terça-feira, janeiro 31, 2006

"Jesus, ao ver as multidões, encheu-Se de compaixão por elas" (Mt 9, 36)

Via insurgente descobri a mensagem do Papa para a Quaresma que se avizinha. Gostei particularmente desta passagem:
"Mesmo neste tempo da interdependência global, pode-se verificar como nenhum projecto económico, social ou político substitua aquele dom de si mesmo ao outro que brota da caridade."
Nem esquerda nem direita, nem liberalismo nem proteccionismo. Aconselho a leitura de todo o texto.

Atlântico

Os incontinentes já leram e a revista está de parabéns. Também já existe um blog. Parabéns ao Paulo Pinto Mascarenhas e a todos os colaboradores da revista. Aqui têm eleitores atentos mas também críticos.

Baixa por doença?

Acabei de ver o Dr. Manuel Alegre num jantar com apoiantes da sua candidatura e fiquei intrigado. Tinha ideia de que tinha lido em qualquer sítio que o ex-candidato estava em casa com baixa por doença e que por esse motivo ia estar ausente dos trabalhos da AR durante algumas semanas. Das duas uma, a comunicação social enganou-se ou então o poeta está com uma baixa fraudulenta.

Também quer um chupa?

Será que Artur Mas não ficou satisfeito com o "Acordo geral" sobre o Estatuto da Catalunha?

A dar-vos música...

Gosto mesmo desta música (Blower's Daughter de Damien Rice) que faz parte da banda sonora do perturbante filme Closer.

And the oscar goes to...

Acabei de ver no Publico as nomeações para os Óscares. "O Segredo de Brokeback Mountain" lidera os candidatos com 8 nomeações. Quanto a mim, gostaria que "Crash" levasse para casa a estatueta de melhor filme. Viu-o no passado fim-de-semana em dvd e achei um retrato fantástico sobre as tensões raciais existentes nos EUA. Dá também que pensar na realidade que temos e na (ainda) ausência daquele tipo de racismo. Mas quanto a esta questão fica prometido um post.

A crise da Europa

O historiador Martin Kugler está a desenvolver um projecto chamado "Europa por Cristo!", que tem por objectivo devolver a audácia aos cristãos (Católicos e Protestantes) e ajudá-los a que estejam seriamente activos na construção da Europa. Participa neste projecto Rocco Buttiglione que, como se sabe, foi impedido de ser Comissário da UE pela manifestação da sua Fé e pelas suas convicções.
Retirei este texto:
"The political and cultural crisis of Europe has further intensified in the early years of the new millennium. The most recent debates have revealed the extent of the crisis to a wider public: one million signatures for a reference to God in the preamble to the proposed EU constitution were ignored, the rejection of Rocco Buttiglione as a member of the EU Commission on the basis of his Christian convictions, the so-called anti-discrimination laws in several countries have a tendency to discriminate against Christians, the promotion of research involving the use of human embryos and the attempts to legalise euthanasia which undermine a clear understanding of the inherent dignity of the human being; etc. Our society is in uncharted waters; what is "normal" can no longer be spoken; the "abnormal" has become the new norm. Europe has no future unless it can "find its way home". "Europe, become what you are!" - this was the appeal of Pope John Paul II to our continent at the beginning of the third millennium. And yet it seems that Catholics across wide swathes of Europe would rather persist in passive acquiescence. The project presented here aspires, in a step-by-step manner, to help Christians emerge from this part-voluntary, part-involuntary ghetto existence."

Não há direito

Não é que a visita do Bill Gates não seja importante, mas a presença de parte substancial do Governo, dos Autarcas e outros altos quadros do nosso funcionalismo público nas "aulas" que o eminente convidado vai dar, levanta-me uma dúvida: por muito menos, é habitual concederem-se tolerâncias de ponto e pontes. Será que não faríamos um brilharete se declarássemos dia feriado em todo o país? Podia ser que o Bill investisse mais uns milhões no nosso país! Não há direito que ninguém se tenha lembrado disso.

Lista negra

De acordo com esta notícia do Expresso, o Estado não tem actualizado a "lista negra" com a indicação de todos aqueles que, alegadamente, devem ao fisco. Lembra-me esta história o processo que a Gi (que é a senhora minha mulher) tem nas finanças (ou melhor processos, pois trata-se de uma execução e de uma contra-ordenação) por causa de IVA que, alegadamente, não pagou. Apesar de, em 3 ocasiões, já nos termos deslocado ao serviço de finanças respectivo com o comprovativo do pagamento, os processos ainda não foram extintos. No início, por causa de uma senhora funcionária que esteve de férias por 5 semanas consecutivas, a qual seria a única com a responsabilidade de anular a suposta dívida no sistema. Depois, porque a fotocópia que uma outra senhora funcionária tirou do comprovativo de pagamento ficou ilegível, tendo a Gi sido notificada passadas umas semanas para ir novamente ao serviço de finanças "entregar cópia legível do comprovativo, uma vez que a cópia que havíamos entregue estava ilegível" (refira-se que a cópia foi por eles tirada!). Ora, esta história dura desde Junho do ano passado e não tem fim à vista. A propósito, acho que vou consultar essa lista negra para ver se o nome da Gi por lá anda. Não vá o diabo tecê-las!

Vai uma mija?

"Às quatro e meia da tarde, no mictório nacional, imemorialmente entupido, a urina já chegava à porta (consta que neste capítulo as coisas melhoraram)."
Do segundo post de vpv no espectro ficou-me esta bonita imagem. E também uma dúvida: era o mictório que estava entupido ou os Senhores Deputados é que mijavam fora do penico?

Piada plagiada

No último eixo do mal, um dos comentadores cujo nome desconheço (mas que não é o Judice, nem a Alves, nem o Oliveira) teve uma tirada genial. Numa tentativa de interpretar o gesto de Sócrates na noite das eleições, quando começou a falar em plena declaração de Alegre, dizia o comentador que pensa que a estratégia do primeiro-ministro passava por uma tentativa de passar despercebido. O nosso PM nunca pensou que as televisões interrompessem o discurso de Alegre - 2.º candidato mais votado - para passar as suas próprias declarações; saiu-lhe o tiro pela culatra! Quando ouvi esta análise achei piada, mas os restantes comentadores do programa não foram muito receptivos. Das duas uma, sou eu que me rio com pouco (o mais provável) ou foram eles que não perceberam a piada (o que não acredito, uma vez que são todos fantásticos e muito inteligentes).

Escrevo, logo existo!

Abrindo p'ralém do espaço geográfico se abre a mente e se desdobra o ser, em reconhecimentos insuspeitos. Pensando logo se existe, para si próprio. A existência para os outros depende de manifestações, das quais a escrita é senão a mais sublime, das mais vibrantes...

in Procidamia

O circo ainda agora começou

Os jornalistas e alguns bloggers andam entretidos com uma alegada crise de liderança no Psd. Parece que Marques Mendes tem os dias contados e não tem estofo para o cargo. A profecia política não é o meu forte e há quem a exerça com mestria, como sejam o JPP, a CCS e o Paulo Gorjão. Ainda assim, parece-me precipitado e, de certa forma, injusto o que andam a dizer de Marques Mendes. Senão vejamos, Marques Mendes, desde que chegou à liderança do partido, ganhou as eleições autárquicas, o candidato presidencial apoiado pelo partido foi eleito, pôs de lado alguns históricos, arguidos em processos-crime e, em certa medida, devolveu ao Psd alguma da credibilidade que PSL e mesmo Durão Barroso tinham posto em causa. Marques Mendes poderá não ser o líder carismático que alguma Comunicação Social pretende. Poderá também não ter a firmeza e a unanimidade de alguns líderes passados. Mas a verdade é que até agora, em minha opinião, nada justificou o alarido que se está a criar. Quanto a Menezes e Marco António, resta dizer que são os suspeitos do costume, sempre dispostos a assumir protagonismos. A Comunicação Social agradece, pois andamos fracos de notícias. Pode ser que a coisa anime depois da "tomada de posse" do novo Presidente. A ver vamos.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Prémio para o melhor comentário

O prémio para o melhor comentário feito neste blog até hoje vai para o leitor que se intitula por Velha, Feia e Peidorreira, que diz neste post o seguinte:
"Os sarilhos da Elena Salgado.....!"
Os incontinentes agradecem as sábias palavras.

César e os veados

César da Neves, o homem mais odiado do renas e veados continua a fazer das suas. Subscrevo o artigo na íntegra!

Obrigado BES...

... pela neve! Foi com um mês de atraso, mas paciência!

Coisas que não percebo

Porque é que a mulher da Pluma está despida, desculpem, vestida como se fosse Verão se estamos no pico do Inverno?

