terça-feira, fevereiro 12, 2008

Brigada do tudo ou nada!

A Verdade é dotada de um potencial tal que, qual força congénita, a impele a assomar no horizonte discursivo de cada um. Pode tardar, mas não falha.
Volvido que está um ano desde o fatídico dia em que se legalizou a mortificina de inocentes, o DN traz a lume a notícia de uma jovem de 19 anos conduzida ao hospital na sequência de um aborto, cujos contornos estão ainda por esclarecer. Incidentalmente, noticia, também, que os dados registados apontam para cerca de 933 abortos realizados fora das condições previstas na lei.
São as notas bastantes para permitir alguns comentários. Pois que se prova pelos factos não ter desaparecido o aborto clandestino. E como para a brigada do tudo ou nada, incapaz de perceber que aqueles que pugnaram, por motivos axiológicos, de que o ordenamento jurídico se não pode apartar, pela criminalização do comportamento não eram uns facínoras informados por uma motivação persecutória do sexo feminino, a alternativa se reduzia à legalização do acto ou à prisão efectiva das mulheres que o levassem a cabo, tertium non datum, espera-se, em coerência, que venham agora – caso se conclua fundadamente pela assimilação da hipótese pela relevância jurídico do pouco que ainda é crime – sustentar o encarceramento da dita rapariga e o incremento da investigação criminal na área. Sob pena de termos de concluir, como sempre alertámos, terem sido falaciosos os argumentos aduzidos à época pelos abortófilos da praxe, servindo apenas para encobrir com o manto humanitário a libertinagem, desdignificante para o ser humano, com que olham para o aborto.

15 Comments:

Anonymous rpa said...

Cara Mafalda,

Espero que a Fernanda Câncio leia este texto. Ela não percebe o que é uma liberalização mas após esta leitura, e espero que não me leve a mal, podia ser que as confusões que assolam aquela cabecinha levassem ao abandono do fanatismo e finalmente se rendesse á evidência do que é o aborto.

2/12/2008 11:40 da manhã  
Blogger joshua said...

Bem atirado, muito bem atirado, Mafalda!

PALAVROSSAVRVS REX

2/12/2008 12:58 da tarde  
Anonymous eu não! said...

Alguém percebeu este texto?

2/12/2008 7:49 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O rpa «e qlgúem de muito boa vontade...
.

2/13/2008 7:28 da manhã  
Blogger Jaime "salvador do mundo" Roriz said...

excelente exemplo de retórica o seu texto. Felizmente é só retórica. Mas para isto "não ficar numa cançaõ de dois tons" vou usar uma quadra do Aleixo para explicar o que é retórica
"Para a mentira ser segura
e atingir profundidade
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade"
A.A
Citado por Jaime Roriz

2/13/2008 3:03 da tarde  
Blogger RICARDO PINHEIRO ALVES said...

O texto da Mafalda não é retórica e a quadra do Aleixo não se aplica neste caso.

Os apoiantes do "Sim", no meio de tanto humanismo serôdio e preocupação com as mulheres, não mexem uma "palha" para diminuir os abortos. Quanto olham para os gráficos para aliviar a consciência.

2/13/2008 4:20 da tarde  
Blogger Luis Rainha said...

Não percebo muito bem o que será a "mortificina" ou o tal "desdignificante". Mas isso sou só eu (e a mordebe). Também julgo que nunca ninguém foi "informado por uma motivação"; o adjectivo que buscava devia ser "enformado".

Mas isso são apenas minudências de quem se quer armar aos carapaus de corrida, inflacionando artificiosamente o seu vocabulário para impressionar o palonço.
O conteúdo da coisa é ainda mais penoso: quem foram os "abortófilos" (insulto baixo) que alguma vez escreveram que abortos aos 5 meses de gestação deveriam ser desculpados, sobretudo agora quando o enquadramento legal torna tais actos ainda mais incompreensíveis?
E quem alguma vez terá garantido que iria desaparecer o aborto clandestino?
Ninguém, claro.

2/14/2008 11:42 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Caro Luís Rainha,

não foi lapso. É mesmo informado. Porque o que eu queria dizer não se identifica com foi estruturado, mas com a ideia de que a motivação lhe foi comunicada.
Quanto ao resto, leia o que a Câncio escreveu ao longo dos tempos sobre o assunto e tente perceber a desonestidade intelectual.

Cumprimentos

Mafalda

2/14/2008 12:20 da tarde  
Blogger Luis Rainha said...

Então, desculpe, mas "informados por uma motivação persecutória do sexo feminino" não faz qualquer sentido: as motivações não informam. Antes a teoria da gralha.

2/14/2008 3:24 da tarde  
Blogger Luis Rainha said...

Desculpe a "picuinhice"; mas o seu colega Vacas, com a provocação do "ler a Mafalda
na versão original!"
é que me atraiu a atenção para o seu uso do Português.

2/14/2008 3:26 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Caro Luis Rainha,

a frase significa que sempre nos acusaram de estar contaminados por tal intenção. Logo, de agir segundo uma tal intencionalidade. Logo informados por tal intenção.
E não tem de pedir desculpa. O meu querido e bom amigo Vacas apenas quis cobrir de ridículo a Ana Matos Pires. O que conseguiu. Não imagina o que nos rimos todos à custa dela e da brilhante tradução do João.

Cumprimentos,

Mafalda

2/14/2008 5:03 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

A D. Mafalda deve ser aparentada com a do Quino. Não pelo facto de ser intuitiva, apenas porque nos faz rir. E rir faz bem à saúde, não é verdade?

2/15/2008 10:25 da manhã  
Blogger Ana Matos Pires said...

Oooooh, que pena! Pela cobrição não dei e língua de vacas não sei, não faz parte do meu poliglotismo.

2/15/2008 6:53 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Volte sempre, Ana Matos Pires. Os espíritos básicos, apesar de pouco entenderem do mundo e do que por aqui se escreve, também têm direito a visitar-nos. Pode ser que aprendam alguma coisa.

2/16/2008 5:50 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Pouco digno é o esfregar de mãos perante os números atirados. Que nos sirvam, que nos sirvam, é o que interessa.
E a dignidade? Que bem que fica aos seus arautos afirmarem que se riram a bandeiras despregadas não se compreende bem de quê.
(Excusa traduzir para vaquês. Certamente não compreenderei tal idioma)

2/17/2008 12:39 da manhã  

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