois de enviuvar se vê obrigada a recorrer ao tráfico de "erva" para sustentar a família. Os actores são fantásticos, os diálogos inteligentes e desopilantes, a realização prodigiosamente hábil.
Weeds é mais um salto de gigante na arte tão exclusivamente americana do que chamarei o «polémico consensual». Pega-se num tema fracturante e maquilha-se tão bem, que pode ser lido, logo apreciado, segundo os pontos de vista mais díspares. Como o «Principezinho» e os «Simpsons», mas bem mais difícil de analisar, como um vírus que vai para os copos com os anticorpos. É uma crítica à sociedade materialista americana dos subúrbios, como é patente no fabuloso genérico? É, sem dúvida. É uma sátira aos tipos sociais dos States, como o político corrupto ou o casal rotineira e mutuamente adúltero? Absolutamente. À falência da família? À escola? Ao mundo empresarial? Tudo isso. E no entanto, é muito mais. É igualmente uma genial apologia da deliquescência de costumes, da degeneração das almas e da sociedade. Moralista, moi? Não, moralista é a frase da heroína (sim, sim, é um trocadilho) no último episódio, justificando-se perante o filho: «A erva é um crime sem vítimas.» Quando a ouvi, as dúvidas desvaneceram-se-me. A hipocrisia não é menos hipocrisia por ser inteligente, é mais. E não é exclusivo da direita social. Parece-o simplesmente menos quando vinda da esquerda, porque a esquerda faz embrulhos muito mais apelativos. Mas está lá tudo: o polícia da DEA que se apaixona pela heroína e lhe cobre as actividades enquanto lhe prende a concorrência. O cunhado/tio (desempenho superior) que leva o sobrinho de dez anos ao bordel para se iniciar, e lhe explica as várias técnicas da masturbação. O aborto tornado obrigatório por o rapazinho querer agarrar a namorada que se preparava para ir estudar para outro estado. É só escolher. E sempre deixando a dúvida entre a sátira e a apologia. A erva não causa habituação, toda a gente sabe. A erva não é um patamar para as drogas duras, toda a gente sabe. A América não é o país onde o capitalismo selvagem e o fanatismo libertário convivem de mãos dadas, prosperando nos seus interessess mútuos. Toda a gente sabe. E entretanto, como diziam os Waterboys: «And childrem stare with heroin eyes.»

Para todos aqueles que, como eu, só hoje regressam ao trabalho



A emissão segue dentro de momentos.

obrigatório ler

"A «libertação sexual» do capitalismo é, como quase todos os produtos capitalistas, um produto agradável mas baseado em ilusões. Desde logo porque o «mercado sexual» do capitalismo é implacável para os «excluídos», como é implacável para os excluídos em todas as outras áreas da vida. Quando temos alguma proximidade com a «classe dirigente» do capitalismo sexual (somos jovens, atraentes ou afluentes) gozamos as delícias da «libertação». Caso contrário, vivemos na mesma miséria em que viviam e vivem todos os excluídos em todos os regimes sexuais."

O Sinistro da Justiça


Este blogue está recheado de excelentes profissionais do Direito. Não é um piropo, é algo de verificável por quem o leia com alguma frequência. Por isso, e porque não nutro a menor inclinação por essa disciplina, raramente me pronuncio sobre ela. Fazê-lo hoje, gostaria que fosse considerado sintoma da minha indignação.

Aquele Sr. Alberto Costa, produto típico do Maio de 68, e da sua mentalidade de moldar a vida, nem que seja contra os interesses de quem a vive todos os dias, a vida toda, decidiu que já chega de Portugal ser apontado nos fora internacionais pelo excesso de prisão preventiva. Nesse particular, estou com o Sr. Ministro. Como estou com quem denuncia o cancro gémeo do insucesso escolar, que surge sempre a vermelho na coluna «Portugal» das estatístisticas europeias.

Fazemos portanto o mesmo diagnóstico - eu, o Sr. Ministro, a totalidade da população portuguesa dotada de pelo menos dois palmos de testa, e ainda o Sr. de La Palice.

O problema são os caminhos a seguir. E os seus, e dos seus colegas socialistas e afins da Educação ao longo das últimas décadas - é varrer para debaixo do tapete. Os meninos chumbam que nem tordos a Matemática, Língua Portuguesa, e tudo o resto? É passá-los, e logo subimos uns lugares nos quadros da OCDE! Temos excesso de preventivos nas prisões? É passá-los cá para fora. Não importa que se liberte de imediato praticantes de crimes graves, que se mine e desmotive o trabalho das polícias e do MP, que se aumente o sentimento já insuportável de impunidade. O que é preciso é libertar o país do libelo de possuir um sistema judicial injusto.

