segunda-feira, agosto 20, 2007

regresso

De volta às lides, e a propósito dos energúmenos que, com a conivência das autoridades, vandalizaram propriedade privada alheia em Silves, deixo-vos um texto - do maradona - que eu gostaria de ter escrito sobre o assunto:
"Boa noite
Eu pagava para estar em Silves quando isto aconteceu. Poder encher de porrada as trombas alternativas da esquerda ambientalista é o cenário mais próximo do paraiso que imagino. Só saio de casa para me embebedar (ou, se alertado com antecedencia, para ajudar a cargas policiais, escandalosamente ausentes ontem em Slves), mas jamais Francisco Louçã me convencerá que aquela centena de jovens ambientalistas não são a face indispensável à "esquerda moderna" do Bloco. Sem um discurso que propositadamente justifique, desculpe e institucionalize (principalmente através de uma estudada violência do tom, que Louçã utiliza magistralmente) uma interminável sequência de mini actos revolucionários - hoje contra os trangénicos, antes contra a PGA ou as propinas - o apelo e razão de ser do Bloco de Esquerda afogar-se-ia na sua própria vacuidade e fanatismo. Em Silves vimos a energia que faz do Bloco de Esquerda o Bloco de Esquerda: um agrupamento liderado por por meia duzia de burgueses que fazem da politica um espaço lúdico onde possam baloiçar-se entre o exercicio seguro da sua vaidade moral e a invenção de um discurso que dê tecto ideológico àqueles que hoje alimentam os mesmissimos sonhos que os dirigentes do Bloco de Esquerda abandonaram nos seus vinte anos. O cerne e génio da estratégia é a inconsequência: quer a violencia revolucionária quer o sonho com uma "esquerda moderna" não são os lugares onde os problemas de hoje podem encontrar uma solução. Eles sabem isso, mas constatam que vende e o consumidor tem sempre razão. É o capitalismo.
PS: A associação Almargem, através da qual o Diogo Belford Henriques fez a ligação ao Bloco de Esquerda, vem dizer que não tem nada a ver com com aquele vandalismo. Não acredito na palavra do presidente da Almargem (que não sei quem seja), mas mesmo que acreditasse isso a mim não me interessa nada. Toda a gente sabe onde é que aquelas pessoas votam e onde é que se situam e porque é que votam onde votam e se vestem daquela maneira e com aqueles lenços e essas merdas assim. É mau que existam partidos politicos onde aquelas pessoas se sintem bem e eu acho que o Bloco de Esquerda é esse partido."

9 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

No dia em que o meu amigo Rui Castro, como ideólogo de direita, assumir a responsabilidade pelas alarvidades e os crimes cometidos pelos skinheads em nome de um ideal de direita, o Bloco de Esquerda, estou seguro, assumirá também a responsabilidade por qualquer teenager de cabeça quente que decida começar a vandalizar propriedade alheia. É uma questão de simetria nas responsabilidades.
Eu, pessoalmente, como pessoa de esquerda, recuso-me a assumir responsabilidade por quaisquer actos que não sejam os meus e penso que a manutenção da ordem e da legalidade devem ser o valor máximo do sistema político, a par com uma verdadeira justiça social. No entanto, essa ordem e legalidade tem de servir para tudo. Tem de servir para pôr na choldra quem destrói propriedade alheia mas também tem de servir para obrigar ao cumprimento da lei portuguesa e comunitária que proíbe o cultivo de transgénicos.

8/20/2007 11:49 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Zé Luís,
Para mim, nada do que se passou tem a ver com a esquerda ou com a direita. Trata-se simplesmente de condenar um acto criminoso. O BE, ao associar-se aos palhaços que levaram a cabo a "iniciativa", põe-se voluntariamente à margem do sistema e mostra o que é na realidade.
Condeno estes tal como condeno os anormais que defendem ideias racistas e defendem ideais nazis.
Abraço.
RC

8/20/2007 12:25 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

ZLM,
Só mais uma coisa. Ao contrário do que dizes, a lei portuguesa não proíbe o cultivo de transgénicos. Eu, aliás, que não percebo nada do assunto, ouvi dizer que é a prória OMS que defende que os transgénicos não fazem mal à saúde.
Seja como for, nada justifica a acção daqueles cobardes de cara tapada.
Abç
RC

8/20/2007 12:37 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Ah... Então um acto criminoso só o é se um outro também o for. A ilicitude não vale por si, mas sim se comparada com outros actos, eventualmente análogos e eventualmente impunes.

Eis um muito maduro critério, sim senhor.

E veja-se como da parte dos skins se fazem "alarvidades" e "crimes"; e da parte daqueles "teenagers" (horror!, que termo tão "ocidental"...), vá lá, concede-se que o que fazem seja "vandalismo".

Uns, coitadinhos, saudavelmente de esquerda, aquecem as suas cabeças por tanto debater as interrogações próprias de ser "teenager". Temos que os compreender. Os outros - de direita, pois claro! - são intrínseca e irredimivelmente maus.

