quinta-feira, março 27, 2008

Sempre Eça

O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos.

A prática da vida tem por única direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: o país está perdido!

"As Farpas", 1871.

3 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

É, de facto, um diagnóstico brilhante do regime monárquico que então vigorava em Portugal.

3/27/2008 8:25 da tarde  
Blogger jorge c. said...

Penso que este texto faz parte do prefácio de «As Farpas». Estou em crer que foi Ramalho Ortigão que o escreveu.

3/27/2008 8:27 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Cá está o Malacueco a mandar bacoradas.
.
rodasnepervil
(Com pontinho.)
.

3/28/2008 8:02 da manhã  

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