Contratação de peso

Já foi muito anunciada na blogosfera a contratação de VPV por CCS para escrever no Espectro. Os incontinentes não podiam deixar em branco esta notícia e aguardam ansiosos pela estreia. Confessamos, no entanto, alguma tristeza, pois ainda tivemos esperanças de o conseguir cativar para a nossa equipa. Faltaram-nos argumentos.

Sugestão de leitura

Ainda sobre a última encíclica, e depois de a lerem, sugiro a leitura deste post do João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola IX (afinal o último era o penúltimo!)

Diria que o senhor ali do título, se fosse blogger, chamar-se-ia Rodrigo Moita de Deus (RMD, se leres isto, não leves a mal até porque esta série foi inspirada, em certa medida, nas já conhecidas séries do acidental).

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola VIII (último episódio)

Diria que o Vital Moreira, se fosse comentador desportivo, chamar-se-ia Gabriel Alves.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola VII

Diria que as opções técnico-tácticas do treinador do Benfica se devem ter inspirado nos posts daquele senhor acerca das presidenciais.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola VI

Diria que o Benfica tem um estádio melhor, não obstante as casas de banho estarem do outro lado da estrada a 2 Km de distância.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola V

Diria que o treinador do Benfica fala melhor português que o do Sporting.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola IV

Diria que o Benfica tem melhor equipa.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola III

Diria que o Benfica tem melhores jogadores.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola II

Diria que o Benfica tem mais história.

Série: Se eu fosse o Vital Moreira da bola I

Em face do resultado do último Benfica/Sporting, e no seguimento das análises políticas feitas pelo eminente Professor acerca das presidenciais, cumpre-me dizer que ganhou a equipa mais fraca.

Euromilhões

Para a semana são mais de 180 milhões de euros de jackpot acumulado. E já está na altura de sair a alguém. Os efeitos de tamanho jackpot na produtividade nacional (pela negativa) começam a sentir-se. Acabei de chegar de um qualquer Tribunal em Lisboa, onde às 10:00 da manhã 2 funcionários de uma das secções (os únicos que lá se encontravam!) estavam alegremente a consultar a chave da passada sexta-feira na net e a confirmar que as apostas que tinham feito não tinham prémio. Nos 20 minutos que por lá fiquei (na secção do lado) deu para perceber quanto tinham gasto, com quem tinham sociedade e qual o destino que dariam a tão grande prémio. Nesses 20 minutos também deu para perceber que a pilha de processos da secção não diminuíu. Venha de lá esse prémio e depressa, para voltarmos todos ao trabalho!

Extreme Makeover

Depois da vitória do Hamas nas legislativas palestinianas e do muito que se tem vindo a falar sobre o assunto achei curioso encontrar esta notícia com excertos de uma entrevista com o Sr. Aqtash, pessoa encarregue de, a troco de uma soma avultada de dinheiro, mudar a imagem daquela organização.

A comer

Já que estamos numa de (f)utilidades, e antes de eu me debruçar sobre a exibição do meu glorioso, mais um conselho, desta feita gastronómico. No porto de recreio de Oeiras, ao lado da piscina oceânica, há um restaurante - RIO'S -, onde temos uma excelente vista, um serviço competente, boa comida e um preço simpático.

Os fins-de-semana fizeram-se para descansar...

Os fins-de-semana fizeram-se para descansar. Este fim-de-semana fiz muitas coisas que gostava de fazer com maior frequência. Não pensei em trabalho, estive com a família, fui à missa, fui ao cinema, fui almoçar fora, não cozinhei em casa, enfiei-me em centros comerciais e fiz compras! Confesso que devo ter sido a única pessoa em Portugal que no meio destas coisas todas não viu cair neve mas enfim também não se pode ter tudo! Quando estava a vir para o trabalho (sim porque o fim-de-semana infelizmente só tem dois dias) encontrei uma pessoa com quem lido profissionalmente que me perguntou pelo meu fim-de-semana e a quem eu contei todas estas coisas que andei a fazer (como se fosse alguma coisa de muito especial). O mesmo respondeu que quando leva coisas para fazer no fim-de-semana os amigos gozam com ele. Disse: "Está tudo virado do avesso! É suposto não trabalhar no fim-de-semana e não o contrário!" Ora aí está!
Bom chega de desvarios e toca a trabalhar!

Segunda-feira

De luto, depois de um sábado negro (ou melhor: verde e branco) e sem grande inspiração matinal para escrever. Já cá volto.
P.S. "Match Point": a ver!

domingo, janeiro 29, 2006

"In dubio, pro vita"

Perante as dificuldades de tantos casais em ter filhos, a Procriação Medicamente Assistida representa uma ajuda preciosa! Mas não podemos chegar ao ponto de fazer dela um método alternativo à procriação natural: isso seria reduzir a vida humana a um produto de laboratório (como se considerou, nos projectos de lei do BE e PCP, em que se previa a possibilidade de recurso à PMA como primeira opção da mulher, ou por um só progenitor).
Está em causa a dignidade da Vida humana, a protecção dos embriões e a sua congelação para experimentação e investigação científica, a fecundação "post mortem", a reprodução heteróloga (fora do casal), as chamadas "barrigas de aluguer", o direito à identidade genética, etc. Por todo o mundo a comunidade científica se tem pronunciado.
Para o futuro, talvez venha a ser possível criar apenas o número restrito de embriões para implantar, sem que com isso se diminua probabilidade de sucesso da PMA. (na Alemanha isto já acontece: a taxa de sucesso é pouco menor, e poupa-se muita discussão sobre o que fazer com os embriões excedentários). Mas para o presente o problema mantém-se: em Portugal existem cerca de 40.000 embriões congelados. Não têm "cara", não aparecem nos telejornais e por isso não nos preocupamos.
Existem métodos alternativos ao uso de embriões: a investigação em células estaminais adultas, por exemplo. Na incerteza devemos proceder com cautela e precaução: e “in dubio, pro vita”.
Aproxima-se o momento chave no que toca à PMA: o projecto-lei foi aprovado na generalidade e está a ser discutido na Comissão Parlamentar da Saúde. Durante esta fase de esclarecimento, deverão ser ouvidas todas as entidades interessadas e dispostas a colaborar na elaboração desta lei. Como noutras legislações recentes da Europa, esperamos que os deputados cheguem a acordo sobre uma regulamentação que respeite os princípios básicos da Dignidade da Vida Humana. Todos estamos de acordo quando à delicadeza das questões em causa: ética e cientificamente esta lei vai definir os contornos de uma "nova era". Importante será, mais uma vez, estarmos atentos e participarmos na discussão. Um debate sério e esclarecedor é imperativo de uma cidadania responsável.

Esperemos que não...

sábado, janeiro 28, 2006

O país que não devia ser desenvolvido

Em mais uma das suas crónicas, César das Neves faz um comentário genial e certeiro ao título de um relatório recente da Fundação Zwentzerg, num estudo sobre estratégia económica de longo prazo : "O país que não devia ser desenvolvido - O sucesso inesperado dos incríveis erros económicos Portugueses".
Segundo a FRZ o nosso país teve um crescimento notável ao longo do século XX: aproximámo-nos decisivamente dos níveis médios dos países da categoria "desenvolvidos". É notório o progresso: o nosso produto teve uma grande taxa de crescimento anual, a taxa de mortalidade infantil caiu para menos de 7 por mil, temo agora mais médicos por habitante do que muitos países ricos, a taxa de analfabetismo desceu de 40% para 10% (apesar de nada ter melhorado no sistema educativo: continuamos a não ter qualificações decentes), a esperança média de vida aumentou 18 anos, Portugal é membro activo da União Europeia com "estabilidade democrática e solidez institucional". Fomos, sem dúvida, bem sucedidos! Quem diria?!
Tudo seria perfeito se o relatório não acrescentasse que Portugal SEMPRE seguiu as estratégias erradas! Segundo a FRZ, com as políticas e orientações que o País seguiu devíamos estar agora na miséria. As deficiências apontadas na nossa economia são inúmeras. Com tanta paralesia das empresas (que se deixam bloquear nas suas burocracias e manipulações) e inoperância financeira, não se percebe: " Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento?"
A explicação adiantada é a incrível capacidade de improvisação, engenho e desenrascanço do povo Português!
"O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?"

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Pudera!

