sexta-feira, fevereiro 22, 2008

A seguir: Eleições em Espanha

Começou hoje o período formal de campanha para as eleições legislativas espanholas, que se realizam em 9 de Março próximos. Não é de esperar grandes diferenças em termos de propostas concretas dos dois principais partidos, o PP e o PSOE. Os discursos vão ser diferenciados mas o conteúdo será muito semelhante como é normal entre dois partidos do "centrão". Há, no entanto, dois assuntos que merecem especial atenção.

O primeiro refere-se ás medidas ideológicamente motivadas tomadas por Zapatero relativamente ao casamento de homosexuais, fim da obrigatoriedade do ensino religioso nas escolas, interrupção voluntária da gravidez ou Lei da Memória Histórica. A segunda, que surge como consequência da primeira, foi a intervenção marcadamente política da hierarquia da Igreja Católica espanhola.

Num tempo em que predomina o fundamentalismo laicista, será curioso observar se estes dois assuntos vão prejudicar ou beneficiar o partido que, aparentemente, se encontra mais próximo das posições da Igreja, o PP. Ambos são importantes porque poderão permitir tirar algumas ilações para o caso português. A seguir com muita atenção.

9 Comments:

Blogger Zé Maria Brito,sj said...

estando aqui por Espanha a única coisa que posso dizer é que a declaração dos Bispos espanhóis está a ser controversa no interior da propria Igreja.
O Nuncio Apostólico tentou acalmar os animos convidando Zapatero para um jantar...
pessoalmente, não gostei de ouvir um Bispo ser "atacado" num comício como se "atacam" os adversários políticos.
Sinceramente penso que a Conf espiscopal Portuguesa evitará esses caminhos.

2/22/2008 10:34 da tarde  
Blogger RICARDO PINHEIRO ALVES said...

Sr. Pe. Zé Maria,

Muito obrigado pela sua mensagem. Eu também espero que a Igreja (a hierarquia, não os leigos) não entre no apoio directo ao partido A ou ao partido B. Mas parece-me interessante discutir até que ponto é que a Igreja pode, e deve, participar no debate político. A meu ver deve participar mais do que participa actualmente e deve perder os receios ou o encolhimento que, penso que por razões históricas, habitualmente tem. Um exemplo é a educação e a recolha de assinaturas na questão dos ATL's pareceu-me extremamente positiva. Na questão do aborto vi maior retraimento de alguma Igreja, se calhar com medo de estragar o resultado...

Mas a intervenção terá de ser sempre sem se envolver na disputa política, como é óbvio, apesar de não ser extraordinário ouvir bispos serem atacados em comícios ou outros eventos do género. Infelizmente.

Mas as eleições espanholas poderão, eventualmente, ajudar-nos a perceber melhor esta questão.

2/22/2008 11:52 da tarde  
Blogger Jacinto said...

"Espanõlito que vienes al mundo,
Te guarde Díos.
Una de las dos Espanãs te helarà el
corazón".

Para agravar o problema hoje são,ou querem ser,mais de duas..

2/23/2008 12:12 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Parece que, na análise apresentada, se está a esquecer que o PSOE é um fundamentalista jacobino.
(Com pontinho.)
.

2/23/2008 5:31 da manhã  
Blogger Zé Maria Brito,sj said...

Antes de tudo um pequeno esclarecimento.
Sou jesuíta, mas ainda não sou padre... já não falta muito!
Depois mais algumas notas:
1º penso que a Igreja deve ter uma voz no espaço público. Não aprecio a tentativa de reduzir a expressão da fé ao espaço privado.
2º Em tempo de eleições podem dar alguma indicação que ajude ao discernimento, mas não de tal forma que as opções sejam reduzidas ou nulas. foi o que. de algum podo aconteceu em Espanha. e, independentemente do ressultado, as consequências, no interior da própria Igreja, não me parecem as mais saudáveis.
3º Quanto ao aborto penso que a posiçao era conhecida e parece-me que a prudência quis evitar o que se olhasse ao aborto como uma questão religiosa.
4º Para ter uma voz num espaço Público Plural talvez tenhamos, como Igreja, que aprofundar a capacidade de vivermos em Igreja como um espaço Público plural que não ameace o sentido profundo de comunhão. Tem temos que viver com naturalidade que a Igreja se manifeste no espaço público com vozes distintas.
agradeço a atenção

2/23/2008 8:20 da manhã  
Anonymous rpa said...

Caro Zé Maria de Brito,

Peço desculpa mas por ignorância ao associar o sj a sacerdote jesuíta concluí que seria padre. De qualquer forma vai no bom caminho e isso é que é importante.

Quanto ao resto estou plenamente de acordo. Mas parece que o primeiro passo terá que passar por convencer os que querem a Igreja confinada a um espaço privado a aceitá-la no espaço público.

2/23/2008 10:57 da manhã  
Blogger Zé Maria Brito,sj said...

Caro Ricardo
quanto à confusão não há nenhum problema, a minha única intenção é não vender gato por lebre... :)
e já agora a sigla SJ significa no original Latim Societas Iesu, em português traduzimos por Companhia de Jesus.
no noviciado usamos a sigla antecedida por un N indicando qu somos noviços... depois dos votos (10 anos antes da ordenação, mais ou menos) passamos a usar o SJ.
Além disso também o usam, naturalmente, os que sendo Jesuitas são Irmãos e não padres. Mas acontece que às vezes sem pensam que a sigla significa sacerdote jesuíta.
saudações e obrigado pela resposta ao meu comentários.
votos de um bom blog!

2/23/2008 2:48 da tarde  
Blogger RICARDO PINHEIRO ALVES said...

Muito obrigado.

2/23/2008 3:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

alves:
face ao fundamentalismo catolaico da extrema direita espanhola, vergonhosamente associada a certos circuitos eclisiais que tentam usar a igreja pra ganhar dividendos políticos, nada mais resta a Zapatero a não ser defender os seus princípios.
Espanha é u8m caso interessante velha igreja ultra radical do amante do franquismo e da ditadura, afinal ainda subsiste e faz campanha contra um reguime democrático.
a seguir com toda a tenção.

2/25/2008 9:19 da tarde  

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