segunda-feira, setembro 17, 2007

O Sinistro da Justiça


Este blogue está recheado de excelentes profissionais do Direito. Não é um piropo, é algo de verificável por quem o leia com alguma frequência. Por isso, e porque não nutro a menor inclinação por essa disciplina, raramente me pronuncio sobre ela. Fazê-lo hoje, gostaria que fosse considerado sintoma da minha indignação.

Aquele Sr. Alberto Costa, produto típico do Maio de 68, e da sua mentalidade de moldar a vida, nem que seja contra os interesses de quem a vive todos os dias, a vida toda, decidiu que já chega de Portugal ser apontado nos fora internacionais pelo excesso de prisão preventiva. Nesse particular, estou com o Sr. Ministro. Como estou com quem denuncia o cancro gémeo do insucesso escolar, que surge sempre a vermelho na coluna «Portugal» das estatístisticas europeias.

Fazemos portanto o mesmo diagnóstico - eu, o Sr. Ministro, a totalidade da população portuguesa dotada de pelo menos dois palmos de testa, e ainda o Sr. de La Palice.

O problema são os caminhos a seguir. E os seus, e dos seus colegas socialistas e afins da Educação ao longo das últimas décadas - é varrer para debaixo do tapete. Os meninos chumbam que nem tordos a Matemática, Língua Portuguesa, e tudo o resto? É passá-los, e logo subimos uns lugares nos quadros da OCDE! Temos excesso de preventivos nas prisões? É passá-los cá para fora. Não importa que se liberte de imediato praticantes de crimes graves, que se mine e desmotive o trabalho das polícias e do MP, que se aumente o sentimento já insuportável de impunidade. O que é preciso é libertar o país do libelo de possuir um sistema judicial injusto.

Acelerar verdadeiramente a justiça? Seria como fazer os meninos aprender verdadeiramente. Uma ideia interessante, mas trabalhosa. E os socialistas, como provam 30 anos de democracia, acham que a essência do poder não é mudar de vida, é mudar de leis. O resultado? Sinistro, Sr. Ministro.


PS: Antecipando desde já possíveis comentários hostis, claro que o mal de varrer para debaixo do tapete não é exclusivo dos socialistas. Eles são simplesmente os melhores na disciplina. Os outros, são meros imitadores.

4 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

Nutrindo eu o mesmo desdém pela disciplina jurídica que o meu co-bloguista Jorge, não pude deixar de apreciar o seu brilhante post, com o seu não menos brilhante paralelo com a estratégia de varrer para baixo do tapete.
Só me espantou o lugar de liderança na estratégia que ele reserva para o PS. É que, com muito pesar o recordo, a estratégia foi inventada por um Senhor chamado Roberto Carneiro, Ministro da Educação de um governo de Maioria Absoluta PSD, liderado por um Prof. Cavaco Silva.
Foi nessa malfadada reforma de Roberto Carneiro que ficou consagrado o princípio do Sucesso Escolar legislativamente decretado.
De facto, o governo socialista anterior, com a pasta da educação nas mãos de Augusto Seabra, estava mesmo a remar em sentido oposto, com uma separação de ensinos em Profissional, Técnico-Profissional e Via de Ensino, com aumento de exigência na Via de Ensino.
Essa reforma, infelizmente adiada por 20 anos, teria feito o sistema de ensino português avançar os 20 anos que entretanto perdeu.

9/17/2007 11:24 da manhã  
Blogger jorge lima said...

Verdade, verdade. Impossível negá-lo. E eu que gosto tanto do Roberto Carneiro. Mas também gosto do Guterres, acho que é boa pessoa e tal, mas é um dos grande responsáveis pelo estado-a-que-isto-chegou.

9/17/2007 11:44 da manhã  
Blogger Paulo said...

Caros Bloguistas
Algumas , pequenas correc�es, que a V. juventude nem sempre vos ajuda nalguams realidades hist�ricas.
O Augusto Seabra era ministro, mas nomeado pelo PSD no Bloco central.
Foi precisamente em 1983 que se acabou com as op�es t�cnol�gicas que existiam em algumas escolas, herdadas das Escolas Industriais e se fez um secund�rio totalmente � "liceu" numa socializa�o de vista curta, onde ser todos iguais era podermos chegar todos � Universidade.
Foi o Prof Joaquim de Azevedo,1989 que retomou a saida pela via profissional com a ajuda de 500 institui�es da "sociedade civil" como ele ontem bem referiu nos pr�s e contras e que veio a ser bloqueado em 1995 , mais uma vez pelos socialistas, porque eles , s� eles e as suas Benaventes � que sabem educar o Povo.
Tambem os sindicatos e o coorporativismos dos professores muito contribuiram para este m�nolito em que o sistema se transforma e que mais por raz�o de controle da despesa do que por uma raz�o, estrat�gia ou convic�o muito forte, a M� de Lurdes anda agora a desbaravar.
Ser� que s� agora percebem que sem t�nicos n�o h� choque tecnol�gico?

9/18/2007 10:20 da manhã  
Blogger José Luís Malaquias said...

Paulo,
Concordando em absoluto consigo nos princípios, discordo dos seus factos históricos.
De facto, as antigas escolas comerciais e industriais fazem uma falta tremenda à economia do país, que tem um sistema de ensino que só fornece um 12ºano sem qualquer valor no mercado de trabalho. Para se ter uma valorização profissional, tem de se tirar uma licenciatura, o que é ridículo nalguns casos.
Porém, essas escolas comerciais e industriais foram terminadas logo a seguir ao 25 de Abril, por se considerar elitista haver liceus para os meninos de classe alta e escolas comerciais e industriais para o povo. De certo modo, esse estigma de classes é uma herança do estado novo, talvez a sua pior herança, pois é o que nos faz viver presos dos títulos. Mas, de facto, para grande prejuízo do país, essas escolas terminaram logo depois do 25 de Abril, sendo convertidas em escolas secundárias normais, sem qualquer valorização profissional.
Muitas, como a Brotero em Coimbra, onde tive o prazer de estudar, mantiveram a chama acesa, apesar de, no papel, serem escolas iguais às outras.
Nunca disse que o Augusto Seabra não era do PSD. Só disse é que o Roberto Carneiro era de um governo PSD e que desfez o trabalho do antecessor (que era, de facto, de um governo do Bloco Central, talvez o melhor governo em Portugal do pós 25 de Abril).
Augusto Seabra reabriu os cursos profissional e técnico-profissional em 1984 mas a experiência terminou com a reforma do Roberto Carneiro, para só recentemente ser ressuscitada.

Onde não disputo uma virgula é que, de facto, o choque tecnológico precisa mais de técnicos credenciados do que até de Engenheiros pois é nas formações intermédias que se nota uma imensa falta de quadros em Portugal.

Esperemos que, desta vez, o ensino profissional e tecnico-profissional arranque de vez e que a Ana Benavente não torne a pôr os pés em nenhum governo.

9/18/2007 8:29 da tarde  

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