sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Deputado inglês propõe referendo europeu

Rapto da Europa (24)

O deputado trabalhista Ian Davidson propôs um referendo em Inglaterra sobre o Tratado de Lisboa e a continuação daquele país na UE. As questões são:

Should the United Kingdom retain its membership of the European Union?

And if it remains a member of the European Union, should the United Kingdom approve the Lisbon Treaty?"

Em Inglaterra discute-se, em Portugal cala-se a discussão.

IPA 26


IPA 25 - soluções


Proclamações, Práticas e Discursos (7)

- Lesdiguieres, depois de ter vencido os catholicos de Provença, escreveu sobre o campo da batalha a sua mulher, do seguinte modo - " Minha amiga, cheguei aqui hontem; marcho hoje; os Provençaes foram derrotados; adeus."
Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Resposta a ZLM sobre Bolonha e a harmonização mundial

Os euro-realistas queixam-se da harmonização per se e não se é deste ou daquele modelo. O argumento que ZLM apresenta de que até a nível mundial seria desejável harmonizar os graus de ensino superior pode ser aplicado a qualquer coisa e qualquer dia temos o mundo todo harmonizado pela via administrativa. O que, confesso, é uma ideia que me horroriza e que, se acontecesse, me levaria de imediato para o campo anarquista. Esse argumento, muito usado na UE, baseia-se numa sobreestimação dos hipotéticos benefícios da harmonização e na total desconsideração dos seus custos. Uma análise cuidada revelaria que a harmonização, especialmente quando feita em excesso, é altamente prejudicial para o bem estar das populações.

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Ainda Bolonha

As minhas palavras foram deturpadas pelo Ricardo.
Eu não acho bem que ninguém, Europa ou Governos Nacionais, vendam gato por lebre.
O que eu disse é que o motivo invocado para harmonizar o ensino superior, é um motivo válido.
Se até a nível mundial seria desejável harmonizar os graus de ensino superior, para que um médico europeu possa exercer nos EUA ou um engenheiro australiano possa exercer no Brasil, por maioria de razão, esses graus deveriam estar harmonizados no espaço europeu, em que há livre circulação de trabalhadores.
Já que um médico checo pode exercer em Portugal, convém que Portugal e a República Checa estejam a falar da mesma coisa quando falam de um médico.
Penso que isto é tão óbvio que não vale a pena argumentar.
Agora, o que eu digo é que esse argumento, sendo válido, não foi o que realmente motivou os governos nacionais e, muito menos, a União Europeia.
Se, como o Ricardo diz, isto fosse uma fúria unificadora da União Europeia, tinha-se unificado tudo pelo modelo franco-alemão. Não é disso que os eurocépticos se estão sempre a queixar? Que o eixo franco-alemão impõe tudo aos outros? Pois, neste caso, o eixo franco-alemão ficou caladinho e deixou que o seu sistema de ensino superior fosse descartado em benefício do sistema anglo-saxónico. Porquê? Se era para unificar a Europa, não era preciso. Foram para aquele sistema porque era o que lhes ia poupar uns cobres, como eu expliquei no post de baixo.
Essa, para mim, é a prova de que aqui não houve dedo da Europa mas sim dos Governos Nacionais que, quando têm de tomar medidas impopulares, usam as costas largas da Europa para se esconderem.

A harmonização legal na UE e a suposta "culpa" dos Estados

Rapto da Europa (23)

Quem leia o início do texto do ZLM, nomeadamente "O Processo de Bolonha é o exemplo acabado desse sacudir de responsabilidades para a Europa", pode ficar com a impressão que a UE não tem responsabilidade nehuma pelo Processo de Bolonha e que são os governos nacionais que, para "taparem" a sua incompetência, empurram as culpas para cima da dita cuja UE. Eu concordo com ZLM quando diz que os governos nacionais são incompetentes, basta aliás ler o meu texto. Mas não fiquem dúvidas que a culpa é da UE, onde também estão os governos nacionais, e das suas políticas voluntaristas no sentido da harmonização de tudo o que "mexe" para se criar a tal utopia do estado europeu. A prova disto é dada pelo próprio ZLM quando diz "Ostensivamente, o processo de Bolonha é vendido como uma tentativa de harmonizar o sistema de ensino superior na Europa, para que haja verdadeira circulação de quadros no espaço europeu. Até aí, nada a apontar. São objectivos louváveis e necessários para uma maior competitividade económica europeia". Afinal, parece que ZLM considera positiva a "venda" do Processo de Bolonha como mais uma tentativa de harmonização legal na UE. Os objectivos até podem ser louváveis e necessários, agora os meios é que são muito discutíveis, para não dizer aberrantes a anti-democráticos, e esses foram decididos no seio da UE. O argumento usado por ZLM deve ser lido como a UE a tentar usar os Governos nacionais para desculpar as suas tentativas de harmonização legal. È apenas mais uma das práticas pouco transparentes da UE.

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A conspiração de Bolonha

Como não podia deixar de ser, a Europa já está a arcar com responsabilidades que são dos governos nacionais. Aos governos nacionais, convém-lhes, muitas vezes, ter um bode expiatório para atribuirem as responsabilidades pelas políticas impopulares que têm de tomar e, para isso, a Europa é um alvo muito apetecível.
O Processo de Bolonha é o exemplo acabado desse sacudir de responsabilidades para a Europa.
Ostensivamente, o processo de Bolonha é vendido como uma tentativa de harmonizar o sistema de ensino superior na Europa, para que haja verdadeira circulação de quadros no espaço europeu. Até aí, nada a apontar. São objectivos louváveis e necessários para uma maior competitividade económica europeia.
Onde começa a perplexidade é na escolha do modelo adoptado.
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Numa Europa em que 13 países tinham um sistema de ensino superior baseado na progressão Licenciatura - Doutoramento (sistema romano), só dois países tinham o sistema Bacharelato - Mestrado - Doutoramento (sistema anglo-saxónico). Seria, pois de pensar, que a harmonização se faria pelo sistema romano, pois seria mais fácil mudar dois países do que treze. E, no entanto, qual não foi o espanto quando se assistiu à imediata disponibilidade dos outros treze países para adoptar o sistema anglo-saxónico, abandonando o sistema romano. O que fez com que os países europeus, tão ciosos de impôr as suas práticas, acedessem tão docilmente a adoptar o sistema da Inglaterra e Irlanda?
A resposta não poderia ser mais mesquinha e tem as suas raízes num facto muito prosaico: o sistema universitário de tradição romana coincidia, sensivelmente, com o espaço em que o ensino universitário era tendencialmente gratuito e onde, desde há vários anos, os governos tentavam impôr propinas que obrigassem as famílias a partilhar o custo da educação dos seus filhos. Essa tentativa gerou fortíssimos anti-corpos e movimentos de protesto entre uma camada populacional que tem um fortíssimo poder de mobilização, como são os estudantes universitários. Apareceram, por cá, os movimentos do «não pagamos», em Itália o movimento da Pantera, em Espanha a reedição do Maio de 68 e um pouco por todo o continente, as tentativas de aumento das propinas tiveram um custo político muito alto para os governos que as levaram a cabo.
Nos países anglo-saxónicos, pelo contrário, o pagamento de propinas elevadas sempre foi a norma, em países onde a educação universitária é vista como um serviço que se compra na esperança de um elevado retorno.
Os países do sistema romano viam, assim, com alguma inveja a situação desafogada do ensino superior do sistema anglo-saxónico. Foi então que conceberam o plano para poderem introduzir propinas elevadas pela porta do cavalo. Sempre foi aceite no sistema romano que graus avançados como o doutoramento (e mais tarde o mestrado, quando começou a ser introduzido, neste processo de aproximação ao sistema anglo-saxónico) teriam de ser pagos com propinas elevadas, visto que era uma formação complementar, não indispensável à formação do rendimento.
Só uma minoria tirava esses graus, pelo que não havia custos políticos associados à cobrança de propinas a quem queria prosseguir os estudos para lá da licenciatura. Assim, os governos lembraram-se de abolir as licenciaturas, substitui-las por um grau mais baixo - o bacharelato - que não tem praticamente valor no mercado de trabalho e que obrigaria a fazer um mestrado complementar, para obtenção de um grau profissional. Assim, os alunos em vez de fazerem uma licenciatura de 5 anos gratuita, fariam um bacharelato de 3 anos gratuito e um mestrado de 2 anos pago, durante os quais pagariam mais do que os governos tinham tentado cobrar nos 5 anos da antiga licenciatura pré-Bolonha.
Não estou a afirmar que o sistema anglo-saxónico até não tenha méritos. Agora, os motivos pelos quais foi adoptado pelos países do antigo sistema romano foram os piores possíveis. Foi uma cobardia política de subir as propinas que foi passada para a Europa, para que a Europa ficasse com o ónus político de uma decisão que os governos nacionais não tiveram coragem de pôr em prática. Se a Europa, essa entidade mítica que é tão vilificada, tivesse exercido os poderes ditatoriais que lhe atribuem, teriam sido o Reino Unido e a Irlanda a ser obrigados a mudar de sistema de ensino, para se harmonizarem com o continente. Em vez disso, foi o contrário que aconteceu, numa demonstração clara de que a motivação foi bem outra.

Bolonha (en)contra ensino superior

Rapto da Europa (22)

O Processo de Bolonha, como é conhecido nas esferas académicas, mais parece um processo de intenções contra a qualidade do ensino superior do que uma medida para o melhorar. Para além da harmonização bizarra que implica, e que só "cabecinhas" enviesadas como as que abundam na União Europeia poderiam conceber, está a atrasar o ensino superior português no processo de recuperação que deveria estar a ocorrer após os inevitáveis efeitos negativos da sua “massificação”.
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Senão vejamos. Após vários anos de “massificação” o crescimento do número de alunos a frequentar o ensino superior em Portugal registou recentemente a tendência para estagnar. Isto explica-se especialmente por questões demográficas. Mas terminado o choque do aumento do número de alunos surgia agora a estabilidade necessária para se apostar na qualidade do ensino e na formação dos alunos. Infelizmente, a UE lembrou-se de nos impingir o Processo de Bolonha e aí acabou qualquer tentativa de aumentar a qualidade no ensino superior português.

