quarta-feira, outubro 31, 2007

sósia

Na mouche, Gabriel.

o ministro que gostava de ser consultor financeiro

"Teixeira dos Santos apela a portugueses para que contraiam empréstimos estritamente necessários" (Publico)

picuinhices

"Alcochete custaria três mil milhões a menos" (Publico)

o regime

Já muito se discutiu da necessidade ou não do referendo para ratificar o Tratado de Lisboa. Para mim a questão é muito simples. Independentemente de se ser mais ou menos europeísta, é indesmentível que PS e PSD prometeram em campanha a realização do mesmo para aprovar o texto constitucional. Se decência houver, parece-me evidente que o referendo não pode deixar de ser marcado. Vejamos o histórico. Uns quaisquer desmancha prazeres decidiram estragar a festa e chumbaram a constituição europeia. Vai daí, espertos como são, os líderes europeus (estou mesmo a ver quem é que teve a brilhante ideia) pensaram: espera aí, e que tal se a malta mantiver o texto com ligeiríssimas alterações e mudar o nome da coisa? assim, já não precisamos de perguntar aos energúmenos se concordam! Os demais rejubilaram e a constituição passou a chamar-se tratado. Aqui chegados, assistimos agora ao espectáculo (deplorável, digo eu) da justificação do injustificável; como já não é constituição já não é necessário referendo. Juntam-se uns quantos auto-proclamados bem pensantes a defenderem a patranha e o assunto fica arrumado. Fica, porém, a dúvida. E se a Irlanda chumba o Tratado?

quem tem medo do referendo?

"Só falta agora ser invocado este argumento da ininteligibilidade do tratado como razão para se dispensar o referendo e que poderia formular-se assim: o povo só deve poder votar aquilo que pode compreender. Quando não pode compreender, não tem de votar e pronto. Come, cala e não bufa." (Vasco Graça Moura, no dn)

Se Deus está por nós, quem estará contra nós?


Pensamentos do Dalai Lima 876877657


«Homem sério não tem orelhas.»
- Luís Filipe Vieira, minimizando insultos violentos
de que foi alvo na última AG do Benfica

Os ricos cada vez mais ricos

Warren Buffet é o terceiro homem mais rico do mundo. Na tradição de Carnegie e de George Soros é um homem que associa o seu sucesso a uma ética incensurável, tendo mesmo decidido oferecer a própria fortuna à fundação do amigo Bill Gates, que desenvolve programas para acabar com muitos dos males do mundo. Isso demonstra duas coisas: que não é apegado ao dinheiro e que nem sequer o dedica a perpetuar o seu nome como filantropo, pois canalizou-o para uma fundação que nem tem o seu nome. ---
Mas Warren Buffet tem em comum com George Soros uma característica ainda mais interesante: adora irritar os seus amigos bilionários que tudo fazem para acumular fortunas sem fim, sem olhar a meios ou pormenores éticos.
Assim, depois de George Soros ter investido muitos milhões de dólares a tentar derrotar o presidente que lhe deu o maior corte fiscal para grandes fortunas da história dos EUA, por achar imoral a política económica, bélica e fiscal do incumbente da Casa Branca, eis que Warren Buffet lhe segue as pisadas com ainda maior ironia.
Trabalhando num escritório com 18 funcionários, convenceu 15 a publicarem as suas declarações de rendimentos por comparação com a sua própria declaração.

A conclusão? Apesar de Warren Buffet não recorrer a paraísos fiscais, buracos na lei, consultores fiscais ou manobras menos claras, paga uma taxa de imposto efectiva de 17%. Limita-se a cumprir a lei fiscal canónica dos Estados Unidos, sem nenhuma criatividade.

Dos seus 15 funcionários, concluiu que todos, a começar pela recepcionista, pagavam uma taxa de imposto efectiva superior à sua. Nenhum funcionário pagava, percentualmente, menos do que o terceiro homem mais rico do mundo.

Esse foi o mote para uma campanha que iniciou junto do Congresso dos Estados Unidos para que lhe aumentem os impostos (daí as suas poucas amizades entre os muito ricos da sua roda). Não satisfeito, decidiu oferecer um prémio de caridade de um milhão de dólares a qualquer um dos membros da lista de 500 mais ricos da Fortune, que demonstre que paga mais, em percentagem, do que um seu funcionário de escritório. Até ver, ainda ninguém se chegou à frente para reclamar o prémio.

Por muita piada que a situação possa ter e por muito que nos encoraje saber que algumas pessoas sabem dar bom uso ao muito dinheiro que têm, ela é também sintomática de uma situação extrema a que chegámos no mundo de hoje. Nunca os 500 homens e mulheres mais ricos do mundo detiveram uma percentagem tão alta da riqueza mundial. Há quarenta anos atrás, quando a maior parte dos lares do mundo ocidental vivia com um só ordenado, o rendimento disponível das famílias era superior ao que é hoje.

Já não estamos a falar de pobres cada vez mais pobres e ricos cada vez mais ricos. Estamos a ver já a própria classe média a soçobrar num mundo demasiado dispendioso para os seus rendimentos. A excessiva concentração do dinheiro que hoje existe acabará por dar muito mau resultado. O poder privado e das empresas, que não está sujeito a controlos democráticos pela sociedade, é cada vez mais óbvio. No Iraque, uma boa parte da guerra é combatida por exércitos privados como o agora tão tristemente famoso Blackwater. Altos oficiais norte-americanos como o o Brigadeiro hoje atingido por um atentado, viajam em Bagdade com escoltas privadas. As campanhas eleitorais são ditadas pelas contribuições de uma mão-cheia de pessoas a quem só interessa manter o estado de coisas.

Isto por algum lado terá de ceder. Gestos como o de Warren Buffet são de saudar, mas a redistribuição do rendimento por transbordar a chávena não é viável a longo prazo. É necessário encontrar um novo modelo redistributivo que, de facto, funcione.

terça-feira, outubro 30, 2007

Recensão oportuna



É sabido que elogio em causa própria é vitupério. Mas elogiar os nossos Amigos e aquilo que eles tão bem sabem e conseguem fazer é da mais elementar justiça. Como de resto, é pura caridade partilhar convosco uma recente novidade editorial. Refiro-me, claro está, ao novo volume dos Pensamentos do Dalai Lima, editado com a chancela da Bizâncio. Escuso-me de adjectivar tão fresco, leve, saboroso, inteligente, engenhoso, provocante e divertido livrinho. Digo apenas que é absolutamente imperdível. Acresce que não faz mossa ao mais matemático dos orçamentos e que se acomoda à mais exígua das bibliotecas. Custa apenas 5 euros, é de formato reduzido, pode ser encontrado em qualquer livraria que se preze e, o mais importante, é da autoria do nosso Jorge Lima. Claro que nem tudo é bom e lá podem ler uma graçola sem graça nenhuma que envolve o saudoso D. Manuel II.

Assembleia Geralmente Ordinária


A Assembleia-Geral (AG) do Sport Lisboa e Benfica de ontem à noite, decorreu num ambiente muito crispado, com insultos ao presidente Luís Filipe Vieira e ameaças a jornalistas. De tal modo que foi aprovada uma moção no sentido de, à luz dos estatutos, ser considerada, não ordinária, mas ordinaríssima. ---
A reunião do clube tinha na ordem de trabalhos a aprovação do relatório de gestão e das contas de 2006/07 e a atribuição do título de sócio honorário ao presidente da Portugal Telecom (PT), Henrique Granadeiro, mas acabou por ficar marcada pelos insultos a vários responsáveis do clube e as ameaças a jornalistas por parte de elementos das claques do Benfica.
Estas exigiam a discussão de diversos aspectos da vida do clube que acusam a Direcção de escamotear e silenciar, como a eliminação das actividades amadoras em detrimento do futebol, ou o peso excessivo dado à discussão dos pormenores mais ínfimos da vida dos futebolistas, em detrimento de uma informação séria sobre os verdadeiros temas que determinam a nossa vida. «Ao domingo, se queremos saber se o Irão vai ser bombardeado pelos EUA, temos de gramar um sujeito de miolos de sub-orangotango a explicar como é que iam perdendo com o Marítimo», exemplificou o líder dos Diabos Vermelhos.
Chamando os piores nomes ao Presidente Luís Filipe Vieira, os membros das duas claques calavam as patéticas tentativas do Presidente da AG, Luís Vilarinho, para defender o respeito pelo máximo representante do Benfica, aos gritos de «Por baixo da relva do estádio, há uma praia a descobrir», «Mais poesia, menos futebol», ou «Hospitais, sim, estádios não!» O relatório e contas do exercício de 2006/07, os primeiros a apresentar saldo positivo desde que Vieira chegou à presidência, foram aprovadas por maioria simples, com 1033 votos a favor, 726 contra e 555 abstenções, mas a proposta da direcção para distinguir o presidente da PT foi chumbada, com 1734 votos contra, 105 abstenções e 1279 votos a favor, o que começou a "aquecer" os ânimos na AG.
Depois, os elementos da claques, que exigiam à direcção do clube explicações pelo mau tratamento de que dizem ser alvo por parte dos responsáveis pela segurança do Benfica sempre que pretendem promover palestras sobre temas culturais ou realizar acções em prol dos sem-abrigo, e ainda pela presença de uma carrinha da PSP à porta do estádio da Luz, acabaram por impedir os repórteres de imagem de prosseguir o trabalho e insultaram o presidente Luís Filipe Vieira, quando este tentou responder, aos gritos de «Labrego, volta para Alverca!»
Com o ambiente muito "quente" e o presidente da mesa da AG, Manuel Vilarinho, a ter dificuldades para controlar os presentes, Vieira acabou por desistir de falar, enquanto os jornalistas abandonavam a sala em bloco, depois de terem sido ameaçados e empurrados pelos membros das claques, com ameaças sobre a sua integridade física caso «continuem a querer iludir-nos com panis circensis».