Via Lusa:
"Quase dois terços dos jornalistas portugueses defendem que os casos em segredo de justiça devem continuar a ser noticiados, divulgou hoje uma sondagem realizada para o jornal especializado Meios & Publicidade."
Deve ter sido a Eurosondagem a fazer esta sondagem. Já agora, sugiro que os jornalistas tenham acesso priveligiado a todos os processos de inquérito em segredo de justiça. Mas espera lá, isso já acontece! O melhor mesmo é obrigar os Tribunais a notificarem os jornais de todas as diligências processuais e a possibilitarem todos os senhores jornalistas interessados a assistirem às que forem mais do seu agrado! Não podemos cair no risco de pôr em causa a liberdade de expressão e de informação da classe jornalística!

E agora as coisas verdadeiramente importantes!

"Portugal vai defrontar Polónia e Sérvia-Montenegro no Grupo A da fase de qualificação para o Campeonato Europeu de futebol de 2008, na Suíça e na Áustria, ditou o sorteio realizado hoje em Montreux, na Suíça. Além daqueles dois "mundialistas", a selecção portuguesa vai enfrentar também Bélgica, Finlândia, Arménia, Azerbeijão e Cazaquistão, no grupo com maior número de equipas, oito."
Depois da sorte que nos tem acompanhado, já era altura de nos tramarmos "à grande". Está na altura de mandar vir o Mourinho!

So what?

No blog Portugal dos Pequeninos, reparei nesta citação via Mar Salgado, do Dr. Ruben de Carvalho (ao que parece no DN de ontem):
"Cavaco não pode esquecer que a maioria do povo português não votou nele"
O que eu gostava é que este senhor concretizasse o que quer dizer com esta frase tão estúpida. Será que há alguma conclusão a retirar de tal afirmação? Sócrates também não teve a maioria dos votos do povo português; Sampaio também não teve no seu primeiro mandato. Aliás, duvido que tenham havido muitos que o tenham conseguido. E então? Qual o drama? Deverá Cavaco recusar ser PR? Deverá exercer o seu mandato de acordo com a maioria que não votou nele, mas que também não votou maioritariamente em nenhum outro? Deverá agir na proporção dos votos de cada candidato? Ou seja: à 2.ª e 3.ª exerce o seu mandato para cavaquistas, à 4.ª e 5.ª para os abstencionistas, à 6.ª até às 15:00 para os Alegristas e das 15:00 até às 18:30 (será esta a hora de saída!?) para os Soaristas? E os Jeronimistas e Anacletistas, será que vamos ter que pagar horas extraordinárias para o Senhor PR trabalhar ao fim de semana? Mas que raio de gente esta a quem dão tempo de antena e a quem até pagam para dizer disparates destes! Estamos entregues à bicharada.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Teorema da Impossibilidade de Arrow

Umas das matérias mais interessantes em Economia Pública são os estudos dos mecanismos de decisões. Quais são os que melhor servem a sociedade? Quais são os mais eficientes?
Em economia entende-se que, para ser óptimo, o mecanismo de decisão colectiva terá que respeitar 5 condições:
  1. Independência das alternativas irrelevantes - se a sociedade tiver que escolher entre 2 opções e houver posteriormente uma 3ª opção, a decisão não pode contrariar aquilo que havia sido decidido. As preferências são ordenadas.
  2. Não ditadura - socidedade deve escolher de acordo com a vontade de todas as pessoas, e nenhuma escolha de um indivíduo prevalece sempre;
  3. Pareto - ou seja, a decisão tem que respeitar as preferências de todos. Imagine, se decide por um projecto, então poderá ser benéfico para um só grupo, mas não deverá ser prejudicial para um só grupo;
  4. Unrestricted Domain - todas as preferências individuais são aceitáveis, ou seja as ordenações das preferências;
  5. Transitividade - As pessoas são racionais. Se prefere x a y e y a z, então preferirá x a z.

Ora, Kenneth Arrow em Social Choises and Individual Values prova um resultado notável. As 5 condições são inconsistentes. Em rigor, não existe nenhuma regra de escolha colectiva que respeita as 5 condições. Assim se quisermos criar uma regra de escolha social que repeita as condiçoes 1,3,4 e 5 (ou IPUT, ver nas condições), então teremos que nomear um ditador benevolente. Não há forma perfeita de tomar decisões sociais, nem de "agregar" as preferências individuais para construir uma preferência social. Se desejarmos um mecanismo para agregar essas preferências, então teremos que abandonar uma das 5 condições.

Aqui está! Tal como havia prometido aqui.

Vai um chupa?

No passado dia 1 de Janeiro a vida dos nuestros hermanos sofreu algumas mudanças bruscas, que irão ter consequências importantes. A começar na entrada em vigor da Lei do Tabaco, ou Lei Anti-Tabaco, e passando pela lei que regula os horários dos espanhóis segundo os horários dos demais Europeus, acabando com a hora da siesta.
Já é possivel identificar algumas das consequências da Lei do Tabaco. Vejamos.
A Philip Morris vai reduzir o preço do Marlboro, como resposta à lei e ao aumento do tabaco da Altadis que "anunciou um aumento de mais de 10 por cento nos preços das suas marcas mais vendidas, referindo que tal se deveu à necessidade de manter as margens de lucro após o anúncio do aumento de impostos." Esta guerra de preços leva a que pela primeira vez os cigarros americanos sejam mais baratos.
Outra das consequências esperadas, é o fecho de muitos quiosques e muitas outras lojas, por estarem impedidos de venderem uns cigarritos. O sector espera que haja 25 mil despedimentos, para conter a redução drástica das vendas. Também as gasolineiras esperam uma redução de 40% nas vendas de produtos não petrolíferos.
O lobby das farmácias esta radiante com a nova lei, pois possibilitou um aumento de 50% a 60% de produtos anti-tabaco. O aumento abrange comprimidos (mais 30%), pastilhas (50%) e adesivos de nicotina (70%).
Numa sondagem recente, 50% dos inquiridos com mais de 16 anos admitem que recorrem aos caramelos e chupa-chupas para não fumar tanto. Ora, o efeito dominó levou a que a Associação Espanhola de Fabricantes de Caramelos e Pastilhas tenha ficado satisfeita com a lei: as suas vendas de Caramelos aumentaram em 25% e o produto Chupa Chups aumentou as vendas em 50% neste mês de Janeiro em relação a Dezembro.
Também há noticias de conflitos entre trabalhadores e empregadores. "A central sindical espanhola UGT considerou hoje «desproporcionada» a suspensão de dois dias, com perda de salário, imposta por uma empresa da Cantábria a um trabalhador que fumou no local de trabalho"
Post baseado nesta notícia.

HAMAS - e agora?

Ao que tudo indica, o Hamas terá ganho as eleições legislativas na Palestina e prepara-se para formar Governo. As movimentações na "esquerda moderna e iluminada" que pulula por aí já começaram e ao que tudo indica não falta quem queira negociar com os terroristas, esquecendo-se de que o principal objectivo dos mesmos é destruir Israel, nunca tendo aceite tréguas e colocando em risco permanente o processo de paz já de si coxo. Andei a vaguear por aí e encontrei um texto do Luís Rainha do Aspirina B que é demonstrativo (para já de forma bastante atenuada) do branqueamento que muitos não hesitam em fazer. Limito-me a citar parte do texto:
(...) ignorar que o Hamas é muito mais do que um grupo terrorista é simplesmente fechar os olhos à complexidade dos factos (...) que o Hamas gere uma intrincada rede social, com hospitais, creches, escolas e caridades diversas. É ignorar a própria génese do movimento, surgido como oposição à notoriamente corrupta entourage de Arafat e então apoiado discretamente por... Israel (...)
É evidente que a situação no Médio Oriente é bastante complexa e não pode ser analisada de forma simples, recorrendo a chavões ou invocando frases feitas. Ainda assim, parece-me que a discussão estará inquinada à partida se aceitamos que uma organização terrorista se sente a mesma mesa de negociações sem antes largar as armas.

Sempre disponível

Anónimo do post anterior,
A Igreja tem que estar sempre disponível. O Diário de Notícias de hoje escreve sobre o Papa:
"Não aprecia o "contacto" físico, os beijos e os abraços do povo, mas é moderno, tem um telemóvel privado, que poucos conhecem, com ilustres excepções o Presidente italiano, a Casa Branca, o Kremlin. "Pronto, quem fala? Sou o Papa..." Nunca antes os franciscanos de Assis tinham ouvido esta resposta do Vaticano, ao confirmarem por telefone uma visita a Roma..."

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Deus Caritas Est II

Para a sic, o mais importante da Carta de Bento XVI é: "A primeira encíclica do Papa Bento XVI põe fim a velhos tabus na Igreja. O documento foi apresentado esta manhã no Vaticano e realça os aspectos positivos do desejo e do amor erótico."