Acelerar verdadeiramente a justiça? Seria como fazer os meninos aprender verdadeiramente. Uma ideia interessante, mas trabalhosa. E os socialistas, como provam 30 anos de democracia, acham que a essência do poder não é mudar de vida, é mudar de leis. O resultado? Sinistro, Sr. Ministro.


PS: Antecipando desde já possíveis comentários hostis, claro que o mal de varrer para debaixo do tapete não é exclusivo dos socialistas. Eles são simplesmente os melhores na disciplina. Os outros, são meros imitadores.

reforma

Não comungo das críticas ao novo Código de Processo Penal, pelo menos no que respeita à libertação de cerca de 200 presos preventivos. Com efeito, a prisão preventiva é uma medida de coacção que o novo código, à semelhança aliás do que já se passava com o antigo, reserva para os casos extremos, agora ainda com mais limitações. Não deixa de ser curioso, porém, que os principais responsáveis pela alteração sejam aqueles que vêm agora criticar a nova redacção, porquanto foram eles que, ao arrepio da lei antiga, pouca parcimónia tiveram na aplicação da medida. Adiante.
Há, ainda assim, algumas críticas que merecem reflexão, nomeadamente aquelas que clamam pela falta de meios que possibilitem a aplicação da nova lei. Hoje de manhã, Maria José Morgado afirmava que a magistratura do Ministério Público não dispunha de meios informáticos que permitissem acompanhar a alteração legislativa, dando a entender que teríamos dado um passo maior do que a perna. Desconheço em concreto as condições de trabalho do MP, mas suspeito que, à semelhança do que acontece com os demais operadores judiciários, sejam pouco mais que miseráveis. E aqui chegamos à questão fundamental: continuamos convencidos de que o falhanço do sistema, no caso judicial, assenta numa lei insuficiente ou deficiente. Será esse o motivo que tem levado o legislador, essencialmente nos últimos 15 anos, a profundas reformas no âmbito das diversas leis processuais, convencido, eventualmente, de que conseguem dessa forma mudar o sistema. Quem "aqui" trabalha bem sabe que o problema não está na lei mas sim na sua aplicação. Basta ver o que aconteceu ao regime da acção executiva - anteriormente as execuções eram lentas, agora estão paradas.
Está, pois, na altura de dotar os tribunais de meios capazes, de formar funcionários e magistrados, de mudar mentalidades. Esta sim, a reforma necessária.
Nota: já depois de publicado, leio o texto que o Jorge Lima escreveu. Como de costume, concordo e, em certa medida, o meu post torna-se desnecessário. Deixo para memória futura.

Pensamentos do Dalai Lima 0987654321


Um socialista é um português
que correu mal.

sexta-feira, setembro 14, 2007

espanta espíritos

Andam por aí umas virgens ofendidas, mortinhas pelo afastamento de Scolari, invocando o (santo) espírito desportivo e o camandro. No fundo, no fundo, à semelhança de Clemente (treinador da Sérvia), acha esta malta que Scolari deveria ser irradiado, pois subsverteu o fair play. Não percebem, provavelmente porque não gostam ou não percebem nada de futebol, que a suas exigências moralistas (que recusam, porém, aplicar fora do desporto) deixariam de fora jogadores como o Maradona, Cantona, Gascoigne ou Romário, todos eles perpetradores (andava mortinho por escrever esta palavra) de actos bem mais hediondos que o praticado por Scolari na última quarta-feira. Vão mas é pastar.

And Now For Something Completely Equal - Como Metê-Lo

Comovente, a maneira como o Comoventador económico Peres Metelo nos senta ao colinho para nos explicar, qual Marcelo Caetano a conversar com a família alargada, as vantagens e inevitabilidades da política de flexisegurança do Governo, com uma flexibilidade e segurança que me fazem por vezes rolar uma lágrima teimosa pelas faces abaixo. Quaisquer dúvidas que me possa suscitar a política económica do Engenhoseiro, qualquer putativa incoerência que detecte, qualquer boato de adiamento das propaladas reformas que me chegue ao conhecimento, logo se me desvanecem ao ouvir a voz doce de Mettelo a falar-me ao ouvidinho. Bem-haja, bem aja, Professor Metello, tantas vezes como os 150.000 empregos que o nosso bem-amado PM vai criar, por nos tranquilizar e mostrar que, por mais que os câes ladrem e tentem morder as canelas dos camelos do PS, estamos quase quase quase a chegar ao óasis!