recebido por e-mail (o autor da prosa faz parte aqui da casa)

"Meus caros Amigos e beneficiários da minha acção reparadora,
Ninguém disse que o caminho da Verdade era uma vereda isenta de escolhos. Há-os em abundância. E até pedregulhos se precipitam sobre a cabeça de quantos, como eu, mais procuraram servir o bem de todos do que os hedonistas princípios que dominam a intima expressão volitiva de cada um. Nunca ninguém disse que seria fácil percorrer os trilhos da honra e da verticalidade, semeados de aporias desconchavantes que florescem no negrume de corações que viram a brutalidade da pedra ocupar o lugar que era o da crueza singela da carne. É por isso, hoje, mais do que ontem, imperioso mantermo-nos fiéis à essência cristalina da imaculada limpeza de espírito. Não serão as enormidades que brotam das cavernas que se fizeram bocas capazes de nos aplacar. Não serão as leviandades que se soltam do febril frémito de dedilhadas cobardias suficientes para nos derribarem. Tomamo-las, umas e outras, como as imundícies que vivificam e enobrecem as mais requintadas orquídeas. Sim, porque a magia de uma pétala de rosa faz-nos esquecer que as cores vibrantes de que são espelho não rejeitaram a boa merda que outros seres viventes foram produzindo. É desse produto, tão generosamente ofertado pelo VPF, que vive o brilho que esmalta as minhas subidas funções. E a elas, com sacrifícios pessoais, enormes sacrifícios pessoais, não renunciarei, pelo amor que vos devoto."

apesar de não ter percebido, parece-me espectacularmente bem escrito

corrigenda

Não morro de amores pelo empresário José Manuel Rodrigues Berardo. A sua elevação, pelos media e pela boçalidade oficial, à categoria de modelo nacional é mais um dos reflexos da decadência que nos aflige. Mas é feio destratar a criatura, insistindo-se no tratamento protocolar de comendador. É verdade que ele recebeu uma comendazita em 1985. Só que, desde o dia 14 de Fevereiro de 2005, ele é GRÃ CRUZ da Ordem do Infante D. Henrique. Lestes bem? GRÃ CRUZ! Portanto, e por respeito às ordens honoríficas portuguesas, saibam que ele não é apenas o "Sr. Comendador". É o "Sr. Grã Cruz". Dobrai, pois, a língua. O respeitinho é bonito ... e o gajo ainda se zanga!

segunda-feira, outubro 29, 2007

Será?

Será que era de tipos como o Nuno Ramos de Almeida que o Senhor falava quando dizia "Bem-aventurados os pobres de espírito porque deles é o Reino dos Céus"? Será?

Pontapés na Língua.


Textos verídicos. Comentários para quê?

Sabia que um homem com disfunção eréctil leva em média 5 anos para levantar o problema?
- Nicolau Breyner, testemunho num anúncio de televisão, Setembro de 2005


Disfunção eréctil: solução oral resolve o problema.
- Título do telejornal da manhã da TVI de 6ª passada



No colchão (para não dizer na cama) com Cristiano Ronaldo

Parece que o menino de ouro - por quem nutro admiração - é um perfeccionista. Faz bem. Houvesse mais pessoas assim, e Portugal (e o mundo) estaria bem melhor.
E além de futebolista, é também actor publicitário. Transformá-lo em tal e usá-lo à exaustão, tem sido, digo eu, uma boa estratégia do BES (nos dias que correm, é o que lhe vale...). Suponho que este seja "o" investimento do ano do BES.
Como ao C.Ronaldo tanto custa fazer mal como fazer bem, e ao BES custa só mais uns trocos pô-lo a fazer bem, que tal o BES pagar umas aulas de dicção ao rapaz? É que dizer "se eu não querresse" fica muito mal aos dois... e é uma pena.

sexta-feira, outubro 26, 2007

IPA 13




Quem sabe, sabe...

Atenção BES, quem sabe, sabe e o Ulrich é que sabe.

Pensamentos do Dalai Lima CCCP


Aceita um veneno?
- Vladimir Putin, oferecendo copo de vodca a Sócrates

quinta-feira, outubro 25, 2007

Ouvir os outros

Absolutamente obrigatório ouvir o Bastonário da Ordem dos Médicos aqui.

quarta-feira, outubro 24, 2007

Pensamentos do Baú do Dalai Lima 0000000


Prémio Nobel do Físico
para Giselle Bundchen

A paixão da educação

Começou a época dos rankings das escolas. Durante as próximas semanas, seguir-se-ão rankings, novos rankings, revisão da metodologia, comentários, comentários aos comentários... Na ausência (falta?) de um ranking oficial, nascem os oficiosos, com todos os defeitos que lhes podemos atribuir - porque este não tem em conta a quantidade de exames, porque este só olha para um conjunto de disciplinas, etc - e que nos permitem puxar a brasa à nossa sardinha (se a tivermos), ou talvez estragar a churrascada a quem a tem.
Talvez por (de)formação profissional, perante uma questão desta índole, a minha primeira reacção é verificar a consistência da análise e, numa segunda fase, procurar a explicação - as causas - para os efeitos que se conseguem isolar com os dados disponíveis.
A consistência, neste caso, é assegurada pela repetição anual da metodologia na elaboração do ranking. Seja qual for a técnica seguida, a verdade é que quem aparecia no topo do ranking no início deste ciclo, continua a aparecer, com a variância que se atribui a qualquer série estatística (e não é de estatísticas que falamos?).
Passemos então à análise causal. Com a metodologia adoptada na elaboração deste ranking, as escolas que ocupam os três primeiros lugares são 3 colégios, dois do Porto e um em Lisboa.
São colégios pequenos, com poucos alunos. Será que por terem poucos alunos , têm bons resultados (i.e., praticam cream skimming na admissão de novos alunos)? Ou terão bons resultados por ter poucos alunos (i.e., têm maior capacidade para ajudar cada aluno a dar o máximo de si?)?
O que é que os distingue dos outros? Por um lado, a educação é vista como um projecto conjunto de longo prazo entre os pais, os alunos e a escola. Por outro lado, são Colégios que apostam na educação diferenciada e personalizada, na linha vanguardista dos métodos educativos além-fronteiras. É uma opção, como qualquer outra. Talvez não como qualquer outra... aparentemente, tem bons resultados.

Também publicado aqui.

terça-feira, outubro 23, 2007

Pensamentos do Baú do Dalai Lima 23.7.2003


Se o Dr. Ferro Rodrigues
se nos queixa de que
nós o escutamos,
nós escutamo-lo.
- Fonte da Procuradoria-Geral da República

serviço público

Para quem não sabe, aqui vai uma dica importante: o Novo Testamento está traduzido para português. Aliás, há bíblias inteiras traduzidas para português. Claro que as versões estrangeiras têm a vantagem de serem menos perceptíveis. E o que lá vem escrito é bom que se procure, na medida do possível, filtrar. Ou mesmo esconder.

Referendo ao tratado 5

Zé Luís. Não fui eu que chamei estúpido ao eleitorado. Foi o teu camarada Vital. Eu não sou contra o referendo porque o eleitorado não consegue perceber o que se pergunta. Sou contra o referendo porque sim. Já era antes das experiências que tivemos. E essas experiências vieram mostrar-me que tenho razão. A ideia do referendo, entre nós, não é de auscultação da vontade popular. Se fosse, não se faria a pergunta idiota do referendo ao aborto, por exemplo. Nem se fariam 2 referendos sobre o mesmo assunto tão próximos um do outro. O problema é que a deputação, qual Pilatos, quer lavar as sujas mãozinhas, levando a que o eleitorado escolha o que tem de ser escolhido. É portanto uma legitimação. Não uma decisão.
Nuno Pombo (Publicado por Zé Luís)

Referendo ao tratado 4

Aqui, apesar de tudo, não posso concordar com a última parte do que o Nuno escreve.
Há uma diferença entre um eleitorado não ter preparação técnica para tomar decisões directas sobre temas altamente complexos como este tratado e não terem discernimento para escolherem os políticos que irão governá-los e tomar essas decisões por eles.
Como alguém dizia, é possível enganar pouca gente durante muito tempo ou muita gente durante pouco tempo. Não é possível é enganar toda a gente durante todo o tempo. Há erros notáveis cometidos pelo eleitorado (Santana Lopes em Lisboa, George Bush nos EUA) mas, em regra, o eleitorado acaba por se aperceber desses erros (é certo que às vezes demora tempo) e, quando se tornam insustentáveis, a escolha muda. As decisões decididas directamente em referendo são mais difíceis de mudar. Por isso, acho que a democracia representativa é uma importante válvula de escape contra escolhas erradas, ainda que o preço seja às vezes aturar uma escolha errada durante 4 anos. Por contraste a democracia directa é demasiado volúvel e manipulável, enquanto que a autocracia não tem válvula de escape para as decisões erradas.
Por isso, não penso que o eleitorado seja estúpido. Pode ser mal preparado e pontualmente manipulável. Mas, a longo prazo, revela uma sensatez notável.

