terça-feira, julho 31, 2007

Pensamentos do Dalai Lima 999999999


«Cera» é uma palavra que fica no ouvido.

gostas pouco gostas


Aqui há dias, numa das minhas análises diárias ao sitemeter desta vossa casa, constatei que tínhamos tido uma visita proveniente do Irão. Fiquei curioso com a origem do visitante e decidi apurar o que é que o poderia ter atraído neste blogue. Pois bem, meus amigos, a porta de entrada de tão ilustre leitor foi mesmo uma foto seminua da nossa querida Lindsay Lohan. Não sei o que diga, a não ser, talvez, que elas até podem andar tapadas da cabeça aos pés, que eles podem rezar 10 vezes ao dia virados para Meca, mas que, bem vistas as coisas, andam todos à procura do mesmo.

"Missão Vitalícia"

"No dia 2 de Julho de 1932 morreu, com apenas 42 anos, o último Rei de Portugal. No exílio inglês, rodeado dos seus livros e mergulhado na mais doída saudade, dos amigos e, sobretudo, da sua Pátria Portuguesa. Tendo subido inesperadamente ao Trono, em 1908, depois do bárbaro assassinato do Rei Dom Carlos, seu Pai, e do seu irmão mais velho, o Príncipe Real, Dom Luís Filipe, o jovem Rei assumiu a espinhosa missão de tentar contrariar uma decadência que se tornava, pela inépcia e voracidade de uma medíocre classe política, cada vez mais aguda. Procurou, pelo magnetismo que a sua condição permitia, reconciliar as pessoas com o Estado. Tentou, como se esperaria de um chefe de Estado na flor da juventude, transportar, praticamente sozinho, o andor de uma Pátria dormente (e doente), para o altar da modernidade. Poucos terão cultivado, de forma afinal tão simples, o equilíbrio entre um Passado glorioso, posto que irressuscitável, e um Futuro de esperança fundado no que de melhor poderia oferecer a tradição das seculares instituições portuguesas. Interrompido, de direito e de facto, este esforço régio, viu-se o nosso País rebaixado à categoria de palco da mais despudorada luta de ambições inconfessadas, ainda que pretensamente generosas. E o Rei, condenado a um penoso exílio (que de início não queria) consumia-se na dor de quem se sabia impotente para travar os apetites pantagruélicos dos aventureiros amorais que enxameavam na cena política portuguesa de então. É tocante a correspondência deste e doutros Reis (ou de outros membros da família real) exilados. São páginas marcantes que mostram que neles a nobreza de carácter não permite que floresçam sentimentos mesquinhos e rancorosos. Só aqueles que acompanham quem sofre, preocupadamente, com os destinos do País. E os que mordem quem respira saudade. No silêncio que a distância tornava inevitável, tudo faziam para ajudar Portugal e os Portugueses. Este espírito de entrega, de dedicação, é próprio dos que abraçam a chefia de Estado com a certeza de que têm de servir, com elevação, o País e as pessoas que nele vivem ou que por ele suspiram. A missão que assumem os soberanos é ditada muito mais pela consciência do que representam do que pela circunstância do que são e é por isso que apenas cessa quando baixam à sepultura. Não digo que a república não possa conhecer chefes de Estado honrados e respeitáveis. Temo, porém, que só a Monarquia possa gerar uma genuína representação simbólica, capaz de agregar, sem quaisquer reservas mentais, o que fomos e o que queremos ser, no respeito pela contingência e pela diversidade do que somos. É este o trunfo maior da Instituição Real. E continuarmos a abdicar da Coroa é condenar o Estado a esta escusada renúncia."
(texto do Nuno Pombo, publicado no Semanário do passado dia 13/07)

português - uma língua oficial que poucos conhecem

A propósito do Português ser uma das 2 línguas oficiais de Timor (a outra é o Tetum), vale a pena ler um dos principais artigos da 1.ª página do The New York Times online de hoje:
"East Timor’s language problems are those of many countries that decree a language shift, complicating the daily business of the nation and cutting off its people from their history and literature, which has been written in what may well become an alien language."
Nota (1): Fico com a impressão que este artigo não aparece por acaso.
Nota (2): o Henrique, no 31, refere o mesmo artigo, lembrando, e bem, que a ordem se vai mantendo em português.

de estalo

Há um par de anos atrás, em deslocação que fez a Felgueiras, Francisco Assis foi humilhado por uma multidão enfurecida (composta por supostos apoiantes de Fátima Felgueiras, agora pronunciada pela prática de diversos crimes no exercício das suas funções). Na altura, o Presidente da Federação do PS Porto, foi perseguido, injuriarado e agredido. Ontem, o Tribunal condenou 3 dos populares presentes a uma pena de multa. Apesar de não ser grande apreciador do ofendido, ainda hoje guardo as imagens daquela noite. Não me parece que a multa seja a pena mais adequada para os energúmenos que participaram dos acontecimentos; nem tão-pouco a pena de prisão. O que aqueles sujeitos precisavam era de ser humilhados publicamente, um a um, com um par de estalos de Assis.

a lei mata

A profissão obriga a que tenha que gramar todos os dias, logo pela manhã, com o Diário da República, o qual, como é sabido, trata de publicitar as leis que por cá se fazem. Num gesto que considero puramente altruísta, e sempre que me apetecer, aqui virei dar-vos conta da legislação mais relevante. Para hoje, escolhi:
Portaria n.º 824/2007
Ministério da Economia e da Inovação
Fixa o número máximo de unidades orgânicas flexíveis e a dotação máxima de chefes de equipas multidisciplinares da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica

segunda-feira, julho 30, 2007

ler os outros

Caro Pedro, deixa-me que te diga que concordo parcialmente com o que dizes. Ao contrário de Cavaco, cujo bom 1.º mandato ofuscou a oposição de então (lembro, por exemplo, que a comunicação social de então estava longe do amiguismo que a de hoje tem revelado para com o Governo), Sócrates tem beneficiado essencialmente de uma total ausência de oposição. E se Cavaco mostrou trabalho feito, já o mesmo não podemos dizer de Sócrates. O que acontece é que muitos, confrontados com a escolha entre o medíocre e o péssimo (sendo medíocre o Governo e péssimo a oposição), não terão qualquer dúvida em optar pela primeira hipótese. E é aqui que está o nosso drama, a inexistência de alternativa que garanta não só a respectiva alternância democrática mas, fundamentalmente, que obrigue quem lá está a governar.

bad girls - free Lindsay (3)


Queria aqui manifestar o meu desagrado pela pouca atenção que tem sido dada a este caso, nomeadamente tendo como termo de comparação a detenção da não menos famosa Paris Hilton. Free Lindsay Lohan, já.

Os Citacionistas 5




Antes de fecharmos para férias, aqui fica uma frase para reflexão durante este período:

«Que perda irreparável!»

Ao contrário do que muitos pensavam, a frase da semana passada (Que desgosto vou dar à minha mãe!) não tinha nada que ver com as últimas eleições em Lisboa.
O seu autor foi Manolete, um dos maiores toureiros de sempre. Foram as suas últimas palavras. Manolete morreu no dia 28 de Agosto de 1947, após ter sido colhido por um toiro da ganadaria Miura de nome Islero. A sua mãe chamava-se Angústias Sanchez. Vá lá saber-se porquê...

Jardim Gonçalves, no Público

"Acha que há um “assalto” ao BCP?
O que penso é que há alguma confusão de procedimentos."

A entrevista pode ser lida aqui (na íntegra).

Bergman


Ernst Ingmar Bergman nasceu em 1918, na Suécia, e morreu hoje aos 89 anos. Filmou mais de 50 filmes ao longo dos últimos 50 anos, o último dos quais Saraband (2003).

Benfica prepara-se

Designadamente, prepara-se
para repetir o desempenho
da época passada.

Pontapés na Língua

O PNL desta semana é dessa grande figura das nossas letras, o consagrado autor de Faca de Dois Legumes, o grande Jaime Pacheco. Eis a sua apreciação do jogo deste fim-de-semana, em que o Boavista, por si comandado, comeu três secos do Porto:
A primeira parte foi muito igual - o Porto concretizou mais.

sexta-feira, julho 27, 2007

METEO




Para quem apelidou o meú último METEO de incendiário, é melhor ir já chamar os bombeiros.
É que este fds vai estar uma grande brasa! As máx são todas acima dos 30º - e os pobre alentejanos vão levar com 40º -, as mín rondarão os 18º, o vento vai estar fraco a moderado e a água já começou a aquecer (18º/19º), ainda que quente, quente, esteja na Madeira (22º!).
A preia-mar será às 2h/2h30 e a baixa mar às 8h/8h30, e as ondas devem ter entre 1m e 1,5m.
Com este panorama, e como já se adivinha, os UVs vão estar muuuuuito perigosos, pelo que as recomendações são no sentido de se usar óculos de Sol com protecção UV, chapéu, t-shirt, guarda-sol, protector solar e evitar a exposição solar das crianças, especialmente entre as 11h e as 16h.
Bom fds, na praia ou longe do calor!

