quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Achas para a fogueira

Não consigo deixar de gostar do Obama. Bem sei que "hope" não é um programa político, que "yes we can" é mais um slogan que até o Sr. Pinto de Sousa ousa proferir, que "it's time to change America" e o resto do mundo também, incluindo este rectângulo à beira mar plantado. É muito difícil prever que políticas efectivas serão adoptadas pelo candidato que ganhar a maratona electiva. Por isso temos de fazer um acto de fé (mais um!) e acreditar na coerência das suas propostas, da sua linha de pensamento. Se não as conseguimos identificar, temos de ir mais longe, e ler os sinais que nos vão deixando em tempo de campanha. Se me parece positivo haver quem defenda um calendário de retirada da tropas do Iraque (face a um McCain que afirma fazer todos os (im)possíveis para deter o Irão), parece-me muito mais positivo haver quem defenda a cobertura universal pelos serviços de saúde (não como o nosso SNS, que é "bom de mais", como se pode ver pelo buraco financeiro), e o alargamento de programas de saúde e educação. Se uma das maiores críticas que se fazem aos EUA é a ausência de Welfare State, parece-me que isto pode ser uma maneira de "change America". Não sei a quem é que ele pensa "roubar" (lá como cá, a manta é curta e se cobre a cabeça não cobre os pés), gostava de saber. Tudo isto, com a consciência de poder ser mais uma a viver na ilusão. After all, this is America, the land of opportunities.

2 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

Concordo absolutamente com a Sara (o que a vai deixar imediatamente cheia de preocupação).
Relativamente à manta, a campanha de Obama já explicou onde é que iria buscar o financiamento para cada uma das iniciativas propostas.
Aliás, basta pensar que revertendo o corte fiscal dos escalões mais altos do IRS que Bush promoveu e acabando com a guerra no Iraque, se conseguem libertar fundos suficientes para pagar estes programas e muitos mais.

2/21/2008 11:32 da manhã  
Anonymous rpa said...

Se os EUA já são dos países que mais gostam em saúde a implementaçaõ do universalismo que a Clinton e o Obama defendem pode elevar a despesa para níveis "estratoféricos". A saúde é, por definição, um buraco financeiro. A boa politica está em saber conter esse buraco em níveis razoaveis e haver condições para que as pessoas possam ser assistidas. Hoje, nos EUA, há uma parte da população que tem um acesso dificultado a cuidados de saúde, por isso a nova política deve orientar-se para essa parte da população e não para um igualitarismo universalista, como o nosso SNS, em que aqueles que hoje têm bom acesso correm o risoco de o perder por políticas administrativas erradas. O universalismo só faz sentido num contexto igualitarista ou socialista, não faz sentido num contexto de pessoas responsáveis e que ambicionam melhorar a sua qualidade de vida.

2/21/2008 12:48 da tarde  

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