Preciosidades do humor do MP3


Teste de Geografia:

1. Quais são os concelhos que Mário Soares ganhou no passado dia 22 de Janeiro?
2. Quais são as freguesias que Mários Soares ficou à frente de Cavaco?
3. Aponte no mapa o único distrito que Cavaco não ganhou.

Deus Caritas Est

Eis aqui a primeira Encíclica do Papa Bento XVI, foi apresentada hoje no Vaticano. É recomendada a sua leitura.

Provocação!

Ursula Von den Leyen é ministra da família no novo governo Alemão. É médica, casada e mãe de 7 filhos! Quem diria?! A situação do governo (4 mulheres, todas sem filhos) reflecte bem a realidade alemã: não ter filhos já não é um carência, antes pelo contrário transformou-se num requisito para uma carreira política brilhante. É uma febre cultural para a qual esta ministra é considerada uma verdadeira provocação!
Segundo a própria, a Alemanha ainda não conseguiu harmonizar a boa formação e a entrada no mundo laboral com a educação dos filhos. No entanto, afirma, "as capacidades de liderança - capacidades de trabalho, de organização, sentido de responsabilidade - adquirem-se fundamentalmente não na profissão, mas na família e em cargos não remunerados. Uma empresa que pretenda fazer surgir personalidades com sentido de liderança e ao mesmo tempo humanamente ricas, deverá preocupar-se em que essas pessoas tenham tempo e lugar para serem também pais e mães".
E a política deve fazer a sua parte, criando uma infraestrutura variada e flexível que possibilite dar atenção aos filhos e procurando que a política económica seja uma ajuda real na etapa em que se têm os filhos, normalmente a mais crítica.
Este governo já criou e vai atribuir, a partir de 2007, um novo subsídio para os pais.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Novo Link

Acrescentámos à nossa lista um novo blog, que tem por nome Choque Ideológico. É uma nova promessa neste meio. Infelizmente tem um ponto fraco: os comentários tem que ser aprovados pelo autor.

Agora um post completamente bimbo

Já a pensar em dia 14 de Fevereiro, sugiro este site onde podem, sem qualquer custo, fazer uma surpresa aos vossos mais que tudo (este post é dedicado a todos os leitores mais abimbalhados que por aqui passem e que achem piadas a estas pirosices!).

Stuff you don't need... but you really really want!

Ganhaste o Euromilhões e não sabes o que fazer ao dinheiro? Vai a este sítio e compra todas aquelas coisas que te fazem tanta falta mas que tu ainda não tinhas dado conta.

As lembranças de uma geração

Quem anda na casa dos 30 deve lembrar-se de ouvir e ver isto.

Anúncio Honda

Só mais um

Bem sei que ainda há bocado disse que não ia falar mais das eleições, mas não resisto a pôr aqui um link para um post da arte da fuga que resume o meu sentimento acerca de algumas reacções da esquerda à vitória clara do Cavaco. Não há pachorra!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A ler

Para uma análise mais política do resultado das eleições e dos respectivos vencedores e vencidos aconselha-se a leitura deste e deste senhores. Por mim, e no que respeita a eleições, já me chega.

Vá lá compreender esta gente!

O que dizer a este e a este senhores que escrevem estas pérolas!?

Rescaldo da noite eleitoral

Ontem, a meu ver, houve dois vencedores, Cavaco e Manuel Alegre uma vez que ambos atingiram o objectivo a que se propuseram, Cavaco vencer as eleições e Manuel Alegre obter mais votos que Soares.
Houve um claro derrotado que foi Mário Soares. Fico com pena do senhor que se poderia ter poupado a tudo isto...
Quanto aos discursos da noite dou 10 valores ao de Cavaco. Ele estava solto e tranquilo e começou naquele momento a ser o presidente de todos nós ao dizer que a maioria que o povo Português lhe havia concedido se dissolvia logo nessa noite pois o mesmo seria o Presidente de todos os portugueses. Simples mas eficaz!
Quanto ao discurso de Soares não foi mau de todo. Admitiu a sua derrota mas omitiu (é claro!) Alegre.
Relativamente ao discurso de Manuel Alegre não posso dizer grande coisa, pois o mesmo foi interrompido pelo discurso do PM. Mas que mau perder tão grande do nosso Primeiro-Ministro que nem tem a delicadeza de deixar Alegre acabar o seu discurso! Um bocado ressabiado não?
Garcia Pereira, por seu lado, acertou “na mouche” quando há dias disse que as eleições presidenciais iriam ficar resolvidas no domingo ao considerar "pouco provável" que pudesse existir uma segunda volta. No entanto, achei curiosa a sua leitura dos resultados eleitorais ontem à noite. Garcia Pereira afirmou "Acabámos de eleger um mudo." com a vitória de Cavaco Silva. "Esta vitória deve-se, como sempre denunciei, a uma tentativa golpista e antidemocrática da candidatura de Mário Soares”. Mas o que é isto?!? Nem percebo o que Garcia Pereira queria? Qual é a parte que ele não percebeu que a esquerda perdeu em toda a linha e Cavaco GANHOU!
Já Louçã não quis assumir a sua derrota sozinho e disse que a partilhava com toda a esquerda. Acabou por ter piores resultados do que nas últimas legislativas. Pena é que o seu discurso demagógico ainda consiga convencer tanta gente a votar nele!
Jerónimo, igual a si próprio, mantém-se. Além de excelente dançarino consegue manter-se com estes resultados à frente do seu partido.

Para mais tarde recordar

Ver aqui o filme da noite eleitoral.

Correcção

Referi aqui há pouco que Garcia Pereira tinha tido 40 e tal mil votos. Enganei-me. Afinal, foram só 23650, o que reforça ainda mais a minha ideia. Será que o PCTP tem uma base de dados com todos os seus apoiantes a que recorre sempre que precisa de recolher assinaturas para concorrer às Presidenciais!?

Os Antecessores

Com muita pena minha não consegui atingir este objectivo, devido a falta de tempo. Mas espero atingi-lo até à "entronização" do novo Presidente.

Para lá do desenvolvimento

Em 250 anos (desde a Rev. industrial) o Planeta mudou mais do que em todos os milhares de anos anteriores! E mudaram tanto os países chamados desenvolvidos como os outros (em desenvolvimento). Neste momento, o único lugar do mundo onde não há este desenvolvimento é em África (e nem se prevê que venha a começar).
O desenvolvimento é um acontecimento histórico e, como tal, acontece num sítio, num momento e tem consequências muito concretas. Não é uma coisa que aconteça em todo o lado ao mesmo tempo. Nem se pode pretender que assim seja: não funcionaria. É preciso haver estìmulo e concorrência para haver desenvolvimento. E por isso a disparidade existe sempre; talvez em maior ou menor grau consoante vários condicionalismos, mas existe; o leque entre os que conhecem o desenvolvimento e os que não chegam, sequer, a ter oportunidade de o experimentar alarga-se, e de modo por vezes escandaloso.
África é o nosso mundo antes deste desenvolvimento que nos molda a vida e a mente. E porque falar de desenvolvimento é falar de cultura, em Africa o subdesenvolvimento explica-se porque o propósito das pessoas nao é o desenvolvimento. Ainda que ele represente tudo aquilo que nós tomamos como básico para se alcançar aquele mínimo de bem estar e felicidade indispensáveis: conforto, bens, serviços de saúde, responsabilidade das autoridades públicas, poder económico, etc. Mas a verdade é que os incentivos daquela gente são outros. Não que as pessoas sejam "menos pessoas" ou mais burras. Não! As pessoas são iguais, tem as mesmas capacidades, só que exploram-nas em circunstâncias diferentes.
Isto vem provar uma coisa: é que as pessoas (do dito "mundo desenvolvido") não são mais felizes hoje do que eram há 250 anos. Pelo contrário, vivem descontentes, insatisfeitas, inquietas, sempre prontas a reivindicar de alguém a solução dos seus problemas. Sente-se uma espécie de ódio ao nosso tempo, de raiva pela nossa era.
Em África, para lá do desenvolvimento, aponta-se para o "ser-se (um bocadinho) mais feliz".

O mito geográfico


Concelho do Porto

O mito geográfico


Concelho de Lisboa

São mesmo patetinhas!

Numa caixa de comentários do insurgente chamei "patetinhas", de forma carinhosa, ao Luís Rainha e a todos os outros "gajos" (não têm outro nome!) de esquerda que não souberam aceitar os resultados de ontem. O Luís ficou enxofrado e meteu o meu pai ao barulho. Eh pá, Luís, isso não se faz. "Fico chateado, pois com certeza que fico chateado". Se dúvidas houvesse quanto à personalidade desta malta, a forma como se comportou na campanha e mais ainda a forma como está a lidar com a estrondosa derrota que tiveram é demonstrativa daquilo que são. Como eu dizia são mesmo "patetinhas".