F1

Já aqui disse que a F1 não é o que era. O maradona concorda e dedica-me um youtube do saudoso Nelson Piquet, esse grande cabrão (desculpem o adjectivo, mas não me ocorre outro no que respeita ao sacana do brasileiro). Não bastava ser o melhor condutor de F1, que tinha ainda de ser um bastardo arrogante. Não granjeava grandes simpatias - eu, por exemplo, na minha bonomia atrevi-me durante uns tempos a admirar o Prost, o qual, como se sabe, raramente acertava com a caixa de mudanças - mas foi, sem sequer admitir discussão, o melhor condutor de F1 após o 25 de Abril. Para que não restem dúvidas, vão lá ver o youtube que o maradona dedica ao Gabriel, com uma famosa ultrapassagem do Piquet sobre o Senna, o qual, ainda hoje, não deve ter percebido o que lhe aconteceu naquele dia. É o que eu acho (Jorge, desculpa o plágio final).

IPA 5


IPA 4 - soluções




quinta-feira, julho 26, 2007

socialismo na gaveta


"Têm entre 50 e 60 anos, mais de 30 anos de serviço, sofrem de doenças oncológicas, renais ou psicológicas graves, que lhes conferiram um grau de incapacidade atribuído pelo Serviço Nacional de Saúde em torno dos 85%, mas, ainda assim, viram rejeitados os seus pedidos de aposentação por motivo de doença por parte das juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações (CGA).
(...) Mas o que está em causa nestes seis casos não é só a decisão médica face aos resultados clínicos existentes. É também o modo como as decisões foram tomadas e como os funcionários foram tratados. Cada um dos seis funcionários foi ouvido pelas juntas médicas entre três e cinco minutos, por três elementos que se recusaram identificar. A isto acrescenta-se a pouca atenção prestada aos relatórios médicos elaborados por outros especialistas e os comentários de mau gosto feitos por alguns e mesmo manifestações de má educação por parte destes especialistas: "A senhora não quer é trabalhar"; "mas a senhora já cá veio e volta cá outra vez?"; ou ainda a senhora está com muito bom aspecto. Quer é andar para aí a passear"." (dn)

novo reforço


De acordo com Luís Filipe Vieira, o substituto de Simão está a caminho de Lisboa há já várias horas. Assim sendo, dada a demora na chegada do desejado reforço, parece-me evidente que a origem só pode ter sido a China ou mesmo a Austrália.

Os Citacionistas 4



Penitenciando-nos pelo atraso motivado pelo período estival aqui fica a citação desta semana:

«Que desgosto vou dar à minha mãe!»

O autor da frase da semana passada é Marcelo Rebelo de Sousa. Quem melhor do que o especialista em descidas de Cristo à terra para falar do Diabo e da Cruz?

contra-as "canções" do meu imaginário de A a Z

A Gi escolheu, e bem, Eurythmics. No entanto, tenho aqui aqui fazer uma confissão. Quando muitos, nos anos 80, se pontepeavam a ouvir Clash ou Metallica, eu pedia dinheiro aos meus pais para adquirir o Best Of de Elvis Presley (aqui, com Unchained Melody, cantado em 1977, seis semanas antes de morrer). Bem sei que é de um romantismo que roça o piroso, mas é a mais pura das verdades. Desculpem.

Um bom par de siglas ou a onomástica política


Na sequência deste post do nosso Jorge Lima, acrescento mais um episódio ao que queremos seja uma autêntica e interminável novela, cuja trama se desenrola no cenário da luta pela liberdade (dos seios) da Lindsay.

Quero hoje evidenciar que a onomástica encerra nos seus seios muito interesse político. Foram almas generosas como as de Santana Lopes que mais vincadamente se deixaram fustigar pelo encanto de um bom par de siglas. Cedo o menino guerreiro agarrou com as duas mãos a volúpia de um promissor PPD/PSD. Aquele "PPD/PSD" começou a ser languidamente namorado pelas mais improváveis, e até então pudicas, criaturas. O resultado, mau grado a energia do timoneiro e a firmeza do par de siglas, é o que se conhece. Depois de uma ascensão rápida e promissora, acabou aquela maravilha, tempos depois, por ser derrotada pela implacável lei da gravidade, que deitou por terra aquilo por que muitos se babaram.
Tocado por uma pontinha de inveja, Paulo Portas, ainda que com menos habilidade nestas coisas, como é reconhecido, também se deixou encantar por um par de siglas: "CDS-PP". Ainda que incompreensivelmente tenha deixado outros, como Monteiro, brincar com o que considerava ser seu. Claro que Santana escolheu primeiro, e dizem que melhor. Foi Santana que ficou com o maior e com o mais cobiçado par de argumentos. De resto, Portas, ao contrário de Santana, sempre se mostrou assustadiço na presença delas. Das siglas. Nunca conseguiu abocanhar em sentido próprio todo o potencial que tinha diante de si. Timidamente, ora "CDS" ora "PP", num movimento pendular sinónimo de certa frouxidão e próprio de quem não ambiciona desbravar a beleza escultural anunciada por um medido mas generoso decote. É o que eu acho.

quarta-feira, julho 25, 2007

As "canções" do meu imaginário de A a Z

A minha escolha para a letra E recai nos Eurythmics com o tema "When Tomorrow Comes".

"Das Leden der Anderen" ("A vida dos Outros")

Uma infeliz coinciência fez com que fosse ver este extraordinário filme dois dias após a morte do seu actor principal. Talvez esteja ainda a reagir a quente, pois o filme quase não me deixou trabalhar todo o dia de hoje, mas acho que este vai directo para o top ten. Afinal ainda há esperança nos Homens.

cuidado, eles andam aí... (2)

"Maria José Morgado vai liderar investigação à corrupção na Câmara de Lisboa" (Publico)
Pena é que já não possa liderar a investigação do processo casa pia. Aí sim, havia de ser bonito.
Adenda: o João Miranda e o Pedro Marques Lopes lembram, e bem, que a referida sra. é mulher de Saldanha Sanches, que, certamente por acaso, foi o mandatário de António Costa nas eleições para a Câmara de Lisboa. Fica tudo em família.

Querem saber como é que acaba o dr. House?

melhor que f. só mesmo f.f.

"Entrou cabisbaixo e saiu proclamando: "Yo soy El Solitario!" É bom para o nosso ego. Quando nós tínhamos os nossos Zé do Telhado e Diogo Alves, bandidos de boa cepa lusa, os espanhóis inventaram logo Diego Corrientes "el ladrón de Andalucía/ el que robaba a los ricos/ y a las pobres socorría"... Mais recentemente, eles falavam de um tal "El Solitario". Carreira de 14 anos, 30 assaltos, Espanha de lés a lés, Múrcia, Albacete, Lugo... Um tipo terrível, dizia a Guardia Civil, que quando soube que ele vinha aí preveniu a nossa polícia: "Mucho cuidado!" Como se nós nos assustássemos com um tipo que usa peruca. À primeira que tentou um assalto por cá, olha, engavetado. Dão-se conta do bigode que foi para os espanhóis? Por isso "El Solitario" merece um acento: "El Solitário". É já quase um dos nossos. De Espanha nem bons ventos nem bons casamentos, mas buenos atracos. Fica paga a dívida: nós mandamos-lhes as grávidas e eles que mandem os assaltantes, que lhes tratamos da saúde." (Ferreira Fernandes, no dn)

Introduza aqui a foto da sua princesa

Duas imagens valem duas mil palavras, mas eu não consegui ser suficientemente ordinário para publicar a versão anterior que congeminei da montagem que aqui publico. Devo dizer que era muito mais eficaz do que esta, pois, no lugar do espaço vazio que coloquei no lugar da cabeça do Príncipe Felipe de Bourbon, estava a catadura séria de um conhecido paladino luso da liberdade-de-expressão-tomada-como-valor-absoluto-desde-que-aplicada-a-membros-das-classes-opressoras. (No lugar da Princesa Letícia, não fui capaz de colocar ninguém, nem mesmo nessa versão pré-auto-censurada.)
Auto-censurada, pois. Eu auto-censuro-me, mesmo quando respondo a quem me ofende pelo uso reles do sagrado direito da liberdade de expressão. Talvez por ter tido uma infância burguesa feliz, não sujeito aos condicionalismos históricos que afectam as classes desfavorecidas, criando nelas um desejo legítimo de morder as canelas à burguesia. Não sei. Mas auto-censuro-me, essa é que é essa. E viria para a rua protestar (bom, para a rua, talvez não, mas para a varanda...) se visse retratado numa reles caricatura dum reles caricaturista como este, na companhia da mulher, o Reverendo Louç... (ups, descaí-me) .
Entretanto, vou aguentando como posso. Calado é que não.
Nota: comentários que recebi entretanto fora do blog lembraram-me que - felizmente - nem toda a gente teve conhecimento da notícia que lhe deu origem. É que esta revista publicou mesmo esta caricatura, com os Príncipes de Bourbon. E ficaram - os do costume - muito indignadinhos por um juíz ter mandado apreender a edição.

cuidado, eles andam aí...

"A equipa que investigou os inquéritos conexos ao processo Apito Dourado vai manter-se ao serviço da Procuradoria-Geral da República (PGR), disponível para investigar qualquer caso complexo." (dd)
Sem prejuízo do excelente trabalho que Morgado e demais colaboradores possam ter feito, a verdade é que tal avaliação, na minha perspectiva, só pode ser feita a final quando terminar o processo. Até lá, podemos realçar o pouco tempo em que a equipa de Morgado concluíu a investigação e pouco mais. Há que não esquecer que a qualidade do trabalho dos procuradores que dirigem a investigação criminal tem de ser aferido pela taxa de condenações nos respectivos processos judiciais e não pelo elevado número de inquéritos em curso ou arguidos em prisão preventiva. A ver vamos se quando estes processos crime chegarem ao final nos lembraremos de quem foram os responsáveis pela respectiva investigação.