Referendo ao tratado 3

Caro João,
Quanto ao facto de serem uns ordinários mentirosos boa parte da nossa deputação nada a objectar. Que disseram e agora desdizem é uma vergonha. Mas eu não estava a falar da conjuntura. Não sou, estruturalmente falando, adepto da democracia directa. Prefiro, apesar dos pesares, a representativa. Ninguém consegue porém explicar (como o camarada Vital não consegue) é a razão de desprezarmos a capacidade de entendimento dos cidadãos eleitores para que eles decidam uma coisa concreta e lhes dêmos, porém, a possibilidade de tomar decisões bem mais decisivas para o dia-a-dia de todos nós, como seja a de escolherem, ainda que por via indirecta, quem nos vai governar 4 anos. Os estúpidos são estúpidos.
Abraço

Nuno Pombo (Publicado por Zé Luís)

Referendo ao tratado 2,5

A questão da palavra dada é, de facto, importante e um dado a considerar. Eu acho simplesmente que a palavra não deveria ter sido dada para começar. Agora, tendo sido dada é realmente uma prova de falta de seriedade voltar atrás.
Eu, pessoalmente, sou contra o referendo na actual situação porque acho que não advirá nada de bom daí. A Constituição Europeia era densa mas estava escrita sob a forma de um texto único e congruente. Este tratado está escrito sob a forma de rectificações aos artigos dos tratados anteriores. Para quem não os conheça é praticamente impenetrável. Por isso, acho que pedir aos cidadãos que o ratifiquem em referendo é como pedir-lhes que se pronunciem sobre a interpretação de Copenhaga da Física Quântica e sobre o paradoxo do observador. Haverá uma mão cheia de físicos que entenderia o que está em questão, os outros votariam por recomendação ou simplesmente porque simpatizam mais com o Bohr ou mais com o Shroedinger. A votação não reflectiria os méritos de uma interpretação ou outra.
Agora, o problema é como é que se resolve um processo que já nasceu torto. No referendo já é demasiado tarde para a população afectar o futuro da sua Europa. Eu, por exemplo, sou adepto de uma constituição europeia. No entanto, não me revejo num documento que foi redigido por uma mão cheia de eurocratas, sob a batuta daquela figura sinistra do Giscard d’Estaing.
Penso que a única solução verdadeiramente democrata seria a que está na origem das grandes constituições mundias: a convocação de uma assembleia constituinte, eleita pelo voto popular, em que os diferentes candidatos expunham a priori as suas soluções para a constituição. Assim, os eleitores tinham de facto uma escolha e o seu voto influenciava alguma coisa.
Como está, um referendo só vai decidir se se aceita uma má constituição ou se fica sem nenhuma, à espera da próxima estratégia de imposição de uma constituição pela porta do cavalo.

Referendo ao tratado 2

Não posso concordar com o Zé Luís. Para mim, a questão é bastante mais simples. Chama-se fidelidade à palavra dada. Palavra, essa, que ninguém obrigou a dar.
Mais de 80% dos deputados à Assembleia da República (PS+PSD+PCP+CDS) entenderam que a promessa do referendo devia constar dos respectivos programas eleitorais. Ou seja, mais de 80% dos que agora se assumem como o tal "filtro" legislador próprio da democracia representativa, consideraram que esta não basta neste caso. Se foram os próprios deputados a declararem-se antecipadamente inibidos para decidir sem a realização de um referendo, a mudança de atitude pós-eleitoral consubstancia uma fraude vergonhosa imprópria de um país (dito) civilizado.
Caro Zé Luís, Confesso que acho pouco simpática essa interpretação da bondade deste ou daquele voto, desde ou daquele país. Acho que quem faz birra tem tanto direito a expressá-la como quem vota depois de ter lido todos os compêndios sobre o tema.
Caro Nuno, Acho que um tratado internacional pode ser explicado às pessoas e que as questões que levantam problemas sérios não são assim tantas que não possam ser entendíveis numa campanha eleitoral séria em que, à partida, PS, PSD e CDS estarão do mesmo lado. Zomba mais da democracia quem tenta fazê-lo ou quem prometeu realizá-lo e se prepara para não cumprir?

João Vacas (publicado por Zé Luís)

O referendo do tratado 1

Não é que eu, por princípio, seja contra os referendos. Acho-os a forma suprema de democracia.
Quando comecei a ler um pouco sobre política, adorei o sistema suíço em que o governo só faz a gestão corrente, tudo o resto é decidido pelo povo.
O problema comecei a vê-lo em dois referendos sobre o aborto e um sobre a regionalização em que vi a demagogia a reinar suprema.
É que, descobri então, um referendo exige uma enorme maturidade do povo que o realiza. Eu sei que, com isto, pareço de facto um ditador a dizer que o povo não está preparado para essas coisas da democracia. Mas, de facto, o povo tanto se pode enganar com falta de democracia como com excesso aparente de democracia.
No referendo da Dinamarca a Maastricht, os dinamarqueses rejeitaram o tratado mas antes a edição de bolso do tratado tinha-se esgotado nas livrarias dinamarquesas. Estima-se que um terço da população dinamarquesa leu, de facto, o tratado antes de votar não. Aí, tenho a certeza de que a escolha foi de facto a do povo e se centrou no tratado que estava a ser referendado.
Já no caso francês e em boa medida no caso holandês, os referendos foram uma manobra de pura demagogia. Os franceses estavam-se a borrifar para o tratado que, na verdade, até os beneficiava, pois garantia a perpetuação da posição privilegiada na UE, mesmo após o alargamento a Leste. Ninguém lucra tanto como a Franca com a PAC que é, de longe, o maior instrumento económico da UE. Os franceses não votaram contra o tratado, votaram contra o Chirac porque estavam chateados com ele e com o PM. Tinham-lhes dito que o sonho das 35 horas semanais não ia durar, que a França não podia continuar com a cabeça de baixo da terra e eles zangaram-se e quiseram partir a louça. Por isso votaram contra o referendo pelo mesmo motivo que votaram no Le Pen há 7 anos.Não entendem o significado do voto mas, como uma criança que faz birra para se fazer ouvir, fazem a coisa mais chocante de que se lembram para chamar a atenção.
Ora, eu por princípio, acho que crianças birrentas não devem votar. Acho que quem vota por embirrações que não têm nada a ver com o que está em causa e que afecta a vida de muitos milhões de pessoas não devem votar, pois são uma presa fácil de demagogos.
Para isso é que Deus criou a democracia representativa, para funcionar como filtro contra demagogias fáceis sobre povos iliterados, sem deixar porém de manter um controlo democrático sobre as instituições.
Por isso, concordo que, de facto, dinamarqueses, suecos, até finlandeses votem em referendo. Portugueses, franceses, ingleses e italianos espero bem que não, que não votem. Se os primeiros votarem contra é porque há lá qualquer coisa que não deveria lá estar. Se os últimos votarem contra só significa que acordaram com um acesso bílis.

segunda-feira, outubro 22, 2007

Ministério da Deseducação

A nova proposta do PS na área da educação consegue deixar-me sem palavras. Logo a abrir fico na dúvida se estaremos diante de uma concreta medida de combate ao absentismo, eivada de uma racionalidade que me escapa, se de um expediente de recurso para não coarctar a progressão académica do discente que, pese embora o número de faltas, consegue provar que adquiriu os conhecimentos necessários à transição de ano, para logo concluir que, na sua simplicidade, o Ministério que tutela a pasta em causa só pode estar a gozar.
Vejamos. O aluno ultrapassa o número de faltas legalmente previstas. Não interessa se ao abrigo de uma causa justificativa atendível ou não. Cai a reprovação automática para lhe ser concedida a possibilidade de realizar um exame aferidor da sua capacidade para transitar de ano. Ainda podia aceitar a eficácia, embora de duvidosa bondade, da solução. Porém, volto atrás e releio a notícia. Mesmo que o aluno obtenha nota negativa na prova, ele poderá passar para o ano seguinte.
Alguém me explica, então, por que razão não se admite o fim da reprovação por faltas?