IPA 8


quinta-feira, setembro 13, 2007

amen

"As putas das criancinhas
Não esperava, depois de tantos anos de instrução, ter que explicar isto outra vez. A única coisa que se deve exigir a Scolari é que seja um bom selecionador nacional. Não se contrata um treinador para ser um "exemplo", como dizem, sintomaticamente, Daniel Oliveira e Tiago Mendes. É a mesma coisa com os politicos. Eu quero poder votar num mentiroso. Se um mentiroso me governar melhor que uma pessoa honesta, porque razão me hei-de prejudicar? No futebol escolhe-se os melhores treinadores e os melhores jogadores, não as melhores pessoas ou as que dão melhor exemplo, porque o objectivo do futebol é ganhar. Na politica vota-se nos que têm as melhores politicas, não nos que são mais honestos, porque o objectivo da democracia é poder escolher aquele politico que nos poderá governar melhor. Se uma pessoa se obrigasse a votar no mais honesto e não no que tem melhores politicas para o país, temos que reconhecer que Francisco Louçã mereceria 99 por cento dos votos. Mas eu prefiro José Sócrates ou Paulo Portas a Francisco Louçã, porque prefiro ser governado por boas politicas que por pessoas honestas.Mas Tiago Mendes vai mais longe que Daniel Oliveira, que se limitou à cruzada moral típica dos outdoors do seu campo político.Depois de, com uma cara de pau sem limites, negar ter feito a comparação entre o soco de Scolari e a tragédia de Heysel, Tiago Mendes diz que a acção de Scolari é a "negação do espirito desportivo". Esta merda põe-me doente. Muito exactamente, o que é o "espirito desportivo", caralho? Onde é que está escrito que o selecionador "é um pedagogo"? Está a ressacar, o Tiago Mendes, é isso? Um gajo agora porque é competente na sua profissão também tem que ser boa pessoa? E o futebol, é um projecto de educação e elevação moral nacional ou um local onde se joga futebol? Estamos onde, foda-se? Se é que as duas palavras fazem sentido juntas, o "espirito desportivo" manifesta-se em, exclusivamente, duas coisas: vitória e/ou beleza estética. Não há mais nada no mítico "espírito desportivo". Tudo o que vá para além disso consta do prémio Fair Play da FIFA, uma excelente competição para os Suiços e os Suecos. Mesmo o vocábulo 'desportivismo' só deveria ser utilizado para significar que a vitória e a derrota deve ser recebida por vencedores e perdedores com a noção de que 'para o ano há mais', e não como uma avaliação de conduta. Todo o texto do Tiago Mendes é uma confusão ilimitada de tudo com nada, um tratado de ignorância desportiva e de obliquidade moral. Reparem na frase seguinte, em que se discorre sobre o futebol nacional:"Continuar-se-á a optar por seleccionadores de sangue quente - mais adaptável à “natureza latina” dos nossos jogadores, dirão alguns -, que primam pelo culto dos mergulhos, das dores fingidas e outras pieguices, pela conversa interminável sobre os árbitros e outras desculpabilizações possíveis, etc." Tiago Mendes não sabe de onde vem o "culto dos mergulhos" (como, aliás, muita gente) e desconhece conversas interminávies sobre árbitros noutros paises. Em face disto, Tiago Mendes conclui que precisamos de "dois ou três anos de reflexão" para acertarmos o passo, e aprendermos um pouco sobre "humildade, dedicação, mérito, esforço, responsabilidade e fair-play." Realmente, se há coisa que, por exemplo, Figo, Cristiano Ronaldo ou Simão Sabrosa precisam é de lições de "humildade, dedicação, mérito, esforço e responsabilidade". Aliás, Figo, Cristiano Ronaldo e Simão Sabrosa são três dos melhores executantes mundiais da sua profissão porque tiveram ao longo das suas carreiras uma enorme falta de humildade, de dedicação, de mérito, de esforço e responsabilidade. Não vamos aqui devolver o conselho de "dois ou tres anos de reflexão" ao Tiago Mendes. No próximo ano, quando estiver a correr nos campos verdejantes de Oxford, pode ser que um relampago de claridade lhe ilumine o cortex. Suponho que não estará demasiado fora do horizonte o dia em que o desporto será destruido pelos moralismos que as pessoas querem encavalitar em cima das leis e regras de cada modalidade. Quiseram (mas não foram a tempo) tirar o prémio de melhor jogador do mundial de 2006 a Zinedine Zidane porque este espetou uma magnifica cabeçada num outro jogador. Quiseram tirar-lhe o merecidíssimo galardão porque Zidane se portou mal? Não! Porque a sua má acção apareceu na televisão e ele é um "exemplo" para as putas das criancinhas. Podemos votar e escolher quem nos governa; estando no blogue em que está, imagino que o Tiago Mendes seja um liberal, que acredite nas pessoas e na sua capcidade de decidir o que é melhor para si e para os seus; que defenda que o Estado paternal deva re-exportar muitas das suas actuais responsabilidades de volta para a esfera da liberdade individual de cada um; mas quando se trata de futebol somos todos, para além de orfãos, estúpidos."

