quinta-feira, setembro 13, 2007

quem nunca deu um soco a um sérvio que atire a primeira pedra

Ponto prévio: não gosto de Scolari. É arrogante e malcriado. Adiante.
A forma como a populaça e os intelectuais da bola têm vindo a reagir ao "tapa" que o seleccionador deu ontem a um jogador sérvio é exagerada, bem demonstrativa da inveja que grassa num povo subdesenvolvido e mentecapto. De certa forma, é comparável aos apupos com que uma cambada de energúmenos brindou a mãe da criança inglesa desaparecida, à entrada para uma inquirição na polícia na semana passada.
Todos sabemos que nós, portugueses, somos pródigos em mudanças de humor frequentes e que, com facilidade, transformamos bestas em bestiais e vice-versa. É a novela da vida real.
Não está em causa a atitude reprovável de Scolari, o qual tem de ser castigado pelo seu acto. Está, sim, em causa a forma como o pretendem crucificar, apedrejando-o ao primeiro erro grave.
A memória de alguns, os tais que afirmam que Scolari não presta, é curta, esquecendo que nunca antes Portugal atingiu resultados desportivos no futebol como agora, desde que Scolari é o 1.º responsável pela selecção. No fundo no fundo, estavam mortinhos por um deslize, que lhes permitisse cuspir a espinha que tinham entalada. Eles são (i) os fiéis seguidores do grande Jorge Nuno, despeitado pelo seleccionador, (ii) aqueles que têm dificuldade em aceitar que um não português dirija os destinos da equipa nacional ou (iii) os do contra, auto-intitulados intelectuais da bola, profundamente crentes de que também eles conseguiriam obter os resultados que Portugal alcançou até agora. Falo não só de patetas como o Rui Santos, mas também de todos os outros zé ninguéns, incapazes de tolerar o sucesso alheio.
Pena é, que cegos pelo desejo de vingança, esta gente mesquinha não consiga aceitar os pecadilhos dos outros, porventura muito menos graves que os seus próprios. Pena é, que critiquem Scolari e esqueçam a forma como fomos ontem roubados por um árbitro habilidoso, para mais reincidente, que deve estar neste momento a rir-se com a autofagia a que nos temos vindo a dedicar desde ontem à noite. Cambada.

3 Comments:

Blogger Ka said...

Concordo quando afirma que há muita gente com um largo sorriso na cara por poder atirar a 1ª pedra a Scolari. Não concordo que meta toda a gente que o critica no mesmo saco ou que compare com a reacção à mãe da criança desaparecida, ou que relaciono com o erro do árbitro. Mas vamos por partes.

Scolari é desde o início uma pessoa arrogante e malcriada (aqui estamos de acordo).A mim está-me atravessada a imagem dele a correr com a bandeira brasileira quando deveria estar com a portuguesa...

Scolari é também o seleccionador nacional de um desporto que neste país tem a visibilidade que têm, o que acrescenta a cada acto seu uma maior responsabilidade pela consciência de ser uma figura pública. Não que não seja reprovável que um selecionador de uma outra modalidade com menos visibilidade faça um acto semelhante, mas é sem dúvida mais gravoso quanto maior é a visibilidade da modalidade. Não será por mera bonomia nossa que ele recebe uns largos milhares de contos (ainda gosto de falar na moeda antiga) de ordenado no final de cada mês. Ele foi contratado pois pensou-se que era o melhor, era o expoente máximo...mas não é.
Uma pessoa com tal carácter nem expoente mínimo é!
Ainda mais condenável é a sua atitude arrogante na conferência de imprensa, dizendo que a UEFA não tem nada para o castigar. Bastava que ele tivesse feito um mea culpa, seguido de um pedido de desculpas que metade do problema ficava sanado.

Agora a mudança de atitude com a mãe da miúda inglesa também a mim me chocou pois vê-se a facilidade com que se passa de bestial a besta neste país. Não considero é que seja possível fazer uma comparação com este caso pois Scolari com a sua portura arrogante foi ganhando com o passar do tempo um leque cada vez maior de pessoas que não gostavam de o ver é frente da nossa selecção.

Por último a forma como o árbitro nos rouba é irritante mas não poderá nunca justificar qualquer acto que seja (bem sei que o Rui nunca referiu tal mas é bom que se faça bem esta distinção). E também devemos ter consciência que se os jogadores tivessem jogado com afinco (a 2ª parte foi vergonhosa) provavelmente estaríamos a ganhar por uma diferença maior e este lance não teria quaisquer consequências...enfim falamos sempre no campo dos "ses" mas o que fica é uma vez mais a imagem de uma selecção que não sabe perder e que parte para a agressão..uma vergonha!

9/13/2007 4:43 da tarde  
Blogger TPestana said...

Meu Caro,

juro que não li este post antes de escrever o meu, no entanto está quase igual...

in-direita.blogspot.com

Acrescentei apenas uma coisa, muitas das pessoas que hoje atiram pedregulhos a Scolari, são as mesmas que colocaram António Oliveira na selecção para dar cabo da chamada geração de ouro....

Parecem ratazanas não alimentadas há 4 anos às quais abriram a jaula...

E que festim tem sido feito desde ontem...

cumprimentos!

9/13/2007 6:44 da tarde  
Blogger José Luís Malaquias said...

Ponto prévio: gosto de Scolari.
É uma pessoa com ética de trabalho e que, depois de ter sido desconsiderado como seleccionador do Brasil, ganhou um campeonato do mundo e, depois de ser desconsiderado como seleccionador português, atingiu os melhores resultados de qualquer treinador.
Dito isto, o que ele fez é indesculpável.
Num jogador de uma divisão distrital, que ganham menos de um ordenado mínimo, podemos dizer que é humano, que qualquer um pode perder a calma.
Agora, em jogadores e treinadores de calibre internacional, que ganham fortunas correspondentes à sua responsabilidade, a ética tem de estar à altura. Se ganham como super-homens, têm de se comportar como super-homens. Não podem ter sequer o primeiro deslize, pois ganham barbaridades precisamente para não terem deslizes.
Aquilo que se exige de cada um está directamente relacionado com aquilo que se lhe oferece.

9/14/2007 11:18 da manhã  

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