Pensamentos do Dalai Lima -987


Era uma praia muito bem.
Até tinha um nadador Salvador.

O soneto contra o medo


O Poeta Alegre é pessoa muito da minha estima e consideração. Admiro os tiques de aristocrata decadente, a métrica com que burila a escrita e a voz de barítono que usa para largar imbecilidades e lugares comuns. É personagem grave e respeitável, senhor de um ego em muito afagado pelos votinhos que a turba ignara decidiu botar nas urninhas presidenciais… Enfim, um senhor verdadeiramente superior!

Eis que vem agora o bardo, que aparece episodicamente como que a fazer a sua prova de vida, cantar a coragem e a insurgir-se contra o medo que se instalou, sabe-se lá com a conivência de quem, nesse espaço de pluralismo e liberdade que era o PS.

Ao contrário do que se possa à primeira vista pensar, tenho para mim que o descrédito da classe política, tem em mediúnicos do calibre de Alegre, não a sua consequência, mas a sua causa. São pitonisas que, cansadas de não concentrarem em si os holofotes de todo o momento, e esfomeadas pelas magras prebendas recebidas do "sistema", criam asas e cavalgam, "como no espaço os astros"*, alimentando-se do perigoso mas rendoso discurso do contra-poder.
* Do "Navio de espelhos" de Cesariny

terça-feira, julho 24, 2007

mercado a funcionar... ou será que deveria ser ao contrário!?

"Venda livre aumentou preços, sobretudo nas farmácias" (tsf)

PSD, um partido singular


Ordena-nos o Nosso Venerável Pai Fundador Rui Castro que postemos qualquer coisa após algum marasmo que se seguiu ao seu post das 4:03 PM e, como as suas ordens são desejos para mim, aqui venho obedientemente postar.

O novo episódio na luta pelos seios da Lindsay mostra à saciedade que o PSD não é um partido qualquer, e tem nos seus seios a possibilidade permanente de geração de alternativas. No PSD há sempre uma terceira via, ao contrário do decote da Lindsay onde o bipartidarismo é a regra. Se se considera que o líder incumbente sofre de falta de estatura, ao contrário daquele notável par de reservas de flutuabilidade, então salta à liça, que nem de dentro de um decote, um candidato a voyeur. Alternância democrática é isto, esquerdo, direito, encolhe a barriga e estica o peito, e só é preciso estar atento às próximas movimentações dos putativos candidatos a líder, dois assim era como na Polónia, um Presidente da República e outro Primeiro-Ministro, e a Europa parava suspensa das suas decisões. É o que eu acho.

o debate à esquerda nos EUA

O debate envolveu todos os candidatos do partido democrático à Presidência. Mais que um debate, tratou-se de um esclarecimento. Os vários candidatos aceitaram responder a questões previamente colocadas no youtube. Deixo aqui a questão n.º 36, em que se pediu a cada candidato que dissesse o que mais gostava e o que menos lhe agradava no candidato à sua esquerda. Pelas respostas, percebe-se o avanço que a política e os políticos norte-americanos levam relativamente a Portugal e aos políticos portugueses. Chega a ser confrangedor.

bad girls - free Lindsay (2)


"US actress Lindsay Lohan has been arrested on suspicion of drink-driving and possession of cocaine after spending a second stint in rehab." (bbc)
Que sociedade injusta esta, que permanece queda perante as bebedeiras do infante Harry ou do uso que este faz de símbolos nazis e persegue miúdas de 21 anos que tiveram o azar beber uns copitos a mais. Não há direito. Free Lindsay, já.
Malaquias: estás a ver que não preciso de as pôr de biquini como essas revistas manhosas que referiste!?

Pensamentos do Baú do Dalai Lima 85675645343


24 de Julho: Liberais
desembarcam no Kremlin.

24 Julho - FYI

24 de Julho é o 205º dia do ano (no calendário gregoriano).
Neste dia nasceu Simon Bolívar (1783), Alexandre Dumas (1802), Jennifer Lopez (1969) e Tiago Monteiro (1976), entre outros milhares de pessoas.
Em 24 Jul 1911, foi descoberta a cidade inca de Machu Picchu, no Peru, por Hiram Bingham;
Em 24 Jul 1945, no fim da Conferência de Potsdam, Churchill, Truman e o delegado chinês pedem a rendição incondicional do Japão. Os japoneses responderam negativamente, desconhecendo que a recusa implicava o lançamento de bombas atómicas no Japão;
Em 24 Jul 1969, os primeiros homens que foram à Lua, na missão Apollo 11, retornam a Terra;
(info Wikipedia)
Em Lisboa há uma conhecida Av. com este nome/data, recordando as lutas civis travadas entre liberais e constitucionalistas. Foi o dia em que o Duque de Terceira, atravessando o Tejo vindo do Algarve, entrou em Lisboa e derrotou as tropas miguelistas (1833). Os miguelistas aqui do estaminé que me desculpem a lembrança. Apeteceu-me.

publicidade institucional

O mérito a quem o tem e o merece. Já aqui havia publicitado a mais recente obra do nosso Nuno Pombo. Trata-se da sua tese de Mestrado A Fraude Fiscal - A norma incriminadora, a simulação e outras reflexões, publicada pela Almedina. O tema, aparentemente desinteressante, sobre o qual o autor disserta, merece a nossa atenção, quanto mais não seja como forma de prevenir o indesejado. Deixo aqui um breve trecho do Prefácio, escrito pelo Professor Soares Martínez:
"Esta obra de Nuno Pombo revela uma ampla capacidade para vencer as muitas dificuldades inerentes à matéria tratada, através de um trabalho persistente, cuidado, reflectido. Li-a, por dever de ofício, mas gostosamente, quando recebi o grato encargo de participar do júri que a apreciou. Revi-a agora, sem ter de corrigir o juízo favorável que então emiti. Só me resta felicitar o autor pela iniciativa da publicação do seu trabalho, valiosa contribuição para a cultura jurídica e, não pecando por pretensões de tudo contestar, rever, reformar e reconstruir, nem por excessos de especialização, valiosa contribuição também para a cultura em geral."
Fica ainda por referir que o Nuno obteve a classificação de 18 no seu Mestrado, depois de uma apresentação, a todos os níveis brilhante, a que tive a felicidade de poder assistir.
Entretanto, continuo a aguardar o autógrafo no meu exemplar (isto, apesar da obra não me ter sido ofertada pelo autor - os tempos estão difíceis para todos, presumo).

ler os outros

"Corre na blogosfera uma urgentíssima discussão sobre o sexo anal. Envolve o Pedro Picoito, a Fernanda Câncio, a Patrícia Lança, o Daniel Oliveira e até a Maluquinha de Arroios. Não pretendo intrometer-me, até porque o toiro está entre tábuas, mas deixo uma ou duas notas. Um rabo feminino é uma dávida da natureza que deve ser respeitado, ou seja, intensamente desejado. Se seguirmos Tertuliano já estamos em maus lençóis. É suficiente, creio bem. Um rabo extraordinário deve ser cortejado com temple e minuciosamente estudado: não se bebe qualquer coisa, não se janta com qualquer um. Quem conversa com as plantas percebe o que eu quero dizer. A partir daí, tudo o que acontece depois observa as regras da politesse. Quanto ao problema homossexual não posso dizer nada, ainda não estive preso. Se quiserem conversar sobre pernas, esse prolongamento da felicidade, então podem contar comigo." (Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado)

Caetano Veloso e Chico Buarque

(a pedido do Vito)

Ir ao cinema

"O Regresso"

Para puder ficar paralizado no alto da prancha e não ter de saltar de tão alto para o mar.

The Machado da Graça Collection


“Margem da Zona Limite: Muro na cidade”
instalação feita em 1994-1995 por António Ole (ao meio)

The Machado da Graça Collection


Helena Almeida: Inhabited Drawings

Road movie


Só há duas marcas de carros que valham a pena: a Smart e a Aston Martin. Quanto ao Smart não tenho problemas, mas alguém sabe onde posso arranjar um destes para as férias? É claro que não pode ser descapotável, porque felizmente não sou americano e não vivo na Califórnia.


segunda-feira, julho 23, 2007

E se Sócrates, instado a cantar o hino nacional, cantasse... o espanhol!?

Quando pediram a Yves Leterme, provável futuro primeiro-ministro belga, para cantar o hino da Bélgica, este não se fez rogado e cantou "A Marselhesa".
Nota: bem sabemos que o hino de nuestros hermanos não tem letra, mas acho que se percebe a ideia.

abjecções...

... do costume.

Pontapés na Língua


Já foram ouvidas mais de 600 testemunhas,
mais precisamente quase 400.
(Repórter de rua RTP1 em Monsanto, sobre o julgamento Casa Pia.)