Nada como arranjar uns dogmazitos para tornar tudo tão simples!

Costa

8/20/2007 2:42 da tarde  
Blogger José Luís Malaquias said...

Para que fique bem esclarecido, eu não aprovo o vandalismo ou o que lhe quiserem chamar que foi feito na herdade.
Agora, não podem é associar aquilo que um grupo de imbecis fez com a actividade que estava a decorrer no Algarve e que, de resto, foi até organizada por uma entidade estatal.
Os Eufémia Verde, ou como é que eles se chamam, são culpados. O BE, a Quercus ou a conferência não podem é ser culpados por associação.
Relativamente aos transgénicos, as orientações europeias são no sentido de não os permitir em solo europeu. A esmagadora maioria da população não os aprova e, no entanto, eles continuam a ser cultivados. Se se proibe o cultivo de cannabis, que não faz mal senão a quem a fuma, como é que se pode permitir o cultivo de uma planta que vai afectar directamente as culturas em redor, pondo em risco as culturas de quem opta por não usar transgénicos? Isso já não é vandalismo?
Se a plantação fosse de cannabis, ninguém se escandalizaria se uma qualquer juventude de direita fosse lá e a destruísse, em nome da salvaguarda da saúde da população. Como é de transgénicos e as empresas norte-americanas de biotecnologia fazem lóbi para que eles entrem na Europa contra a vontade dos europeus, já está tudo bem e ninguém lhes pode tocar.
A minha única critica à Eufémia Verde é terem tomado a justiça nas próprias mãos, o que é sempre um mau princípio. A cultura deveria ter sido destruída mas por técnicos do Ministério da Agricultura, de posse de um mandato judicial.

8/21/2007 8:25 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

ZLM,
O bloco, por via do Miguel Portas, associou-se voluntariamente à acção sem que ninguém com responsabilidades no partido tenha criticado o eurodeputado ou demarcado o bloco de tais palavras.
Quanto ao cultivo de transgénicos, volto a dizer que é legal e que a plantação em causa cumpre a legislação vigente (Zé, não queiras ser mais papista que o Papa, para mais dizendo que a maioria das pessoas são contra, quando na realidade a grande maioria não sabe do que se trata).
Por fim, e quanto às plantações de cannabis, acho que a comparação não será a melhor, em primeiro lugar porque é ilegal e depois porque nunca houve qualquer acção por qualquer associação de direita que sustente o que dizes. Mais, voltas a levar a discussão para uma guerra entre a esquerda e direita quando não é disso que se trata.
Abç,
RC

8/21/2007 10:07 da manhã  
Blogger José Luís Malaquias said...

Rui,
como é que não há-de ser uma discussão entre a esquerda e a direita, se começam sempre por envolver o Bloco de Esquerda e o Francisco Louçã e apontá-lo a dedo pelos valores que defende?
Não podem partidarizar a questão e depois dizer que não é uma questão de direita e esquerda.
Quanto à legalidade das plantações de transgénicos, continua a suscitar-me muitas dúvidas porque Portugal está enquadrado num sistema jurídico europeu onde os transgénicos são fortemente limitados ou mesmo proibidos.
Aliás, não seria a primeira vez que um decreto-lei português ficava sem eficácia por contrariar disposições comunitárias em matérias de âmbito europeu.

8/21/2007 2:38 da tarde  
Blogger TPestana said...

Meu Caro JLM,

Tal como foi acima dito os transgénicos são legais e estão regulados em Portugal.

O BE, através do Miguel Portas e através do Francisco Louçã, associou-se ao comportamento desta associação, cujos dirigentes são militantes do BE.

O BE, através do Francisco Louçã, disse mesmo que só não apoiava esta acção directamente porque tinha sido efectuada contra um pequeno agricultor, mas que se fosse contra um multinacional seria legítima.

O BE, e não a esquerda ou as pessoas de esquerda, está simplesmente a demonstrar que se sente mal num Estado de Direito em que há leis que são contrárias aos seus princípios, e que defende a acção directa para as Leis que não estão na sua cartilha.

O BE, não a esquerda ou as pessoas de esquerda, está a demonstrar que não concorda com o jogo democrático, no qual as leis são elaboradas por um parlamento, no qual eles têm uma participação reduzida.

Para finalizar segue o link do Diário da República electrónico com diplomas aprovados em A.R. que regulam esta questão http://www.dre.pt/cgi/dr1s.exe?t=iq&titp=100&pag=1&v01=1990&v02=2007&v03=Organismos+geneticamente+modificados%0D%0A&sort=0&submit=Pesquisar

divirta-se a pesquisar...

Abraço!

8/21/2007 2:40 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Conhecendo os factos e lendo os comentários, é fácil concluir-se que o JL Malacueco não regula bem do miolo como tem demonstrado desde que anda a opinar por estas paragens.
Que tal um despedimento?
Esse imbecil é um enfado...


...

8/22/2007 8:30 da manhã  

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