As medidas imediatas para implementar "Bolonha" já foram tomadas por quase todas as universidades. De entre elas tem realce a diminuição do tempo de duração dos cursos para 3 anos, na maioria dos casos. Esta medida surge quando alguns países já tinham cursos de três anos, os bacharelatos, e com mais um ano permitiam aos alunos obter o título de Mestre. Mas a mudança ocorreu em má hora pois a degradação da qualidade do ensino, que também acontece em outros países como em Inglaterra, já levou algumas universidades neste país a aumentarem a duração dos cursos pela criação de um “ano zero” onde os alunos "compensam" a má preparação que trazem do secundário. Enquanto que em Portugal se reduz os cursos noutros países, focados na qualidade do ensino, aumenta-se o período de estudo.

“Bolonha” requer mais professores pois implica a mudança dos princípios pedagógicos incluindo um maior acompanhamento dos alunos. A redução do número de alunos simplificaria esta tarefa mas a politica do actual governo foi reduzir o número de professores com o mesmo argumento de que diminuíram os alunos. Esta é outra das contradições das medidas do Ministro Mariano Gago que percebe muito de ciência e tecnologia mas muito pouco de ensino superior.

Por último, anunciam-se agora outras medidas com efeitos de longo prazo justificadas pela implementação de “Bolonha”. Mas os respectivos incentivos a criar por este governo não prenunciam nada de bom. Vai ser criada a partir dos primeiros ano de cada curso uma Comissão de Ano Curricular, à semelhança do que acontece no ensino secundário com os Conselhos de Turma. Cada aluno que chumbar pelo menos a uma disciplina fica impedido de passar de ano e o insucesso escolar vai ser medido não pelos alunos que passam ou chumbam mas por ano curricular. Se no ano lectivo de 2008/9 iniciarem um curso 100 alunos e em 2011/2 só terminarem 80, temos uma taxa de insucesso de 20%. Basta o aluno chumbar a uma disciplina para contar imediatamente para essa taxa de insucesso. O que o ministério propõe é que cada aluno seja considerado individualmente pela Comissão de Ano Curricular que decidirá se o aluno passa ou não para o ano seguinte. Ou seja, mesmo que um professor queira chumbar um aluno a determinada disciplina não o pode fazer porque a decisão é conjunta para todo o ano lectivo. Acresce ainda que o professor que queira chumbar um aluno vai ter de apresentar uma justificação e não terá de fazer nada se o passar.

Para compor o “bouquet”, o Ministério já anunciou que esta taxa de sucesso escolar vai estar ligada à avaliação dos professores e, muito possivelmente, digo eu, ás verbas a distribuir por cada uma das universidades. O resultado é imediatamente evidente com os professores totalmente incentivados a passarem todos os alunos. Sócrates consegue assim replicar o milagre do ensino profissional, onde 1 milhão de pessoas vão ficar com 9º ano ou o 12º ano aprendendo muito pouco, ao ensino superior. As estatísticas de Portugal a nível internacional vão aumentar rapidamente por um golpe de magia a nível do secundário e o mesmo vai passar-se no superior. Os alunos aprendem? Isso não é relevante para um engenheiro que terminou o curso fazendo 4 disciplinas com o mesmo professor

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Pão aumenta 50%.
Circo mantém.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Proclamações, Práticas e Discursos (6)

Luiz 12.º na batalha d' Aignadel (1509)

Durante a batalha d' Aignadel, Luiz 12.º apparecia nos pontos aonde o perigo era mais immenente. Alguns cortezãos obrigados pela honra a seguil-o, queriam occultar sua cobardia sob o pretexto de vigiarem pela conservação do principe: - elles lhe fizeram vêr o perigo a que se expunha. O rei que divisou o motivo de tal zêlo, contentou-se em responder-lhes: "Aquelles que tiverem mêdo, ponham-se a coberto na minha retaguarda."
Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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Há mais quem ache o seufertianismo paupérrimo...

A não perder a reflexão do Corcunda sobre a Ala Liberal do CDS-PP, enquanto esperamos todos, ansiosamente, pelas respostas do PPM acerca dos fundamentos desse liberalismo que tão convictamente invocam.

Práticas antigas que se perpetuam

Monsenhor:
"...Há alguns trabalhos nos últimos anos que não acabaram e que não acabarão nunca, e tudo isso, Monsenhor, porque a confusão que causam as frequentes baixas de preços que surgem nas suas obras, só servem para atrair como empreiteiros os miseráveis, malandros ou ignorantes e afugentar aqueles que são capazes de conduzir uma empresa. Digo mais, deste modo eles só atrasam e encarecem as obras consideravelmente porque essas baixas de preços e economias tão procuradas são imaginárias, dado que um empreiteiro que perde, faz o mesmo que um náufrago que se afoga, agarra-se a tudo o que pode; e agarrar-se a tudo, no ofício de empreiteiro, é não pagar aos fornecedores, pagar baixos salários, ter os piores operários, enganar tudo e todos e pedir misericórdia por tudo e par nada.
"...é o suficiente, Monsenhor, para lhe fazer ver a imperfeição dessa conduta: abandone-a; e em nome de Deus, restabeleça a boa fá; adjudique as obras a um empreiteiro que cumpra o seu dever. Será sempre a solução mais barata que podereis encontrar.
Carta de Vauban (1633-1707), Engenheiro Militar, Mariscal de França, dirigida a Losvois (1641-1691), Ministro da Guerra de Luíz XIV.
Nota: Desconheço se tratamento do Marechal ao Ministro está bem traduzido. De facto, monseigneur é monsenhor e monsieur traduz-se por senhor. Suponho que o tradutor se tenha enganado. O tratamento de Monsenhor deve ser reservado aos clérigos. Obrigado, João Vacas. Obrigado, Jorge. Desculpem, leitores.

Proclamações, Práticas e Discursos (5)

Bayard no sitio de Mezieres (1521).
O cavalleiro Bayard, intimado pelos imperiaes para entregar a praça de Mezieres, deu a seguinte resposta ao parlamentario: - "Dizei aos que vos enviam, que antes de abandonar a praça que o Rei meu amo confiou de mim, farei dos corpos dos inimigos amontoados, uma ponte por onde me seja permittido sahir.


Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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Lixo remexe Portas

Paulo Portas, enquanto director do Independente, andava a remexer o lixo à porta de casa dos políticos para encontrar notícias. Parece que agora o lixo foi bater à porta de Portas.

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Pensamentos do Dalai Lima 0987876


«Não podemos cair no erro de achar
que já ganhámos o jogo.»


- Treinador do Moreirense, da II Divisão, acerca do jogo
que disputará esta noite com o Benfica, para a Taça da Liga.

Uma campanha alegre

- Alguém viu o debate Rajoy-Zapatero?


- Eu não, desculpem. Estava ocupado com o debate entre os candidatos à presidência da junta de Dgsaryyrew no Turquemenistão.


- Também vi. O Dogpuhnov dominou, não achaste?


- Nem deu hipóteses ao Lhjupuyrev. Arrasou… Mas a jornalista foi completamente conivente… aquela do tanque comunitário era para quê? E também estou certo de que ela já sabia do projecto do depósito de pinhas, não ficaste com essa ideia?


- Eu só vi o resumo. Fiquei com a ideia de que o projecto do depósito de pinhas é uma contrapartida pela instalação do aterro sanitário em Daşoguz-sul. Se repararem bem, nenhum deles se atreveu a falar da escassez do esturjão nem dos selos comemorativos do primeiro centenário do Yakovlazdiechunov...


- Talvez, talvez. Da escassez de esturjão não falaram porque ambos têm telhados de vidro. Não te esqueças que foi o Gffdçlklrqewov (que estranhamente apoia o Dogpuhnov) a permitir a lavagem dos alguidares do sulfato na ribeira de Qwwessçoiuipuz.
Acaba de sair a última sondagem. O Dogpuhnov ganha as eleições com 68% e a Olga Prwdteva continua indecisa.

- Quem a viu e quem a vê... Hoje em dia nem meio achegã quanto mais um esturjão inteiro! Esse Gffdçlklrqewov nunca me enganou. Só não percebo o que é que o Ivan Olegchilirhjkratov faz ao lado dum gajo desses. Tinha-o em melhor conta. Sobretudo depois do episódio da beterraba sacarina.

- É engraçado como até uma pessoa de intelecto superior como este nosso amigo se deixou intoxicar pela forma subtil como a jornalista foi enviezando o debate. Ouve, vai ao utube rever o debate, e depois diz-nos se ainda pensas da mesma maneira. Uma dica, se me permites: não se trata de um aterro sanitário, mas de uma pista de aterragem de sanitas. Uma diferença subtil, mas decisiva...

- Mais do que a jornalista, que não vi, posso ter sido induzido em erro pela voz-off da reportagem, reconheço. Vou espreitar e já vos digo alguma coisa. Ainda assim, folgo em saber que a indústria cerâmica turquemene esteja a permitir-se tão altos voos.

- Exactamente como em 2002, e depois foi o que se viu. Mas tendo a concordar contigo. Agora deixa ver o que ele diz depois de ver o debate completo.

- Já vi. Eh pá, aquilo é um escândalo!!! Uma vergonha! Depois admiram-se de as coisas estarem como estão!

- É o descalabro.

Os tempos são de crise

"Isto assusta, porque a nossa agricultura não está a arrancar, ao contrário do que defende o ministro, que, numa reunião que teve connosco, veio dizer para não nos preocuparmos porque os campos estavam cultivados, mas o que vejo pelo país fora é só erva." (link)

É a hora de uma nova campanha do trigo no Alentejo.

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Num casino, a casa ganha sempre.
Até pode ganhar a casa.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Se os gajos descobrem

que os submarinos também passam para a posse do Casino de Lisboa no fim do prazo da concessão, é uma bronca.

