segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Da Opressão Socialista




Opressão socialista (31)
A foto de cima mostra Che Guevara depois de executar uma pessoa.

Opressão socialista é uma expressão abrangente que reflecte, antes de tudo, um estado de espírito que resulta da pressão social, cultural, mas também económica e política, que se vive na sociedade portuguesa e que tem paralelo em outros países. Não é nenhum conceito científico nem tem essa pretensão. È apenas uma expressão ideológica (mesmo que agora estejam fora de moda) que contesta, por exemplo, um dos maiores símbolos desta opressão: o elogio que se continua a fazer de um assassino como Che Guevara.
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O seu uso explica-se pela discriminação há muito praticada entre a opressão de direita, que é imediatamente condenada, e a de esquerda, que é geralmente aceite ou pelo menos tolerada porque é a esquerda que, supostamente e de acordo com os próprios, defende a democracia, a liberdade, a solidariedade social e os outros chavões de que se lembrem e que a mesma esquerda costuma empregar no seu discurso. Esclareça-se ainda que, do meu ponto de vista, a esquerda em Portugal começa em parte substancial do PSD e prolonga-se até aos radicais do BE, MRPP e afins. E no Mundo Ocidental inclui uma parte do chamado "centrão". Claro que a esquerda não é toda igual, uma parte substancial é democrática, mas não é isso que me interessa. O que me interessa é denunciar este estado de espírito e para isso a expressão “opressão socialista” serve perfeitamente. A Mafalda compreendeu-o bem pois provavelmente sente o mesmo que eu.

Os exemplos são muitos: O “igualitarismo” reinante expressa-se em todos os sectores da sociedade portuguesa com as consequencias nefastas que conhecemos de limitar "por baixo" a nossa qualidade de vida: Educação, saúde, segurança social, etc. Mas há outros exemplos. O “post” que recentemente escrevi sobre o Tarrafal demonstrou bem que qualquer dito que não esteja de acordo com o bem-pensante socialismo é imediatamente condenado. Até o meu amigo Jorge não leu o que estava escrito no texto e foi influenciado pela dita opressão socialista para ler o que não estava lá escrito. Outro exemplo imediato é dizer-se que o Estado Novo não é fascista porque isso, na interpretação da opressão socialista, significa que se defende o dito Estado Novo. Já aqui o disse e bem li as reacções, apesar de estar a escrever num blog de direita. Um outro exemplo ainda é a mensagem do livro de Stark de que a "idade das trevas" afinal não foi assim tão má como várias gerações de historiadores marxistas andaram a anunciar aos quatro ventos.

Em Portugal, basta olhar para a Constituição Portuguesa para vermos um símbolo de opressão socialista. Repare-se que não estão em questão os postulados da liberdade e do sistema democrático. Mas está claramente em questão o facto do seu preâmbulo indicar que caminhamos para o socialismo ou ainda o facto da constituição impedir que se mude o sistema republicano para monarquico indicando implicitamente a ridícula, mas muito transmitida pela esquerda, ideia de que república é sinónimo de democracia e monarquia é sinónimo da sua ausência. Todos os anos me defronto com alunos com este preconceito. Estão também em questão o exagero de direitos que a constituição portuguesa prevê mas sem quaisquer obrigações. Basta pensarmos que em 300 artigos, mais de um terço incluem direitos da mais variada índole e as obrigações se limitam a meia duzia de artigos. Ou ainda a questão da regionalização ser obrigatória constitucionalmente. Muitos outros exemplos haveria e vamos brevemente defrontar-nos com vários aquando das próximas comemorações dos 100 anos da primeira república.

A nível internacional os exemplos também abundam. E incluem questões de semântica, como a tentativa, de há alguns anos a esta parte, de identificar tudo o que é não democrático com o epíteto de fascista. O fascismo não é democrático, mas o socialismo real também não. Contudo, dá jeito que fascismo signifique ditadura e opressão para que o dito socialismo real passe despercebido e possa ser aceite ou tolerado. E questões de facto como o elogio de Che Guevara ou a diferença de tratamento que se dá a ditadores conservadores, como Pinochet, ou socialistas, como Castro. Para mim ambos são igualmente maus sendo que os efeitos indirectos (leia-se condições de vida para as populações) dos primeiros são geralmente melhores do que os efeitos indirectos dos segundos. Para a esquerda não, Castro é claramente melhor. Ou o funcionamento das instituições da União Europeia onde qualquer critica ou desacordo sobre o facto imutável e indiscutível de que a "bicicleta", na expressão de Jacques Delors, só tem um caminho e não pode parar é de tal forma inquestionável que qualquer tentativa de a questionar é imediatamente oprimida.