ainda a propósito de países subdesenvolvidos

(sobre a criança inglesa desaparecida)
Já aqui falei do assunto. Todos os dias, nos jornais e nas televisões, assistimos à notícia de factos que constam do processo, que está em inquérito - logo, em segredo de justiça -, como se nada fosse. Isto, apesar de a lei qualificar como crime a revelação de dados abrangidos pelo segredo de justiça. Magistrados, polícia, comunicação social e opinião pública em geral ignoram a questão, ávidos de pormenores escabrosos que sustentem a tese de homicídio. A impressão que dá é que a polícia tem vindo a largar notícias, de forma condicionada, com o objectivo de influenciar a opinião pública. Seja como for, o segredo de justiça tem vindo a ser violado sem apelo nem agravo, sendo obrigação da Procuradoria abrir inquérito para apurar qual a fonte de tais informações. Só o não fará se ela própria for conivente com a situação.

quem nunca deu um soco a um sérvio que atire a primeira pedra

Ponto prévio: não gosto de Scolari. É arrogante e malcriado. Adiante.
A forma como a populaça e os intelectuais da bola têm vindo a reagir ao "tapa" que o seleccionador deu ontem a um jogador sérvio é exagerada, bem demonstrativa da inveja que grassa num povo subdesenvolvido e mentecapto. De certa forma, é comparável aos apupos com que uma cambada de energúmenos brindou a mãe da criança inglesa desaparecida, à entrada para uma inquirição na polícia na semana passada.
Todos sabemos que nós, portugueses, somos pródigos em mudanças de humor frequentes e que, com facilidade, transformamos bestas em bestiais e vice-versa. É a novela da vida real.
Não está em causa a atitude reprovável de Scolari, o qual tem de ser castigado pelo seu acto. Está, sim, em causa a forma como o pretendem crucificar, apedrejando-o ao primeiro erro grave.
A memória de alguns, os tais que afirmam que Scolari não presta, é curta, esquecendo que nunca antes Portugal atingiu resultados desportivos no futebol como agora, desde que Scolari é o 1.º responsável pela selecção. No fundo no fundo, estavam mortinhos por um deslize, que lhes permitisse cuspir a espinha que tinham entalada. Eles são (i) os fiéis seguidores do grande Jorge Nuno, despeitado pelo seleccionador, (ii) aqueles que têm dificuldade em aceitar que um não português dirija os destinos da equipa nacional ou (iii) os do contra, auto-intitulados intelectuais da bola, profundamente crentes de que também eles conseguiriam obter os resultados que Portugal alcançou até agora. Falo não só de patetas como o Rui Santos, mas também de todos os outros zé ninguéns, incapazes de tolerar o sucesso alheio.
Pena é, que cegos pelo desejo de vingança, esta gente mesquinha não consiga aceitar os pecadilhos dos outros, porventura muito menos graves que os seus próprios. Pena é, que critiquem Scolari e esqueçam a forma como fomos ontem roubados por um árbitro habilidoso, para mais reincidente, que deve estar neste momento a rir-se com a autofagia a que nos temos vindo a dedicar desde ontem à noite. Cambada.

Pensamentos do Dalai Lima 1-1


Kosovo quer Scolari

quarta-feira, setembro 12, 2007

Prioridades vs. propaganda

Hoje, no dia oficial de abertura do ano lectivo, estão nada mais-nada menos que 21 membros do Governo espalhados pelas escolas deste país a entregar computadores.
Já não há dinheiro nem para pagar o serviço de entrega ou não têm mais nada que fazer?
Parece que, desta forma, aproveitavam para conversar com alunos e professores.
Desculpe...? Para conversar? Assim estilo pôr a fofoca em dia? Ou estará o Sec. Estado do Tesouro (por exemplo) em reunião de trabalho com a Directora da Escola Básica do 1º Ciclo de Barca de Alva (por exemplo)?
Depois de ter ouvido ontem o PM a perguntar a um aluno de Resende "tás porreiro?", prevejo o pior para os alunos com esta descarada acção de propaganda.
Mas o PM diz que não, não é propaganda. "Estamos apenas a cumprir o nosso dever e quem cumpre o seu dever não está a fazer propaganda. A prioridade dada à Educação vê-se pela presença do Governo para assinalar este dia", diz o PM. Claro, vê-se por isso e por umas centenas de outras medidas, quiçá prioritárias em relação a esta.
Eu já nem discuto o plano em si, até porque não conheço o suficiente. Mas a avaliar pelo que disse uma aluna de Oeiras, que recebeu um portátil - "eu já tinha um computador fixo, mas um portátil é melhor. Dá para ir para a cama e ficar um bocado na net antes de adormecer. Para trabalhar é melhor o fixo, este é mais para falar com os amigos" (in Sapo) - alguma coisa não está correcta.
Esta mania socialista de tratar de forma igual o que é diferente é desconcertante! Percebam, de uma vez por todas, que somos todos diferentes!