O segredo está na massa

Apesar da sugestão do título, não vos vou falar do BCP. Os IV, como espero se note, são, quase todos, criaturas especulativas. Só isso explica que tenhamos sido nós a promover a republicação dos problemas do IPA. O diálogo que em "off" mantemos trouxe uma revelação bombástica. Enquanto dissertávamos sobre o criacionismo e o evolucionismo, para chegar à conclusão (quase definitiva) de que ambas as correntes padecem de vícios metodológicos inultrapassáveis, foi-nos revelado que o tempo, tal como o concebemos, linear, não existe. Tudo depende, pelo visto, da massa gravítica.

Recensão penitente

O CAA, com a fleuma do costume, declama um sentido acto de contrição, reconhecendo a existência de milagres. Depois de ter vaticinado, qual escultural pitonisa, que um dado livro (A Desilusão de Deus) não seria editado em Portugal, subentendendo-se nesse presságio uma eficaz conjura da obscura reacção católica, eis que a Pítia a que temos direito tropeçou na lusíssima edição desse magnífico livro, ainda que com um título "eufemístico e disparatado" que a padralhada conseguiu, apesar de tudo, impor. Hoje, e como se pode ver, não é a Santa Madre Igreja que domina os critérios editorais, como vaticinara (e no fundo pretendia) o CAA. Qualquer amontoado de letras pode ser dado à estampa, conquanto vise livrar os pretensos cordeirinhos do seu vil e castrador redil. Mas há ainda muito caminho a percorrer. Enquanto se grafar deus com d maiúsculo (só me vêm à lembrança os reaccionários e fumegantes turíbulos, valha-me deus) têm os arautos das luminosas verdades pasto bastante para se entregarem, colectiva e bovinamente, à defesa do que importa. Assim não tropecem nos aventais.

assimetrias culturais


Visitei ontem o Palácio Nacional de Queluz (PNQ) um dos mais emblemáticos monumentos nacionais. Sempre ouvi dizer isto, pelo menos. É hoje, para quem não saiba, um Museu. Enquanto o Ministério da Cultura se dá ao desvario de entregar nas mãos de um dito comendador da república milhões de euros, para alimentar uma colecção que poderia ser reunida num par de anos através de aquisições selectivas (ou nem tanto) nos leilões da especialidade, colecção que, em última análise, só não será dele se ele a não quiser de volta, o nosso património histórico, majestoso, irrepetível, é votado ao abandono.

O estado do PNQ descreve-se com os traços que caracterizam a miséria. Os jardins, que dizem estão a ser restaurados, estão negligentemente tratados, a pintura do exterior do palácio é uma vergonha, a patine do rocócó é agora de um ouro vibrante, para americano se exaltar. A iluminação do museu é gritante (a ausência de luz contrasta com os reflexos impostos), a descrição das peças (as que têm a sorte de ser descritas...) é escassa e a exposição muito pouco amiga do visitante. Não há sequer um guião ou um plano de visita, em português. Está esgotado. Há muito. Só há em inglês. Custa 1 euro.

Cuidar do património edificado, oferecer o enquadramento histórico que lhe dá sentido é passadismo. Bom, bom é o espírito coleccionista do dito comendador da república. Como sopram frescos, posto que assimétricos, os ventos da cultura em Portugal!

E tu, és militante ou simpatizante?

(recebido por e-mail)

sexta-feira, outubro 19, 2007

serviço público

Quem quiser saber mais sobre o Tratado de Lisboa é favor ler este artigo na bbc. Um dos aspectos interessantes ali referidos é o facto do texto deste Tratado equivaler a cerca de 95% do que constava da defunta Constituição Europeia, a qual, como se sabe, foi chumbada em referendo em diversos países europeus. Armados em "chicos espertos" os líderes europeus decidiram renomear o documento, fazendo um lifting, o qual consistiu essencialmente em acabar com o hino e com a bandeira. Rejubilam agora com o acordo, já a preparar o circo com a argumentação contrária à realização de referendos, pois, no fim das contas, já não se trata de uma Constituição mas sim de um simples Tratado.

Kim Wilde - Cambodia

Aplaudindo a escolha da Gi para esta semana, tenho de a complementar com a outra canção emblemática da Kim Wilde.

agenda cultural


Hoje à 0:25, no Lusomundo Premium, passa Uma História de Violência, de David Cronenberg. Viggo Mortensen faz o papel da sua vida (não percebo a ausência de nomeação para o óscar) num filme duro, muito duro, acerca do reencontro de um homem aparentemente normal com o seu passado.

com um nome destes o que é que estavam à espera

Já aqui tinha falado dela. Amy Whinehouse foi detida na Noruega por posse de marijuana, tendo entretanto sido libertada depois de pagar uma multa de € 500,00. Não posso concordar com a perseguição que tem sido movida a esta rapariga. Quem a conhece, bem sabe que o uso que a mesma faz de estupefacientes tem em vista fins puramente medicinais. Há um partido político em Portugal que pode explicar essa cena bem melhor do que eu.
P.S. A propósito, parece que Whinehouse e Doherty se vão juntar para um novo dueto. Espero que tenham o bom senso de pedir a alguém que os ajude a manter-se em pé.

A árvore de decisão da Junta Médica







A propósito deste post do Rui Castro, mesmo aqui em baixo.

se me permitem

A manif de ontem impressionou. Fiquei, porém, na dúvida acerca dos motivos dos protestos. Presumo que tenha sido qualquer coisa relacionada com a globalização ou com a UE, não?

Visão

Para quem quiser saber mais sobre Tiago Cavaco, um dos bloggers de eleição aqui nos IV, é favor comprar a Visão. Resta saber quem escolheu a página...

(des)educação

Nos últimos dias tem sido veiculada a notícia de uma professora que teve já 3 cancros (na mama, no útero e na língua), tendo todos deixado sequelas físicas e psicológicas. O último, o da língua, obrigou-a a cortar parte da língua, que incha, sangra e causa dores. Permito-me descrever com pormenor a situação, porque houve uns deficientes mentais quaisquer, aparentemente com competência para o efeito, que a consideraram apta para dar aulas. A professora, os pais e os alunos estão, obviamente, chocados com a situação, mas da parte do ministério ainda não houve a sensibilidade necessária para resolver o assunto como deve de ser. Ou seja, pela revogação imediata da decisão que a considerou capaz e com a instauração de um processo disciplinar aos idiotas envolvidos no processo. Refiro aqui a situação, não porque deva ser usada como arma de arremesso política mas porque retrata bem o terceiro mundismo que ainda grassa em alguns sectores da nossa sociedade. Um verdadeiro nojo.

Parto difícil


O Tratado de Lisboa lá viu a luz do dia mas o parto não foi fácil, e ao que parece Socrates tenciona gozar uma licença de cinco meses.

Lisboa

(i) O acordo obtido ontem pela presidência portuguesa da UE é histórico e constitui uma vitória da nossa diplomacia. Sócrates e, fundamentalmente, Luís Amado, Lobo Antunes e toda a sua equipa estão de parabéns.
(ii) O mais difícil, porém, ainda está para vir - a aprovação do Tratado por cada um dos países. Quanto a Portugal, e ao contrário do que afirmou ontem Menezes, é evidente que o parlamento não tem legitimidade política para aprovar o Tratado sem a realização do respectivo referendo. Quer Sócrates, quer o psd, prometeram aquando das últimas eleições legislativas - em que foram eleitos os actuais deputados - que a matéria seria referendada. Podiam tê-lo evitado, mas a opção dos 2 principais partidos quanto a esta matéria foi clara. Agora amanhem-se.

IPA 12


IPA 11 - soluções


quinta-feira, outubro 18, 2007

As "canções" do meu imaginário de A a Z

As escolhas não têm sido fáceis. Esta semana, para a letra K, não me ocorre outra que não a Kim Wilde, com kids in America (para gáudio dos então adolescentes que nutriam ujma admiração especial pela artista).

hardcore

Ouvi há pouco Santana na rádio a congratular-se com os cerca de 70% de votos que obteve nas eleições para a liderança do grupo parlamentar. 70% em 75 deputados, todos eles escolhidos há 2 anos por Santana. 70% numa eleição em que Santana concorria... sozinho. Na entrevista que deu não se coibiu de fazer comparações com as eleições na Figueira e em Lisboa, exaltando o seu resultado, omitindo o facto de se tratarem de eleições com candidatos provenientes das mais diversas forças partidárias. Não está em causa a sua eleição, mas o orgulho que exibiu não se coaduna com o resultado. Para todos os efeitos, houve cerca de 30% de deputados (todos do seu partido) que, sem qualquer alternativa, optaram por não votar no único candidato. Imaginem o que seria se Santana tivesse tido um concorrente. Depois de ter saído vitorioso de um congresso onde não precisou de abrir a boca, Santana leva uma bofetada de luva branca daqueles em quem mais confia. O futuro próximo do psd promete.