O Portas do casino

"Estou tão contente, tão contente, tão contente que sou capaz de levantar a minha imunidade parlamentar!"

Paulo Portas no casino de Lisboa

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Correspondente em Washington - The show must go on!

Carissimos,

Dia 4 de Marco assistiremos a mais uma terca-feira de primarias nos Estados Unidos, sendo que em destaque se encontra a nomeacao democrata em virtude da disputadissima corrida eleitoral que Clinton e Obama vem protagonizando.

Dos 3253 delegados que e possivel eleger (os restantes 796 sao "super-delegates", i.e., membros inerentes) ja se encontram designados 2215, pelo que restam 1038 lugares vagos na Convencao. Desses, 141 virao do Ohio, 193 do Texas, 21 de Rhode Island e 14 de Vermont, precisamente os Estados onde se disputarao eleicoes primarias na proxima terca-feira.

De acordo com a informacao disponibilizada pelo Election Center the CNN, Clinton leva vantagem no Ohio (47% contra 39% nas intencoes de voto) ao passo que no Texas a votacao em Obama devera chegar aos 50% e Hillary nao devera umtrapassar os 46%.

Ora, por aqui ja se ve que o mais provavel e que a expectativa se mantenha mesmo para la de dia 4 de Marco.

- - -

Numa mera atribuicao proporcional de delegados conclui-se que Obama levaria de ambos os Estados 165 delegados ao passo que Hillary contaria com o apoio de 169 representantes a Convencao (ambos os resultados foram sujeitos a arredondamento).

Depois da ultimas vitorias, Obama lidera em numero de delegados eleitos, 1360 contra 1269 que deverao apoiar Clinton. No entanto, e necessario realcar que Hillary lidera na luta de bastidores visto que de acordo com a CNN dispoe nesta altura do apoio de 238 super-delegates ao passo que Obama conta apenas com 176 (381 ainda nao definiram o seu apoio).

Tudo somado, ja incluindo esta estimativa, os dois candidatos deverao sair do Texas e do Ohio separados por 87 delegados (Obama a frente). Depois de terca-feira ainda ficarao 1050 lugares por preencher, 669 das quais por eleicao...

A confirmar-se este cenario crescem de importancia as seguintes variaveis:

- Os delegados de John Edwards;
- O jogo de bastidores no seio do Partido Democrata no qual Hillary parece levar vantagem.

Enquanto John Edwards devera esperar pelo momento mais oportuno para "endossar" os seus delegados procurando dai retirar beneficios proprios (o mais obvio seria a obtencao da nomeacao democrata para a vice-presidencia) o comportamento dos super-delegates, nao obstante o prestigio dos Clinton, e mais dificil de prever.

Efectivamente, confirmando-se as previsoes, parece claro que Hillary nao devera colocar no dia 4 de Marco o tao desejado ponto final no "momentum" de Obama, aspecto que pode influenciar a decisao das cupulas do partido pouco interessadas que estarao em retirar "legitimidade popular" a nomeacao democrata.

E, pois, preciso esperar para ver!

Um abraco.

PS: A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

Proclamações, Práticas e Discursos (4)

Desaix conduzindo seus soldados à carga (1794).

Desaix no combate de Schifferstadt, vendo retirar seus batalhões, corre a elles para os conduzir de novo à carga. “Não ordenastes a retirada? lhe perguntam alguns officiaes. – Sim, mas é a do inimigo! “ - E os soldados fazem frente ao inimigo, e obrigam à retirada aos Autriacos.


Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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Pensamentos do ´Dalai Lima 1111


Adão:
Tu, se não tens mais ninguém
com quem embirrar, inventas, não é?
Eva:
Foi a tua mãezinha que
te disse isso, não foi?

Proclamações, Práticas e Discursos (3)

Um Tenente Coronel na batalha de Fleurus (1690).

Um tenente coronel estando na batalha de Fleurus para dar uma carga, e não sabendo como animar seus soldados, algum tanto descontentes por haverem entrado em campanha por fardar, lembrou-se repentinamente de os excitar com as seguintes palavras: "Meus amigos, eis-aqui o que vos agrada; tendes a fortuna de estar diante d'um regimento fardado de novo, carreguemo-lo vigorosamente, e teremos com que nos vestir."

Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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index, já!

"o escritor Mario Vargas Llosa, nascido no Peru, mas naturalizado espanhol, já não é de direita. Ou melhor, já não apoia o Partido Popular (PP), no qual não votará nas eleições do próximo 9 de Março." (dn)

o fim do mapa cor de rosa

"O presidente do conselho de administração da Sonangol, Manuel Vicente, disse hoje à Lusa que a empresa "é patrão" na Galp e, por isso "dita regras" e "não entra em batalhas" (Publico)

afinal, o "sulistas, elitistas e liberais" foi sincero

Menezes apoia luta da CGTP e diz que será ponto de viragem (dn)

correspondente em Washington

O Miguel, a nossa mais recente contratação, é o nosso correspondente em Washington. A este propósito, e porque daqui a 1 semana se decidem as primárias entre os democratas (será!?), importa saber o que dizem as sondagens mais fiáveis. Miguel, quando acordares diz qualquer coisa.

alguém me sabe dizer se este homem é de direita? respostas na caixa de comentários. obrigado

João Miguel Tavares, no dn:
"Call Girl conta a história de um autarca alentejano que resiste à construção de um megaempreendimento turístico, até ao momento em que uma prostituta de luxo é contratada para o fazer mudar de ideias. Se os comunistas fossem capazes de ver no mundo outras cores para além do vermelho, perceberiam que Call Girl não é um filme sobre corrupção - é um filme sobre a paixão e o poder das mulheres. Aquele autarca nunca é retratado de forma negativa. Pelo contrário, no início é apresentado como um homem íntegro, que resiste corajosamente à investida do grande capital (esse malandro), até ao momento em que Soraia Chaves se lhe atravessa no caminho com dois argumentos imbatíveis. Na verdade, a personagem de Nicolau Breyner não se deixa corromper - ela deixa-se seduzir. Perdidamente. A corrupção é apenas um efeito secundário da paixão. É sintomático que no século XXI os comunistas continuem a confundir os dois conceitos, preferindo perorar sobre "opções ideológicas manipuladoras" e a propagação de ideias subversivas. Soraia está nua e Abílio pensa na militância. É por isso que o Muro de Berlim caiu."

flatulência real?

clicar na imagem para ver tamanho real e acompanhar legendas da sequência dos acontecimentos

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Uma das melhores finais de sempre (1985)

O homem de óculos esquisitos, Dennis Taylor, esteve a perder por 8 partidas. Recuperou e ganhou. Vejam os últimos minutos.

Voos da CIA

Não nutro especial simpatia por Ana Gomes. Não sei se é por ser socialista, se é por ter sido maoista, se é por ser antipática, se é por ser embirrenta a falar. Possivelmente é pelo conjunto das quatro razões. Mas sou obrigado a reconhecer que Ana Gomes tem alguma razão, não toda, no caso dos voos da CIA.

Tem razão quando pede um inquérito parlamentar à eventual passagem de voos com presos no espaço aéreo nacional. Esta passagem necessita de ser autorizada pelo Ministério da Defesa e dos Negócios Estrangeiros e não houve qualquer autorização. Não existe a certeza de que tenha havido voos com prisioneiros mas pode ter havido, como se confirmou esta semana no caso de Inglaterra. Se realmente estes voos aconteceram houve uma quebra no acordado entre Portugal e os EUA e devemos pedir explicações aos norte-americanos. A falta de inquérito ou de quaisquer conclusões significativas quando estes se iniciam é a forma que a classe política portuguesa habitualmente usa para lidar com os assuntos considerados inconvenientes. Mas este "enterrar" dos assuntos na areia por serem inconvenientes para PS, PSD e CDS tem de acabar.

Mas Ana Gomes não tem razão em outros aspectos. Primeiro, é deputada europeia e por isso está questão não lhe diz respeito a não ser enquanto portuguesa. Este assunto é da exclusiva responsabilidade do parlamento português e é muito triste que os nossos representantes não assumam as suas responsabilidades numa questão desta importância. Ana Gomes esteve mal ao entregar a lista dos voos ao Parlamento Europeu numa questão que é unicamente nacional. Se a razão foi pressionar o Governo português para que abra um inquérito ainda se poderá compreender. Mas se é para ultrapassar os poderes do Governo então foi uma manobra infeliz.

Depois, o facto de Ana Gomes estar a insistir neste assunto confirma pelo menos uma de duas coisas ou eventualmente até as duas. Tem ambições políticas a nível nacional, o que será óbvio dado ter aceite deixar a carreira diplomática. E tem pouco que fazer no Parlamento Europeu podendo por isso dedicar-se aos assuntos nacionais. Isto também não é novidade já que ser deputado europeu não é das profissões que mais tempo ocupa apesar do salário e das regalias auferidas.

running for four

Não percebo a razão de tamanha indignação. Será a fotografia assim tão prejudicial para Obama?

Proclamações, Práticas e Discursos (2)

O general Souvarow, vendo que seu exercito vacillava na passagem dos Alpes, mandou abrir um fôsso sobre a estrada, e no lugar aonde seus batalhões ficavam immoveis; correndo à testa das columnas, mostrando-lhes sua espada, seu ultimo recurso, lhes diz: - "Sepultai-me, e deixai aqui vosso general: vós não sois mais meus filhos, nem eu serei o vosso pai; só me resta morrer" - Os soldados verdadeiramente commovidos deste apparato de morte do seu general, no qual tinham toda a confiança, o rodeiam, avançam sobre a posição de d'Airolo, e a tomaram aos francezes.
Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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Proclamações, Práticas e Discursos (1)

Um General a um dos seus officiaes.
Indo dizer-se a certo general, que estava resolvido a acceitar combate contra forças superiores, que o inimigo era visto pelos postos avançados, um dos officiaes que o acompanhava lhe perguntou: - Será preciso ir reconhecer seu numero? - Não, respondeu vivamente o general, nós os contaremos depois de derrotados.
Capitão Bento José da Cunha Vianna em Guia do Orador Militar, 1848

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o que é estranho é nunca terem tentado antes

Rui Santos alvo de tentativa de agressão após «Tempo Extra» (DD)

já não se fazem oscars como dantes

No vídeo, Roberto Benigni, num dos melhores momentos (a que assisti) dos oscares.