Procura-se alguém que partilhe uma dita experiência

Regressada de férias há pouco mais de uma semana, ainda não consegui encontrar uma explicação para a dúvida que me surge anualmente por volta do fim de Agosto: por que é que as pessoas não têm Via Verde...?
Excluindo estrangeiros e emigrantes, quem comprou carro nas vésperas de partir de férias e umas quantas famílias que podem pagar o carro em suaves prestações mas não o identificador, por que é que há tanta gente que faz questão em parar na portagem??? Que eu saiba, não oferecem nada que valha a pena nem nada que não valha, estilo iogurtes com validade de 1 dia ou batatas fritas rançosas. E também não é propriamente um momento de descontração, nem que propicie a socialização, nem dá para ir só ali fazer um xixi....
Há alguém por esta blogosfera fora que possa partilhar a sua experiência de ficar parado nas filas das portagens? É só mesmo curiosidade.

Alô Woody, como eu te compreendo


Caro Woody,

Como está a Soon-Yi e o resto da família? Desculpa não te escrever mais cedo mas os últimos dias têm sido complicados. Para além dos dias de férias fora de Lisboa não quiz, como combinado, escrever-te antes de ver o "Scoop".

Agora percebo o porquê de tanta insistência para que eu visse o filme.

O filme não é nada de especial, mas bem te compreendo. Mal acabou o "Match Point" deves ter pensado: o que é que hei-de fazer para aguentar aqui esta miúda mais uns tempos? Estou sem ideias para filmes, estou cansado... Já sei, misturo o "Match Point" com o "Small Time Crooks", vou buscar uma falas antigas e meto a miuda a nadar numa piscina.

O filme não é grande, mas tu és.

Abraço e beijo à Soon-Yi

PS: Diz à Scarlett que eu também tenho piscina

Políticos de trazer por casa


Quem anda pela blogosfera tem muito por onde escolher em termos de assunto. Temos os blogs de putos de liceu que não têm interesse nenhum e que só falam de MTV e de telemóveis. Temos os Blogs da malta do tunning, onde se aprende onde comprar aquelas luzes roxas para pôr debaixo do carro. Temos os blogs intelectuais e psedo intelectuais. Temos os blogs gay, os homofóbicos, os de gordos, os de magros, os de miudas giras e os de miudas que querem parecer giras. Temos blogs para todos os gostos.
No entanto há um tipo de bloguer que acredita ser o rei. O supra sumo dos bloguers. O salvador da pátria e do planeta. Desse pequeno nicho de iluminados, que cada vez existem mais, fazem parte os bloguers comentadores políticos. Todos têm algumas qualidades comuns, sejam eles de esquerda profunda ou caviar, de direita profunda ou de direita sande de coirato, com sagres mini preta. Todos são visionários, todos sabem muito de ciencia política e de relações intenacionais, e todos acham que o actual sistema de partidos está esgotado.
Consoante a sua corrente lêem todos a mesma coisa e acham que, se são por exemplo liberais, têm de defender essa visão em tudo, até no modo como se vai à casa de banho. Quando se começa e ler o texto de um desses "visionários" sobre um determinado assunto, é muito raro ficar-se supreendido, por isso já só os leio de vez em quando para confirmar esta minha teoria.
Muita desta gente não conhece o país real, o país das famílias com dois filhos e rendimento médio de Euro: 1300, no entanto falam horas sobre as coisas que aprendem nos curso de ciencia política da UCP, e sobre o modo como tudo tem de mudar.
A todos sugiro que vejam ou revejam "Il Gattopardo", e que aprendam que "tudo tem de mudar para que tudo fique na mesma"