Uma imagem vale mil palavras

Sensação

Tenho a sensação que a esquerda acordou com os azeites.

Um triste Vital Moreira

Estes dois textos de Vital Moreira que tirei daqui são reveladores de mau perder e de algum desespero:
"A abstenção que venceu
Cavaco Silva ganhou com a menor margem de sempre (0,6%), em todas as eleições presidenciais até agora. E ganha com a maior taxa de abstenção registada na primeira eleição de um candidato (só ultrapassada nas reeleições de Soares e de Sampaio, quando o desfecho da eleição não estava em causa). A junção das duas coisas com uma outra quase certa -- a abstenção deve-se sobretudo ao eleitorado de esquerda -- torna claro que a esquerda só pode queixar-se de si mesma. Perdeu por falta de comparência de uma parte dos seus...

Despromoção

O problema com Cavaco Silva não é só ele ser o primeiro presidente oriundo da direita política, nem o inigma sobre a sua prática presidencial. É ele suceder a quem sucede: 10 anos de um presidente maior do que o País (Mário Soares); 10 anos de um dos presidentes mais cultos e "aristocratas"(no verdadeiro sentido da noção) que já tivemos (Jorge Sampaio). Ter agora um presidente que não ultrapassa os limites de uma cultura economista e tecnocrática é uma enorme sensação de despromoção... "
Antes de mais, e quanto à "menor margem de sempre", penso que até haverá alguma má fé por parte de quem o escreveu. Ele esquece-se que Cavaco tinha 5 candidatos contra si, cujo único objectivo era precisamente evitar a sua eleição; objectivo esse que ao longo da campanha passou a ser o da não eleição à primeira volta. É, pois, muito simplista da sua parte retirar as conclusões que tira o Professor Vital Moreira, sem sequer ponderar qual o resultado que Cavaco poderia ter tido numa volta. Também penso que a análise está errada no que respeita à abstenção. Não acredito que a abstenção seja fundamentalmente de esquerda. Se havia quem não se revia em nenhum dos candidatos era a direita e não a esquerda. Esta tinha um leque de opções considerável, pelo que não tinha razões para ficar em casa. Mas como não sou adivinho neste tipo de coisas, penso que seria útil fazer um estudo acerca dessa mesma abstenção, de forma a desmistificar esta questão. Por fim quanto à apreciação prévia que faz do Presidente eleito, ainda antes do mesmo tomar posse, nomeadamente quanto ao "inigma sobre a sua prática presidencial", penso que revela inclusivamente algum mau carácter e falta de cultura democrática por parte de quem o escreve.

A propósito

Já me esquecia. O discurso de Garcia Pereira foi pouco comentado, o que em minha opinião revela a pouca justiça das televisões e dos comentadores em face de uma análise tão esclarecida e notória acerca dos resultados eleitorais. A teoria do golpe anti-democrático não me parece assim tão absurda. Ainda estou para saber como é que o Anacleto conseguiu atingir os 5% de votos.
P.S. Se bem percebi, Garcia Pereira atingiu os 40 e poucos mil votos, o que torna ainda mais surpreendente o facto de ter conseguido as 7.500 assinaturas necessárias para estar nas eleições! Este, sim, merecia a subvenção do Estado em vez do Anacleto, pela sua preserverança.

Ainda de ressaca de ontem

Em minha opinião, e ao contrário do que ouvi alguns comentadores (e muitos candidatos) dizer ontem, não foi a direita que ganhou as eleições. Ganhou Cavaco e ganhou Alegre (este, porque o seu único fim nesta campanha era ficar à frente de Soares). Quanto a Alegre, talvez esteja enganado, mas suspeito que o fenómeno que a sua votação constituiu terminará já hoje (com excepção dos efeitos que poderá ter dentro do próprio PS). Já Cavaco ganhou, não com os votos da direita, mas sim com os votos daqueles que deram a vitória a Sócrates no ano passado e que já haviam elegido Cavaco em 1987 e 1991. Hoje em dia, começa a não fazer sentido falar em esquerda e direita quando se fala de decisões eleitorais, pois quem decide as eleições encontra-se ao centro. A direita (ou, pelo menos, parte dela) ontem ficou em casa, pois não se revê em nenhum dos candidatos. É, pois, falacioso falar de uma vitória da direita, como o fizeram Anacleto e Jerónimo (penso que ambos o sabem, mas faz parte da essência dos partidos a que pertencem - e talvez mesmo da sua sobrevivência - invocar o papão da direita). De resto, importa referir algumas notas (soltas):
- A Eurosondagem que se cuide, pois é pouco crível que Soares tivesse perdido a vantagem sobre Alegre que as sondagens demonstravam em tão pouco tempo e sem razão aparente.
- Sócrates sai de cabeça muito baixa depois do episódio malcriado que representou a interrupção do discurso de Alegre.
- Termina o mito Soares.
- Devia ter terminado o mito Louçã, mas o senhor é vaidoso e egocêntrico demais para o perceber.
- Jerónimo mantém a cabeça fora de água, sem riscos imediatos de se afundar.
- Os patetas que tanto clamaram contra as sondagens que davam maioria absoluta a Cavaco, acusando quem nele ia votar de estupidez e ignorância, vão continuar exactamente na mesma, pois as palas que têm em frente dos olhos não lhes permite ver outra coisa que não seja o seu próprio umbigo. Sugiro, como tenho feito repetidamente nestes últimos tempos, que emigrem para países com "eleitores" mais esclarecidos, como sejam a China, Cuba, Coreia do Norte...
De resto, tudo na mesma. Suspeito que pouco irá mudar.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

A esquerda unida...

Revisitei este nosso amigo e descobri algumas das reacções que a malta de esquerda teve quando leu este post (em minha opinião delicioso!). Estou cada vez mais convencido de que este mundo está virado do avesso. Os defensores da liberdade e proprietários exclusivos da mesma proclamam com frequência os seus valores, acusando todos os outros de arrogância. Dizem que a a direita é isto e aquilo, constituindo um perigo para a democracia, blá blá blá. Ora, se estas eleições têm sido esclarecedoras em alguma coisa é na forma como esta gente vê o mundo, nomeadamente na forma como não aceitam e desprezam qualquer opinião contrária à sua. Embora estejamos a falar unicamente de sondagens, o medo de perder revela a falta de carácter e a dúbia personalidade desta gentalha; é confrangedora e demonstrativa do equívoco em que persistem. Tenho esperanças de que a queda que vão dar seja útil para se aperceberem do muito pouco que representam.

Boas notícias

Via insurgente descobri esta boa notícia. A Auto-Europa vai produzir um novo modelo na fábrica de Palmela a partir de 2008. É pena que nestas ocasiões não dêem vozes a todos os que pretendiam ver o acordo rejeitado pelos trabalhadores. Este senhor e este outro não devem ter ficado nada satisfeitos.

Um caso (quase) esquecido

De louvar o faccioso pela insistente divulgação de um caso que ninguém (ou quase ninguém!) quer lembrar. Há quem diga que a recente divulgação do mesmo até já deu lugar ao saneamento do director de um suplemento de um conhecido jornal nacional. Eu não sei de nada pois não sou nada de intrigas nem acredito em teorias da conspiração (mas que as há há!).

Agradecimentos

Os incontinentes agradecem a simpática referência insurgente e esperam estar à altura da mesma. Agradecem também o link que nos fizeram aqui.

Sócrates "pegou nas muletas"

O Primeiro Ministro tem um dilema.
Belém prepara-se para a mudança.
Boa sorte aos dois.
... e até domingo se Deus quiser!

Candidato de direita?

A esquerda tem falado muito de Cavaco e tem tentado assustar os eleitores com o epíteto de "candidato da direita". Tenho as maiores dúvidas acerca de tal qualificação (embora não me importasse que o fosse) e algumas sondagens demonstram isso mesmo. Com efeito, os piores resultados de Cavaco estão na classe Alta/Média Alta, recolhendo o seu maior apoio junto da Classe Média logo seguida pela Classe Média Baixa/Baixa. Aos intelectuais de esquerda, que muitos disparates têm dito nesta campanha (comportando-se como pedantes, imbuídos de uma arrogância mental confrangedora), sugiro que tentem, de forma honesta e séria (bem sei que é difícil!), perceber a razão do seu fracasso em vez de tentarem diminuir todos aqueles que apoiam o candidato que vai ganhar as eleições.