Braancamp Hill Street


Alguém me sabe explicar o que é que se está a passar em Lisboa? É que estive todo o dia a ver passar Audi A8's a perseguir motas da polícia. Será que a malta do sindicato da Covilhã decidiu passar ao contra ataque?




Tratado de Lisboa, as negociações


WW III, do outro lado do mundo

Na mensagem anterior, Rui Castro levantou o espectro de uma possível guerra mundial que seria desencadeada caso o Irão optasse decisivamente pela opção nuclear.
Penso que esse perigo, embora real, não é eminente. A Coreia do Norte, um regime bem mais errático e despótico do que o Irão, efectuou o seu teste nuclear e não houve daí consequências de maior. O mundo ficou um pouco mais inseguro mas a mudança não foi tão drástica que justificasse uma escalada militar. Estou convencido que o mesmo se passará com o Irão, o qual mesmo com a opção nuclear está sempre mais refém dos seus interesses económicos no mundo do que estará um regime isolado como a Coreia do Norte.

Onde eu vejo o verdadeiro perigo de uma Guerra mundial num futuro próximo é no estreito de Taiwan.

Como se sabe, até ao ano passado, Pequim e Taipé concordavam que só havia uma China, embora discordassem sobre o seu legítimo representante. Com a eleição do actual presidente do Taiwan, um adepto da declaração de independência da ilha, as coisas ficaram muito mais perigosas, visto que o equilíbrio de forças até agora era o seguinte: a China reclama soberania sobre Taiwan. Taiwan não negava essa soberania, só não aceitava o governo. A China reservava-se o direito de invadir a ilha mas não o fazia porque dois porta-aviões americanos asseguram a defesa da ilha contra uma invasão. O status quo funciona assim desde 1949.

O que mudou entretanto é que as Forças Armadas Chinesas cresceram enormemente e são já plausivelmente capazes de conduzir uma invasão da ilha, mesmo contra as objecções dos EUA. O novo presidente do Taiwan é a favor da declaração de independência e do corte definitivo dos laços com a China. Os EUA estão enfraquecidos por uma campanha desastrosa no Iraque e estarão pouco dispostos a enfrentar uma guerra sangrenta nos mares da China.

Acontece que no dia 8 de Agosto, começam os Jogos Olímpicos de Pequim, altura em que a China vai ter os olhos todos postos sobre ela.
Uns dias antes, vai haver eleições no Taiwan e um referendo sobre a independência.
Tudo aponta para que Taiwan declare a sua independência a 8 de Agosto, a menos que a pressão norte-americana os dissuada, pois aposta com alguma plausibilidade que a China não quererá desencadear uma guerra durante os Jogos Olímpicos. Isso até poderá ser verdade e poderá comprar alguns dias de tréguas ao Taiwan. Mas alguém acredita que, terminados os jogos, a China fique quieta? Uma invasão em caso de declaração de independência é mais do que provável. Os EUA ver-se-ão obrigados a cumprir o bluff de proteger a ilha ou ficar desacreditados como única superpotência. Se forem em defesa da ilha, a guerra que se seguirá prevê-se letal e as opções nucleares seriam uma quase certeza.

Esse sim parece-me um cenário muito possível de declaração de uma guerra mundial. E essa é já amanhã. Pensem nisso.

referende-se o referendo

Depois de Sócrates ter prometido antes de ser eleito que iria referendar o Tratado (se bem que este argumento possa não ser o melhor, uma vez que Sócrates "primeiro ministro" tem feito o oposto do que prometeu Sócrates "candidato a primeiro ministro") e do psd ter aprovado em conselho nacional a exigência da realização de um referendo, estou curioso para perceber como é que Sócrates "presidente em exercício da UE", apoiado na recente declaração de Menezes "líder da oposição" sobre o assunto, vai justificar a eventual não realização do malfadado referendo. Seja como for, quanto mais fizerem deste assunto um tema tabu maior dificuldade terão em obter um "sim" maioritário ao Tratado num referendo que acabem por fazer.

WWIII

Bush raises specter of 'WWIII' if Iran gets nuclear arms (USA Today)
Depois do Iraque, dificilmente Bush obterá o apoio de que necessita - mesmo dos seus aliados mais próximos - para avançar militarmente contra o Irão. Se assim for, o problema vai sobrar para o seu sucessor na presidência americana, aguardando-se com curiosidade pelo posicionamento de todos aqueles que têm criticado ferozmente a actual administração.

Flexisegurança


Pensamentos do Dalai Lima 098079887766546

Dia Mundial da Pobreza:
2 milhões de portugueses
não têm Audi.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Pontapés na Língua

Este ainda está fresquinho. Nem queríamos acreditar no que os nossos ouvidos viam. Foi hoje de manhã, num debate na TSF, jorrando da boca do Embaixador Martins da Cruz, aquele senhor que parece que foi Ministro dos Estrangeiros daquele senhor que parece que foi espancado na incubadora, ai, como é que ele se chama, que agora até anda de elevador com o Luís Filipe Menezes, quer dizer, este, não o outro, ou melhor, o outro, não este, ai, bolas, como é que é. Pronto, não interessa. Esta pérola foi emitida - e repetida, porventura com intuitos enfáticos - a propósito do propósito manifestado por Inglaterra e República Checa em não enviarem nem um ministrozito à Cimeira Europa-África Lisboa, se o Mugabe aparecer, como parece que aparece. Ai ai ai.

«Só perdem quem não estiver, só perdem quem não estiver.»

É de um ridículo por demais

O quê? Esta conversa da treta vinda de uma jornalista, com carteira e tudo (!), que há uns meses atrás, em blogs e jornais de referência, gastou horas do seu latim e amortizou o seu teclado com histórias da vida real sobre abortos em bancadas de cozinha e demais salas improvisadas, com recurso a chaves de parafusos (era, não era?) e outros objectos inimagináveis.
Esse jornalismo foi um tributo à seriedade. E o timing então, nem se fala.

E esses mesmos cuidados paliativos com efeitos retroactivos, não se arranja?

grupeta


Se eu fosse adepto de teorias de conspiração, diria que a reunião dos jacobinos mais famosos da blogosfera nesta caixa de comentários não é de todo inocente. Como não sou, limito-me a constatar que a amizade é uma coisa bonita de se ver.

o dia seguinte

Acalmem-se os espíritos, pois a causa do dia seguinte está já em cima da mesa. 8 meses depois.

Pensamentos do Dalai Lima 2/3


Santana, o Fónix Renascido
(Nota aos Leitores: por imposição do Venerável Pai Fundador,
os PDLs que incluam linguagem licenciosa ou ofensiva
passam obrigatoriamente a vir acompanhados de bolinha)





segunda-feira, outubro 15, 2007

Dedicado ao Pedro Marques Lopes (que eu não conheço!)

Compreendo que não seja fácil para um jacobino militante constatar o peso que a Igreja Católica tem no nosso país. E Fátima é paradigma disso.
Admito que quem regurgita ódio por Deus – insistindo em não perceber que o ateísmo envolve, na sua essência, a também sua impossibilidade, porquanto ao afirmar a não crença está-se, concomitantemente, a postular uma crença de sinal contrário – olhe para uma peregrinação como sinal do obscurantismo que perdura.
Admito que haja pessoas que continuem presas ao culto aporético da razão, obnubilando que a hiperbolização das suas potencialidades a feriu de morte, já que, mesmo que não tenha ditado o seu apagamento, levou à abertura consciente a outras formas de racionalidade e a outras dimensões inapagáveis do ser humano.
Admito, ainda que tudo isso implique, a um tempo, o desrespeito por uma dimensão intangível da personalidade humana – por muitos ignorada, já que se ancoram no conceptualismo autista do individualismo produto dessa mesma razão que idolatram – e a ignorância da evolução do pensamento filosófico ao longo dos tempos.
Mas custa-me aceitar que alguém que se arvora em referência da intelectualidade não seja capaz de perceber as subtilezas do mundo que contempla e insista em captar na mesma malha realidades incomparáveis.
Dou-me, por isso, ao trabalho de explicar.
Uma seita não é uma religião milenar. E, por mais que isso o amofine, o Cristianismo faz parte da herança cultural do país em que nascemos e vivemos. E Fátima faz parte do identitário nacional. Informa-nos como povo.
Talvez por isso, o Estado, que se diz laico, corra atrás da Igreja para captar audiências. Ousaria dizer que na matéria a televisão precisa mais de Fátima do que Fátima da emissão pública. E se há quem ganhe com isso são todos os fiéis que, como eu, não puderam ali deslocar-se durante o fim-de-semana. Lamento que isso o incomode. Encare-o com a serenidade própria de quem está, apesar dos pesares, em minoria.
E mais lhe digo que melhor serviço prestaria ao rigor de que se diz arauto se, na sua obstinação, não teimasse em reduzir eidecticamente tudo o que existe ao fenómeno da empresarialidade. É que, com tanta insistência, o que poderia ser um mero expediente retórico transmuta-se facilmente no diagnóstico ou de um erro ao operar a epoché ou, e dada a intelecção do mundo ser feita, no quadro agora postulado, segundo um acto de consciência, da pobreza de espírito que mais não viabiliza.