E os vencedores são...

... estes. Pedimos desculpa pelo castelhano, mas a página até está bonita.

Da Opressão Socialista




Opressão socialista (31)
A foto de cima mostra Che Guevara depois de executar uma pessoa.

Opressão socialista é uma expressão abrangente que reflecte, antes de tudo, um estado de espírito que resulta da pressão social, cultural, mas também económica e política, que se vive na sociedade portuguesa e que tem paralelo em outros países. Não é nenhum conceito científico nem tem essa pretensão. È apenas uma expressão ideológica (mesmo que agora estejam fora de moda) que contesta, por exemplo, um dos maiores símbolos desta opressão: o elogio que se continua a fazer de um assassino como Che Guevara.
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O seu uso explica-se pela discriminação há muito praticada entre a opressão de direita, que é imediatamente condenada, e a de esquerda, que é geralmente aceite ou pelo menos tolerada porque é a esquerda que, supostamente e de acordo com os próprios, defende a democracia, a liberdade, a solidariedade social e os outros chavões de que se lembrem e que a mesma esquerda costuma empregar no seu discurso. Esclareça-se ainda que, do meu ponto de vista, a esquerda em Portugal começa em parte substancial do PSD e prolonga-se até aos radicais do BE, MRPP e afins. E no Mundo Ocidental inclui uma parte do chamado "centrão". Claro que a esquerda não é toda igual, uma parte substancial é democrática, mas não é isso que me interessa. O que me interessa é denunciar este estado de espírito e para isso a expressão “opressão socialista” serve perfeitamente. A Mafalda compreendeu-o bem pois provavelmente sente o mesmo que eu.

Os exemplos são muitos: O “igualitarismo” reinante expressa-se em todos os sectores da sociedade portuguesa com as consequencias nefastas que conhecemos de limitar "por baixo" a nossa qualidade de vida: Educação, saúde, segurança social, etc. Mas há outros exemplos. O “post” que recentemente escrevi sobre o Tarrafal demonstrou bem que qualquer dito que não esteja de acordo com o bem-pensante socialismo é imediatamente condenado. Até o meu amigo Jorge não leu o que estava escrito no texto e foi influenciado pela dita opressão socialista para ler o que não estava lá escrito. Outro exemplo imediato é dizer-se que o Estado Novo não é fascista porque isso, na interpretação da opressão socialista, significa que se defende o dito Estado Novo. Já aqui o disse e bem li as reacções, apesar de estar a escrever num blog de direita. Um outro exemplo ainda é a mensagem do livro de Stark de que a "idade das trevas" afinal não foi assim tão má como várias gerações de historiadores marxistas andaram a anunciar aos quatro ventos.

Em Portugal, basta olhar para a Constituição Portuguesa para vermos um símbolo de opressão socialista. Repare-se que não estão em questão os postulados da liberdade e do sistema democrático. Mas está claramente em questão o facto do seu preâmbulo indicar que caminhamos para o socialismo ou ainda o facto da constituição impedir que se mude o sistema republicano para monarquico indicando implicitamente a ridícula, mas muito transmitida pela esquerda, ideia de que república é sinónimo de democracia e monarquia é sinónimo da sua ausência. Todos os anos me defronto com alunos com este preconceito. Estão também em questão o exagero de direitos que a constituição portuguesa prevê mas sem quaisquer obrigações. Basta pensarmos que em 300 artigos, mais de um terço incluem direitos da mais variada índole e as obrigações se limitam a meia duzia de artigos. Ou ainda a questão da regionalização ser obrigatória constitucionalmente. Muitos outros exemplos haveria e vamos brevemente defrontar-nos com vários aquando das próximas comemorações dos 100 anos da primeira república.

A nível internacional os exemplos também abundam. E incluem questões de semântica, como a tentativa, de há alguns anos a esta parte, de identificar tudo o que é não democrático com o epíteto de fascista. O fascismo não é democrático, mas o socialismo real também não. Contudo, dá jeito que fascismo signifique ditadura e opressão para que o dito socialismo real passe despercebido e possa ser aceite ou tolerado. E questões de facto como o elogio de Che Guevara ou a diferença de tratamento que se dá a ditadores conservadores, como Pinochet, ou socialistas, como Castro. Para mim ambos são igualmente maus sendo que os efeitos indirectos (leia-se condições de vida para as populações) dos primeiros são geralmente melhores do que os efeitos indirectos dos segundos. Para a esquerda não, Castro é claramente melhor. Ou o funcionamento das instituições da União Europeia onde qualquer critica ou desacordo sobre o facto imutável e indiscutível de que a "bicicleta", na expressão de Jacques Delors, só tem um caminho e não pode parar é de tal forma inquestionável que qualquer tentativa de a questionar é imediatamente oprimida.

Este blogue é de direita, como aliás se constatou no fim de semana, logo critica a esquerda. Quem é de esquerda tem de aprender a viver com isso e se quiser é livre de criticar a direita. Não pode é querer extender a aplicação da opressão socialista para este espaço. Mas de qualquer forma obrigado por colocarem esta questão pois permite esclarecer os leitores menos prevenidos.

Castro sucede a Castro

Neste momento mesmo, uma das crianças da Primeira Família estará a ser preparada pela Primeira Dama para suceder ao Venerável Pai Fundador Rui Castro, quando este sentir chegada a hora de passar o testemunho de Licas (Líder Incontestado Carismático Adorado pelos Súbditos).
Esse momento poderá chegar mais cedo do que se pensa, a avaliar pela notícia do Expresso desta semana, que dava o Venerável Pai Fundador Rui Castro, juntamente com a Nossa Boa Amiga Joana Lopes Moreira, como reserva da Nação PP, gérmen de uma alternativa à situação pórtista.

Reflexoes pessoais em torno da opressao socialista

A opressao socialista mais me parece um saco de odios, desamores e contratempos (politicos e nao so) do que propriamente um conceito taxonomico relevante. Pergunto-me se la podemos colocar Bush e Bin Laden, Alberto Joao Jardim e o Governo da Republica, Pinto da Costa e Luis Filipe Vieira, e, porque nao, Monteiro, Portas, Pires de Lima e Nogueira Pinto? Com tantas opressoes socialistas que andam por ai podia ser que se entendesem...

PS:A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

domingo, fevereiro 24, 2008

A Oeste nada de novo

Opressão socialista (30)

Castro sucede a Castro

e-government

O e-government é uma das àreas em que o actual governo português pode reclamar alguns créditos. Em alguns "rankings" internacionais Portugal surge muito bem classificado (Não tenho exemplos concretos mas dado que os meus "posts" não são habitualmente favoráveis ao socialismo que nos oprime julgo que posso ficar isento dessa demonstração).

O "The Economist" do fim de semana passado apresenta um "survey" sobre este assunto onde são apontadas três mudanças necessárias por parte dos Governos. A primeira é personalizar os serviços, como fazem os privados, a segunda possibilitar acesso 24 horas por dia, o que em Portugal já acontece em alguns casos, e a terceira é tornar os serviços "user-friendly", o que no nosso país é mais difícil dada a tendência inerente ao sector público e aos legisladores para a burocratização. Por exemplo, em diferentes situações a opção "on-line" não elimina ainda a utilização do papel. Outro aspecto importante é a necessidade dos serviços públicos terem a flexibilidade suficiente para se adoptarem às necessidades dos utilizadores. Essa cultura ainda não existe em Portugal e os funcionários públicos comtinuam a olhar para os utilizadores como alguém que tem de obedecer ao que a lei impõe e não como clientes que é preciso servir de uma forma cada vez melhor.

Mas a principal questão da utilização pelo Estado dos "e-meios" não é a manutenção do papel. O sector privado tem exactamente o mesmo problema. O grande problema é a concentração de informação sobre as pessoas. O cartão único que o actual Governo pretende lançar trará, se for bem implementado, ganhos de eficiência ao nível do sector público. Mas o risco de abuso sobre a vida das pessoas aumenta muito. Por isso, mais vale que os ganhos de eficiência sejam menores do que termos o risco de ter o Estado socialista a bisbilhotar as nossas vidas.

Porque é que eu não gosto de monarquias

















































Por mais que me digam, não me convencem de que os laços de sangue sejam a melhor forma de transmissão do poder político.

Etiquetas:

Da reposição da verdade sobre a Idade Média



A essência de "A Vitória da Razão", de Jonathan Stark, apresentada pelo próprio.

"A chamada 'Idade das Trevas' assistiu a uma explosão de inovação tecnológica e cultural. Houve inovações originais e inovações que vieram da Ásia. O potencial máximo das novas tecnologias foi rapidamente reconhecido e adoptado, como seria de se esperar de uma cultura dominada pela confiança no progresso; recorde-se como Santo Agostinho celebrou a 'invenção exuberante'. A inovação não se limitou à tecnologia; houve também progresso fantástico na cultura de elite: bibliografia, arte e música. Além disso, as novas tecnologias inspiraram novos modelos organizacionais e administrativos, que culminaram no nascimento do capitalismo nos grandes centros monásticos. O jovem capitalismo, por sua vez, levou à reavaliação teológica das implicações morais do comércio. Os teólogos mais influentes rejeitaram objecções doutrinárias passadas contra juros e lucros, e legitimiram os elementos essenciais do capitalismo. Esses desenvolvimentos têm enorme importância histórica, mas constituem uma 'revolução secreta', como explicou R. W. Southern: secreta porque não sabemos quem descobriu o quê ou, em muitos casos, onde, e exactamente quando, apareceu determinada inovação. Mas o facto é que o progresso rapidamente catapultou o Ocidente para a frente do resto do Mundo."

sábado, fevereiro 23, 2008

SEDES denuncia mal estar na sociedade portuguesa

A SEDES, uma organização que não corre o risco de ser confundida com minorias e que se situa no "centrão", apresentou ontem um documento em que denuncia o profundo mal estar que se sente na sociedade portuguesa.