Alonso vs Massa

Depois da tentativa de abalroamento de Massa a Alonso, esperava-se no mínimo uns valentes empurrões. Em alternativa, assistimos a uma discussão de meninas em que só faltaram gritinhos histéricos e falsos desmaios. Se na pista a F1 já deu o que tinha a dar, cá fora o cenário não é melhor.

o buraco à Direita está cada vez mais fundo

"PSD: apoio de Ferreira Leite faz Menezes voltar à luta" (dd)
Para além de não conseguir aproveitar o mau momento do CDS, o PSD vai dando tiros no pé. Sem aparecer qualquer nome credível, o partido arrisca-se a tornar num pequeno partido, à margem da governação. Mendes não é a solução mas Menezes representa o fim do PSD tal como o conhecemos. Entretanto, por ausência de verdadeira alternativa, um mau Governo torna-se na solução possível para um país cada vez menos ambicioso.

silly season

O big brother revela-se uma verdadeira escola do crime. Depois de um artista, de seu nome Mário, ter sido preso no ano passado, foi agora a vez deste "caramelo" ter sido detido por suspeita de assaltos à mão armada, tráfico de armas e de droga. Resta saber se o destino desta gente teria sido o mesmo na ausência do famigerado concurso.

bad girls - free Lindsay

Depois de Paris Hilton, foi a vez de Lindsay Lohan se portar mal.

sábado, julho 21, 2007

Pelos vistos, não sou o único a considerar o PS de direita

Este post do Abrupto vem mostrar que o insuspeito Pacheco Pereira também acha, como eu, que o PS é um partido de direita.

sexta-feira, julho 20, 2007

virar o bico ao prego (4)

"Confederações patronais negam ter proposto o despedimento por motivos políticos ou ideológicos" (Publico)
Notícia a ser publicitada pelos (in)fiéis do costume.

METEO

Confesso que isto de fazer posts sobre o tempo já me anda a cansar. Até porque agora parece que o Verão veio mesmo para ficar, o que retira grande parte do pouco interesse que este tema poderia ter. A única coisa que me continua a intrigar é a origem do boato sobre este ser o Verão mais quente desde há não sei quantos...
É que já vamos em 20 de Julho e as temperaturas, neste fds, não vão passar dos 30º no Sul e dos 25º no Norte, o que me parece bastante aceitável para a época do ano que vivemos. Além de que vai continuar esta nortada infernal, que refresca bastante o ambiente...
Nem o mesmo o mar vai estar "interessante"... A ondulação é muito pequena, quase inexistente, tendo os surfistas (praticantes e observadores) que procurar praias mais expostas. A baixa mar é à 1h/13h e a preia-mar é às 8h/20h. Experimentem passar à beira-rio Tejo pelas 20h e vejam como a enchente (do rio) é grande.
Bom fds!

Palmas!!!

É sabido que elogio em boca própria é vitupério. E eu, amigo sincero do Rui Castro, nunca lhe ouvi encómios auto-destinados. Por isso, penso ser falsa esta afirmação do inefável NRA:

"É pena que tu te afirmes um bipede racional e sejas só um bimbo".

Palmas para quê? É um artista português!

virar o bico ao prego (3)

É evidente que os suspeitos do costume não vão deixar passar a oportunidade para citar a cartilha e cascar nos malandros dos patrões. Só é pena que alguém que se diz jornalista, como o Nuno Ramos de Almeida, se deixe levar por este tipo de notícias sem ter a preocupação de confirmar se o que é afirmado corresponde à realidade. No post anterior penso ter ficado bem claro que as grandes "parangonas" mais não são que pura propaganda, para mais falsa. Fico à espera que o Nuno Ramos de Almeida se retrate.

virar o bico ao prego (2)

Já tinha ouvido a notícia na TSF e depois de ler o post do Nuno Pombo decidi ler o documento que contempla a tal posição comum das confederações patronais sobre a revisão do Código do Trabalho. Estranhei a notícia, pois nos tempos que correm é evidente que uma proposta com a natureza da que foi veiculada pela TSF seria, no mínimo, absurda.
Depois de ler o referido documento, constato que estamos perante jornalismo rasca. Com efeito, as confederações, na página 3 do documento, defendem que o artigo 53.º da constituição "onde se consagra a garantia da segurança do emprego e a proibição dos despedimentos sem justa causa (ou por motivos políticos ou ideológicos)" deve ser revisto. É evidente que o texto transcreve o artigo da constituição, tendo tido o cuidado de colocar "ou por motivos políticos ou ideológicos" dentro de parentesis, porventura já prevendo que alguém mais mal intencionado pudesse tresler o texto em causa. Pelos vistos, não foi suficiente, pois em cada esquina há sempre um jornalista capaz de nos surpreender.
O Duarte Calvão já aqui havia falado sobre a TSF. Na altura, apesar de com ele concordar, achei que seria excessivo o abandono da rádio que me habituei a ouvir.
Confesso, porém, que a paciência está a esgotar e que já faltou mais para "despedir" a TSF, neste caso por motivos ideológicos.

virar o bico ao prego


Os sindicatos já andam em rebuliço por causa da nova investida do patronato contra os mais elementares direitos dos trabalhadores. De joelhos diante do altar dos "direitos adquiridos", os dirigentes dos trabalhadores temem pela subsistência dos seus postos de trabalho, esquecidos já dos higiénicos saneamentos pós-abrilinos. Contudo, espera-se que a tranquilidade regresse aos dirigentes sindicais, quando for anunciado que esta iniciativa visa expurgar das empresas os neo-fascistas... porque eles andem aí... e os patrões não gostam deles! Nem os patrões, nem ninguém!

reflexão

"Submarinos: Financiamento do PP na mira do MP, diz jornal" (dd)

coisas que eu gostava de ter escrito

2 em 1, do Tiago Cavaco, como não podia deixar de ser:
Efeméride
No dia em que comemoro 5 anos de casamento deixo uma frase tão ou mais pertinente quanto uncool: "Sexual desire is not a desire for sensations. It is a desire for a person". Está tudo aqui, tudo o que aprendi em anos de Escola Bíblica Dominical e tive de reprimir quando os meus colegas da Faculdade esgotavam o toner da fotocopiadora da Associação de Estudantes no Marquês de Sade. E o autor, o previsivelmente incontornável Roger Scruton, dá-lhe mais um bocadinho: "Marriage has grown around the idea of sexual difference and all that sexual difference means". Já anteriormente escrevi sobre isto de um modo muito mais tosco quando falava nos abismos que o discurso igualitário quer tapar. Abençoados 5 anos de saltos sobre o Grand Canyon.
Final infeliz
Acabou o Tristes Tópicos, uma péssima notícia para uma nação com poucas mulheres de direita com graça (comentava precisamente isso no outro dia com a minha amiga Patrícia que é de esquerda e tem muita graça - aliás, com a qual deveria partilhar um programa de televisão ou uma revista). É verdade que às mulheres de direita a graça é acessória (as de esquerda é que precisam dela para atenuar o equívoco existencial em que se metaram). Mas, por isso mesmo, inesperadamente refrescante (e este adjectivo termina em jeito de anúncio de champô, o que não ajuda à transmissão da seriedade do tema).

IPA 4



Actualizado às 10h18m, para inclusão de uma pista que se havia evadido. Agora, creio, está tudo! Divirtam-se.

IPA 3 - soluções


Pensamentos do Dalai Lima ZZZZZZZZZZZZ


Anónimo é um tipo
a quem não sabemos
que nomes chamar.

quinta-feira, julho 19, 2007

Quem não faz falta sei eu quem é...

(recebido por e-mail)
O Daniel Oliveira mostrou uma vez mais a sua total imparcialidade na análise dos resultados eleitorais.
Frio, isento e equidistante, como bom analista político que é, conseguiu perceber que só houve um vencedor nestas eleições autárquicas! Só é pena é que não tenha percebido que esse vencedor foi o Saramago que já vai com mais de 60% das intenções de voto.
Espero que continuem esta vossa senda vitoriosa!

vip dixit

O futebol mexe comigo tanto, talvez como o sexo (Joe Berardo, à flash)
Sinto-me um ginecologista: trabalho onde espero que muitos se divirtam (José Miguel Júdice, JN)
vip=very idiot person

Incompetência (4)

Lamento ter de dizer que os meus queridos amigos Joana e Rui estão gravidamente enganados.

Já tinha levantado esta questão no saudoso Blogue do Não. Na altura escrevi isto:

Parece claro que a intenção não é, tão somente, despenalizar o aborto (IVG é sofisma!) se realizado nas primeiras 10 semanas, pois não? Apenas se, nesse prazo arbitrário, o aborto for realizado em estabelecimento de saúde legalmente autorizado... estou a ler bem não estou? Então, se ganhar o "sim", o aborto clandestino (que(...) citando José Sócrates, continuará a existir) não vai ser despenalizado, ainda que seja realizado nas primeiras 10 semanas... pois é ... vai continuar a ser crime, parece-me...Palpita-me que isto deve estar, por exigência das clínicas espanholas, no "contrato promessa de investimento" que celebraram com o Governo. Quem defenderá essa classe em vias de extinção que são as parteiras clandestinas?

Ora, parece-me óbvio que as senhoras que abortam (para não falar de todos os outros que vivem das suas misérias - todos menos a Clínica dos Arcos, claro) deverão ser perseguidas criminalmente. Não pelo facto de abortarem, já que demos como garantido que um feto humano vale menos do que uma cabra selvagem da Peneda Gerês, mas pela circusntância de porem em causa o investimento de milhões que, altruisticamente, clínicas privadas, nomeadamente as espanholas, fizeram para acorrer a esta premente necessidade. "Coisas humanas", como diria a Madame Jorge, até podemos eliminar, mas pôr em perigo os capitais, sobretudo os estrangeiros, é que nunca!!! Cadeia com elas!!!