Eurosondagem SIC/Expresso/RR

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Assuntos a evitar a dois dias do fim da campanha

Sócrates ontem disse na conferência da Economist: "Ainda não estou em condições de anunciar o défice de 2005. "
Ora aí está mais uma coisa que o PM não quer falar a dois dias do fim da campanha eleitoral e com o candidato presidencial apoiado pelo seu partido em terceiro lugar nas sondagens...

Escrituras Públicas Facultativas

O Decreto-Lei que tornará a celebração de escrituras públicas facultativas para todos os actos da vida das empresas foi anunciado ontem pelo PM. Acho que quem não vai gostar muito desta ideia são os Notários.

Perguntem ao Primeiro Ministro!

Anteontem o Primeiro-Ministro dizia que Mário Soares "perguntou ao Governo e o Governo respondeu, como responderia se Cavaco Silva tivesse feito a mesma pergunta ou qualquer outro candidato. O dever do Governo é responder às perguntas que lhe fazem"

Ora, acho boa ideia que os candidatos perguntem ao PM:
1. Qual a decisão do PM relativamente à entrada em Portugal do MIT- Massachusetts Institute of Technology? Sabendo que é um investimento brutal, de cerca 50 milhões de euros.
2. A título de curiosidade, qual o Ministro que se opõe à entrada do MIT?

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Inimputabilidade

Será que ele está a falar a sério? No dia em que Alegre aparece mais uma vez em 2.º lugar nas sondagens, a reacção do candidato é esta!? Eu diria que o "bochechas" está claramente a tornar-se inimputável.

Professor José Tavares

Há uns anos, quando tive o Professor José Tavares a leccionar a cadeira de Macroeconomia, disse aos meus amigos que no espaço de 10 anos o Professor seria uma das pessoas mais importantes na área da economia em Portugal quer como teórico quer como impulsionador das medidas necessárias. A profecia cumpre-se.
Coragem e frontalidade são duas das suas qualidades, que estão patentes aqui.
Ouvir som aqui, pela incontigência de O Insugente

Os Antecessores IV


Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais

Sidónio Pais foi uma das figuras mais amadas e odiadas da I República. Este militar, que nasceu em Coimbra, foi ministro do governo em Berlim onde terá ficado fascinado com a obediência e aparato bélico das tropas alemãs. Perante a instabilidade vivida em Portugal, em 1917 decidiu preparar um golpe, o qual será bem sucedido. Sidónio Pais declarou-se "chefe de todos os portugueses", e faz-se legitimar nas eleições de Abril de 1918, por sufrágio universal, à revelia da Constituição de 1911.
Era muito admirado, por ser uma esperança e uma tábua de salvação para Portugal, que vivia numa grande instabilidade. Admirado também pelas mulheres, são conhecidos muito documentos em que se relata que nas suas inúmeras viagens pelo País muitas mulheres desmaiavam à sua passagem. O culto da personalidade foi sempre cultivado por Sidónio Pais.
A lei de separação entre a Igreja e o Estado é alterada, e são reatadas as relações com o Vaticano. Estas iniciativas levaram a que fosse apoiado por alguns monárquicos e conservadores que viam em Sidónio Pais uma hipótese de restaurar a Monarquia em Portugal. Ainda a salientar que em Março do mesmo ano é declarado o sufrágio universal.
É assassinado em finais de 1918 quando se dirigia para a Estação do Rossio.

Os Antecessores III


Bernardino Luís Machado Guimarães

Bernardino Machado, nascido no Rio de Janeiro em 1851 era o oposto de antecessor, sendo rico, vaidoso, aprumado, mas defendia, tal como Teófilo Braga, o ideário republicano. Tinha 18 filhos, o que foi motivo de caricatura por parte de Rafael Bordalo Pinheiro.
O terceiro Presidente da Repúbica foi eleito por duas vezes: o primeiro mandato foi de 1915-17, e o segundo de 1925-26.
A sua actividade política desenvolveu-se em dois vectores: a sua acção na Maçonaria e o seu desempenho nos cargos públicos. Na Maçonaria teve cargos muito importantes, desde Presidente do Conselho da Ordem a Grão-Mestre.
Era apoiante da participação de Portugal na Guerra Mundial, guerra essa que começara cerca de um ano antes do seu primeiro mandato. Foi um período de grande agitação no qual começaram a escassear produtos de primeira necessidade, como farinha e carvão. Lisboa ficou sem eléctricos, sem luz e sem polícia nas ruas depois das 11 horas da noite.
Aproveitando a sua ausência em Londres, a população começa a assaltar lojas em busca de comida. Nesta altura, Sidónio Pais toma conta do poder, e Bernardino Machado é obrigado a exilar-se em França. (continuação do 2º mandato em breve)

Os Antecessores II


Joaquim Teófilo Fernandes Braga

Teófilo Braga foi eleito presidente da República em finais de Maio de 1915, e teve um mandato de apenas 5 meses.
Desde de novo que defende as teses positivistas, "o positivismo consolidou sobretudo a ideia de que a República não podia ser um simples golpe de Estado, e que talvez até devesse dispensar os intentos revolucionários." (José Mattoso, História de Portugal, vol. 6, p. 403). No fundo, o objectivo era criar um Portugal novo e moderno, com uma nova mentalidade, sem estar sujeito às antigas sujeições da Igreja Católica.
Era um homem bastante simples, andava de eléctrico, vestia roupa velha, chegando mesmo a remendar roupa que tinha herdado da mulher, a qual o fazia recordar-se de bons momentos juntos.
É conhecida a sua obra Literária.

Os Antecessores I


Manuel José de Arriaga Brum da Silveira

Manuel de Arriaga foi o primeiro presidente da República Portuguesa (1911 -1915) eleito, sucedendo a Teófilo Braga que em 1910 se tinha tornado Presidente do Governo provisório.
São conhecidos os seus brilhantes discursos no parlamento quando ainda pertencia à minoria republicana. Com 71 anos, em 1911, foi eleito Presidente da República. Tendo tido um mandato bastante conturbado com 8 mudanças na presidência do Governo, muitas desordens nas ruas, reacções violentas contra a Igreja (tema a ser tratado num futuro post), apesar de não partilhar o anti-clericalismo de outros, e movimentações de monárquicos comandados por Henrique Mitchell Paiva Couceiro. Instabilidade essa que viria a ser agravada com a 1ª Guerra Mundial em 1914, pois os líderes dos principais partidos tinham divergências em relação à posição que Portugal deveria tomar. Manuel de Arriaga tenta reunir as forças republicanas, não sendo contudo bem sucedido.
Após uma revolta em Maio de 1915, apoiada pelo Partido Democrático, Manuel de Arriaga é obrigado a resignar.

Os Antecessores

Finalmente a campanha já se encontra na recta final. Há meses que ouvimos falar as mesmas pessoas e nas mesmas pessoas. Ora, para aproveitar este tempo até domingo, decidi iniciar um epílogo sobre os vários Presidentes da República. Não se espera que seja uma biografia completa das suas vidas, nem tão pouco um estudo sobre estas, pretendendo-se apenas dar a conhecer um pouco das suas vidas e dos seus mandatos.

O voto

Nas minhas deambulações cibernáuticas descobri mais um texto fantástico, desta feita de Francisco Trigo de Abreu.
"Votar para mim é uma cerimónia espiritual. E gosto de votar logo pela manhã. Se for o primeiro da secção de voto, melhor ainda. Também tive o privilégio de durante anos ajudar a minha avó a votar. Ia buscá-la ao lar. Comigo levava um boletim de voto feito em casa com todos os partidos que concorriam às eleições. Tirava todas as informações do site da CNE. Depois ela fazia a cruz e eu ficava a saber em quem ela queria votar.Depois (muitas pessoas desconhecem que os mais incapacitados fisicamente podem votar), levava-a ao centro de saúde de serviço, onde uma médica a entrevistava para aferir se ela tinha capacidade de voto. Ela, a médica, perguntava sempre à minha avó (que mal andava e ouvia muito mal) porque é que ela queria votar. A minha avó respondia sempre da mesma maneira: "Porque é importante votar".E depois vinham outras perguntas. Como é que se chama? "Isabella". Sabe ler? "Leio o Público e o DN todos os dias". Quantos filhos tem? Uma vez disse o nome dos filhos todos (sem se esquecer dos dois que morreram à nascença) e dos muitos netos. Também já se preparava para dizer que netos é que correspondiam a cada filho e até o nome das noras.A médica passava o atestado e lá nos encaminhávamos para a mesa de voto. Ela entregava o atestado e davam~lhe o boletim. Ela chegava-se ao local do voto muito agarrada a mim e eu passava-lhe uma lupa (atenção que os símbolos são muito pequenos). Ela via e lá fazia a sua cruz. Eu verificava se tinha votado em quem queria (com base no voto feito em casa) e depois íamos depositar o voto na urna. Este ritual durava, muitas vezes, mais de duas horas.Desde que tenho 18 anos (agora tenho 32), que sempre fui levar a minha avó a votar. Este ano já não posso. A minha avó votou pela última vez aos 90 anos. As minhas eleições vão ser mais pobres. Não se esqueçam. "É importante votar".Decisão tomada neste preciso momento: Domingo, vou votar com o meu filho."

