sexta-feira, julho 04, 2008

do comunismo

A pequenez do CDS e a grandeza das FARC

João Vacas

Miguel Urbano Rodrigues escreveu no Avante um artigo intitulado “A pequenez do CDS e a grandeza das FARC” no qual tece as maiores loas àquele grupo terrorista e remete o CDS para a “poeira da história”.

É forçoso reconhecer que, no plano em que as FARC se movem, o CDS é, de facto, insignificante. Miguel Urbano Rodrigues tem toda a razão. Do pó viemos e para o pó voltaremos. Sem apelo nem agravo.

As FARC usam milhares de crianças que separam das famílias e vilipendiam das formas mais abjectas. Transformam-nas em assassinas e em aliciadoras de outras crianças. Sete mil e quatrocentas em 2004, segundo uma estimativa cautelosa. A mesma que aponta para uma percentagem de 20 a 30% de crianças no total dos seus efectivos. O CDS tem 0% de crianças combatentes.

As FARC não só aliciam como raptam pessoas de todas as idades que coagem a integrar as suas fileiras e a praticar actos criminosos. A adesão ao CDS é livre. Não é conhecido qualquer caso em que a desvinculação do partido tenha justificado um tiro na cabeça do ex-militante.

Nas unidades das FARC é usual que entre um quarto a metade dos seus elementos seja do sexo feminino. Estas mulheres e crianças são vítimas frequentes dos seus superiores. Sujeitas à crueldade mais brutal, ao assédio, à violação, ao aborto forçado e à contracção de doenças sexualmente transmissíveis. Há testemunhos de raparigas que, com 7 e 8 anos, já participavam em acções terroristas. Não há relato de participação forçada de mulheres nas actividades do CDS ou de crianças de 7 e 8 anos sem que estejam acompanhadas pelos pais.

As FARC mantêm uma actividade comercial - o narcotráfico - que lhes rende proventos assinaláveis. Cerca de 25 mil milhões de dólares nos últimos dez anos. Miguel Urbano Rodrigues pode bradar quantas vezes quiser que é mentira que a realidade não se alterará por causa disso. Pode tentar também com o muro de Berlim. Veremos se se reergue…

Em Fevereiro, foram destruídos pelo exército colombiano 12 laboratórios com capacidade para produção de 120 toneladas de pasta base de coca por mês. E 619 quilos de pasta base de coca. E 3 toneladas e meia de folha de coca. Produção inexistente de cocaína inexistente. Não consta que o CDS tenha actividade semelhante. Novo zero.

As FARC controlam e aterrorizam pelas armas boa parte da Colômbia. Desde as mocas de Rio Maior que os militantes democratas-cristãos não se dedicam a proezas bélicas nem a demarcações territoriais. Zero redondo.

As FARC são a organização que, em todo o mundo, mais reféns tem cativos: são para cima de 4.200. Trata-se de uma verdadeira indústria de terror e de extorsão. O curriculum do CDS neste tocante é simplesmente nulo.

As FARC cometeram, no ano de 2002, 330 execuções sumárias e atentados à bomba de que resultaram100 mortos. Dos “conselhos de guerra” – julgamentos internos organizados regularmente como forma de punir e manter aterrorizados os seus membros - é corrente que resultem mortes. O CDS nunca tentou, nem quis, matar alguém.

As FARC foram incluídas nas listas de organizações terroristas dos Estados Unidos e da União Europeia. Curiosamente, as zonas do globo em que as pessoas mais gozam de direitos, liberdades e garantias. Mas foram-no por pressão dos Estados Unidos, segundo Miguel Urbano Rodrigues. Coisa intolerável, já se vê. Sobre as acções do CDS não recai nenhuma condenação internacional e os seus dirigentes e militantes não são objecto de nenhum mandado de captura nem de mera censura por parte de nenhum país ou instituição democrática. Nada.

Miguel Urbano Rodrigues alega, como prova da urdidura americana contra este injustiçado grupo de filantropos, a consideração com que os seus líderes terão sido tratados durante uma entrega de reféns a que assistiu. Basta recordar a deferência de que foram objecto Keitel e Jodl no decurso do processo de rendição alemã na II guerra mundial (e o fim de ambos na ponta de uma corda meses depois) para se perceber a real importância deste argumento demolidor: nenhuma. O CDS, por seu turno, não tem reféns para a troca.

Em suma, as FARC são um movimento criminoso marxista-leninista (passe a redundância) perpetradora de acções de grandeza tal que justificam a sentida homenagem de todos os filoestalinistas. Aqueles que não só não respeitam a democracia representativa como a pretendem ver afogada em sangue e entregue ao seu patético centralismo cleptocrático têm nas FARC um modelo à sua escala.

Nesta matéria, o CDS tem o maior orgulho na sua pequenez e insignificância. Antes “poeira da história” que areia para os olhos.

(escrito pelo João, em 2006, quando fazia parte da direcção do CDS)

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4 Comments:

Blogger lusitano said...

Este fulano Miguel Urbano Rodrigues nasceu no quarto de Staline, viveu sempre lá e de lá nunca saiu, pois não?

Ele e os sujeitos que congeminaram a nota acima sobre a libertação dos reféns das FARC, não é?

Como é possivel tanta cegueira?

Como é que esta gente se "passeia" na democracia?

7/04/2008 4:54 da tarde  
Blogger Rui Castro said...

Não se percebe, efectivamente. E não deixa de ter piada que se afirmem, eles próprios como os grande paladinos da democracia, quando, na realidade, quiseram acabar com um ditadura com o único objectivo de instaurar outra muito pior.

7/04/2008 5:02 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Já esqueceu o que os seus amigos estalinistas fizeram a toda as chefias polacas (40 000 almas)no massacre de Katyn. Sangue por ideologia é a política desta canalha repressora, militarista, imperialista e violenta.

7/05/2008 1:36 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Já repararam que agora toda a gente gosta de estar do lado de Ingrid Betancourt e contra as FARC? Mas quando o CDS, no tempo de Ribeiro e Castro, se pronunciava sobre o caso - e era o único partido português a fazê-lo - os que hoje conduzem o CDS achavam que isso era uma estupidez. A memória pode ser curta, mas ... há sempre quem a avive.

Bem haja, Rui Castro.


PS: Para que não subsistam dúvidas, não me chamo Ribeiro e Castro.

7/05/2008 3:22 da tarde  

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