O documento foca alguns aspectos que este blogue tem procurado expôr especialmente a degradação da confiança no sistema partidário, apontando três condições para a sua revitalização: "Têm, por um lado, de ser capazes de mobilizar os talentos da sociedade para uma elite de serviço; por outro lado, a sua presença não pode ser dominadora a ponto de asfixiar a sociedade e o Estado, coarctando a necessária e vivificante diversidade e o dinamismo criativo; finalmente, não devem ser um objectivo em si mesmos... "

Critica, e muito bem, a comunicação social por se dedicar primordialmente à insinuação e ao sensacionalismo em vez de se preocupar com uma análise atenta, profunda e não parcial da situação do país.

Refere o acréscimo de criminalidade e a falta de medidas preventivas para a deter enquanto denuncia o fundamentalismo utra-zeloso, sem sentido de proporcionalidade ou bom-senso, no cumprimento de leis de menor relevância e realça que "a responsabilidade pelo desproporcionado zelo utilizado recai, antes de mais, nos legisladores portugueses que transcrevem para o direito português, mecânica e por vezes levianamente, as directivas de Bruxelas."

O documento falha, pelo exagero alarmista para que resvala, quando refere que a espiral descendente em que o regime mergulhou resultará no seu bloqueamento e, a prazo, numa grande crise social. Para além de ser "futurologia" não reconhece o estado de resignação que atravessa a sociedade portuguesa e a aceitação de quaisquer reformas, por mais voluntaristas e pouco estruturadas que elas sejam como é o caso das actuais. A aceitação do actual primeiro-ministro, com todas as falhas que já demonstrou, inclusivé de carácter pessoal, é prova disso.

A SEDES termina fazendo um apelo importante e que transcreve, de uma forma parcial mas clara, a sociedade socialista que nos asfixia e que venho procurando denunciar: "...o Estado, a esfera formal onde se forma a decisão e se gerem os negócios do país, tem de abrir urgentemente canais para escutar a sociedade civil e os cidadãos em geral. Deve fazê-lo de forma clara, transparente e, sobretudo, escrutinável". O que até aqui não aconteceu. Bem vinda a SEDES por abanar os consensos "podres" que dominam a sociedade portuguesa.

Noticias de Washington - Fidel Castro ou a Fuga para a Frente

John McCain sobre Fidel Castro na ressaca da noticia do New York Times que da como certo o seu envolvimento com alguns Lobbysts:


"I hope he has the opportunity to meet Karl Marx very soon"

Oeiras - a minha terra





sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A seguir: Eleições em Espanha

Começou hoje o período formal de campanha para as eleições legislativas espanholas, que se realizam em 9 de Março próximos. Não é de esperar grandes diferenças em termos de propostas concretas dos dois principais partidos, o PP e o PSOE. Os discursos vão ser diferenciados mas o conteúdo será muito semelhante como é normal entre dois partidos do "centrão". Há, no entanto, dois assuntos que merecem especial atenção.

O primeiro refere-se ás medidas ideológicamente motivadas tomadas por Zapatero relativamente ao casamento de homosexuais, fim da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas, interrupção voluntária da gravidez ou Lei da Memória Histórica. A segunda, que surge como consequência da primeira, foi a intervenção marcadamente política da hierarquia da Igreja Católica espanhola.

Num tempo em que predomina o fundamentalismo laicista, será curioso observar se estes dois assuntos vão prejudicar ou beneficiar o partido que, aparentemente, se encontra mais próximo das posições da Igreja, o PP. Ambos são importantes porque poderão permitir tirar algumas ilações para o caso português. A seguir com muita atenção.

Resposta de um portugues desterrado ao Ricardo Pinheiro Alves! (II)

Ricardo,



Compare voce mesmo e diga de sua justica: deixe la esses senhores por agora!

http://eur-lex.europa.eu/JOHtml.do?uri=OJ:C:2007:306:SOM:PT:HTML



Quanto ao mais ja lhe disse que de acordo com as contituicoes que invoca referendo rejeitado nao obriga a realizacao de novo referendo sobre a mesma materia.



A Uniao Europeia e CONSENSUAL. Discuti-la nestes termos so faz sentido para uma minoria cujo objectivo nao e perceptivel e que procura fazer alarido politico com aspectos absolutamente laterais. Sabe porque? Porque lhes falta argumentacao de substancia e so lhe sobra o medo da perda da identidade nacional... a qual, creio, nao esta em risco.

Claro que eu podia dizer que nao vou continuar a discutir este assunto. Tinha muitos motivos, entre os quais o alegado consenso de que lhe falei e o facto de estar a contribuir para uma distorcao desse mesmo consenso mas se e o Ricardo a dize-lo, estamos entendidos.

Um abraco


PS: Nao sei qual e a sua nocao de desonestidade nem sei se para si a desonestidade e um conceito absoluto ou relativo. A maniqueista qualificacao e sua nao e minha porque tenho por habito discutir politica em modo policromatico. Em todo o caso nao concebo que isto seja uma questao de honestidade ou falta dela, pelo que comecei a minha resposta escrevendo "nao vejo nenhum problema em..."

PS2: A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

Correspondente em Washington

Gostava de partilhar algumas curtas impressoes sobre as eleicoes americanas e o "momentum" de Obama.

Ontem assisti pela televisao ao debate realizado na Universidade do Texas (licao de bom jornalismo para as televisoes portuguesas)... Foi um debate interessante que beneficiou do facto de estarmos perante dois bons candidatos, nao obstante as reduzidas diferencas de substancia que os separam.

Os democratas vao, pois, escolher entre duas pessoas, nao tanto entre dois projectos. Vindo de 11 vitorias consecutivas Obama criou aquilo a que em Portugal nos habituamos a chamar de "onda de vitoria" e que por ca se chama "momentum". Mais empatico, mais presidencial, com um leve sotaque afro-american ele e naturalmente capaz de falar as pessoas. Hillary precisa de se "desmachar" para alcancar efeito similar (ainda assim nao tao eficaz).

Presumivelmente em consequencia do debate de ontem McCain, certo de alcancar a nomeacao, centra ja o seu discurso em Obama: nao so porque prefere Hillary, mas principalmente porque percebe que tem de arrepiar caminho se quer ter uma hipotese nesta eleicao (nao sei o que tem dito a televisao portuguesa sobre o assunto mas acredito que McCain tem mais hipoteses do que aparentemente os jornais portuguese fazem crer nas suas edicoes on-line).

Remeto-vos para a pagina de politica da CNN para informacao mais detalhada.

Um abraco

PS: A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

Breve comentário á resposta de Miguel Pimentel

Se acha que é honesto estamos entendidos e não se fala mais nisso já que temos diferentes concepções de honestidade. Quanto ao argumento apresentado, sem qualquer referência mas apenas porque o Miguel quer que assim seja e somos todos obrigados a aceitar, que:

"um novo Tratado cujo texto e semantica em muito difere do da Constituicao Europeia" e "O texto e muito mais parecido com a versao de Nice do que com a constituicao europeia"

Refiro apenas (entre muitas outras que poderiam ser apresentadas):

1 - Giscard d’Estaing, no Sunday Telegraph, a 2 de Julho de 2007:

“Apesar de ingleses, holandeses e franceses terem insistido para a eliminação de todas as referências à palavra “constituição”, o novo tratado ainda contém todos os elementos chave (da constituição). Todas as propostas anteriores estarão no novo texto, mas serão escondidas e disfarçadas de algum modo. (O novo texto é) bom em termos de substância já que está muito, muito próximo do original”.

2 - E numa sessão do Parlamento Europeu em 17 de Julho de 2007, em que ficou contente com o TR porque o seu conteúdo era o mesmo da constituição rejeitada.

“De facto, o conteúdo é o mesmo. Legalmente, é uma questão de tratados e eles podem ser ratificados como tal pelos parlamentos nacionais. Mas a sua substância é ainda o Tratado Constitucional”.

3 - Giuliano Amato (antigo primeiro-ministro italiano):

“Eles (líderes da UE) decidiram que o documento (TR) deve ser de difícil leitura. Se é de difícil leitura, não é constitucional, de acordo com a percepção dominante. Se o conseguisse entender à primeira leitura poderiam haver algumas razões para um referendo, porque significaria que havia algo de novo” in Euobserver.com de 16 de Julho de 2007

4 - Margot Walstrom, Comissária Europeia, Sunday Telegraph, 2 de Julho de 2007

“(O novo tratado) é essencialmente a mesma proposta da velha Constituição”.

Mas como o Miguel é que sabe dou por terminada a discussão.

Resposta de um portugues desterrado ao Ricardo Pinheiro Alves!

Sem prejuizo de postar sobre o instituo do referendo numa das proximas oportunidades, eis a minha resposta: nao, nao encontro mal nenhum no facto de se aprovar, em Franca e na Holanda, um novo Tratado cujo texto e semantica em muito difere do da Constituicao Europeia, ainda que a ultima tenha sido referendada e chumbada nesses paises.

Argumentos:

- O texto e muito mais parecido com a versao de Nice do que com a constituicao europeia;

- O referendo ocorreu em paises cujas constituicoes (por razoes que com certeza se justificam) nao preveem a obrigacao de referendar tratados internacionais nem tao pouco de referendar obrigatoriamente a alteracao de leis materialmente vinculadas por referendo anterior;

- O problema nao se coloca em Portugal porque Portugal nao referendou a constituicao europeia porque nao estava obrigado a faze-lo e porque ha um consenso generalizado sobre a Europa;

- Ainda que se colocasse so entendo a tua critica se estiveres a propor que toda e qualquer alteracao em qualquer tratado internacional celebrado por Portugal deva ser objecto de referendo... porque o teu argumento sustenta-se na legitimidade e esta vale em si e por si, nao depende da substancia da resposta;

PS: Consigo admirar esse Europeismo (ainda que selectivo) quando demonstras sinceras preocupacoes com os nossos concidadaos europeus de Franca e dos Paises Baixos. Sinal de mudanca??? :-)

PS2: A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

Pergunta de um português ao Miguel Pimentel

Acha honesto fazer-se um referendo sobre a Constituição Europeia, que é reprovada, para depois se lhe dar uns retoques e mudar o nome para Tratado de Lisboa, e aprová-lo nos parlamentos nacionais exultando hipócritamente com a legitimidade da democracia representativa que estes organismos têm?