Autonomia ou responsabilização?

O MP nem sempre foi autónomo. Só depois do 25 de Abril começa a diminuir a interferência do poder político no poder judicial. Hoje em dia o MP conta com uma dupla autonomia (externa e interna) consagrada na CRP. Esta autonomia não é um privilégio político daquele órgão: trata-se de garantir os direitos dos cidadãos, evitando a "politização da justiça" e a concretização de um verdadeiro Estado de Direito. A meu ver, o nosso sistema de autonomia é equilibrado: apesar de o MP não depender de nenhum órgão de soberania, a sua actuação é objecto de fiscalização externa e de um controlo democrático (veja-se o Conselho Superior do MP). A sua actuação no âmbito do processo penal é limitada pelo dever de legalidade e colaboração com os tribunais: o MP investiga (livremente) e acusa, mas só o juiz pode julgar. E é precisamente em processos como o da Casa Pia (que envolvem políticos, ou gente ligada à política) que se acentua a suspeição de influência de "ventos políticos". Com a ilegalidade das escutas telefónicas a levantar polémicas sobre esta dita autonomia, parece-me justo questionar: será que uma diminuição "líquida" da autonomia do MP é a solução para algum seu "mau funcionamento"? Ou será mais apropriado apostar numa maior responsabilização (com vista a um maior profissionalismo)?

SOS

Soares mandou um SOS ao Amado (Ministro da Defesa) que lhe telefonou prontamente da China com boas notícias acerca dos estaleiros de Viana do Castelo. Soares ganhou mais uns votos. Acossado pelos outros candidatos e pelos jornalistas, Sócrates alega que Soares se interessou por assuntos de relevo e que o Governo lhe prestou as informações que prestaria a qualquer um dos outros candidatos se estes tivessem tido a mesma preocupação. Alguém imagina o Amado a telefonar ao Garcia Pereira com as mesmas boas notícias depois de um SOS enviado por este!? Uma sugestão: a partir de hoje até sexta-feira seria útil para o país que todos os candidatos enviassem muitos SOS aos ministros deste Governo a pedir explicações acerca de assuntos relevantes como o de ontem. O Polvo (desculpem, Povo) agradece!

terça-feira, janeiro 17, 2006

Notícias da nossa gente

O cardeal arcebispo de Cartum (capital do Sudão) lançou um "apelo desesperado para arrecadar ajuda para as comunidades eclesiais, que lutam para refazer as suas vidas depois de décadas de perseguição e opressão". A diocese de Rumbeck fez 50 anos mas foi devastada pela guerra e está parada por causas das disputas sobre o processo de paz cujo fim se espera que seja o referendo sobre a independência.
No Paquistão, o Bispo de Islamabad-Rawalpindi denunciou que centenas de cristãos foram expulsos de suas casas porque era preciso alojar as vítimas do terramoto de 8 de Outubro, e o governo achou preferível usar as casas dos cristãos a ter que construir novas em terrenos públicos. Note-se que, na altura do terramoto, foi a Igreja que prestou auxílio aos desalojados, distribuindo donativos sem fazer distinção de credo ou condição social. Dom Lobo acrescenta que se está a formar uma equipa de advogados para fazer frente a estes abusos.
Ao tentar impedir a demolição de um escola diocesana, no passado mês de Novembro, 16 religiosas chinesas foram brutalmente agredidas. A escola pertencia à Igreja e fora confiscada pelo Estado na Revolução Cultural. Muitos se manifestaram, depois, pela devolução da escola aos seus legítimos proprietários. O governo Chinês procurou ocultar os factos. Mas teve tempo para enviar agentes às paróquias, com o objectivo de descobrir quem participou nos protestos, quem orientou a manifestação e quem fotografou as religiosas agredidas e divulgou as fotografias.

Espera lá que ele tem memória!

Na passada semana vi excertos da entrevista que Pedro Santana Lopes deu à SIC Notícias. Santana Lopes defendeu que a actual conjuntura não poderia ser mais favorável a Cavaco apesar de não se querer pronunciar sobre a sua intenção de voto. Sublinhou, no entanto, que tinha memória (aludindo ao facto de Cavaco Silva não o ter apoiado nas legislativas). Mas o que achei hilariante foi quando o mesmo disse que se tivesse uma conjuntura semelhante à que Cavaco Silva tem neste momento, ou seja, com a esquerda dividida e, mais concertamente, com dois candidatos do PS como Mário Soares e Manuel Alegre, teria ganho as legislativas! Haja noção! Este senhor poderia utilizar a (pouca) memória que tem para se lembrar que o que Portugal não quis foi a ele. Ele que assuma uma vez por todas que ninguém gosta dele e ninguém o quer por cá!

Facada com facada se paga!

Ver aqui o artigo de opinião de Pedro Santana Lopes na íntegra.
Começa por:
"...Cavaco Silva, "pelo seu curriculum e pelos seus atributos, se for eleito Presidente representará bem o País..."
"Os outros têm sido candidatos contra Cavaco Silva. Ele tem sido muito rigoroso no cumprimento da sua estratégia." - De acordo!
"Reafirmo que devo lealdade ao meu espaço político num período de campanha eleitoral mas também devo fidelidade a mim próprio e à memória do que aconteceu no ano passado."
"Impus a mim próprio que não falaria sobre o meu voto nas presidenciais. Mas há uma garantia que posso dar não voto nos adversários do meu espaço político. A política não se faz com questões pessoais." - Concordo, a política não se faz com ataques pessoais!
"Não declarei, nem declaro, qualquer apoio a Cavaco Silva. Mas também não o ataquei, nem ataco. Aliás, Cavaco Silva será o primeiro a compreender que se tenha esta posição porque também não declarou qualquer apoio em Fevereiro de 2005. " - Ataques pessoais não valem, mas egocentrismos, vinganças e ataques de meninos mimados já valem?

Momento alto da campanha

Ver aqui.

Uma certa esquerda

A esquerda tem-se revelado nesta campanha eleitoral, pelo menos alguma esquerda. Senão vejamos:
1. Antes de mais, é notório que todos os candidatos de esquerda têm como objectivo quase exclusivo derrotar Cavaco Silva, o que, convenhamos, é muito pouco.
2. Os candidatos de esquerda candidatam-se, pois, pela negativa, não apresentando ideias.
3. Também tem sido visível a arrogância e desonestidade intelectual e cultural que a maioria dos candidatos exibe quando fala de Cavaco: não sabe falar, não fez nada pela democracia, é um razoável economista mas não percebe nada de cultura, tem um passado tenebroso enquanto primeiro-ministro, sendo responsável pelo estado do país, é o culpado do desemprego, criou o monstro, enfim, um chorrilho de disparates.
4. Ora, pensando no passado dos outros candidatos e nas suas ideias, o que temos?
- Soares: descolonização, presidências abertas, os seus governos, violações de leis eleitorais à boca das urnas...
- Alegre: lutou contra o antigo regime e é deputado. Promete dissolver a AR se as águas forem privatizadas. Escreve poemas.
- Jerónimo: já trabalhou. Gosta de dançar. Defende a reforma agrária. Não gosta do BE (isto é bastante positivo!)
- Louçã: é, sem dúvida alguma, o mais insuportável de todos os candidatos. É o Mourinho (no seu pior!) da política sem quaisquer vitórias. Julga-se o mais forte, o mais esperto, o mais inteligente, o maior. É, de facto, o MAIOR... idiota que habita entre os políticos. A forma displicente como defende o aborto, a legalização das drogas, o casamento entre os homossexuais, a adopção por estes de crianças, é reveladora da sua falta de cultura democrática e soberba mental. Não gosta de ninguém a não ser de si mesmo.
Esta esquerda vive do passado e deseja o regresso a esse mesmo passado. Esta esquerda merece o que lhe vai acontecer no dia 22.

Esperar para ver, ver para crer...