Este blogue é de direita, como aliás se constatou no fim de semana, logo critica a esquerda. Quem é de esquerda tem de aprender a viver com isso e se quiser é livre de criticar a direita. Não pode é querer extender a aplicação da opressão socialista para este espaço. Mas de qualquer forma obrigado por colocarem esta questão pois permite esclarecer os leitores menos prevenidos.

17 Comments:

Blogger lusitano said...

Bem já o disse anteriormente, mas parece que matar à esquerda é mais aceitável, que matar à direita.
O único problema é para o que morre, que não encontra diferença nenhuma no "procedimento"!
Se o hugo chavez fosse de direita, era um tonto, um tonto perigoso, enfim um sem número de epítetos que lhe caberiam por certo...
Sendo de esquerda, recebe um tratamento de favor e até o dr. mário soares, (o grande democrata), lhe acha "graça" e o vê com alguma simpatia...
Palavras para quê...

2/25/2008 10:53 da manhã  
Blogger RICARDO PINHEIRO ALVES said...

Nem mais, ilustre Lusitano

2/25/2008 11:59 da manhã  
Blogger L. Rodrigues said...

O Ricardo Pinheiro Alves é um caricaturista. Uma vez compreendido isso, os seus textos ficam mais compreensíveis. (Ia dizer aceitáveis, mas corrigi a tempo)

2/25/2008 12:28 da tarde  
Blogger RICARDO PINHEIRO ALVES said...

Mas não faço bonecos.

2/25/2008 12:31 da tarde  
Blogger Miguel Cortez Pimentel said...

Ricardo, gostei deste post embora nao me reveja nele completamentel(e como nao podia deixar de ser):)!

O seu rigor historico pode ser confundido com o desagravo de condutas, reprovaveis em qualquer quadrante do espectro politico, e a terminologia (propositadamente utilizada) gera confusao!

Prefiro voltar a escrever sobre o assunto partindo deste seu post do que limitar-me a comenta-lo aqui. Nos proximos dias sera impossivel porque isso exige algo que vai ser muito escaco: Tempo!

Um abraco

PS: Este blogue vai deixar de ser "de direita" para passar a ser uma arena politico-ideologica neutra, sem do nem pieadade!

PS2: Lamentamos informar mas neste blogue ninguem faz caricaturas. Cada um com o seu estilo, lidando com o tempo disponivel (e sem preocupacao em concordar com a maioria) TODOS esgrimimos argumentos. Para caricaturas sugiro

http://caricaturas.blogspot.com/

2/25/2008 2:28 da tarde  
Anonymous rpa said...

Obrigado Miguel,

Seja bem vindo mais uma vez. Mas não se esqueça, não há arenas políticas neutras.

2/25/2008 2:40 da tarde  
Blogger L. Rodrigues said...

Não era um insulto, era uma descrição do estilo. A caricatura é uma arte nobilíssima.

2/25/2008 2:44 da tarde  
Anonymous mj said...

O exemplo do Stark é excelente: num mundo que se pretende conduzido, avaliado e justificado pela Ciência, ignoram-se, sistematicamente, décadas de estudos - e respectivas conclusões - dos maiores especialistas em História Medieval. É ideologia, e não História, o que se aprende no liceu ; e quando isto se passa no ensino - de que o Estado tem, praticamente, o monopólio - podemos, claramente, falar em opressão!

2/25/2008 3:13 da tarde  
Anonymous rpa said...

O problema é que, como se isso já não bastasse, não é só na História. Veja a Literatura. Ou mesmo a Economia. As Ciências da Educação formaram profissionais da ideologia e eles ocuparam o poder.

2/25/2008 3:38 da tarde  
Blogger Miguel Cortez Pimentel said...

Nao tomei o seu comentario como insulto mas o parentesis fez-me pensar que caricatura nao e a forma de arte que melhor se adapta ao que fazemos aqui! Seja Bem-vindo caro I. rodrigues e obrigado pelo seu interesse.

2/25/2008 4:06 da tarde  
Blogger Viriato said...