Não é fácil

Há uma coisa que me tem feito particular confusão no debate esotérico sobre a selecção de rugby que vem assolando a blogosfera. Por que razão a esquerda (e alguns liberais ultraindividualistas, reconheça-se) se incomoda tanto que os "lobos" cantem o hino de forma empolgada? Têm alguma coisa contra a alegria de quem joga pelo próprio país? Ou jogar pelo próprio país é, em si mesmo, uma coisa discriminatória e imprópria de uma sociedade mais justa, mais livre e mais fraterna, inclusiva e diversa, ecologicamente comprometida e energeticamente responsável?
Cantar o hino passou a ser uma manifestação ideológica? Atávica? Fascista? Inadmissível num país multiétnico e multicultural?
Qual é a forma de o cantar mais apropriada a um verdadeiro homem de esquerda? De sorriso trocista nos lábios e olhar desdenhoso? De punho fechado? Nos transportes públicos? De cara tapada? Com uma letra alternativa? No meio de um campo de milho? De "kuffiyeh" enrolado ao pescoço? Enquanto parte "esta merda toda" (Gualter dixit)?
Qual é o exacto grau de emoção que um homem de esquerda pode extravasar ao cantá-lo? Nenhum? Pouco? Poucochinho? Assim-assim? Qualquer coisinha?
Muda alguma coisa se for tocado por um djambé e cantado por uma banda rap da margem sul?
Tantas dúvidas. Não é fácil ser de esquerda. Dá uma trabalheira ser assim simples, aberto e descomplexado.

Confissão à revelia

Talvez os nossos leitores não saibam mas neste blog temos diariamente uma luta interna contra a popularização do mesmo. Nos bastidores deste grupo de amigos, são diariamente trocados cerca de 1700 e-mails que nunca chegam a ser posts. Neste preciso momento em que tento em vão trabalhar, o meu computador está continuamente a dizer-me que chegou um novo mail. A discussão de hoje estás algures entre o liberalismo na China e um teste de ADN à bagageira do carro de um dos blogers, por causo do rapto de um comentador do programa "Tertúlia Cor-de-rosa", que diz que não é gay porque vai à missa. Como podem ver, após horas de discussão apenas a créme de la créme dos temas chega ao blog em forma de post. Infelizmente o mesmo não acontece com a minha caixa de mails.

Pensamentos do Dalai Lima XPTO


Governo recusa receber Dalai Lama
com medo de que China invada Macau.

terça-feira, setembro 11, 2007

mas

Independentemente das opções políticas de cada um, consideramos que há momentos em que não podemos vacilar na escolha do lado da barricada que queremos integrar. O 11 de Setembro é um desses momentos. Perante o maior ataque terrorista de sempre, que provocou cerca de 3000 mortos civis, há quem insista em tapar aquela hedionda brutalidade com comprometidíssimos "mas". E são estes "mas" que acabam por revelar quem é verdadeiramente livre nas suas convicções. A verdade é que podemos (e devemos, acrescentamos) condenar categoricamente, sem quaisquer tibiezas, os acontecimentos que marcaram uma nova era sem ter de apoiar, por esse motivo, a administração Bush, a política externa dos EUA, a opção de retaliação e os muitos disparates, criminosos boa parte deles, que se seguiram àquela barbárie. Aquelas imagens, que ainda castigam os olhos de quem tem memória, escreveram uma nova e expressiva página da história da brutalidade humana. E é isso, apenas isso, que queremos condenar. E condenar vivamente. Em nome de quantos tiveram de morrer por isso.

Nuno Pombo e Rui Castro

Pontapés na Língua


Após umas merecidas férias, voltamos ao contacto dos leitores com mais uma pontapérola. Desta vez, muito subtil: não há nada de incorrecto, gramaticalmente falando; mas em termos comunicacionais, é um autêntico 11 de Setembro. Ah, e é uma tradução. Num documentário de vida animal.



Quando a víbora da Papua ataca, as suas presas
saem do invólucro protector.



Perdão?!?

É bom senso mínimo, Dr. Paulo Portas.

Noticia hoje o Público que um membro da actual Direcção do CDS, Miguel Matos Chaves, proferiu ferozes críticas a Santana Lopes, acusando-o de ter deixado o país "num estado indescritível". Acabou mesmo por classificá-lo de "imbecil". E confidenciou, por fim, que nenhum PR, fosse ele de esquerda ou de direita, aguentaria um primeiro-ministro como Santana. Bastaria que tivesse "o mínimo de bom senso". O mesmo que terá faltado a todos os que tornaram possível o marasmo, servindo com dedicação e lealdade a imbecil criatura, certo Dr. Matos Chaves? Que divertido deve ser o pluralismo directivo do CDS!

Ler os outros...

Ainda a propósito de Saramago, da sua entrevista ao DN (15.07.2007) e da matriz cristã da Europa:

"O projecto europeu não começou com o sonho de Lenine, nem acabou com a queda do muro de Berlim" D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, in Correio do Vouga.