Incompetência (3)

Pois é Rui, parece que afinal a nova lei do aborto não acaba com as idas a tribunal por parte das pobre mulheres que abortam. É mesmo lá que se vão resolver os casos das que abortarem em estabelecimento não autorizado, segundo rezam os entendidos na matéria.
Ah não, espera lá: não vai haver mulheres a abortarem em estabelecimento não autorizado! É que nesses vãos de escada continuam a ser as próprias mulheres a pagar o servicinho, e se forem às clínicas autorizadas não gastam um tostão.
Portanto, acaba-se com o aborto clandestino como? Financiando o aborto, passando-o de clandestino a legal.

Há também a questão da consulta prévia obrigatória, pretensamente com um efeito dissuasor. Talvez fosse interessante saber, daqui a uns tempos, quantas mulheres desistiram de abortar por efeito directo dessa consulta prévia a que são obrigadas a assistir. Tenho para mim que este número será bem reduzido o que significará, em termos gerais, uma manutenção (para não dizer aumento) do aborto em geral, quando o que todos (todos mesmo...?) queríamos era uma diminuição do aborto. Lá se vai a eficácia da lei. E o que resta? Uma redução do aborto clandestino, por via do financiamento público desta prática. O português nunca foi de pagar o que pode ter de borla.

o meu cilício é maior do que o teu

Não se compreende a guerra aberta entre Jardim Gonçalves e Teixeira Pinto. Trata-se do maior banco privado português, que mais tem crescido nos últimos anos. Enquanto instituição de crédito, é essencial a confiança que os seus clientes nela depositam. Ora, as feridas abertas e o clima de guerrilha descredibilizam o Banco e comprometem o crédito que lhe têm grangeado. Surpreende-me o facto das entidades reguladoras nada dizerem, quando, habitualmente, pecam por excesso. Mistério.

mais do mesmo

As eleições em Lisboa provocaram um terramoto na direita. No entanto, aquilo que poderia ser um óptimo catalisador para uma cada vez mais urgente renovação, tem trazido a lume nestes últimos dias péssimos indicadores. Com efeito, e cingindo-me ao PSD, os nomes que estão em cima da mesa representam o que de pior existe no partido, não deixando grandes esperanças quanto à futura liderança. Pena é que aqueles que poderiam fazer a diferença tenham virado costas ao partido e, em certa medida, ao país. Pois, a verdade é que, se precisamos de bons gestores, empresários, em suma, de profissionais competentes, também não podemos dispensar políticos de qualidade, que (re)conquistem a confiança dos eleitores.

até já

Com grande pena (e surpresa), a Helena sai de cena. Não temos dúvidas de que, mais do que um adeus, se trata de um até já. O link fica ali ao lado, à espera do seu regresso.

incompetência (2)

A notícia não o refere, mas já aqui disse que não faz qualquer sentido punir as mulheres que façam abortos até às 10 semanas em locais não licenciados. Bem ou mal (muito mal, digo eu), liberalizou-se o aborto até às 10 semanas e uma das razões, como refere a notícia, é "acabar com a prática ilegal do aborto em estabelecimentos clandestinos e com pouca segurança", visando a protecção da própria mulher. Se assim é, parece-me evidente que não pode a mulher ser punida por tal facto, ao contrário do que acontece a quem, ao serviço de clínicas ou serviços não licenciados, praticar actos que conduzam à prática de aborto. Estes devem ser punidos, sem qualquer contemplação.

e que tal água de rosas?

"AR: deputados vão ter assistente individual" (dd)
Significa isto que dos actuais 100 passar-se-á para 230 assessores. Parece-me uma boa medida. De facto, deve ser complicado gerir uma agenda carregada como a dos deputados. Sugiro, aliás, que os assistentes individuais possam substituir os deputados quando estes estejam ocupados com "trabalhos" nas famigeradas comissões que os impedem de comparecer no hemiciclo.

stop

Ao que parece, os 21 radares que controlam a velocidade em Lisboa têm registado uma média de 2.000 infracções diárias. Se bem que seja prematura fazer grandes projecções, a verdade é que, a manter-se, mensalmente teremos cerca de 60.000 novas infracções. Entupidos que estão presentemente os tribunais de pequena instância com processos de contra-ordenação, não dando já vazão aos processos em aberto, é evidente que os novos processos serão o contributo decisivo para a falência do sistema. Pessoalmente, já comprovei a ineptidão do sistema actual. Nos últimos 9 anos, de cerca de 20 defesas apresentadas em processos de contra-ordenação, em que me limitei a requerer a suspensão da execução da pena, houve 1-repito-1 que prosseguiu e chegou a julgamento. Todos os outros, após a apresentação da respectiva defesa, não mais tiveram sequência, encontrando-se (quase) todos prescritos. É, pois, evidente que não basta fazer leis e estabelecer proibições. Há que assegurar a existência de meios que as façam cumprir. Caso contrário, mais vale estar quieto. Tenho para mim, aliás, que esta é uma das características que distingue uma república das bananas de um país civilizado. Não está em causa, como é óbvio, a existência de regras. Limito-me a questionar a sangria legislativa que nos últimos anos os sucessivos governos têm imposto, sem antes se assegurarem que dispõem de meios que façam cumprir as proibições impostas.

quarta-feira, julho 18, 2007

Para ter sorte é preciso muito trabalho!

Em resposta ao suposto azar que teria colhido Paulo Portas como vítima no último acto eleitoral, deixo um texto recebido por email hoje à tarde:

As razões da derrota portista

A estrondosa derrota eleitoral do CDS não se explica por (mero) azar. É que dá muito trabalho ter sorte. E o portismo fez tudo para merecer um mau resultado.
Não basta anunciar candidaturas a partir do CCB para que o país confie no candidato. Portas regressou à Presidência do CDS de forma desastrosa. Falhou, sobretudo, na forma atribulada como conduziu o seu regresso, protagonizando Conselhos Nacionais que não serão apagados da memória dos Portugueses tão depressa. O CDS, naqueles dias, foi posto à margem do Estado de Direito Democrático pelo portismo.
O país sabe bem que um homem de Estado não se comporta daquela forma.
Portas conduziu mal o processo eleitoral. Primeiro, demorou muito tempo a avançar com uma candidatura própria: foi o último Partido a fazê-lo. Entrou no campo de batalha quando outros já estavam a marcar posição e a fixar eleitorado. Pelo meio soaram rumores que noticiavam (i) a vontade do CDS se coligar com o PSD numa candidatura de Fernando Seara e, depois, (ii) a hipótese do CDS apresentar o independente Carmona como candidato. Depois, ao anunciar que o candidato podia ser tanto ele, como Nobre Guedes, como, Telmo Correia, desvalorizou a importância deste último. Por último, ao depositar metade da Comissão Directiva do CDS, e 3 dos seus 12 deputados, nos primeiros 5 lugares, parecia estar a querer compensar a falta de carisma do candidato.
Portas escolheu mal os candidatos. Os primeiros cinco não «colavam» com o slogan “Competência”. O cidadão poderá reconhecer competência a Nobre Guedes e algum (pelo visto, não muito) capital político a Telmo Correia. O sub-slogan “Útil a Lisboa” era demasiado parecido com o “Voto Útil” da campanha de 2005, o que fazia a candidatura uma espécie de recauchutagem. Por outro lado, ninguém percebeu onde estava a grande novidade do CDS. Como bem disse Constança Cunha e Sá na véspera do Congresso do CDS: amanhã o Dr. Paulo Portas apresentará uma grande novidade, tal como um dos deputados do CDS.
Portas foi vítima das inimizades que gerou. Desde logo, Maria José Nogueira Pinto, cuja saída foi motivada pela forma como Portas impôs a ditadura da maioria no seu regresso à liderança do Partido. A ex-vereadora do CDS, que acumulou capital político na Câmara, saiu do CDS e constituiu um factor adicional de desânimo para o eleitorado. Por outro lado, Pedro Feist apresentou-se como n.º 2 da lista de Carmona. Feist foi Vice-Presidente da Câmara ao tempo de Abecassis, foi Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS, cabeça de lista à Câmara de Lisboa pelo CDS em 1993 (arrancou, na altura mais de 27.000 votos e fez-se eleger como Vereador) e, em 2001, n.º 2 da lista de Portas à Câmara de Lisboa. Portas acabaria por afastá-lo da Vereação e este saiu do CDS em ruptura do com Portas. Por último, o PND de Manuel Monteiro. Já se tinha registado nas últimas legislativas, foi bem visível na Madeira e teve algum peso em Lisboa. O PND de Manuel Monteiro capta eleitores do CDS. Em Lisboa fora mais de 1.000, quando Telmo alcançou pouco mais de 7.000. Tudo junto, provoca dano.
Depois, a campanha foi muito pobre de ideias. Centrar a campanha contra o Governo significa 2 tiros no pé. O primeiro é não perceber que as eleições são autárquicas e não legislativas. O que estava em causa era a Câmara, era isso que motivava os eleitores. Segundo, o Dr. Portas não vê sondagens?! Centrar a campanha contra um Governo que aparece de forma positiva nas sondagens não é a melhor linha de raciocínio, tanto mais porque não era o Governo que estava em causa. Por fim, que ideias trouxe o CDS? Vídeo-vigilância? Grafitis? É isso que querem para Lisboa? Eu quero uma baixa reabilitada, quero uma maior proximidade ao Tejo, quero menos carros, quero soluções para os grandes problemas.