Se o Che não fosse de esquerda, de certeza que seria idolatrado, nem simbolo do que quer que seja... se calhar era conhecido como um sanguinário, totalitário etc etc.
São estas coisas que eu não consigo compreender!

2/25/2008 4:38 da tarde  
Anonymous mj said...

Há um aspecto que eu ainda não sei a favor de quem é que joga (tirando, é claro,o prejuízo óbvio de curto e médio prazo) - a ideologia igualitária foi de tal ordem que, hoje, a maioria dos estudantes não consegue, sequer, compreender o que se lhes diz, o que inclui a dita ideologia!
Só para ficar com uma ideia deste tipo de dificuldade:
"D. Afonso Henriques armou-se cavaleiro pelas suas próprias mãos, e esse facto teve uma enorme importância política" - da importância política do facto quase nenhum consegue falar! O facto em si lá vai sendo referido: "D.Afonso Henriques assumiu-se como cavaleiro"..."D.Afonso Henrique armou-se em cavaleiro"... "D.Afonso Henriques ... autocavalgou-se"!!!!

NÃO É CARICATURA!

O que mais me preocupa é que o ensino, para além de ser quase monopólio do Estado, é obrigatório, e obrigatório até uma idade em que os prejuízos se tornam irreversíveis!

2/25/2008 4:46 da tarde  
Anonymous mj said...

L. Rodrigues: a propósito do Stark, tem, no respectivo post, uma resposta ao seu comentário.

2/25/2008 4:58 da tarde  
Blogger Vicissitude(s) said...

Lusitano, «Se o hugo chavez fosse de direita, era um tonto» e não é um tonto? acha que a revolução Boliviriana e o Chavismo têm alguma coisa? Dão-lhes um pouco de atenção para ainda continuarem a bipolarizar o regime, porque de resto a velha esquerda morreu e não volta.

Viriato?? «Se o Che não fosse de esquerda, de certeza que seria idolatrado» Convém não confundir, porque ele é idolatrado, embora que com as condições e contextos seja "idolatrado" e utilizado por semblantes de esquerda "libertários" e pseudo-igualitaristas.
Há que distinguir méritos do Fidel e do Che, embora que a tibieza utópica dessa esquerda já morta deu chatice.

Reparo que cada vez mais a "direita" utiliza como argumento ou contra-argumento os feitos da esquerda para fins de justificação. Porque se a direita fez ou faz, há que olhar para a esquerda que afinal fez mais ou são piorzitos. Uns justificam os outros e passam nesta troca de acusações que leva a absolutamente NADA.

2/26/2008 12:52 da tarde  
Blogger Vicissitude(s) said...

Mj, passei por alto e comprei o livro do "Stark" que me aconselhou, embora não consiga perceber onde queria chegar.

Digo-lhe uma coisa já que falou em ciência. É cumulativa ao invés dos regimes, arte, sociedade etc. Há contextos para os regimes, para a Arte, ideologias etc.

Quanto à sua opinião que se aprende "ideologia" e não "história" vai das escolas e professores ou conteúdos de programa, porque eu dei História com isenção de "sentimento".

Hoje começo a ler o livro.

2/26/2008 12:57 da tarde  
Anonymous rpa said...

Caro Vicissitudes,

Leia que vai gostar.

2/26/2008 4:27 da tarde  
Anonymous mj said...

Vicissitudes, não percebi se é ao Stark ou a mim que se refere quando diz que não entende onde quer(o) chegar.
Só vai entender o problema da ideologia no ensino da História se ler o Jacques Heers - é um problema com 500 anos! Transcrevo aqui uma das citações da folha de rosto:"Um erro caído no domínio público nunca mais de lá sai; as opiniões transmitem-se hereditariamente. Isso acaba por fazer a História"(Rémy de Gourmont). O único efeito cumulativo que aqui vejo é o do erro. Quando se fala, em História, em método científico, fala-se em documentos - e o Jacques Heers põe em contraste um tipo de História que, ainda hoje, as pessoas menos informadas julgam correcta - incluindo muitos professores - com as conclusões a que os especialistas chegaram depois de analizar de forma exaustiva TONELADAS de documentação! Mas, mais importante do que isso, faz a "história do erro" que, repito, tem 500 anos - e há 500 anos foi só o começo!
Mas aqui, ao falar de ideologia, estava a referir-me a um aspecto completamente diferente - leia o "Eduquês", do Nuno Crato, e vai perceber.

2/26/2008 10:28 da tarde  

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