Carta de um Europeu ao seus concidadaos

Caros e caras,

Passam este ano 22 Primaveras desde a assinatura do Tratado de Adesao de Portugal a entao Comunidade Economica Europeia. Eu sei que 22 e um numero estranho para se fazer um balanco por curto e incompleto que ele seja mas eu nao sei se a oportunidade e o ensejo provocados pelos posts do RPA me agucarao o espirito para escrever uma carta como estas daqui a 3 anos quando passados 25 anos fizer "muito mais sentido".

O meu proposito e escrever uma carta simples e em estilo directo para que todos nos possamos entender. O meu proposito e enumerar uma serie de factos e depois alinhavar umas linhas sobre a Europa, sem pretensoes mas tambem sem videos nem numeros demagogicos, sem parangonas propagandisticas. Simplesmente factos.

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- Ha 22 anos nao havia A1. Se bem se recordam, Para se ir de Lisboa ao Porto a unica opcao desponivel era a Estrada NAcional numero 1, lembram-se?

- Ha 22 anos a "Auto-estrada para o Algarve" terminava em Setubal... e era ver o farnel e as familias com os carros cheios ate ao tejadilho com o "pai" a empurrar o carro exposto ao sol de troia para poupar mais uns trocos na gasolina;

-Ha 22 anos nao havia IPs nem ICs e dai que se justificasse a musica dos Xutos "De Braganca a Lisboa sao nove horas de distancia" (eu acho que os rapazes ate foram simpaticos)";

-Ha 22 anos nao havia Centro Cultural de Belem, Casa da Musica e "must" do entertenimento cultural em Portugal talvez fosse o Eurovisao da Cancao ou as noivas de Santo Antonio;

-Ha 22 anos a unica travessia do Tejo disponivel na Capital do pais obrigava os lisboetas (e todos os que se delocavam de Norte para Sul passando pela capital) a passar um inferno dantesco, especialmente nos dias de Verao quando os carros (sem ar condicionado) facilmente se tornavam excelentes analogias de autenticas tostadeiras com rodas;

- Ha 22 anos nao havia a possibilidade de aceder aos servicos consulares de qualquer Estado da Uniao Europeia em qualquer ponto do Mundo;

- Ha 22 nao havia uma moeda unica, nem a tributacao do consumo se encontrava harmonizada na Europa;

Os exemplos multiplicam-se pela soma dos pequenos avisos que se encontram por todo o lado anunciando que se trata de um projecto financiado com "dinheiros de Bruxelas".

Eu sei que a vasta maioria de vos nao passa pela cabeca questionar os beneficios que Portugal obteve com o processo de integracao Europeia e que a lamentar terao, porventura, a ma utilizacao dos referidos dinheiros...

Eu sei tambem que os resultados de todas as eleicoes nacionais realizadas em Portugal, desde ha 22 anos, sao indicadores do consenso nacional sobre esta materia. Esclarecedor e o facto de, nos ultimos 22 anos, os partidos que ganharam eleicoes em Portugal, e os que ficaram em segundo e por vezes em terceiro, EM TODAS AS ELEICOES, se assumirem activos promotores do projecto Europeu.

E sabido que nos portugueses gostamos de mandar a nossa "bitaitada" sobre tudo e sobre nada (preferencialmente no cafe a beber um cafe e a comer um pastel de nata) e que outros, mais sofisticados, gostam de mandar umas "postas" em blogues pessoais. Mas sabemos tambem que ja tivemos a nossa dose de referendos e aprendemos que os devemos guardar para discutir materias sobre as quais nao exista um consenso nacional...

A proposito de referendos permito-me fazer uma pequena digressao sobre o assunto: tende a generalizar-se uma ideia que tem tanto de estranha quanto de perigosa e preversa para o sistema politico. Trata-se de se entender que a democracia e mais perfeita quando a decisao politica e sujeita a referendo.

E uma ideia estranha porque Portugal, a imagem do resto do Mundo democratico civilizado, se assume como uma democracia representativa.

E uma ideia perigosa porque parte de um pressuposto desresponsabilizante dos orgaos de soberania: assume-se que a AR, que pode decidir sobre os nossos impostos, nao deve decidir determinados assuntos (que ninguem sabe muito quais sao) e que a decisao sobre estes deve ser devolvida aos portugueses;

E uma ideia perversa (ou que se expoe a perversao) porque provoca nos nossos politicos a tentacao de nao decidirem assuntos da sua competencia e responsabilidade. Utilizando uma imagem: o recurso indiscriminado ao referendo introduz um factor Pilatos na nossa democracia (a este tema prometo voltar num futuro post, assim as investidas anti europeias do meu caro RPA baixem de intensidade!).

Claro que, a parte das parcas regras constitucionais sobre o assunto (as quais muitos desconhecem e que ate levou PSL a propor um referendo sobre o aeroporto de Lisboa), nunca se discutiu o que e materia referendavel e o que nao e materia referendavel.

Mas voltando a Europa, caros amigos, temos ou nao motivos para temer o processo de integracao Europeia? A minha opiniao e clara. Se alguma coisa temos a temer e precisamente um bloqueio no processo de integracao ou um qualquer louco ou salazarista retrocesso rumo ao orgulhosamente sos.

O processo de integracao da Europa, a escala da evolucao politica, vive ainda a idade da adolescencia. E, pois, natural que sintamos, aqui e ali, as consequencias de um processo in media res... O retrocesso nao e solucao. Disso se apercebeu e bem o CDS-PP de Paulo Portas quando mudou a sua opiniao sobre a Europa...

Nao se tratou de conformismo. Tratou-se de perceber o que e melhor para Portugal!

Retrocesso? Abandono da pauta aduaneira? Abandono das liberdades economicas fundamentais? Dizer NAO aos fundos estruturais (ou eventualmente devolver o respectivo montante...)?

Referendar ao Tratado? Porque? Com que base? E se assim for, porque nao referendar a entrada de Portugal para a ONU? Referendar a entrada de Portugal para a NATO? Referendar a entrada de Portugal na OMC? Referendar todos os acordos internacionais de que Portugal e parte? Referendar anualmente a Lei do Orcamento de Estado? Etc, etc, etc...

Para os que acusam a UE de falta de debate e preciso dizer que o debate sobre a UE se faz todos os dias atraves das televisoes, radios, jornais, internet (dai que seja preciso anunciar para informar, para que o obscurantismo nao prevaleca).

Para os que acusam a UE de falta de debate fiquem a saber que esse debate esta ongoing: http://europa.eu/debateeurope/index_pt.htm

Para os que acusam a UE de falta de transparencia urge que esses paladinos da moral e dos bons costumes se preocupem com identicos problemas infelizmente vividos em Portugal, nao so no Parlamento como nos Tribunais e que nao se esquecam que "os senhores de Bruxelas" sao eleitos ou designados pelos cidados de cada Estado (ou pelos seus representantes, consoante os casos).

Aqui chegados, torna-se claro que a questao e mais elementar. A divisao (se e que ainda existe)encontra-se entre aqueles que acreditam que Portugal e a Portugalidade jamais se diluiram no todo Europeu e os que receiam que isso aconteca. A divisao (a existir) e cavada por aqueles que fazem questao que a ponta da unha da caneta que assina a referenda da lei seja "made in Portugal". Pessoalmente faco parte do primeiro grupo. Confio no poder da Portugalidade e confio no modelo de Europa a que aderimos, respeitador e integrador das nossas diferencas. Nao tenho, pois, medo de uma Europa plenamente integrada, de uma Europa Federal. Nao ha razao para ter medo apenas razoes para ter confianca.

Por fim um desejo: que Portugal faca mais e melhor para aproveitar esta oportunidade.

Um beijinho e um abraco a todos

Miguel

PS: A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

MAS QUE M... É ESTA DE POSTAR SEM CAIXA DE COMENTÁRIOS?

Quem quiser deixar comentários ao belíssimo post do Vacas, «Um herói do nosso tempo», faça-o aqui faz favor...

À atenção do PPM

O PPM quer discutir políticas e fundamentos de ordenação dentro do CDS. Como pela leitura da petição da Ala Liberal muitas são as dúvidas que se me concitam, ponho à consideração dele as seguintes questões, esperando uma resposta densificada à altura das expectativas que os seus textos fundadamente ou não vão gerando.
A Ala Liberal não conhece a distinção entre pessoa e indivíduo. Reduz a liberdade à dimensão negativa e escusa-se a procurar solução para a aporia em que esbarra: recusando qualquer fundamento que transcenda a legalidade que, no ódio ao Estado, pretende também fazer recuar, como constitui o vínculo social e alicerça a responsabilidade? Buscará um estranho consenso a posteriori que não mais é do que expressão maioritária do interesse colectivo que tanto abomina? E como pretende combater o triunfo do positivismo se ignora a normatividade que existe para além da legalidade e contesta, num desejo de alcançar uma presuntiva neutralidade, um referente axiológico de modelação dos aspectos fundamentais do viver em sociedade?
Odeia o Estado, pretende superar o positivismo, recusa um horizonte de fundamentação axiológico e proclama o atomismo des-solidário. Diria que procura a quadratura do círculo, mas fico à espera das explicações.