Por último, Portas pensava que era um às de ouros e, afinal, pode bem ser apenas um duque de paus. Entrou na campanha e assumiu o “teste à sua liderança” para procurar, em desespero, captar votos. Os eleitores responderam como, se nada se inverter, responderão em 2009. As promessas e, sobretudo, as expectativas geradas junto de certos nichos eleitorais que foram, em grande medida, defraudadas durante o tempo em que o CDS foi Governo hipotecam qualquer hipótese dos reformados ou dos ex-combatentes votarem no CDS do Dr. Paulo Portas.
Por último, uma nota sobre o efeito da abstenção. Foi o CDS quem anunciou, despudoradamente, no Expresso de sábado que a abstenção ajudaria Telmo a ser eleito. Argumentar, a posteriori, no dia seguinte, que a abstenção prejudicou o CDS é, no mínimo, uma dissonância cognitiva.

Filipe Matias Santos

Uma espécie de fé cega!

"Ainda não li, mas é excelente" é a frase mais deliciosa com que me deparei nos últimos tempos! Posto que não fica no ar um conselho baseado num juízo analógico referenciado pelo que da autora tem vindo a ler - e que, sem dúvida, merece crédito e revela qualidade -, mas outrossim uma declaração assertiva acerca de algo que, não conhecendo, sabe a priori ser imperdível.
O que poderia ser um juízo objectivo acerca do mérito transformou-se, num ápice, na afirmação cega, de pouco valendo, portanto.

Obama Girl vs Giuliani Girl

O confronto presidencial nos EUA não se resume aos debates entre os candidatos. Apoiantes de ambos degladiam-se, sem quaisquer tréguas, por todos os meios...

como é evidente...

... eu não me podia ficar. Os "donos" da letra D são, obviamente, os Depeche Mode com este "Enjoy The Silence". Para mim, poucas bandas representam tão bem como os DM o espírito dos anos 80.

As "canções" do meu imaginário de A a Z

Chegados à letra D, é evidente que a escolha não podia deixar de recair nos Dire Straits com "Romeo and Juliet".
Imagino, ainda assim, que o senhor meu marido não concorde e traga aqui uma alternativa nos próximos dias.

terça-feira, julho 17, 2007

Não Se Prenda Por Mim...


Começo por esclarecer: acredito em geral no livre arbítrio, na liberdade de escolha, na responsabilidade individual. E acredito na punição de quem, no exercício da sua liberdade, decidiu prejudicar o semelhante por actos a que todos decidimos chamar crimes. Por isso, sendo visitador de um hospital-prisão, não abriria, naturalmente, a porta aos reclusos que visito. Procuro, sim, manifestar-lhes a minha solidariedade, sem emitir juízos de valor, e estar ao seu lado no momento de privação - da liberdade, antes de mais, mas privação de muito mais.
Mas agora queria mesmo era falar de responsabilidade social. E colocar uma, chavão, questão fracturante, fechar chavão. Nomeadamente. Qual é a nossa responsabilidade no momento de fraqueza daquela pessoa? Não é uma pergunta habitual na nossa mente arrumadinha de cidadãos exemplares, mas o ponto é: tem ou não cabimento?
Digo que tem. E penso no quão difícil deve ser, quando se nasce no bairro negro, onde não há pão e não há sossego, seguir o caminho dito recto. Ali não há avenidas direitinhas nem mães para nos dizer quando atravessar. Estão no segundo turno da limpeza, no segundo salário mínimo. Que livre arbítrio há aqui? Algum, não duvido, mas quanto? Que decisões rectas e correctas se pode tomar quando o role-model é o dealer? Onde ir buscar exemplos? À televisão? À Grande Mãe do Povo, tornada modelo de rentabilidade pelo conde católico Paes do Amaral que declarava displicentemente que a sua família não via a TV do Papá?
E que faço eu, cidadão exemplar, quando a publicidade garante a crianças meio perdidas que se pode ter tudo já e só pagar depois, pressionando, pressionando sempre, e eu não pressiono ninguém para que se regule este mercado selvagem?
E que faço quando permito que o planeamento urbanístico que não existe e a especulação imobiliária que não desiste divida o mapa em guetos e condomínios fechados?
E que faço quando não faço nada por uma pessoa que pagou a sua dívida e procura trabalho?
E que faço quando o legislador pouco se importa com as condições de vida destes pesos-mortos. eleitoralmente falando, e não descubro maneira de o fazer mudar de ideias?
E que faço quando o meu colega de trabalho diz lá dentro é que eles estão bem, e ainda havia de se deitar fora a chave?
São muitas perguntas. Quem me dera ter uma resposta. Mas agora não consigo pensar no grande quadro. Só penso no mulato de Vale de Judeus, rapper e todo o físico dos presos dos filmes americanos, que está preso desde os 16 por crimes graves - não sei quais, nunca pergunto, mas imagino, já levo uns anitos disto - e cujo pai morreu um dia, lá no bairro da lata, tinha ele quatro anos. A mãe não o podia manter, e aos irmãos. Vendeu-o.

formigas com catarro

O Tiago Mendes usa e abusa de adjectivos para se fazer ouvir. Faz lembrar aqueles miúdos, à procura de protagonismo, que falam sempre a gritar, na esperança de ser notados. Get a life.

o mercado jornalístico agita-se

Ao almoço, Joaquim Oliveira, João Marcelino e Jorge Mendes afinavam estratégias relativamente a novas contratações. Resta saber se o assunto se resumia aos 3 grandes do futebol, se a mexidas num dos principais diários nacionais. Ainda me estiquei a ver se ouvia alguma coisa, mas o tom da conversa não passou de sussurros.

Pontapés na Língua

É velhinho, este verdadeiro pontapé nas partes baixas da língua que hoje vos apresento. Vão-me desculpar por não revelar o nome do autor, mas é um jornalista simpático que continua a ser um dos principais repórteres de rua da SIC, e não quero prejudicar-lhe a vida. Foi proferida no auge do Processo Casa Pia, aquando das notícias que davam Ferro Rodrigues como implicado no escândalo:

Ferro Rodrigues repugna as acusações
que lhe foram dirigidas.
Um atentado refutante à língua portuguesa, não vos parece?

incompetência

Sem prejuízo da posição que tenho relativamente à penalização do aborto, a verdade é que a resposta a esta pergunta é para mim óbvia, apesar de a saber controversa, quer do ponto de vista jurídico quer do ponto de vista político.
Se pensarmos que a necessidade de licenciamento das clínicas tem em vista, fundamentalmente, a protecção das mulheres que abortam, não me parece correcto que estas possam vir a ser penalizadas criminalmente se optarem por abortar, até às 10 semanas, em clínica não licenciada. Diferente é, para mim, a resposta quando se pensa na perspectiva da clínica. Neste caso, parece-me que poderá subsistir a prática de um crime, o qual deverá ser punido penalmente.
Seja como for, depois de meses e meses de discussão, não compreendo como é que é possível que o legislador não tenha previsto esta situação. Até porque, se bem me lembro, foi levantada em sede de pré-campanha por bastantes pessoas dos 2 lados da "barricada".

eis como se resolve o problema dos "independentes"

"Candidato independente às eleições gerais da Turquia morto a tiro" (Publico)

há Cavacos e há o Cavaco

"Há cristãos
Que crêem que Deus pode fazer qualquer coisa excepto existir." (Tiago Cavaco)

A minha resposta às perguntas do AMN

O AMN, com a seriedade do costume, faz uma série de perguntas em torno da pesada derrota do CDS nas eleições intercalares de Lisboa. Assume parte da responsabilidade, o que lhe fica bem, mas todos sabemos que a responsabilidade do AMN no que se passou é, praticamente, nenhuma. Mas creio que faz todo o sentido fazer as perguntas que o Adolfo faz e temos de ter a decência de procurar dar-lhes a nossa resposta. É tarefa de todos os que militam no CDS. Já procurei aqui responder aos quesitos.

