quarta-feira, julho 18, 2007

Para ter sorte é preciso muito trabalho!

Em resposta ao suposto azar que teria colhido Paulo Portas como vítima no último acto eleitoral, deixo um texto recebido por email hoje à tarde:

As razões da derrota portista

A estrondosa derrota eleitoral do CDS não se explica por (mero) azar. É que dá muito trabalho ter sorte. E o portismo fez tudo para merecer um mau resultado.
Não basta anunciar candidaturas a partir do CCB para que o país confie no candidato. Portas regressou à Presidência do CDS de forma desastrosa. Falhou, sobretudo, na forma atribulada como conduziu o seu regresso, protagonizando Conselhos Nacionais que não serão apagados da memória dos Portugueses tão depressa. O CDS, naqueles dias, foi posto à margem do Estado de Direito Democrático pelo portismo.
O país sabe bem que um homem de Estado não se comporta daquela forma.
Portas conduziu mal o processo eleitoral. Primeiro, demorou muito tempo a avançar com uma candidatura própria: foi o último Partido a fazê-lo. Entrou no campo de batalha quando outros já estavam a marcar posição e a fixar eleitorado. Pelo meio soaram rumores que noticiavam (i) a vontade do CDS se coligar com o PSD numa candidatura de Fernando Seara e, depois, (ii) a hipótese do CDS apresentar o independente Carmona como candidato. Depois, ao anunciar que o candidato podia ser tanto ele, como Nobre Guedes, como, Telmo Correia, desvalorizou a importância deste último. Por último, ao depositar metade da Comissão Directiva do CDS, e 3 dos seus 12 deputados, nos primeiros 5 lugares, parecia estar a querer compensar a falta de carisma do candidato.
Portas escolheu mal os candidatos. Os primeiros cinco não «colavam» com o slogan “Competência”. O cidadão poderá reconhecer competência a Nobre Guedes e algum (pelo visto, não muito) capital político a Telmo Correia. O sub-slogan “Útil a Lisboa” era demasiado parecido com o “Voto Útil” da campanha de 2005, o que fazia a candidatura uma espécie de recauchutagem. Por outro lado, ninguém percebeu onde estava a grande novidade do CDS. Como bem disse Constança Cunha e Sá na véspera do Congresso do CDS: amanhã o Dr. Paulo Portas apresentará uma grande novidade, tal como um dos deputados do CDS.
Portas foi vítima das inimizades que gerou. Desde logo, Maria José Nogueira Pinto, cuja saída foi motivada pela forma como Portas impôs a ditadura da maioria no seu regresso à liderança do Partido. A ex-vereadora do CDS, que acumulou capital político na Câmara, saiu do CDS e constituiu um factor adicional de desânimo para o eleitorado. Por outro lado, Pedro Feist apresentou-se como n.º 2 da lista de Carmona. Feist foi Vice-Presidente da Câmara ao tempo de Abecassis, foi Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do CDS, cabeça de lista à Câmara de Lisboa pelo CDS em 1993 (arrancou, na altura mais de 27.000 votos e fez-se eleger como Vereador) e, em 2001, n.º 2 da lista de Portas à Câmara de Lisboa. Portas acabaria por afastá-lo da Vereação e este saiu do CDS em ruptura do com Portas. Por último, o PND de Manuel Monteiro. Já se tinha registado nas últimas legislativas, foi bem visível na Madeira e teve algum peso em Lisboa. O PND de Manuel Monteiro capta eleitores do CDS. Em Lisboa fora mais de 1.000, quando Telmo alcançou pouco mais de 7.000. Tudo junto, provoca dano.
Depois, a campanha foi muito pobre de ideias. Centrar a campanha contra o Governo significa 2 tiros no pé. O primeiro é não perceber que as eleições são autárquicas e não legislativas. O que estava em causa era a Câmara, era isso que motivava os eleitores. Segundo, o Dr. Portas não vê sondagens?! Centrar a campanha contra um Governo que aparece de forma positiva nas sondagens não é a melhor linha de raciocínio, tanto mais porque não era o Governo que estava em causa. Por fim, que ideias trouxe o CDS? Vídeo-vigilância? Grafitis? É isso que querem para Lisboa? Eu quero uma baixa reabilitada, quero uma maior proximidade ao Tejo, quero menos carros, quero soluções para os grandes problemas.

Por último, Portas pensava que era um às de ouros e, afinal, pode bem ser apenas um duque de paus. Entrou na campanha e assumiu o “teste à sua liderança” para procurar, em desespero, captar votos. Os eleitores responderam como, se nada se inverter, responderão em 2009. As promessas e, sobretudo, as expectativas geradas junto de certos nichos eleitorais que foram, em grande medida, defraudadas durante o tempo em que o CDS foi Governo hipotecam qualquer hipótese dos reformados ou dos ex-combatentes votarem no CDS do Dr. Paulo Portas.
Por último, uma nota sobre o efeito da abstenção. Foi o CDS quem anunciou, despudoradamente, no Expresso de sábado que a abstenção ajudaria Telmo a ser eleito. Argumentar, a posteriori, no dia seguinte, que a abstenção prejudicou o CDS é, no mínimo, uma dissonância cognitiva.

Filipe Matias Santos

5 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

Uma análise bastante lúcida e exaustiva.

7/18/2007 11:58 da tarde  
Blogger TPestana said...

Cá para mim falta apenas um pormenor... a falta de coragem do próprio presidente do partido em avançar... testar a sua liderança com um nº3 do partido, numa altura em que apenas a cartada máxima conseguiria ter um resultado visível, foi muito mau...

Mais uma vez Portas colocou o seu interesse pessoal à frente do do partido e não arriscou a sua candidatura/derrota... mesmo sabendo que seria a única hipótese que o partido teria de eleger um vereador... o antigo Portas (antes de 2005) não fazia destas....

7/19/2007 9:50 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Mafalda

Esse tua azia em relação ao CDS/PP e ao seu actual lider ja chateia!!
Agora ja citas o Filipa Almeida Santos boas companhias!!!! Já agora podes pedir ao Dr. Castro para escrever qualquer coisa ou aproveita e pede ao Dr. Martim Borges de Freitas para escrever sobre os seus tempos como Presidente da J.C.

7/19/2007 1:29 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Anónimo,
Vai cagar!

7/19/2007 4:11 da tarde  
Blogger David Ramos Martins said...

"Por fim, que ideias trouxe o CDS? Vídeo-vigilância? Grafitis?"

A pobresa das propostas explica o resultado. Uma das bandeiras foi a segurança. Segundo Telmo, os lisboetas não moram em Lisboa por ser uma cidade insegura. Pois, fogem para o Cacém. Certamente mais seguro.

Isto não é politica de Direita. É má politica.

7/19/2007 6:54 da tarde  

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