Um herói do nosso tempo

O tipo continua ali. Ainda não se transformou num mercenário empedernido, dos que entram na sala como se tudo fosse irrelevante. Talvez porque ainda é jovem, ou porque é optimista, ou porque teve um professor que acalentou o seu amor pelas letras e pela História, acredita que há sempre justos que merecem salvar-se mesmo que chova granizo vermelho sobre Sodoma. Por isso, em cada dia, apesar de tudo, continua a vestir-se para ir para as suas aulas de Geografia e de História no liceu com a mesma decisão com que os seus admirados heróis, os que descobriu nos livros entre versos da Ilíada, colocavam a loriga brônzea e o capacete tremulante, antes de lutarem por uma mulher ou por uma cidade sob as muralhas de Tróia. Dito em três palavras: ainda tem fé.
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Ainda não passou a desprezá-los: sabe que a maior parte são bons rapazes, com vontade de agradar e de brincar. Têm falhas de ortografia e uma pobreza de expressão oral e escrita assustadoras e também uma arrepiante falta de educação familiar. No entanto, merecem que se lute por eles. Está certo disso, ainda que alguns sejam bárbaros rematados, ainda que os pais tenham perdido todo o respeito pelos professores, pelos seus filhos e por si próprios. “Vou ter que ponderar tirar-lhe a televisão e a play-station do quarto”, comentava uma mãe há poucas semanas. Determinada, por fim, depois de lhe ter dito pela enésima vez que o seu filho estava num beco sem saída, a ponderar sobre o assunto. A boa senhora. Preocupada com o seu filho, claro. Inquieta, até. Era o que mais faltava. A cidadã exemplar.

Mas, como digo, não os despreza. Ainda o comovem as expressões que fazem de cada vez que lhes explica alguma coisa e eles compreendem, e batem com o cotovelo uns nos outros, e pedem aos destabilizadores que deixem o professor acabar o que está a contar. Fazem-no estremecer de júbilo os olhares cúmplices que trocam entre eles quando alguma coisa, um facto, um personagem, chama realmente a sua atenção. Aí tornam-se no que ainda são: maravilhosamente apaixonados, generosos, ávidos de saber e de transmitir o que sabem aos outros.

Há ocasiões em que, claro, lhe cai a alma aos pés. O “o que é que fazemos com ele em casa todo o dia”, como única reacção de uns pais face à expulsão do seu filho por vandalismo. Por sorte, nunca nenhum rapaz o encarou, nem foi ameaçado com um par de estalos, nem nunca lhos deram, o aluno ou os pais, como a outros colegas. Tampouco leu ainda o texto da nova lei da Educação, mas tem a certeza que os alunos que não abram um livro vão continuar a ser tratados exactamente como aqueles que se esforcem, de modo que as ministras correspondentes, ou quem quer que seja, possam afirmar imperturbáveis que aquilo do relatório de Pisa não tem importância, e que apesar dos alarmistas e dos agoireiros, os estudantes espanhóis sabem fazer perfeitamente o O com um canudo. Muito melhor, até, que os desgraçados de Portugal e da Grécia, que ainda estão pior. Etc.

No entanto, quando sente a tentação de apresentar-se no ministério ou delegação regional correspondente com uma espingarda e uma caixa de chumbos – “Olá, viva, trago-lhes aqui uma reforma educativa de calibre doze” – conforta-se pensando no que vai conseguindo. E então recorda a expressão dos seus alunos quando lhes explica como Howard Carter entrou, emocionado, com uma vela na câmara funerária do túmulo de Tutankhamon; ou como uns monges valentes roubaram aos chineses o segredo da seda; ou como venderam caras as suas vidas os trezentos espartanos em Termópilas, fiéis à sua pátria e às suas leis; ou como um impressor alemão e um conjunto de letras móveis mudaram a história da humanidade; ou como uns rústicos cabeçudos, com uma borracha de vinho e uma guitarra, puseram em cheque às portas da sua cidade, lutando casa a casa, o maior e mais imortal exército que se passeou por terra europeia. E assim, depois de lhes contar tudo isto, de fazer com que o relacionem com os filmes que viram, com a música que ouvem e com a televisão que vêem, considera uma vitória cada vez que os ouve discutir entre eles, desenvolver ideias, situações que ele, com paciente habilidade, como um caçador antigo que arma a sua armadilha com infinita astúcia, foi dispondo ao seu ritmo. Então sente-se bem, orgulhoso do seu trabalho e dos seus alunos, e vê-se ao espelho à noite, quando lava os dentes, pensando que talvez valha a pena.

tradução (bastante livre) do artigo "Un héroe de nuestro tiempo" de
ARTURO PÉREZ-REVERTE (El Semanal, 25 de Junho de 2006)

Pensamentos do Dalai Lima K3O+


«Hoje inda chove.»
- 357ª citação de Barak Obama
por um dirigente socialista

Comissão Europeia propagandeia Europa dando 2,7 Milhões de euros à comunicação social portuguesa

Rapto da Europa (21)

A Comissão Europeia gastou 2,7 milhões de euros em acções de propaganda na comunicação social portuguesa entre 2003 e 2006. O objectivo explicito foi divulgar a Europa e o implícito foi reforçar a cidadania europeia para que o processo de integração decorra céleremente e sem criticas. Note-se que o objectivo não foi incentivar a discussão sobre o que será melhor para a Europa ou para os europeus. Isso já está decidido por quem de direito que não os povos europeus.

Esta verba foi distribuida por televisões (1,2 Milhões de Euros - SIC Notícias, RTP N, RTP Madeira, RTP 2), rádios (meio milhão de euros - TSF, RR, RDP, R. Paris Lisboa) e o restante para a divulgação via internet e para a organização de seminários e conferências sempre sob a supervisão dos organismos europeus e com a garantida participação dos que defendem esta UE. Os detalhes para 2006 podem ser vistos aqui. Os outros anos encontram-se na mesma página da CE.

Note-se que estes valores não incluem verbas dispendidas em Centros de Informação (desde 2004 foram aprovados 14 novos centros) nem verbas entregues a universidades e outras instituições de ensino para que leccionem disciplinas/cursos sobre temas europeus.

Se estes apoios estão relacionado com o silêncio dos correspondentes da comunicação social portuguesa em Bruxelas relativamente aos aspectos negativos da UE não o posso garantir. Espero sinceramente que não. Mas que levantam dúvidas, levantam.

IPA 25


Meritocracia

"Vêdes êsse que, o primeiro no perigo e no sacrifício, recebe e dá golpes, sem temor nem poupança, em defêsa da nossa Pátria, a escorrer sangue do corpo e da alma, no mais acêso da paleja?
Aí está o Nobre.
E não lhes perguntes pelos pergaminhos, pois pode, por acaso, não os ter."
Paiva Couceiro

Sim, nós podemos

Ter dois minutos à Benfica.

Um exercício de lógica elementar

Não percebo muito bem a fúria que acometeu a Filipa Correia Pinto, dirigente do CDS, nesta caixa de comentários.
Há uns anos a CPN da JP achou por bem criar uma comissão de estudo com vista à elaboração de um projecto que visasse pôr termo ao casamento como contrato. Defenderam a ideia tão apaixonadamente que eu, para ficar bem com a minha consciência, resolvi demitir-me daquele órgão.
Recordando o assunto que entretanto se tornou do conhecimento geral no partido, a Filipa amofinou-se. Sem razão, creio, posto que se a ideia era tão boa como ela e outros defendiam devia cobrir-se de orgulho.
Ou será que a inesperada reacção de hoje mostra que, afinal, a ala liberal pretende subverter os pilares fundamentais do partido sem claramente o reconhecer?
Ou será que, à época, a JP não foi mais do que instrumento de guerrilha contra o presidente do partido?
É preciso ter calma, Filipa. Calma.

Abrir alas? Cerrar fileiras.

Devemos responder com franqueza às confissões dos nossos amigos. Também eu penso muitas vezes com tristeza que o CDS talvez não seja o partido que um dia acreditei ser e em que talvez seja pequeno porque alguns dos seus militantes e dirigentes o querem tipo clube. Se concordo com essa parte do diagnóstico não posso deixar de discordar da solução.
As correntes de opinião ou sensibilidades diferentes fazem parte da história do CDS. Os líderes enumerados são prova eloquente disso mesmo. Nada de novo, portanto. Para além deles, basta conhecer alguns dos subscritores da auto-denominada Ala Liberal para perceber como encerra em si mesma as perplexidades e os paradoxos (normais e saudáveis) que perpassam não só todo(s) o(s) partido(s) como por boa parte dos respectivos militantes.
Para que serve uma ala com alas num partido de 7%? Abstraindo do elemento decorativo e multiplicador, espelhado na proliferação blogosférica dos apoios que escasseiam de facto, e de um, também mais irreal que efectivo, psicodrama analítico-identitário, serve de muito pouco.
Aquilo que está agora em causa não é a liberdade de expressão, nem a discussão de ideias, nem o pluralismo interno, mas a institucionalização estatutária de tendências. Artificial. Dirigida. Proclamada. Decalcada de realidades incomparáveis. E fracassada. Sobretudo por desnecessária.
Qualquer observador isento reconhecerá que se há hoje uma tendência evidente é precisamente a que dispensa tendências dessas.
Para além da Mafalda e de Telmo Correia, o CDS até agora demonstrou não ter tempo para este assunto. Direi mesmo: demonstrou não querer perder tempo com este assunto. E não tem muito tempo a perder.
Ainda assim, não tenho dúvidas que, com todos os rogos, apelos e solicitações para a assinatura do seu manifesto, a Ala Liberal ultrapassará o número de assinaturas e rejubilará publicamente com este facto. Mas tal não passará de uma vitória pírrica ainda mais triste que a mágoa que o Paulo genuína e justamente sente.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Esclarecimento!