segunda-feira, julho 16, 2007

Portas e a gripe das 24 horas

Confesso que quando, em 2002, vi Paulo Portas a ir para o governo fiquei preocupado.
Mais preocupado fiquei, dois anos depois, quando o vi regressar ao governo de mão dada com Pedro Santana Lopes.
Poderia dizer-se "Demagogia ao poder" e fiquei a duvidar seriamente dos méritos do nosso sistema político. Pensei mesmo que a doença era grave.
Portas e PSL tiveram um percurso político bastante semelhante. Ambos pensaram iniciar as suas carreiras pela destruição da dos outros. Portas espalhou o seu veneno pelas páginas do Independente, atacou tudo e todos e não deixou pedra sobre pedra. Santana Lopes andou a percorrer congresso após congresso do PSD, tentando estragar as vitórias de um após outro líder, na esperança de um dia ser líder por exclusão de partes.
No mundo de comunicação social sedenta de tiragens e audiências, a estratégia de ambos consegue excelentes resultados iniciais, na fase em que é necessário passar de ilustre desconhecido a participante na vida política. As cenas de faca e alguidar abrem bem os telejornais e fazem excelentes capas nos tablóides, pelo que permitem uma ascenção inicial muito rápida na vida política.
Nesse aspecto, como táctica de entrada no organismo, assemelham-se às famosas gripes de 24 horas, que entram de rompante no organismo e parecem tomar conta de tudo, dos pulmões ao pingo no nariz.
O mal das gripes de 24 horas, do ponto de vista dos vírus, é que a sua enorme rapidez de contágio também faz com que a reacção do organismo seja imediata e, depois de não ter mais por onde se espalhar, o vírus é rapidamente debelado.
Algo de semelhante se passou no último ciclo político com os nossos dois demagogos. A mesma estratégia destrutiva que os catapulta para o topo precipita também a sua queda. Não só a sua fase de contágio cria inúmeros anticorpos no sistema político (aquelas primeiras páginas do Independente deixaram rancores profundos) como, pelo facto, de não haver nenhuma base construtiva os impede de se afirmarem como protagonistas de pleno direito. Chegados à ribalta, os nossos demagogos têm duas opções: ou se tentam tornar políticos "sérios", numa cambalhota de personalidade pouco convicente - e, nesse caso, perdem os favores dos meios de comunicação social por se tornarem chatos e cinzentos - ou mantêm a sua postura de Átilas e nunca podem aspirar a uma posição de governo, pois um governo tem de construir e não destruir. Não serve de nada ter um primeiro-ministro cuja função é descascar na oposição ou nos outros ministros.
Assim, a infecção rápida provocada por quem ascendeu numa plataforma anti-construtiva está na génese da sua também rápida cura.
Os governos de Portas e Santana Lopes enrodilharam-se nas suas próprias contradições internas e foram indo de vitória em vitória até à derrota final.
Com Portas II à frente do CDS, tivemos a experiência engraçada de um vírus de 24 horas que volta a tentar a sua sorte no mesmo organismo. Felizmente, o sistema imunitário é uma coisa maravilhosa e não deixa normalmente uma infecção declarar-se segunda vez, pois criou entretanto bons anticorpos. O vírus Portas aparentemente não conseguiu sofrer mutações suficientes nestes dois anos no deserto para poder ludibriar o sistema imunitário. Tentará, sem dúvida, sofrer ainda mais mutações, para ver se consegue entrar. Penso que já não conseguirá. O sistema imunitário é uma coisa maravilhosa e o nosso sistema político também nos vai conseguindo surpreender pela positiva.

Eleições e responsabilidade

As eleições são importantes enquanto chave para a concretização de políticas que, de outro modo, não passam de mera declaração de princípio.
E porque as vejo assim, como um meio e nunca como um fim, a derrota do CDS não me inquietou. Não porque o partido de Paulo Portas, regressado, supostamente renovado, relativizado, relaxado, mais não oferece do que o vazio absoluto.
Portas aniquilou o património ideológico que, informando e enformando a matriz personalista do partido, sempre foi a marca de água da direita em Portugal. Quis-se pós-ideológico e moderno e mostrou-se, na sua inquietude e vaidade, incapaz de perceber o ficcionismo do arquétipo individualista que, exacerbado pelo liberalismo revolucionário e radicalizado pelos pós-modernistas, é incapaz de fundar uma ordem normativa, desde logo pela negação da própria dimensão comunitária que, sem hipertrofiar o eu, não pode ser obliterada.
E hipotecou, ainda que essa fosse a via e não esvaziasse o eleitorado fiel do partido, a possibilidade de concretizar uma alternativa orientada pela mera eficácia. Pois que a tecnocracia que postula e eu rejeito implica como pressuposto mínimo de viabilização um acervo humano caracterizado pelo conhecimento e a competência. E o que Portas conseguiu, como o seu regresso revolucionário, sublevador, rebelde, revoltoso, insurrecto, foi, contra o que era o seu desejo, afastar aqueles que podiam dar de si ao partido.
O que resta, então, ao CDS? A fidelidade de quem vê o partido como um clube de futebol a disputar a manutenção na 1ª liga e a necessidade de muitos que, sem a política, teriam de experimentar o que é viver segundo as exigências do mercado profissional, no sentido mais amplo do termo.
O que resta ao CDS são chavões, frases feitas, ocas, sem nenhuma aderência à realidade. Sobretudo incapazes de convencer quem quer que seja, tal o instinto camaleónico que tem caracterizado o portismo.
Portas re-apresentou-se como D. Sebastião, o desejado, sem que ninguém verdadeiramente o desejasse, dado que, afinal, foi ele quem, através dos seus sequazes, se fez desejar durante dois anos.
É o único responsável pela derrocada de ontem. E tem de retirar daí as consequências.
Mafalda

Rescaldo no Caldas

Depois de se terem deleitado os pirómanos com os estragos que a noite eleitoral de ontem provocou no centro-direita, urge deitar água na fervura. No que ao CDS respeita parecem-me claras as razões deste resultado: a candidatura não era suficientemente boa. Ponto final. Nem sequer, desta vez, o CDS foi vítima do proverbial "voto útil". A pulverização de propostas e a certeza da atomização de eleitos tornava menos apetecível, em tese, a tranfuga de votos. E a sangria deu-se, como de resto se esperava. E a candidatura não era boa, como se viu, por vários motivos:
- Telmo Correia, apesar de inegáveis méritos, é passado. É um homem que representa o que já foi. Depois do discurso da renovação, o que foi oferecido na primeira refrega eleitoral foi tudo menos isso.
- Ninguém acredita já nos amores agudos que os crónicos candidatos têm por tudo aquilo a que se candidatam. Ele é cabeça de lista, ele é líder parlamentar, ele é vice-presidente da AR, ele Ministro, ele é o mais que for preciso.
- Depois do que se viveu há pouco tempo no partido, não houve o menor esforço de lançar uma candidatura capaz de mobilizar todos os militantes. Não seria aconselhável que no primeiro acto eleitoral fosse escolhido um dos principais responsáveis pelo que se passou. Não foi, nesse sentido, uma proposta prudente.
- Mas o desaire não se explica pela eventual desmobilização de quantos se não reviram, como eu, na nova Direcção e, sobretudo, nos procedimentos que a entronizaram. Nas directas para a presidência do partido, em Lisboa, o candidato derrotado, creio, não teve mais do que 30%. O desastre tem, infelizmente, uma dimensão muito maior. Muito maior, mesmo. O eleitorado não reconheceu, pura e simplesmente, a excelência de quem pensa ser senhor dela. E quem sofre desses males raramente entende a mensagem de quem vota.
- O eleitorado tradicional do CDS (já não falo naquele que não sendo costumeiro, tem de ser conquistado) não acreditou na proposta que o partido ofereceu porque, muito provavelmente, está magoado e não acredita nas pessoas que a protagonizam. Como se pode confiar em quem desbarata, com consequências duradouras, penso eu, todo um capital de credibilidade, de respeito pelas instituições, de serenidade, de diferença? Não pode, responderam os lisboetas. Esbanjámos, e tão brevemente não recuperaremos, o nosso principal activo eleitoral.
Agora, o candidato demitiu-se de todos os cargos partidários. Que responsabilidade teve o líder parlamentar na estratégia suicida de Lisboa? Estas demissões seriam apenas ridículas se não fossem, elas próprias, mais uma das evidências do sinistro: o serôdio narcisismo. Por sua vez, o líder do partido anunciou pungido o seu encerramento num solilóquio reflexivo que se aguarda riquíssimo. Quem ainda não percebeu já o que se passou não é à custa de horas de introspecção que lá vai chegar. O presidente do partido, em 2005, chorou não ter mais de um por cento do que os trotskistas. Agora, em Lisboa, pode esfregar as mãos: os trotskistas não chegam a ter o dobro dos nossos votos e os maoistas ainda têm de reunir mais meia dúzia deles para chegarem a ter metade. Temos de mudar a bitola se quisermos continuar felizes.

De resto, os resultados mostram o que a direita não quer e eles não se conformam...

O Paulo Pinto de Mascarenhas tem alguns problemas em ver as horas e os dias. Nada que não seja, porém, consentâneo com a incapacidade de perceber que a derrota histórica que o CDS sofreu ontem se ficou a dever à deriva relativista e à incompetência patenteada pelos dirigentes nacionais desde o regresso de Paulo Portas.
Enquanto acharem que promessas de subsídios aos eventos gays (fazendo prova de que o liberalismo de que são arautos mais não é do que libertinagem, dado o carácter surreal da defesa de políticas liberais estribadas em apoios estaduais) os tornam modernos, que coisas como crimes de responsabilidade civil não são dislates justificadores de um redondo chumbo num curso de direito, ou que a denúncia dos jobs for the boys pelos mesmos que, ao longo destes tempos, os alimentaram viabilizam bons resultados, a agonia será uma constante.
E como o CDS do Portas pós-moderno, de tão vazio que é, não faz falta, acho delicioso assistir, no sossego do lar, à derrocada. Porque só ela poderá viabilizar o renascer da axiologia que sempre fundou o partido que querem destruir. Porque só ela fará calar aqueles que, como Paulo Pinto de Mascarenhas, preferem acusar Maria José Nogueira Pinto a ter a humildade de reconhecer o erro.
Mafalda

Diz que não foi bem uma derrota



Não sei porquê mas, ao ler alguns comentários sobre os resultados da Direita nas eleições de ontem, não consigo deixar de recordar com certa ternura o ministro iraquiano al-Sahaf.

Os Citacionistas 3


Aqui fica a terceira citação das segundas:



«Cavaco foge de referendos como o Diabo da Cruz»




O (ainda mais azarado que temerário) Major-General John Sedgwick foi o autor da frase da semana passada.