Pensamentos do Dalai Lima Nine Eleven


Odeio-vos tanto,
que era capaz de
dar a vida por vós.
- Bombista-suicida

recebido por e-mail


segunda-feira, setembro 10, 2007

Onde Quixote vê gigantes, Sancho vê moinhos

Esta frase do Henrique Raposo "É que pior do que um imbecil só mesmo um imbecil nacionalista que vê mapas cor de rosa como quem vê moinhos de vento." poderia fazer sentido não fossem mesmo moinhos de vento aquilo com que se depararam Quixote e Sancho. A imagem passa mal, portanto.
A propósito, recordo que o mapa cor-de-rosa, enquanto pretensão territorial, foi uma imbecilidade exactamente do mesmo calibre da que pretendia e conseguiu unir o Cairo ao Cabo. Imbecilidade própria de outra era.
Tenho sérias dúvidas quanto ao acerto da afirmação de que a política terá desaparecido da vida dos europeus. Não tenho qualquer prova concludente quanto a isso e, pelo contrário, tem havido excepções que bem podem constituir uma regra.
Mas tudo isso são minudências.
Ao que parece, o que aflige mesmo o Henrique é que os portugueses se sintam picados no seu brio jornalistico-jurídico-patriótico e resolvam responder aos ingleses. Esses que, apesar de dotados de uma justiça aparentemente irrepreensível, preferiram sentir-se ofendidos pelos imbecis portugueses e pela sua justiça imbecil e partiram, eles próprios, para a imbecilidade.
Como não conheço o processo nem detalhes da investigação, recomendaria mais cautelas na adjectivação e, sobretudo, menos estrionismo no apelo à reflexão.
Quem não gosta de novelas não lhes alimenta os guiões.

Eu bem vos dizia - Parte 1

Ora aqui está o nosso primeiro concorrente ao lugar de Clarividente Criminal e/ou Moita Flores de Bolso. Atenção que neste caso temos também um sério concorrente ao lugar de jurista do ano, melhor criminologista internacional comparado e campeão na procura de lindos mapas na internet.

O país dos clarividentes criminais ou dos Moita Flores de bolso

Quem ainda não ouviu, de 5ª feira passada para cá, alguém a dizer, "eu cá desde o início que achei os McCann muitos estranhos, eu sempre pecebi que eles estavam metidos nisto até às orelhas", é porque está a morar no estrangeiro.

tudo está bem quando acaba bem

foi por demais evidente que aquela infantilidade de Novak Djokovic mais não foi que um favor ao nosso maradona. Nós agradecemos. Quando faltavam 14 minutos para a meia noite e meia (prazo que o maradona deu a Federer para ganhar o jogo), Djokovic decidiu fazer a sua pior jogada do encontro, atirando a toalha ao chão. Nada justifica, porém, a forma abichanada como Federer festejou a vitória. Um aspecto a melhorar.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Pensamentos do Dalai Lima 987654321

Agnósticos, só no fim do jogo.

IPA 7 - o regresso


Simplex linguístico ou a riqueza vocabular do pós-referendo

Não sei se já tinham reparado, mas o último referendo trouxe uma nova palavra à esquerda: "aborto". E veio substituir uma expressão muito comprida: "interrupção voluntária da gravidez". Um efeito simplex.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Pensamentos do Dalai Lima AZ


PSD e Somague mantêm
relação construtiva.

A responsabilidade do Estado

Deixei aqui a ideia de que me pareciam avisados os alertas do PR relativamente ao decreto da AR que aprova o regime da responsabilidade civil extracontratual do Estado e demais entidades públicas.
O Adolfo Mesquita Nunes, que (também) em Direito Público, em geral, e Direito Administrativo, em particular, é bem mais conhecedor do que eu, lançou, na caixa de comentários daquele meu post, uma série de dúvidas que, sendo genuínas, não escondem uma oposição de princípio ao que eu defendera. De resto, conhecendo o seu pensamento, essa oposição não me surpreende.
Deixei expresso o entendimento de que "antes do alargamento dessa responsabilidade (justo) tem de dotar-se o Estado dos instrumentos e da disciplina necessários e suficientes para que esse princípio ressarcitório surja devidamente contextualizado". Quis dizer com isto que o legislador pensa que resolve os problemas dos cidadãos dando-lhes a possibilidade de serem indemnizados quando devia ocupar-se em evitar a ocorrência da lesão.
O Adolfo, e bem, pergunta-se sobre os instrumentos e a disciplina de que falo eu. E recorda a existência de diplomas legislativos que regulam a actividade da administração pública, como o CPA, os PRACES, o CPTA. E também há a LGT e o CPPT, para falar em textos que conheço melhor.
Ainda que não tropece nestes diplomas todos os dias, sei bem que não é a sua existência suficiente para que o Estado se possa reclamar de uma disciplina irrepreensível. Recordo um exemplo, há pouco noticiado: a administração fiscal exigiu a uma série de contribuintes, erradamente, ilegalmente portanto, pagamentos por conta indevidos. Anos depois reconheceu o erro. Só quem não conhece a administração fiscal pode ficar surpreendido com isto. Há CIRS, CIRC, LGT, CPPT ... e nenhum desses diplomas impediu este erro tão grosseiro. O Estado propõe-se reparar os prejuízos que foram causados a estes contribuintes, e bem, mas o ponto que quero sublinhar é que estes casos resultam de uma deficiente estrutura administrativa e não da ausência de boas legislações e que eles (os casos) são muito mais frequentes do que aquilo que seria desejável.
Outro exemplo: o artigo 12º do Decreto vetado considera indemnizáveis os danos provocados pela violação do direito a uma decisão judicial em prazo razoável. É um bom princípio, mas conhecerá o legislador os tribunais portugueses? Aqueles em que os magistrados têm de interromper as diligências para andar de vassoura atrás de ratos? Em Lisboa...
Há muita coisa a fazer primeiro, meu caro Adolfo, antes de enganarmos os cidadãos com promessas de que serão ressarcidos. Repito: eles não devem querer ser indemnizados. Querem só que os não prejudiquem.