O PPM é democrata. E é liberal. Tão democrata e tão liberal que não permite comentários aos seus textos, forçando-me a explicar-lhe o óbvio nos IV.
A míngua de paciência leva-me, porém, a um registo tópico.
A minha oposição às tendências no CDS não se prende com nenhuma razão de fundo, mas com a consciência de que as mesmas foram pensadas com dois objectivos precisos. Por um lado, criar a aparência da necessidade do regresso de Paulo Portas, escondendo a guerrilha que ao longo do mandato de Ribeiro e Castro foi orquestrada contra este. Facto que hoje é clarividente, porque só por autismo se pode continuar a afirmar que as correntes de opinião fervilham no partido, posto pautar-se a concretização da ideia num fracasso absoluto.
Por outro, dar eco aos arautos de um liberalismo pós-moderno, na senda do que vinha inscrito no seu programa estratégico, que, porque axiologicamente desvalioso e praticamente irrealizável, não me cansarei de denunciar.
No mais, estarei longe de Telmo Correia nas suas motivações, já que, se bem me lembro, o mesmo louvou a ideia aquando das directas e do congresso. E muito longe da JP, por onde passei, é certo, mas rapidamente me afastei, tal a estupefacção diante da defesa acalorada, protagonizada por alguns actuais dirigentes do partido, do fim do casamento civil como contrato. É que a falta de sustentação para o liberalismo de que fazem eco leva-os ao tudo ou não. Ou se é católico e se sacramenta o acto ou se professa outra religião, se é ateu ou agnóstico e azar.

A eutanásia ao serviço da "religião" jacobina

A catalogação do post do CAA sobre a nova regulamentação da eutanásia na categoria Religião esclarece-nos, se dúvidas houvesse, que a sua preocupação, não é a de uma suposta – porque impossível de alcançar – neutralidade do Estado em determinadas matérias, mas a edificação de uma contra-religião de inspiração jacobina.

Mafalda Miranda Barbosa e Ricardo Pinheiro Alves

QUARESMA – TENTAÇÃO DA IDOLATRIA

(na sequência deste, deste e deste posts)
Hum... desta vez não me toca - pensamos nós – os pagãos é que adoram ídolos.
Mas, sem darmos conta, ajoelhamo-nos diariamente perante uma multidão de ídolos: o dinheiro que todos gostamos de ter, um maço de tabaco, uma refeição de qualidade superior, a televisão, a moda, o corpo, os nossos projectos. Todos estes “deuses” fazem com que vivamos inclinados, incapazes de viver direitos e de nos ajoelharmos perante Deus.
Por que não tentamos, nesta Quaresma, aprofundar a nossa fé pela oração? É rezando que se aprende a rezar.

Fraudes no Parlamento Europeu continuam



Rapto da Europa (20)

As fraudes no Parlamento Europeu (PE) continuam. Como a imprensa portuguesa, nomeadamente os correspondentes em Bruxelas, têm um informal pacto de silêncio sobre notícias "desagradáveis" para a UE, temos de usar outras fontes. Neste caso, a BBC e o Times, orgãos acima de qualquer suspeita.

Um relatório de auditoria interna revela que a fraude por mau uso de fundos atinge, no Parlamento Europeu, cerca de 100 milhões de euros/ano e inclui deputados europeus e funcionário da UE. O MEP liberal Chris Davies afirmou à BBC que um assistente de um deputado terá recebido um bonus de Natal equivalente a 19 salários.

Mas ainda mais grave, alguns dos envolvidos tentaram, junto do Presidente do PE, limitar a divulgação pública do relatório que se encontra no Comité de Controlo Orçamental do PE argumentando que era confidencial. Mas dadas as práticas pouco transparentes já habituais naquele organismo, e dadas as práticas pouco recomendáveis que a UE tem seguido nos últimos tempos, não é difícil adivinhar que é a credibilidade do PE que está em causa e, consequentemente, a participação dos eleitores nas próximas eleições euopeias.

O Eu Esquizofrénico




Camaradas Incontinentes Verbais



A revolução vermelha chegou finalmente a este blogue, antes reaccionário, é agora um memorial do ideal da Revolução Francesa: fraternidade, igualdade e liberdade. Mais, é um memorial como nunca existiu em Estalinegrado.
Nesta hora de exaltação, junto-me a todos vós que sofreram as dores provocadas pelo capital dos porcos reaccionários. Não posso deixar de nomear os camaradas Fernanda Câncio, Daniel Oliveira, Luís Rainha e Ramos de Almeida, os primeiros heróis, por terem sido os primeiros a sofrer as dores de parto que qualquer revolução socialista gera.
A nossa dor será extinta, e em breve acabaremos com os monárquicos e reaccionários que trazem má fama a estes sítios. Com a fraternidade e a união dos nossos camaradas, esmagaremos esses capitalistas que não passam de cães que ladram e rosnam ao passar um camarada.
O espírito de Abril estará sempre presente na memória de todos os que lutaram pela liberdade. Nada nem ninguém pode liquidar a alma dos oprimidos e dos excluídos de uma sociedade podre e hipócrita em que poucos tinham muito e muitos não tinham nada. O povo unido jamais será vencido e fará deste país uma segunda Cuba livre. Coragem Camarada! A revolução está próxima e os porcos capitalistas gritarão por clemência.
Avante!

P.S. O Comité Central está muito preocupado com os nomes capitalistas que surgem na coluna lateral. Propuseram que alguns fossem mandados para a Sibéria, afim de serem regenerados.

eu é que sou o Presidente da Junta

De manhã, na tsf, ouvi António Costa dizer que os juristas da Câmara estavam a analisar o Acórdão do Tribunal de Contas que negou o financiamento que a CML pretendia contrair para pagar dívidas a fornecedores. Disse também que tinha falado com vários Professores de Direito, os quais estavam já a elaborar informações sobre o assunto. Plurais à parte, que denotam tiques despesistas incompatíveis com o actual estado calamitoso das finanças do Estado, gostava de saber onde é que António Costa pretende ir buscar o dinheiro para pagar aos juristas e aos vários Professores de Direito que contratou para analisar a questão.

Francisco Lucas Pires

Se não fosse por causa do Rafael e do Jacinto, de quem sou amigo, seria certamente por aquilo que Francisco Lucas Pires era, um grande político e um homem melhor. Os filhos decidiram homenageá-lo por ocasião dos 10 anos da sua morte, relembrando muitos dos textos que escreveu ao longo da sua vida. Está tudo aqui, num blogue criado para o efeito. Quem, como eu, optar por ter memória, fará ali uma paragem obrigatória.

tendências

Estão a tentar impor a criação de tendências no CDS. A que tem mais visibilidade, porque acarinhada por muitos em blogues ou amplamente noticiada na comunicação social, é a ala liberal, cuja inspiração se deve ao António Pires de Lima. Circula agora um pedido para que seja assinada uma petição online que contém a declaração de princípios da ala liberal, iniciativa também veiculada, ao que noticiou o Expresso, pelo secretário-geral do partido, em e-mail dirigido aos (todos?) militantes. Até agora, tem cerca de 140 assinaturas, sendo que muitas foram rejeitadas ou apagadas. Ao que julgo saber, outras tendências estão a ser criadas. Sem querer, para já, comparar nenhuma delas entre si, tenho para mim que o CDS é um partido pequeno demais para que se dividir em tendências. Em vez de um desejável pluralismo, adivinha-se o florescimento do espírito de facção. E esta opção estratégica é tanto mais esdrúxula quanto se sabe que o programa do partido é claro e, supostamente, aceite por todos os militantes. Não estranho, por isso, a fraca adesão dos militantes, mesmo depois de se terem criado condições que facilitam a sua criação. Se a intenção dos promotores das ditas tendências é a alteração do programa do partido, mais sério teria sido que o tivessem assumido desde logo. Porque o não fizeram, ficam os seus objectivos por perceber ou sujeitos às mais diversas interpretações.
(publicado também aqui)

À atenção do inefável Mendes Bota

Depois de ter comparado a ASAE à pretérita polícia política, talvez fosse de fazerem chegar esta notícia aos que gostam de se alimentar dos fantasmas do passado:

CMVM quer incentivar a denúncia anónima

Achas para a fogueira

Não consigo deixar de gostar do Obama. Bem sei que "hope" não é um programa político, que "yes we can" é mais um slogan que até o Sr. Pinto de Sousa ousa proferir, que "it's time to change America" e o resto do mundo também, incluindo este rectângulo à beira mar plantado. É muito difícil prever que políticas efectivas serão adoptadas pelo candidato que ganhar a maratona electiva. Por isso temos de fazer um acto de fé (mais um!) e acreditar na coerência das suas propostas, da sua linha de pensamento. Se não as conseguimos identificar, temos de ir mais longe, e ler os sinais que nos vão deixando em tempo de campanha. Se me parece positivo haver quem defenda um calendário de retirada da tropas do Iraque (face a um McCain que afirma fazer todos os (im)possíveis para deter o Irão), parece-me muito mais positivo haver quem defenda a cobertura universal pelos serviços de saúde (não como o nosso SNS, que é "bom de mais", como se pode ver pelo buraco financeiro), e o alargamento de programas de saúde e educação. Se uma das maiores críticas que se fazem aos EUA é a ausência de Welfare State, parece-me que isto pode ser uma maneira de "change America". Não sei a quem é que ele pensa "roubar" (lá como cá, a manta é curta e se cobre a cabeça não cobre os pés), gostava de saber. Tudo isto, com a consciência de poder ser mais uma a viver na ilusão. After all, this is America, the land of opportunities.

QUARESMA – TENTAÇÃO DO PODER

(no seguimento deste e deste post...)
“Não tentarás ao Senhor, teu Deus”, disse Jesus, rejeitando usar a força do Pai em proveito próprio.

Vivemos constantemente a tentação de usar o poder que temos como chefes ou como pais em proveito próprio. No plano espiritual, somos tentados a pôr Deus ao nosso lado, ao nosso nível. A história está repleta de exemplos de pessoas, grupos organizados, nações que se aproveitaram da Igreja, de Deus, para levar a cabo os seus projectos. Quantas vezes, nas nossas orações, não pedimos a Deus que nos faça a vontade, a nossa vontade. E quantas pessoas não se afastam de Deus porque Ele não lhes “obedeceu”!
Por que não tentamos, nesta Quaresma, viver menos o “eu” e mais o “eles”, nomeadamente nas nossas orações?
(cont.)
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