sábado, setembro 29, 2007

O que há de errado com o PSD

O que há de errado com o PSD é ter-se transformado, durante o consulado de Cavaco Silva, um partido dependente de poder. Ficou agarrado ao poder como um janado fica agarrado à heroína. E, tal como um heroinómano, não pensa. Só tem uma obsessão: voltar a arranjar uma dose. Tudo o resto se torna secundário relativamente a essa objectivo primário: voltar a agarrar o poder.
Por isso, corre para a frente, mesmo quando toda a prudência aconselha o contrário. Quando Durão Barroso fugiu para Bruxelas e tudo aconselhava uma reflexão interna para escolha de um novo líder, o partido não quis nem pensar no caso, não fosse o compasso de espera dar ao Presidente um pretexto para dissolver a Assembleia e afastar o partido do poder. Em vez disso, optou pelo "chuto" rápido de Santana Lopes, com os resultados que ficaram à vista.
Hoje, a história repete-se. Marques Mendes definiu a estratégia possível para um partido em minoria, depois de ter alienado o seu eleitorado. Estava a tentar recuperar pouco a pouco o partido para, daqui a cinco anos, poder ter credibilidade para disputar o poder. Não é uma política atraente. Não há sangue. Não se aproveita as medidas impopulares do governo para ganhar votos fáceis. Os caciques locais começaram a ficar nervosos. Não só a máquina estatal laranja não começaria a distribuir benesses tão cedo como, horror dos horrores, as próximas eleições estarão coladas às autárquicas e porão em perigo o único refúgio que sobra aos viciados nas autarquias laranjas. Por isso, era necessário correr para a frente. Arranjar um candidato sanguinário, um candidato de resultados rápidos.
Pode ter sido o golpe fatal na credibilidade do partido. Nenhuma organização pode resistir a ser liderada por Santana Lopes e Luís Filipe Menezes no espaço de uma legislatura. Por mal que as coisas corram ao PS, agora, o partido do governo está seguro por mais duas legislaturas, pelo menos enquanto a memória das pessoas durar.
O PS cometeu o mesmo erro uma vez, quando apeou Vitor Constâncio por este não lhe garantir um regresso rápido ao poder. Pagou caro, com uma cura de oposição de duas legislaturas. Não me parece que voltem a cometer o mesmo erro. O PSD, pelo contrário, parece ter mais dificuldade em aprender. Ou então está mais "agarrado".

1 Comments:

Blogger Paulo said...

As ultimas noticias parecem mais graves. O PSD será dirigido pelos dois LFM e PSL. Este tem-se desdobrado em entrevistas após sexta-feira à noite. Não me lembro se ele antes apoiava Meneses. (nem ele), mas fartou-se de falar até nos trapezistas que apareceriam a apoiar Menezes, depois da vitória.Claro que PSL é muito mais que um trapezista . Ele é mesmo o "Cirque du soleil" em todo o seu explendor.

10/01/2007 11:53 da manhã  

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