segunda-feira, setembro 08, 2008

pp

O Ricardo arrisca-se a acertar nas previsões que fez nos seu último post acerca do pp (o CDS não é isto). Uma das minhas discordâncias tem a ver com o número de deputados. Suspeito que serão eleitos 7 e não 6 como adianta o Ricardo. O outro ponto em que não posso concordar com o texto do Ricardo tem a ver com o benefício de tal resultado para a direita. É insólito que o único partido de direita em Portugal obtenha 5% dos votos. Quanto às razões para o descalabro parecem-me evidentes: (i) A forma como se deu o regresso do actual líder; (ii) A falta de credibilidade; (iii) Manuela Ferreira Leite.
(i) Quanto ao primeiro ponto, muita tinta foi já gasta, pelo que penso ser escusado escaranfuchar em feridas ainda recentes. Deixo um possível remédio. Um mea culpa de Portas pela forma como readquiriu o poder e um convite a Ribeiro e Castro para ser o cabeça de lista nas europeias. Promoveria a unidade no partido e evitaria que também nas europeias o pp batesse recordes negativos de votação.
(ii) A questão da falta de credibilidade também não tem muito que se lhe diga. [É opinião generalizada entre os comentadores que o pp foi o partido que fez mais e melhor oposição, nomeadamente no parlamento, destacando neste ponto a boa surpresa que constituiu o trabalho do Diogo Feio. Realço igualmente 2 estudos que promoveu neste último ano, através dos recém criados grupos de missão - natalidade (em que foi coordenadora e relatora a Assunção Cristas) e voluntariado (onde esteve o Nuno Pombo), demonstrativos de que há ainda recursos humanos de qualidade no partido.] Ora, apesar disto tudo, a verdade é que já ninguém ouve o que o partido tem para dizer ou, quando ouve, não acredita. A mensagem não passa. E não vai passar enquanto o Dr. Portas se mantiver na liderança do partido. É pena que ele e muitos dos que o apoiam ainda não o tenham percebido.
(iii) Manuela Ferreira Leite. Se há 3 anos o Dr. Santana Lopes não era alternativa para quem costuma votar no CDS, o que fez com que o pp conseguisse obter uma boa votação (em face das circunstâncias, a eleição de 12 deputados foi muito positiva), temos hoje MFL no PSD, o que, para muitos, será o suficiente para evitar ter de colocar a cruz no pp. Tenho, pois, para mim, que o pp vai ter uma votação historicamente baixa, reduzindo drasticamente a respectiva representação parlamentar.
Resta saber se, depois do descalabro eleitoral que as sondagens deixam antever, ainda é possível regenerar o partido.

4 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

Há uma coisa que não deixa de me surpreender quando se diz que só há um partido de direita em Portugal e que só tem n% dos votos.
QUando se fala de direita e de esquerda, tem de se falar relativamente a um qualquer referencial.
Ora, eu sou um físico de formação e em física temos uma coisa chamada «centro de massa», que é definido como a posição média ponderada de todas as massas que constituem o sistema. Normalmente, conceitos como «cima» e «baixo», «direita» e «esquerda», são relativos ao centro de massa.
Em Portugal, fazendo a média ponderada das votações do eleitorado, o Centro de Massa está algures na ala direita do PS - meio-termo ideológico que divide em duas partes iguais o eleitorado português.
Por isso, dizer que o PSD não é de direita porque está à esquerda deste ou daquele comentador ou blogger é de um autismo egocêntrico impressionante. O PSD é de direita, porque está totalmente à direita do centro de massa do eleitorado português.
Se esse eleitorado não colhe as propostas daqueles que se reivindicam da «verdadeira direita» diz mais da qualidade dessas propostas do que das preferências do eleitorado.
O centro político é aquilo que o eleitorado entende que seja, por muito que alguns queiram dizer que são oprimidos ou que a direita não existe. Seria algo como o meu ombro direito dizer que o meu corpo não tem lado direito, uma vez que a totalidade do corpo está à sua esquerda. O meu corpo tem direita e esquerda e o centro anda ali pelo esterno. Tudo o resto são divagações relativistas.

9/08/2008 11:52 da manhã  
Blogger Rui Castro said...

O PSD e o PS situam-se naquilo a que se chama o Centro e que constitui o eleitorado que decide as eleições. Mais, há quem no PSD se assuma como sendo de centro-esquerda e a própria ideologia "social democrata" pode ser considerado como tudo menos como sendo de direita.
O erro que apontas a quem diz que o PSD é de esquerda, relativizando em função da sua própria condição é o mesmo em que cais quando afirmas que o PSD é de direita, porquanto te afirmar como estando à sua esquerda.
Está, pois, visto que somos os 2 autistas, se bem que eu não afirmei no meu post que o PSD era de esquerda.

9/08/2008 12:46 da tarde  
Anonymous RPA said...

O PSD é de esquerda pelas ideias que defende. Em psicologia existe o conceito de âncora, que define o ponto de referência usado em qualquer situação (negociação, decisão, etc.). Se começamos por vender uma casa por 200 mil euros estamos a criar uma âncora à volta do qual se vão seguir as negociações. Se a ãncora não é aceitável por ambas as partes não há negociação.

Ora a Psicologia é uma ciência social muito mais próxima da ciência política do que a fisica. A âncora é criada por quem aborda o assunto, é um ponto de referência que tem elementos de relatividade e de absoluto. Mas não é só absoluto, como acontece com a física, e por isso a fisica é uma ciência da natureza e a política não é.

No caso da política, o elemento "absoluto" é dado pela ideologia, não é nenhuma fórmula matemática. As ideias do PSD são essencialmente social-democratas, logo são de esquerda. Há é muita gente no PSD que é de direita e não percebe que o PSD é ideológicamente de esquerda, ou então percebe mas não sai porque sabe que tem mais hipóteses de chegar ao poder ou de arranjar algum 'tacho'.

9/08/2008 6:07 da tarde  
Blogger José Luís Malaquias said...

Meu caro e amigo Rui,

A tua análise não teve em atenção devida aquilo que eu escrevi. É óbvio que em relação a ti o PSD é de esquerda, como em relação a mim, o PS é de direita. Mas eu, ao contrário de ti, não me ponho a mim próprio no centro e não meço relativamente a mim. Meço relativamente à única marca absoluta que é o centro de massa. Eu digo que alguém é de esquerda ou de direita relativamente a um referencial universal que é a média de todos os eleitores. No referencial que escolho, eu digo que o PS é um partido de esquerda, apesar de estar á minha direita. Não sou egocêntrico como os meus bons amigos.

9/10/2008 12:27 da manhã  

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