A vedação de segurança de Bush

Prestem atenção por cima do ombro do "líder do mundo livre".

sulistas, elitistas e liberais

via o andarilho (não consigo fazer links no youtube)

esquerda democrática



corporativismo

Ao que parece, há quem considere que o BCP fez o que tinha que fazer ao considerar como incobráveis as dívidas que 5 sociedades do filho do Presidente do banco tinham para com aquela instituição bancária. O nosso Nuno Pombo defende essa mesma teoria, ressalvando as condições em que o empréstimo possa ter sido concedido.
O Nuno que me perdoe, mas não me parece ter razão nas críticas que faz a quem se debruçou sobre o assunto. Com efeito, quem escreveu sobre o caso começou por, desde logo, questionar a forma como o empréstimo foi concedido. Nomeadamente, pelo facto do Banco não ter usado da mesma "prudência" que não teve pejo de invocar para a qualificação do crédito como incobrável. Depois, não é para mim líquido que a incobrabilidade do crédito tenha unicamente a ver com "prudência contabilística". Com efeito, de acordo com a notícia, o documento em que tal incobrabilidade é declarada sustenta a tese de que uma qualquer acção judicial está destinada ao fracasso, o que é no mínimo inaudito. Mas ainda que a "prudência" tivesse sido a única causa do perdão, a verdade é que uma tal qualificação tem obrigatoriamente de resultar de dados objectivos que a suportem, o que, de acordo com as notícias vindas a público, não são conhecidos.
Seja como for, uma coisa é para mim certa. A proibição de empréstimos a filhos de titulares de órgãos de administração de instituições de crédito tem a sua razão de ser. E se dúvidas existissem acerca da necessidade de tal proibição, o que aconteceu com o BCP devia ser bastante para as esclarecer.

custa-me, mas tem de ser

A nova novela que os media pariram este fim de semana tem um enredo apetecível: pais ricos e poderosos e filhos esgotados pela prodigalidade dos que não adquiriram a disciplina financeira em pequenos, dada a abundância da casa paterna. A banda sonora ajuda, claro: um Chico Buarque intimista a sussurrar um desesperado "afasta de mim esse cálice, pai".
Não deixa de ser estranho que esta informação só agora tenha sido conhecida. Mera coincidência, estou certo. Seja como for, não estranho que sejam muitas as vozes a integrar o coro dos perplexos. O ruído que se instalou (ainda que eu não conheça directamente o caso, se bem que na convicção de que os outros o não conhecem melhor) recomenda que se diga o seguinte:
---
1. Considerar uma dívida incobrável não é sinónimo de perdoar uma dívida. O perdão reflecte-se no devedor, ao passo que a insusceptibilidade de cobrança é uma constatação, meramente interna, do credor.
2. Os créditos sobre clientes integram o activo dos bancos. Manda a prudência contabilística, necessariamente acrescida no caso das instituições de crédito, que não se deixem inalterados no activo "bens ou direitos" que não reflectem o seu valor nominal. Esta técnica de adequação do valor nominal do "bem ou direito" ao seu valor de mercado, imposição do dever de verdade, pode alcançar-se por via das "provisões".
3. É diferente uma provisão contabilística e uma "provisão fiscal". Nem todas as provisões contabilísticas são fiscalmente relevantes e, para estas, há a necessidade de se observarem procedimentos e regras que aquelas dispensam. Como, aliás, se percebe.
4. O problema, a meu ver, não é tanto o de considerar este crédito incobrável. Se queremos de facto preocupar-nos devemos antes perguntar quantos créditos que integram o activo dos bancos deviam ser, pura e simplesmente, riscados. Este é um problema bem maior e susceptível de afectar, de forma bem mais consequente, a confiança que a comunidade financeira deposita nas instituições de crédito e nos documentos de prestação de contas.
Custa-me ter de concordar com o Tiago Mendes mas, em abono da verdade, ele tem razão. Coisa diferente, como ele aliás refere, é a análise que deve ser feita do processo de concessão de crédito.

new blog on the block

O Pedro e o Pedro, Mexia e Lomba, respectivamente, reuniram-se para um novo blogue - Gattopardo. De leitura obrigatória, como é óbvio.

coisinhas boas do fim de semana

O melhor do fim de semana? Os 36 (trinta e seis) posts do nosso Rui Castro. No 31 da armada. É que eles tinham dito que iam fazer a cobertura do evento e, se calhar, não estava lá ninguém. Para a próxima, os IV também vão cobrir o acontecimento. E também não vão mandar ninguém.

Camilo da Palhaça

renovação

pontualidade laranja

dê-me uma mãozinha, dr. Menezes


No fim de semana que passou o 31 acompanhou o congresso do psd. Vou aqui deixar alguns dos vídeos que por lá se fizeram.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Marta Vieira da Silva - alguém que faz isto só pode ser um gajo disfarçado

A pedido do Vito.

vai ser um 31


a Emissão Especial do congresso do psd no 31 da Armada. Com meios técnicos nunca utilizados por um blogue, o 31 fará, estou certo, uma cobertura do evento ao nível da melhor imprensa, dita tradicional. A acompanhar.

IPA 11


IPA 10 - soluções


Pensamentos do Dalai Lima 2+2=5

Não se brinca com a comida!
- Lobo Mau, desgostoso ao ver o Lobinho
a brincar com os Três Porquinhos

quinta-feira, outubro 11, 2007

Pontapés na Língua

O PnL volta à vossa presença com esse personagem vetusto, o fala-caro, travestido com as roupagens da moderna cultura audio-visual. Pode não saber ler mais que os títulos da Bola, mas a complexidade semântica está lá, sempre prontinha a saltar do hemisfério esquerdo, e vai fazendo uma espécie de sortido rico de palavras caras. Faz lembrar um colega deste incontinente, fortemente marrão, que saiu dum exame de Análise Matemática garantindo que ia ter 20, vá lá, 19, porque tinha «encornado» os teoremas todos, e acabou por ter um redondo 5, pois, disse-lhe o professor, tinha posto os teoremas todos certos, mas todos no sítio errado. Assim também o nosso fala-caro, dotado de um ouvido fino, vai apanhando as palavras certas e colocandozias nos sítios errados. E com isto tudo, esqueci-me do que ia para dizer... Ah, sim, o pontapé na língua de hoje, da autoria dum anónimo do Fórum TSF:


«O Governo só reduz o défice coarctando em despesas fundamentais.»

E mais adiante:

«Vou evocar três factores que seriam predominantes para um controle mais eficaz do défice.»

PROCURA-SE - A resposta

Eis a resposta de um ... cavalheiro. A este anúncio.

Dear Pers:
I read your posting with great interest and have thought meaningfully about your dilemma. I offer the following analysis of your predicament.

Firstly, I'm not wasting your time, I qualify as a guy who fits your bill; that is, I make more than $500K per year. That said here's how I see it.
Your offer, from the prospective of a guy like me, is plain and simple a crappy business deal. Here's why. Cutting through all the B.S., what you suggest is a simple trade: you bring your looks to the party and I bring my money. Fine, simple. But here's the rub, your looks will fade and my money will likely continue into perpetuity...in fact, it is very likely that my income increases but it is an absolute certainty that you won't be getting any more beautiful!

So, in economic terms you are a depreciating asset and I am an earning asset. Not only are you a depreciating asset, your depreciation accelerates! Let me explain: you're 25 now and will likely stay pretty hot for the next 5 years, but less so each year. Then the fade begins in earnest. By 35 stick a fork in you!

So in Wall Street terms, we would call you a trading position, not a buy and hold...hence the rub...marriage. It doesn't make good business sense to "buy you" (which is what you're asking) so I'd rather lease. In case you think I'm being cruel, I would say the following. If my money were to go away, so would you, so when your beauty fades I need an out. It's as simple as that. So a deal that makes sense is dating, not marriage.

Separately, I was taught early in my career about efficient markets. So, I wonder why a girl as "articulate, classy and spectacularly beautiful" as you has been unable to find your sugar daddy. I find it hard to believe that if you are as gorgeous as you say you are, the $500K hasn't found you, if not only for a tryout.

By the way, you could always find a way to make your own money and then we wouldn't need to have this difficult conversation.
With all that said, I must say you're going about it the right way. Classic "pump and dump."
I hope this is helpful, and if you want to enter into some sort of lease, let me know.