Portugal responde a Saramago



Que o senhor tenha sido o primeiro lusófono a ganhar o Nobel antes de Torga, Jorge Amado, et al., apesar dos seus textos menos-que-notáveis, posso entender. Que apele ao voto em branco, ainda vá. Que tenha sido o pide-pós-pide no DN, estou disposto a esquecer. Que tenha buscado incessantemente um pretexto para se pirar para Espanha, para aumentar as tiragens da sua obra e tentar assegurar o lugar no Panteão que tanto almeja, estou disposto a nem lembrar. Que o tenha conseguido e aproveitado com o patético index do Sousa Lara, idiota útil da ocasião, vá, fez o seu papel de vitimazinha da treta. Agora que queira que Portugal seja uma província de Espanha, vá para o Diabo que o carregue. Se o senhor é espanhol, eu quero ser português, pim. Recomendo-lhe uma visita às igrejas da raia portuguesa - a Sé Catedral da Guarda era um bom começo -, levante a cabecinha e veja as estátuas que as encimam, de anatomia virada para o seu novo país. Ou, se já tem vergonha sequer de pisar o torrão, veja esta fotozinha.

E antes de ir à vida, permitam-me dois PS's redundantes, como PS's que se prezam:

PS: Adoro Espanha.

PS2: Li quase tudo do senhor.

Pensamentos do Dalai Lima 3,1415167

Telmo eleito veraneador.

domingo, julho 15, 2007

Direita Portuguesa. E agora?

Constato que o único partido de direita que elegeu vereadores foi o PSD e, ainda assim, apenas 3.
Ainda que, com boa vontade, se considerasse o resultado do PSD agregado ao de Carmona Rodrigues, elegeriam apenas 6 vereadores, o que é pouco mais de um terço. Todos os outros votos estão no PS ou à sua esquerda.
Claramente, umas eleições autárquicas em Lisboa não são eleições nacionais mas existe uma noção difusa de que umas eleições legislativas neste momento teriam um resultado com uma forte correlação com o resultado a que hoje se assistiu. Ou, dito de outra maneira, a direita portuguesa está em muito maus lençóis.
Não posso dizer que essa situação me tire muito o sono, sobretudo atendendo à direita que temos em Portugal.
Mas, apesar de me identificar mais com a esquerda, coloco acima de qualquer valor partidário a defesa da democracia. Por isso e apenas por isso, incomoda-me ver o sistema político português tão desequilibrado. Não tenho a mínima dúvida de que a esquerda governa melhor do que a direita. Mas tenho também a certeza de que a esquerda governa melhor com uma oposição forte do que autisticamente entregue a si própria. Aliás, está à vista. A governação do PS tem vindo claramente a deteriorar-se à medida que o PSD e o CDS se enterram e não lhe fazem uma oposição capaz.
Por isso, vou meter a foice em seara alheia e vou dizer o que me faz espécie na direita portuguesa.
Em toda a Europa, há dois grandes partidos de poder: um filiado na Internacional Socialista, que toma o nome de Partido Socialista, Trabalhista ou Social Democrata e outro alinhado com as Democracias Cristãs, que toma o nome de Partido Democrata Cristão, Conservador ou Popular. Todos os outros partidos, sejam comunistas, trotskistas, fascistas, nacionalistas, liberais, são essencialmente especificidades locais de cada país, não tendo uma grande implantação seja nacional seja europeia.
Em Portugal, por herança do Estado Novo e do ressalto de esquerda que se lhe seguiu, reina uma enorme confusão de designações e ideologias na direita. O principal partido da direita foi buscar a designação à família socialista, chamando-se social democrata. Nunca pertenceu à IS, nunca defendeu políticas verdadeiramente social democratas e é composto maioritariamente por conservadores de direita. O segundo maior partido, de acordo com o seu fundador e líder histórico, queria ser um partido do centro mas, quando deu por si, tinha sido tomado por um eleitorado de direita que não conseguira formar um partido próprio (MIRN, PDC, FN fracassaram todos ou foram simplesmente proibidos). Apesar da confusão se ter mantido no nome de "Centro", acabou por se assumir como o partido do extremo direito do espectro, tendo alinhado com a sua família natural da Democracia Cristã europeia.
Assim, apesar da infelicidade dos nomes escolhidos, tudo se encaminhava para que, com a AD, ambos os partidos se fundissem e acabassem por se assumir como o partido da Democracia Cristã, que alternaria no poder com o Partido Socialista. Porém, a esquizofrenia da direita portuguesa estava lá dentro dos partidos de direita e não tardaria a manifestar-se:
É que, em Portugal, não existe uma direita mas sim duas direitas. Existe a direita dos valores europeus: a que defende a economia de mercado, o sistema capitalista, a liberalização da economia, a integração europeia. Infelizmente, essa direita tem muito pouca expressão em Portugal. É a direita dos empresários (pelo menos aqueles que são competitivos), de alguns quadros superiores e pouco mais. Tem muito pouca expressão eleitoral. Depois há a direita revanchista. A direita que se recusa a aceitar as transformações que o país sofreu nos anos 70. É a direita dos retornados, dos espoliados, dos humilhados pelo PREC, dos católicos que não aceitam a secularização da Europa, daquelas pessoas a quem a mudança rápida de valores assusta por boas e por más razões. Essa é a verdadeira direita que temos em Portugal. É raro vermos a direita portuguesa a reclamar contra a economia protegida que continuamos a ter (contratos de obras públicas para manter os empreiteiros a funcionar, empresas telefónicas que recebem uma rede de mil milhões de euros por cem milhões de euros, concorrências mais do que limitadas, corporativismos escandalosos).
Numa verdadeira economia de mercado, a Ordem dos Médicos e a dos Advogados seriam processadas por cartelização, ao estabelecerem preços mínimos de consultas; as licenças de televisão seriam atribuídas até ser esgotado o espectro radioeléctrico e não garantidas apenas a duas estações, para terem o mercado garantido; o operador incumbente de telecomunicações não teria os estatutos blindados para impedir uma OPA; os empresários não reclamavam medidas para os proteger dos espanhóis. De quando em vez, lá se ouve um economista a falar contra este corporativismo. Mas, a nível político, nem o PSD tem coragem de falar contra os empreiteiros que o financiam nem o CDS de condenar o modelo corporativista do estado novo. Chega-se ao ridículo de ter o Bloco de Esquerda a defender um modelo fiscal semelhante ao dos EUA - o paradigma do capitalismo - contra a resistência dos partidos de direita, que insistem no desacreditado sigilo bancário que lhes protege as suas comodidades e abrigos.
A economia corporativista custa a morrer em Portugal. Esse é o legado mais duradouro que nos deixou Salazar. O horror ao risco e à mudança. A desconfiança de tudo o que vem de fora. Foram todos legados pelo estado novo. Lentamente, vão caindo. É uma morte lenta e agonizante de um modelo económico que outros países enterraram há 50 anos atrás e ainda outros nem passaram por ele.
Mas a direita política tem medo de abandonar essa direita social e de se ver, de repente, sem eleitorado. Por isso, segue a estratégia que o PCP seguiu. O PCP viu os congéneres europeus a reformar-se, na sequência do colapso a leste. Também os viu a desaparecer pouco depois, por terem abandonado o eleitorado histórico e não terem conseguido captar outro. Por isso, o PCP optou pela morte lenta. Agarrou-se aos valores de passado e vai morrendo pouco a pouco, sempre que morre mais um eleitor de toda a vida. É uma rampa de descida lenta, mas sem retorno. A direita política portuguesa sofre o mesmo dilema. Tem medo de abandonar o seu eleitorado de direita tradicional: a direita herdada do estado novo, pois sabe que a direita de estilo europeu tem pouca implantação em Portugal. Sabe que uma mudança dessas acarretaria perigos, possivelmente uma travessia do deserto. Por isso, à semelhança do PCP, opta pela morte lenta e agonizante. Desde o fim da AD que o CDS anda a morrer e não se emenda. Fez uma tímida tentativa parcial com Ribeiro e Castro, mas logo quis voltar ao conforto das pantufas que Paulo Portas lhe oferecia.
O PSD, então, tem terror absoluto de qualquer mudança que o obrigue a ficar longe do poder. Por ser um partido sem matriz ideológica (alguém sabe que modelo social o PSD defende?), só consegue manter militantes pela sedução do poder e das mordomias associadas. Por isso, mudar para um partido de ideias claras que esclarecesse quem lá deve e não deve estar, fica fora de questão. E, enquanto isso, não repara que o PS lhe anda a comer o almoço.
Porque, por paradoxal que seja, quem está a construir a direita de pendor europeu é o PS. Tem sido o PS a desmantelar muitas das regalias do corporativismo. Foi atrás das farmácias. Limitou fortemente o sigilo bancário. Não apoiou a OPA sobre a PT mas também não a proibiu. Privatiza coisas que a direita nunca teve coragem de privatizar. Liberaliza o código do trabalho com requintes que até assustam o insuspeito Bagão Félix. Prepara-se para privatizar até as universidades, dando o primeiro passo da transformação em fundações.
Este PS não destoaria em qualquer reunião do Partido Popular Europeu. Os partidos de direita franceses não sonhariam sequer fazer metade do que ele faz.
Como resultado, vamos ter um PS descomunal que vai ocupar todo o espaço da direita de tipo europeu, mantendo o espaço da social democracia também de tipo europeu. Seria como se a CDU e o SPD alemães se fundissem num só partido. Enquanto isso, à sua esquerda e à sua direita, os partidos vão definhando, com a única excepção do Bloco de Esquerda, que vai ganhando terreno à custa dos deslocamentos do PS para a direita. Continuando esta tendência, daqui por alguns anos, teremos o PS na direita e o Bloco de Esquerda na esquerda e então, só então, teremos um sistema político de tipo europeu mas com a curiosa particularidade de o partido de direita se chamar socialista.
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