quarta-feira, julho 25, 2007

O soneto contra o medo


O Poeta Alegre é pessoa muito da minha estima e consideração. Admiro os tiques de aristocrata decadente, a métrica com que burila a escrita e a voz de barítono que usa para largar imbecilidades e lugares comuns. É personagem grave e respeitável, senhor de um ego em muito afagado pelos votinhos que a turba ignara decidiu botar nas urninhas presidenciais… Enfim, um senhor verdadeiramente superior!

Eis que vem agora o bardo, que aparece episodicamente como que a fazer a sua prova de vida, cantar a coragem e a insurgir-se contra o medo que se instalou, sabe-se lá com a conivência de quem, nesse espaço de pluralismo e liberdade que era o PS.

Ao contrário do que se possa à primeira vista pensar, tenho para mim que o descrédito da classe política, tem em mediúnicos do calibre de Alegre, não a sua consequência, mas a sua causa. São pitonisas que, cansadas de não concentrarem em si os holofotes de todo o momento, e esfomeadas pelas magras prebendas recebidas do "sistema", criam asas e cavalgam, "como no espaço os astros"*, alimentando-se do perigoso mas rendoso discurso do contra-poder.
* Do "Navio de espelhos" de Cesariny

1 Comments:

Blogger Jorge Ferreira Lima said...

Grande poeta, politicozeco, belo post.

7/25/2007 9:26 da manhã  

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