PROCURA-SE - O anúncio

Anúncio afixado num "serviço para solteiros", em NY.
What am I doing wrong?
Ok, I'm tired of beating around the bush. I'm a beautiful (spectacularly beautiful) 25 year old girl. I'm articulate and classy.
I'm not from New York. I'm looking to get married to a guy who makes at least half a million a year. I know how that sounds, but keep in mind that a million a year is middle class in New York City, so I don't think I'm overreaching at all.
Are there any guys who make 500K or more on this board? Any wives? Could you send me some tips? I dated a business man who makes average around 200 - 250. But that's where I seem to hit a roadblock. 250K won't get me to central park west. I know a woman in my yoga class who was married to an investment banker and lives in Tribeca, and she's not as pretty as I am, nor is she a great genius. So what is she doing right? How do I get to her level?
Here are my questions specifically:
- Where do you single rich men hang out? Give me specifics- bars, restaurants, gyms
-What are you looking for in a mate? Be honest guys, you won't hurt my feelings
-Is there an age range I should be targeting (I'm 25)?
- Why are some of the women living lavish lifestyles on the upper east side so plain? I've seen really 'plain jane' boring types who have nothing to offer married to incredibly wealthy guys. I've seen drop dead gorgeous girls in singles bars in the east village. What's the story there?
- Jobs I should look out for? Everyone knows - lawyer, investment banker, doctor. How much do those guys really make? And where do they hang out? Where do the hedge fund guys hang out?
- How you decide marriage vs. just a girlfriend? I am looking for MARRIAGE ONLY
Please hold your insults - I'm putting myself out there in an honest way. Most beautiful women are superficial; at least I'm being up front about it. I wouldn't be searching for these kind of guys if I wasn't able to match them - in looks, culture, sophistication, and keeping a nice home and hearth.
It's NOT ok to contact this poster with services or other commercial interests.
PostingID: 432279810
Não percam a resposta!

É patológico

O blasfémias assevera-nos que "A Blasfémia é a melhor defesa contra o estado geral de bovinidade".
No entanto, é lá que encontramos, entre outras do suspeito do costume, mais uma boutade . Este é um sinal claro de que a falência do sistema imunitário também ataca a blogosfera. Ataca e de que maneira!

Sonhos

Será que eu sonhei ou uma das bandeiras da campanha eleitoral do actual Governo, em posição totalmente antagónica à do seu então rival, era a defesa das SCUTS sem portagens...?
Devo ter sonhado...

quarta-feira, outubro 10, 2007

a "perninhas bic" do maradona ao vivo e a cores (o raio do album é mesmo muito bom!)

6 dias

Há 4 km e 4 km...

Folgo em saber que foram finalmente construídos mais 4km, os últimos, do Eixo NS - carérrimos, é certo. Vão ser uma boa ajuda para que entrem na cidade de Lisboa apenas os que vêm para ficar, pondo a andar, literalmente, quem está de passagem.
Esta obra demorou 15 anos a concluir, o que o PM considerou "verdadeiramente chocante, para não dizer escandaloso".
Eu adjectivaria exactamente da mesma forma esta outra situação, que tem tão mau aspecto e já tresanda! Parece que a obra vai ser adjudicada em Novembro e demorará 3 anos a concluir. Já houve motivações (pelo menos teóricas...) mais fortes, como a Expo 98 e o Euro 2004, que não foram suficientes para desatar este nó...
Há que estar atento ao desenrolar desta Morangada, agora na sua 4ª série - venha mais um (Governo Constitucional, o XVII). As comissões de moradores da Damaia e de Santa Cruz de Benfica, nesta altura, são já certamente estruturas de contestação profissionalizadas, modelos para muitos camaradas.

Pontapés na Língua

Da nossa inteligente, culta, simpática, atraente, e muito provavelmente, única, leitora Marta C. recebemos mais uma pérola:

Numa rádio portuguesa, no noticiário intercalar, dizia-se que fulaninho X, arguido no processo Y... ... saiu em prisão preventiva...

Aguarda-se a todo o momento a reacção de Fernanda Câncio

à notícia de que foi condenado a prisão perpétua, na Argentina, um sacerdote católico, antigo capelão da polícia de Buenos Aires, por participação em crimes contra a Humanidade e genocídio, no tempo da ditadura.
Esta notícia vem aparentemente dar razão à cruzada, à falta de uma palavra mais laica, de FC contra os 193 capelães de hospitais, prisões e Forças Armadas portugueses.

Pensamentos do Dalai Lima 150.001

Sócrates prestes a cumprir promessa
de criar 150.000 empregos
para os amigos.

"ó xô guarda, desapareça"

De há uns tempos a esta parte, temos tido o desprazer de contar com comentários anónimos ofensivos e mal educados, nomeadamente para o nosso camarada de blogue Zé Luís Malaquias. O autor de tais comentários, que actualmente os faz como anónimo, tinha um nome e chegámos a trocar palavras cordiais. No entanto, o rapaz, de quem politicamente estou certamente mais próximo que do meu companheiro de blogue, parece ter dificuldade em lidar com opiniões contrárias às suas e, nos últimos tempos, tem verberado insultos e ofensas gratuitas. Por mim, as caixas de comentários continuarão abertas a todos, mas é óbvio que o insulto não será tolerado e terá o destino mais que evidente, o lixo.

terça-feira, outubro 09, 2007

sai para a mesa do fundo

A vaia, à semelhança do que acontece com os lenços brancos nos estádios de futebol, vulgarizou-se. Porque está no limiar da falta de educação, "penso eu de que" seria preferível guardá-la para os momentos verdadeiramente importantes e para quem, de facto, a merece. Nos dias de hoje, porém, assistimos a esta forma de manifestação com cada vez maior frequência. A moda ganhou visibilidade com Guterres no Governo e Soares na Câmara de Lisboa, sendo hoje uma must em qualquer evento público em que esteja presente um governante. Há 10 anos a esta parte, uma vaia seria um acontecimento. Hoje em dia, a notícia passa pela inexistência da mesma. É um bocado como quando temos uma variedade imensa de doces para deglutir e vamos escolhendo os piores, deixando os melhores para o fim. A vaia é como os doces bons que devíamos reservar para mais tarde. A verdade é que comê-los antes de tempo tira todo o prazer da coisa.

lei da rolha

José Rodrigues dos Santos suspenso de funções. O jornalista José Rodrigues dos Santos já não apresentará o Telejornal hoje. (Expresso)
Quando a vida parecia correr bem a Sócrates, eis que um qualquer símio decidiu armar-se aos cucos e mostrar serviço. Suspeito, porém, que ávidos de sangue, jornalistas e oposição não se fiquem e façam deste um caso exemplar no âmbito da defesa da liberdade de expressão. Para mais, com o prestígio de JRS junto do grande público, dificilmente conseguirão abafar a coisa. Os telejornais abrem já daqui a 3 minutos.

Esta assino!

Não sei se é distração, se o lobby é muito forte ou se é simplesmente incompetência. Ora vejam:
Artigo 56.º do CIRS
Abatimentos ao rendimento líquido total
Para apuramento do rendimento colectável dos sujeitos passivos residentes em território português, à totalidade dos rendimentos líquidos determinados nos termos das secções anteriores abatem-se as importâncias comprovadamente suportadas e não reembolsadas respeitantes aos encargos com pensões de alimentos a que o sujeito passivo esteja obrigado por sentença judicial ou por acordo homologado nos termos da lei civil, salvo nos casos em que o seu beneficiário faça parte do mesmo agregado familiar ou relativamente ao qual estejam previstas deduções no artigo 78.º (
link)
Porquê?!
Por que é que podem os pais separados deduzir os seus gastos com os filhos (alimentação, vestuário...) e os casados ou viúvos não???
O código do IRS penaliza fortemente os pais casados ou viúvos, ao não permitir que possam deduzir ao seu rendimento o valor de €6.500 por filho, mas permitindo aos pais com qualquer outro estado civil fazê-lo através da pensão de alimentos.

Isto é pura discriminação. Não é baseada na raça, no sexo, na orientação sexual, no poder de compra. É muito mais rebuscada e totalmente desprovida de sentido.
Para acabar com esta discriminação, por via de uma mudança da lei, o fórum da família propõe, no endereço http://www.forumdafamilia.com/peticao , que assinemos uma petição para ser entregue ao Presidente da AR, PM e Min. Finanças. Num gesto de cidadania responsável, por forma a não prejudicar as finanças públicas, é sugerido que a dedução passe a ser igual para todos os pais, independentemente do seu estado civil, e de valor igual a metade do actual (ie, €3.250 por filho), uma vez que o número de filhos de pais casados ou viúvos é hoje igual ao número de filhos de pais com outro estado civil.
Qualquer pessoa que concorde com este conteúdo pode assinar. Mesmo os filhos menores que são, afinal, as principais vítimas desta lei abstrusa.
Assine e divulgue!