a ler

O Credo de Niceia, do Pedro Mexia.

quarta-feira, setembro 05, 2007

Madre Teresa de Calcutá

Muito se tem falado nos últimos dias em Madre Teresa de Calcutá. Tanto e tão comoventemente, para quem tenha o dom de receber mais um dos seus testemunhos com a abertura contemplativa de quem busca um sentido para a vida, que confesso ter ficado presa, na noite de ontem, a uma reportagem que lia sobre as suas dúvidas de fé.
A terrível angústia por que passou motiva espanto, é certo, porquanto estamos habituados a olhar para a santidade como algo longínquo e inatingível. Se outro mérito não tivessem as suas confissões, esse seria, desde logo, inegável. Colocam uma beata, no bom sentido do termo, cujo processo de canonização já se iniciou, no patamar do humano, da dolorosa experiência que a vida terrena arrasta.
Nada que não saibamos, mas que teimamos obliterar, quem sabe se por subconscientes motivações que, na dimensão mundanal que nos predica, nos fazem resvalar para a facilidade hedonística de um carpe diem mal vivido. É que Madre Teresa permaneceu lá, mesmo não ouvindo, mesmo não vendo, mesmo não sentindo. Quando tudo poderia ter abandonado, manteve-se fiel àquela que sabia ser a sua missão e a sua obra. E os frutos que disso colhemos são, não só materiais, como espirituais, pois encerra a sua conduta outra lição esquecida nos tempos que correm. Que o amor não é mero sentimento mas conformado pela vontade pode ser percepcionado por muitos; porém, é vivido por poucos. E ela viveu-o incansavelmente. Comungando com Cristo o calvário redentor da humanidade e o apelo solitário “Pai, Pai, porque me abandonaste?”. E com Ele vivendo no Pai e para o Pai.
A leitura dos brevíssimos excertos a que tive acesso mostra-nos isso mesmo. O silêncio de Deus foi, paradoxalmente, uma presença viva de Deus. Diria mesmo – sem pretensões de interpretação teológica – que uma vivência apaixonada da relação com Deus.
Tão apaixonada que potencia uma dilacerante falta Daquele que ama acima de todas as coisas, de Quem se habituou a receber, pelas suas experiências místicas, sinais sensitivos, e que se mostra agora ausente. Mas simultaneamente presente. Porque é por Ele que se entrega a todos, no rosto dos quais encontra, afinal, o rosto de Cristo. Porque é por Ele que afirma perturbantemente “se um dia for santa, serei uma santa da escuridão. Estarei eternamente ausente do Paraíso, para que possa continuar a ser a luz daqueles que na terra têm dúvidas”. Porque é por Ele que assume a sua condição de serva e se entrega, com o sorriso que nos habituámos a ver no seu rosto, à Sua vontade.
Uma vontade que comporta sofrimento. Que faz enveredar pelo caminho mais escarpado. E que motiva dúvidas. Afinal, as mesmas dúvidas que qualquer ser humano experimenta desde que não queira abdicar da dimensão crítico-reflexiva do seu eu. Pelo que a afirmação do ateísmo militante e convicto de alguns não pode deixar de, em antítese, significar também a soberba da convicção da autosuficiência do ser ou, em alternativa, a pobreza obsessiva de quem faz do combate à Igreja o seu lema de vida.
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