domingo, fevereiro 10, 2008

Liberdade religiosa: O exemplo da Turquia


Opressão socialista (24)

O Parlamento turco aprovou ontem por larga maioria a revisão constitucional que permitirá o uso de véu islâmico nas universidades. È uma vitória contra o fundamentalismo laicista que nós, europeus, não parecemos entender.

O sentir na Europa religiosa é que esta é uma questão entre muçulmanos em que não nos devemos meter. De facto, assim é. Mas devemos saber tirar ilacções para as nossas sociedades. Devemos perceber que, quando os jornais noticiam que "Milhares de pessoas saíram à rua em Ancara para protestar, por considerarem que está a ser posta em causa a laicidade do Estado", o conceito de laicidade do Estado que predomina na Europa se baseia num atentado á liberdade dos Cristãos e de outros crentes em manifestarem no espaço público as suas convicções. Devemos perceber que o conceito de laicidade do Estado se baseia na imposição das doutrinas ateias no espaço público. Porque estas podem ser livremente manifestadas. As religiosas não.

È tempo de percebermos isto.

11 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

Se a auto-proclamada liberdade religiosa implica pressionar metade da população a andar de cara tapada enquanto a outra metade anda de cara descoberta, espero que a sociedade europeia se mantenha laica e jacobina durante muitos e muitos anos.

2/10/2008 10:00 da tarde  
Anonymous rpa said...

A lei impõe que as mulheres andem com a cara destapada. Há mulheres que querem andar com a cara tapada mas são impedidas de o fazer por quem acha que tem direito a impô-lo.

A situação na Europa não é a mesma mas o princípio é. Há quem imponha que não se possam usar crucifixos. Há quem queira mudar os nomes das escolas porque são de santos. Há quem queira impedir os sacerdotes de apoiarem doentes. Há quem queira impedir o ensino religioso. Há quem queira acabar com os capelães. Há quem queira eliminar a referência histórica cristã de uma eventual constituição europeia. Há quem queira impedir os comissários europeias de terem posições religiosas públicas. Os exemplos são muitos e, de uma forma preocupante, cada vez mais.

2/10/2008 10:30 da tarde  
Blogger José Luís Malaquias said...

A lei não impõe nada disso.
Foi um boato mal intencionado que se quiseram tirar os nomes dos santos das escolas, a lei dos hospitais diz precisamente o oposto do que fizeram crer que dizia.
Mas nada disso interessa. O que me custa é ver a forma como as pessoas vivem a sua religião como religiosos naturais. Ninguém vai estar mais longe de Deus porque não usa um crucifixo nem nenhuma mulher vai perecer no inferno por andar com a cara destapada. Deus, se existir, está em toda a parte. Pode ser venerado no cálice de uma flor, numa parede nua, num som que chega da rua.
Confunde-se o Deus com o rito e tenta-se mostrar veneração da forma como os romanos veneravam os seus deuses há dois mil anos atrás.
Mas, sobretudo, encontrar a prática religiosa num hábito absurdo de doutrinar mulheres desde pequenas a tapar o seu rosto é a maior deturpação do que é ser religioso. É tentar esconder por trás de algo maravilhoso como a religião as tendências machistas de uma sociedade que ainda vê as mulheres como uma posse dos homens.

2/11/2008 12:56 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

"O que me custa é ver como as pessoas vivem a sua religião...": numa sociedade verdadeiramente livre você não tem nada a ver com isso! Pode não gostar - não pode proibir!
Veja se percebe que isto não é uma discussão sobre religião, mas sim sobre LIBERDADE! Nunca me passará pela cabeça perguntar a si, ou ao Sócrates, ou ao raio que o parta, que uso posso dar à minha liberdade!

2/11/2008 2:36 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Este Malaquias é um espanto! Parece ter a preocupação de confundir tudo...
Que raio terá este tipo aprendido na escola e na vida?
Se, ao menos, se convencer de que é um chato ainda vale o esforço para o "domesticar".
(com pontinho.)
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2/11/2008 6:17 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

esta republica nacional-socialista (falta o bigodinho) tem a sua religião laica e rasca.não sou crente nem desta nem doutra, mas ou somos cidadãos ou somos apenas contribuintes o que acontece em Portugal

2/11/2008 9:10 da manhã  
Anonymous rpa said...

Caro José Luís,

A religião não tem nada a ver com leis. Mas não é essa questão, como tu muito bem percebeste.

As pessoas vivem a sua religião de forma que quiseram e não da forma como tu achas que elas têm de viver. Tu achas que não, só a tua forma de viver a religião é que é válida. Para ti os outros, que não vivem a religião de acordo com o que tu achas, são uns ignorantes ou fanáticos.

Como tu não defines a lei é apenas a tua opinião. Agora quando a opinião de outros, que pensam como tu pensas, se torna a lei é que a situação se torna preocupante. É o que acontece na Europa.

2/11/2008 10:18 da manhã  
Blogger José Luís Malaquias said...

Caro RPA,
Vamos dar um exemplo absurdo e extremado.
Na ilha de Pitcairn, até há pouco tempo a pedofilia era encarada como natural pelos habitantes e pelas próprias adolescentes que eram educadas de acordo com os preceitos morais que lhes indicavam como natural e desejável que aos 13 anos dormissem com adultos.
Não sei se era uma prática religiosa se era meramente cultural. Mas era aceite por todos os que lá estavam na ilha. Pergunto eu, é aceitável que um adulto durma com uma criança de 13 anos, porque é a prática aceite e porque a criança de 13 anos não se queixa?
Ou vamos pensar que há algo de errado numa cultura que ensina as mulheres a não se respeitarem a elas próprias e acabar com o miserável relativismo em que vivemos, para dizer que há coisas que estão simplesmente mal, em absoluto?
O véu que as mulheres islâmicas são condicionadas a usar desde que começam a ganhar sentido no mundo é, objectivamente, uma forma de prepotência dos homens sobre as mulheres. Porque é que é desrespeitoso uma mulher mostrar a face mas o senhor homem já pode ir em tronco nu?
Venham com os relativismos todos que quiserem, com o respeito pela diferença e das culturas, que eu continuarei a apregoar que é um atentado à dignidade da mulher e que faz parte das competências do estado acabar com essa indignidade, mesmo que as próprias vítimas não se apercebam de que são vítimas. Se sou politicamente incorrecto por isso, deixá-lo. Ainda acredito em valores absolutos e o da igualdade de dignidade para mim ainda é um deles.

2/11/2008 2:37 da tarde  
Anonymous rpa said...

O princípio. Esse é que está em questão na Europa e esse é que é o problema sobre o qual nos devemos preocupar.

2/11/2008 3:57 da tarde  
Blogger José Luís Malaquias said...

Mas temos de ter cuidado se, a reboque desse princípio, não estamos a defender a agenda de pequenos ditadores que se aproveitam dos princípios do multiculturalismo e da tolerância para imporem a sua agende de intolerância.
Um exemplo não muito distante eram os ditadores africanos de quem não se podia dizer mal sem se ser acusado de colonialismo. Não se está a defender povos africanos deixando que o princípio da auto-determinação se sobreponha aos direitos humanos e não se está a defender as mulheres muçulmanas deixando que o princípio da liberdade religiosa se sobreponha à defesa da dignidade da mulher.

2/11/2008 4:19 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Este Malaquias deixa-me perplexo: umas vezes é consistentemente parvo, outras até diz coisas certas.
O rapaz deve estar muito confuso.
(
(Com pontinho.)
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2/12/2008 8:09 da manhã  

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