"farinha do mesmo saco"

Depois de ontem se ter dirigido alarvemente a César das Neves, retirando frases do contexto e truncando um texto que o JCN havia escrito no dn, Carlos Abreu Amorim persiste na má fé, que aliás lhe tem vindo a ser tão característica, tentando justificar o injustificável. Independentemente da razão, que neste caso julgo estar com César das Neves, o post de ontem do CAA é mal educado. Pena é que quem tantas vezes o cita, frequentemente por escrever o mais acertado, branqueie esta faceta que faz dele um comentador ordinário, não merecedor do tempo de antena que insistem em facultar-lhe.
(publicado também aqui)

Pensamentos do Dalai Lima 7777777777


Menezes conhecido entre
os seus apoiantes das directas
por «Contrabaixo».

fosse ele um monge budista

"O diário oficial do Vaticano L´Osservatore Romano interrogava-se segunda-feira sobre as circunstâncias «surpreendentes» da morte de Monsenhor Giovani Han Dingxiang, bispo de Handan, na província de Hebei e do seu enterro ultra-rápido sem que os fiéis tenham podido ver o corpo." (dd)

segunda-feira, outubro 08, 2007

As "canções" do meu imaginário de A a Z

A minha escolha para a letra J recai em John Cougar Mellencamp com um dos incontornáveis temas dos 80's - Hurt So Good.

a propósito de fdp


"Como se prova pelas reacções à capa da Atlântico deste mês, a esquerda continua a não tolerar que se toque nos seus filhos da puta (cf., pelo menos, aqui, aqui e aqui, mas acho que há mais). Confesso que já não tenho muita pachorra para este género de discussões, em que tanta gente finge ser estúpida (ou então é mesmo estúpida, não sei muito bem). De qualquer forma, o Paulo Tunhas já terá dito o essencial a propósito do artigo do Rui Ramos. Mesmo assim, convém lembrar, a propósito daqueles que acham excessiva a comparação de Che com Hitler, como Che não se compreende isoladamente. Che fez parte do comunismo internacional que cobriu literalmente meio mundo a seguir à II Guerra Mundial. Ora, se individualmente ele é “apenas” responsável por uns milhares de mortos (para além do trabalho forçado em Cuba e outra inovações agradáveis), já o comunismo emparelha com os horrores do hitlerismo e do fascismo sem qualquer favor.
Mas admitamos por um momento que a comparação individual de Hitler com Che é excessiva. Como em tudo o que se refere aos filhos da puta de esquerda, o que impressiona é a falta de vergonha na exibição do símbolo, visível na quantidade de T-shirts do dito com que tropeçamos a toda a hora. Talvez então uma comparação com Pinochet não fosse excessiva, igualmente responsável “apenas” por uns milhares de mortos. Que tal uma T-shirt também?"

Um sinónimo para "muito pior do que desgraça", arranja-se?

O CAA, que é um tipo estupendo, apesar de tropeçar várias vezes na sua própria genialidade, tem tiradas de truz. E a que hoje trago à vossa presença sugere-me um exercício pós moderno, uma equação de três simples vocabular:


O CAA, que é de um brilhatismo capaz de deixar boquiaberto qualquer pobre cristão (ui... desculpe!), ainda há-de perceber que todos os fanáticos, mesmo os anti-religiosos, são quadrúpedes da mesma cáfila...

O bafio ou a liberdade de espírito

O André Abrantes Amaral acha que "o que sobressai da nossa vivência diária é a inexistência de qualquer interesse na monarquia". Usa, majestaticamente presumo, a primeira pessoa do plural. E adiante, descobre o óbvio: "a nossa vida não muda por haver um rei, a vida da nossa família não se altera, nem a dos que nos são próximos, nem sequer a dos milhões de seres humanos que vivem neste país melhora por existir um rei." Mas sente ainda a necessidade de dizer que há monárquicos. Enquanto o André se espraia pelos seguríssimos dados adquiridos, tudo bem. Os problemas surgem quando começa com base neles a efabular, a tresler. Os ditos monárquicos, grupo bafiento em que este vosso amigo se integra, "escrevem, lamentam, orgulham-se e sentem-se importantes. Porquê? Porque acreditam numa coisa que não interessa a ninguém. Nem a eles."
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Haverá aqui certamente um passo lógico que escapa aos que não foram brindados com o esmalte do génio. Que (alguns) os monárquicos escrevam e se lamentem, é próprio da sua condição de tresmalhados do regime a que a indiferença de muitos nos condena. Mas orgulhamo-nos de quê? Sentimo-nos importantes por alma de quem? Porque acreditamos numa coisa (sic) que não interessa a ninguém. É pecado capital, o da soberba, confundirmo-nos a nós próprios com toda a gente. Pretendermos que os outros vêem o mundo pelas mesmas palas que nos encaminham o olhar. Que o assunto não lhe interessa a ele, é pacífico, nada a opor. Que, por isso, não interessa a mais ninguém, é onanismo. E que esse "não interesse" é fonte de importância e orgulho de alguém, pura tacanhez.
Orgulhosos e importantes devem achar-se os que apesar de escreverem e de igualmente se lamentarem têm a pretensa superioridade de acreditarem em coisas que interessam a toda a gente, porque os que não se interessam com essas coisas em que eles tão piamente acreditam, ainda não são propriamente gente.
Nunca será monárquico o que não ama o seu País. Nunca compreenderá o esforço de quantos procuram elevar a dignidade nacional, o que se compraz com o hedonismo levado à razão de Estado. Nunca alcançará o que me move, orgulhos e importâncias à parte, os que acreditam que não há pátria para além do dinheiro e da liberdade da sua circulação. Nunca perceberá o que me vai na alma o que confunde bafio com liberdade de espírito e pragmatismo liberal com bolas de naftalina.

Educar para a cidadania


No passado dia 5 de Outubro, foi o aniversário da implantação de república no nosso pais. Para celebrar tão importante data decidi dar uma pequena lição de cidadania aos meus filhos de 6, 4 e 2 anos. Como moro perto, foi toda a família fazer um programa que há muito me apetecia fazer, Visitar o Palácio de Bélem. Confesso que o "culto do presidente" já começou há muito lá em casa, pois no dia das últimas eleições presidenciais não só levei os meus filhos a votar como ainda os levei a ver, primeiro uma certa casa na Travessa do Possolo e depois o Palácio Presidencial.
Expliquei-lhes que no nosso país, qualquer cidadão se pode tornar presidente, mesmo que viva numa casa tão simples e normal como aquela que todos conhecemos na referida travessa.
Naquela sexta feira a ida ao palácio era aguardada há muito pelas crianças e o facto de as salas do palácio estarem abertas, incluíndo a famosa capela onde estão expostas as telas encomendadas por Jorge Sampaio a Paula Rego, de os jardins estarem cheios de esculturas e de a banda da Força Aerea estar a tocar tornaram os meus filhos republicanos felizes, coisa que o meu pai, monárquico convicto, nunca conseguiu fazer comigo.
Calculo que no próximo ano a Mafalda e o Nuno Pombo não vão perder o programa.

Esta república não é apenas má. É cara, muito cara.

Este fim de semana, não sei em que programa, a correspondente da RTP em Madrid fazia uma análise relativamente simples. A monarquia espanhola custa a cada contribuinte espanhol cerca de 19 cêntimos. Para suportar a presidência da república portuguesa cada contribuinte luso tem de perder o amor a cerca de 1,35 euros. Isto não contabilizando, claro, a venda de iconografia, dado que a da família real espanhola deve render um bocadinho mais do que a do nosso presidencial casal. Mas é evidente que não convém desmistificar este cruel paradoxo.
Actualizado às 13:11.

República de treta

A irrelevância das celebrações de um decadente 5 de Outubro de 1910 devia ser suficiente sinal de que não vale a pena insistirem nelas. Os dias que merecem ser recordados são aqueles que permitiram que nos afirmássemos, todos, como nação livre, unida e independente. O mais são recalcitrantes desvarios de facção condenados às esquinas mal frequentadas da História.
Não pretendo, como disseram alguns, que o regresso à Monarquia (como se fosse uma viagem ao passado em vez de um salto para o futuro) seja a solução para todos os males. Não é e nunca disse o contrário. Não aceito também que se pense que a manutenção da república seja um imperativo de uma ventilada noção de democracia. Nem o Sudão é uma monarquia nem o Japão uma ditadura. Deve ser denunciado qualquer branqueamento da História, como essa aleivosia de nos considerarem em plena II República.
Para mim, hoje, do que se cuida é de escolher a forma de organização do Estado que melhor se adequa à natureza do nosso Povo, que melhor simboliza uma genuína representação e que mais eficazmente potencia uma verdadeira união. E essa forma é, a meus olhos, a monarquia.
Há tempos escrevi isto, que mantenho:

Este espírito de entrega, de dedicação, é próprio dos que abraçam a chefia de Estado com a certeza de que têm de servir, com elevação, o País e as pessoas que nele vivem ou que por ele suspiram. A missão que assumem os soberanos é ditada muito mais pela consciência do que representam do que pela circunstância do que são e é por isso que apenas cessa quando baixam à sepultura. Não digo que a república não possa conhecer chefes de Estado honrados e respeitáveis. Temo, porém, que só a Monarquia possa gerar uma genuína representação simbólica, capaz de agregar, sem quaisquer reservas mentais, o que fomos e o que queremos ser, no respeito pela contingência e pela diversidade do que somos. É este o trunfo maior da Instituição Real. E continuarmos a abdicar da Coroa é condenar o Estado a esta escusada renúncia.

Pensamentos do Dalai Lima 308 TDI

Nova Provedora do Desempregado
dá emprego a desempregada
assim que toma posse.
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