Estava-se mesmo a ver que isto ia acontecer. E mesmo assim votaram nele.
O objecto da acusação soa grave, mesmo para quem não conheça completamente a natureza e a gravidade dos crimes. E, não obstante, tudo parece ir acontecendo segundo a vontade de Sua Excelência! Ganhou dinheiro, foi eleito, renuncia agora à instrução para ser julgado o mais depressa possível... pelo menos não se dirá que não exerceu os seus direitos.
Não posso deixar de associar este a outro caso: o de Felgueiras. O fundamento "fuga ou perigo de fuga" concebido para o decretamento da prisão preventiva foi corroborado pela nossa Miss F. E a suspensão do mandato causa pânico: viola a legitimidade democrática, a separação de poderes, etc. Chega-se então a um inédito: não só foge e continua a exercer o mandato, à distância, como regressa heroicamente aplaudida! Quem diria? Só falta chegarmos ao cúmulo de ver um presidente de câmara assinar despachos por detrás das grades... Tudo isto me parece, no mínimo, bizarro. Para não dizer incoerente. E até impróprio de um sistema processual penal que me parece (potencialmente) equilibrado. Com este primeiro episódio oeirense fica o problema na balança: está em causa a legitimidade democrática do Presidente versus a verdade que será apurada ao "fazer justiça".
Há quem diga que o voto dos munícipes foi um prémio, uma recompensa pelo trabalho louvável realizado anteriormente. "Voto nele porque merece, por tudo o que fez por nós!" E então a figura de Isaltino vai merecer para sempre e a todo o custo a confiança dos oeirenses.
Parece-me que: cumprir da melhor maneira possível o seu mandato é obrigação mínima de qualquer titular de um cargo público. Ser bom presidente para efeitos de merecer o meu "voto-recompensa", não pode incluir ser acusado de crimes de corrupção (entre outros), ainda por cima realizados durante o exercício desse mesmo mandato que se pretende premiar!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

Perguntem aos candidatos!

Vinha hoje de manhã a ouvir a tsf quando fui surpreendido pela notícia de que uma antiga prostituta italiana havia sido absolvida do pagamento de impostos relativos à sua actividade. Parece que a referida senhora, hoje com 40 anos, é actualmente proprietária de 6 casas, todas adquiridas com o produto da sua actividade, exercida ao longo de cerca de 20 anos. Não obstante a insistência das autoridades fiscais para que regularizasse a sua situação (parece que estranharam o rico espólio da "contribuinte" quando nunca tinham sido pagos quaisquer impostos!), a senhora em causa conseguiu que a instância de recurso lhe desse razão. Estavam em causa alguns milhares de euros em impostos. A argumentação utilizada e que, aparentemente, fez fé em juízo, assentou na qualificação de tais rendimentos como uma indemnização compensatória pela utilização que terceiros faziam do seu corpo. Ora, atenta a posição de alguns candidatos em face da legalização da prostituição, nomeadamente o Dr. Soares e o Dr. Anacleto Louçã, gostaria de saber se, em suas opiniões, tal legalização implicaria o pagamento de impostos ou se, pelo contrário, estariam as obreiras de tão antiga profissão isentas do mesmo. É que, estava eu aqui a pensar, também eu sou diariamente violentado física e mentalmente quando me obrigam a levantar antes das das 8 da manhã para vir trabalhar, permanecendo quase 9 horas amarrado à minha actividade profissional. Será que o fisco será sensível ao meu argumento e me dispensará do pagamento de tais tributos!?

Restam-lhe os outros quatro sentidos

Cumprir e fazer cumprir a Constituição

No preâmbulo da constituição de 1976, escrita pelo candidato Alegre, diz-se:

"A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de ABRIR CAMINHO PARA UMA SOCIEDADE SOCIALISTA, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno."

Editorial fora d'horas!

Dizer, dizer, falar, falar, pensar e repensar...
Desculpem se me dirijo aos meus ilustres companheiros cibernauticos, e lhes dedico a minha estreia neste espaço.
Pois é: falar é fácil. E escrever acaba por não ser menos fácil, com a mais valia de que satisfaz mais plenamente o nosso ego. E, portanto, sejamos ousados: neste espaço - que é por natureza de palavras - façamos crescer algo maior. Gostava que as ideias partilhadas e discutidas reflectissem o esforço comum (que nos une!) pela construção de um futuro melhor, um "depois" que depende do empenhamento de cada um "hoje". Não é infantilidade. Acredito que é possível, se todos trabalharmos com seriedade. É a falta de coragem para o afirmar que nos torna infantis, não o contrário!
Costumava não ter paciência para blogs, pensava mal dos "bloggistas". Agora acho que "ter uma palavra a dizer" sobre tudo não faz de nós um "clube de metediços insuportáveis"!! Parece-me mais um imperativo do "ser-se" humano, uma exigência de sermos adultos. Tomar posição sobre os acontecimentos, sejam eles eleições, a guerra no iraque, a gripe das aves ou a vitória do sporting, é fundamental! Só tomando posição nos entusiasmamos verdadeiramente com alguma coisa! Que raio de homens/mulheres seremos se não nos interessarmos pela vida na sua totalidade? Ser adulto é ser inteiro. A vida não pode ser "só" um conjunto de pequenas parcelas e opções desequilibradoras.
Tomar posição implica definir um modo de vida. E esse modo de vida deve incluir a disponibilidade para duas coisas: dar razões, quando formos atacados e ouvir com paciência e humildade, quando formos contrariados. Só assim seremos adultos.
Boa sorte.

A ler

Andava por aí a navegar e descobri isto. Está fantástico!
"Sei de rapaziada, uns inconscientes com certeza, a quem já podemos chamar de trintões, que pela primeira vez na vida vai votar com toda a convicção. Por uma vez não é o voto de protesto, não é um voto no mal menor. É o voto que foram desejando protagonizar à medida que iam crescendo com O Independente religiosamente às sextas-feiras sobre a mesa do café com o respectivo baldanço à aula de geografia do 10ºano. Entre os primeiros cigarros e as últimas tacadas de snooker viveram um tempos que os marcou. Foram a primeira geração que viveu a democracia plena. Normalizada. Que ainda se lembravam das discussões domésticas sobre a escalada vertiginosa das taxas de juro e a necessária intervenção do FMI, ao tempo do Bloco Central, (a que nunca acharam muita graça pois diminuía os níveis de pancadaria na classe). Lia-se Miguel Esteves Cardoso e achava-se piada às coisas do eixo Manchester-Guincho-Carrazeda de Ansiães. Paulo Portas fazia estragos no governo, tratava do acessório enquanto o essencial era a descida da inflação e o acesso à “Europa”. Vasco Pulido Valente cilindrava a Picareta Falante. Os primeiros rasgos de modernidade, os BMW’s do Fundo Social Europeu, as primeiras mamas na televisão nacional e o fim dos inenarráveis programas culturais da matinèes televisivas. Gente que para quem o suplemento Olá do Semanário era leitura de sanita. E a revista Bravo trazia o último som do mundo desenvolvida - e os respectivos posters. Que daí a pouco tempo descobriria os Smiths e o New Musical Express. Há uma geração que nunca ficou entusiasmada com o Guterres - a Picareta Falante - não mais que uma emanação de um conspirativo sótão de Algés. Para quem Marques Mendes mais não era (é) que um apagado oportunista sem rasgo e membro do Grupo da Sueca. Gente que se riu às lágrimas pelas lágrimas sulistas-elitistas-e-liberais do Menezes em pleno Coliseu. Gente que ainda se ria com as Noites da Má Língua, (que parva aquela Rita Blanco). Que conheceu a Europa pelo inter-rail e viu a primeira MTV e que um dia até achou que a Catarina Furtado era uma bonita rapariga. Gente que acompanhou José Rodrigues dos Santos nos voos cirúrgicos dos F-16 em Fevereiro de 1991 no início da primeira Guerra do Golfo. E nos dias seguintes nas páginas do Público. Gente que ficou emocionada com o a queda do muro de Berlim e para quem o vai-e-vém lançado da Florida era o futuro hoje. E que até concordou com o Vicente Jorge Silva que os chamou Geração Rasca. Gente a quem diziam que os propósitos eleitorais e intenções de voto se manifestava dentro de uma parcela populacional mais rural do que urbana, mais rústica que sofisticada. Gente que jamais compraria um automóvel aos Jorges Coelhos, aos Santanas, aos Torres Couto. Gente que ainda hoje não percebe porque é que os supermercados fecham ao Domingo. Gente, como este que abaixo assina, que vai votar no Aníbal. E há os outros, claro, os que baixaram as calças numa manifestação anti-PGA. É a pré-história da democracia. E a história de algumas vidas."

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Parabéns!

Parabéns aos demais incontinentes verbais! Estou muito contente por finalmente ter entrado na blogosfera!
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