quinta-feira, julho 05, 2007

Ainda sobre os atentados (resposta)

O nosso estimado fundador Rui Castro interroga-se sobre os atentados do Reino Unido e lança um repto.
Uma vez que foi aqui pedida a opinião da esquerda, cá vai ela:

Antes de o primeiro terrorista se ter mandado pelos ares, os Estados Unidos e o Reino Unido andaram a fazer toda a porcaria que quiseram no médio oriente, só para terem petróleo abundante e barato. Destituiram o rei do Irão com um golpe da CIA para lá porem a besta sanguinária e corrupta do Reza Palhevi. Depois admiraram-se quando veio o Khomeini e, no ressalto, o Irão caiu no extremimo. Tiveram a oportunidade com o Khatami de trazer o Irão de volta e deitaram-na a perder.

No Iraque, andaram a dizer que o Saddam era um gajo porreiro porque dava porrada nos iranianos e mantinha os curdos na ordem mas quando ele invadiu o Kuwaitt e ficou com uma quota de petróleo que dava para controlar os preços, passou de bestial a besta. e foram para a Guerra do Golfo I. Quando, finalmente, ameaçou começar a cobrar o petróleo em Euros, o que deixava os EUA e o Reino Unidos em maus lençóis, se a moda pegasse, inventaram umas armas de destruição maciça que a ONU já tinha eliminado sem disparar um tiro, e destituiram-no para servir como exemplo, com a Guerra do Golfo II.
Na Líbia, a bem capitalista Occidental Petroleum, mantinha um califa demente e corrupto numa riqueza das mil e uma noites, enquanto a OP sacava o petróleo sem pagar contrapartidas ao povo líbio. Até que veio um homem chamado Khadafi que não era tão louco como o pintam, depôs o califa e tornou a Líbia um dos países mais prósperos e igualitários do Norte de África. É tão déspota como todos os ditadores daquela zona, mas ao menos não deixa o povo morrer à fome.

No Afeganistão, andaram a financiar a pior escumalha só porque isso chateava a União Soviética. A União Soviética dizia que estava ali a manter a estabilidade no Afeganistão e isso era tudo rejeitado como propaganda comunista. Pois, os soviéticos foram-se embora e esses simpáticos rebeldes que a CIA andou a treinar afinal são os Talibã, os mesmos talibã que deram guarida à Al-Qaeda e que planearam o 11/9.

Com este registo histórico de actuação nos países muçulmanos, estranham que haja lá terroristas? Eu só estranho é que não sejam muitos mais.

Quanto ao número de mortes, bem aí a hipocrisia da direita não tem limites.

No pior atentado terrorista de que há memória, morreram 3000 pessoas. Todos os outros andaram na casa da 20 pessoas, com a excepção do quartel dos Marines no Líbano onde morreram 400 soldados.

Digamos que, somando tudo, se chega a umas 10 000 vítimas do terrorismo.

Só na guerra do Iraque já morreram mais norte-americanos (porque só esses é que contam para a estatística) do que no 11/9 e o Iraque nem sequer teve nada a ver com o 11/9.
Se contarmos as vítimas iraquianas, as estimativas variam entre 300 000 e 600 000. Tudo porque Dick Cheney não queria pagar o petróleo em euros. Quem é aqui o terrorista, por favor? Mas não acaba aqui. No Ruanda, o ocidente deixou assassinar barbaramente 800 000 pessoas em menos de 100 dias, sem mexer uma palha. Morreram 3 em cada 4 Tutsis. Se os nazis tivessem matado ao mesmo ritmo, hoje não haveria judeus no mundo.

E a direita quer que eu agora embandeire em arco porque uns terroristas amadores juntaram uns bidões de gazolinha, uns camping gaz e uns pregos num carro para o atirarem contra a parede de um aeroporto? Sinceramente, tenho mais coisas com que me preocupar. Com as mulheres que morrem e são violadas em Darfur, por exemplo.

Mas, se queremos continuar a ver o problema pelo número de mortos (de preferência ocidentais, porque quando o nome da vítima é escrito num alfabeto esquisito, parece que não conta tanto), vamos ver as pessoas que morrem às mãos das políticas de direita.

Todos os anos morrem nas estradas dos países desenvolvidos centenas de milhares de pessoas porque se insiste num modelo de locomoção individualista, poluente, inimigo do ambiente e, sobretudo, dispendioso e perigoso.
Com um décimo do preço que se gasta a transportar duas toneladas de metal por cada condutor, podia-se ter uma estação de metropolitano em cada esquina, comboios rápidos e seguros em cada aldeia.
Nada disso é possível, porque a direita insiste num modelo capitalista e individualista em que as escolhas economicamente mais absurdas são defendidas por serem a escolha do mercado, como se o mercado fosse uma entidade toda inteligente que nunca erra. Temos o sistema económico mais irracional que existe: Gastam-se milhões de milhões de euros em transporte individual, mas afirma-se peremptoriamente que não há umas centenas de milhões para modernizar a via férrea. Morrem centenas de milhares nas estradas, mas gasta-se mais dinheiro em segurança aeorportuária, para prevenir umas centenas de vítimas às mãos dos "terroristas". A indústria do lazer doméstico e a da comida fast-food consomem milhões de milhões a dar-nos cabo da saúde, mas não há umas centenas de milhões para pôr o Serviço Nacional de Saúde a trabalhar.
Faz-se a apologia do privado e da eficiência do privado, mas as seguradoras nos EUA consomem 30-40% dos gastos de saúde em custos administrativos, para prestarem um serviço de terceiro mundo. No vizinho Canadá, 1,7% de overheads administrativos, garantem um dos melhores sistemas de saúde e poupam centenas de milhares de vidas. A nossa direita portuguesa caminha alegremente do modelo de saúde pública com provas dadas para o modelo de saúde privada com os resultados que estão à vista.

Por isso, só gostava que a direita parasse de nos atirar areia para os olhos, fazendo com que olhemos para a formiga para não vermos o elefante.

Os atentados terroristas acabam no dia em que as multinacionais americanas e inglesas deixarem de andar a semear a corrupção e a intriga no médio oriente e deixarem aqueles países seguir o seu longo curso para a democracia. Muitos países, como o Irão, já viveriam hoje em democracia plena se não fosse os EUA darem, a todo o momento, pretextos aos Mullahs para continuarem agarrados ao poder. Eles até se dão ao luxo de realizar eleições democráticas porque, por más que sejam as condições do Irão, todos os países à volta, que seguem a linha dos EUA, vivem muito pior e com uma muito maior desigualdade.

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Depois de ler esta tralha toda só se pode chegar a uma de duas conclusões: ou o "autor" é doido ou é parvo.

...

7/05/2007 6:57 da manhã  
Anonymous Marta said...

ufff... muito haveria a dizer sobre isto.

Não acho que aquilo que disse sobre os problemas do Médio Oriente sejam "opiniões de esquerda". São constatações da realidade.

O que acontecerá quando outros países começarem a querer negociar em euros e não em dólares?

7/05/2007 10:02 da manhã  
Blogger L. Rodrigues said...

(Ou em Yuans...)

De acordo com uma autoridade hospitalar norte americana, 18 000 americanos morrem por ano simplesmente por não terem seguro de saúde. Mas como não dá para pôr as culpas noutro país e bombardeá-lo, não há ninguém que vingue estes mortos.

7/05/2007 10:49 da manhã  
Blogger FPV said...

Pois é, para além da demagogia com que escreve sobre este assunto, a verdade é que os suspeitos dos últimos atentados no reino unido são uns desgraçadinhos oprimidos, que foram para o lá para serem explorados! Dos 8 suspeitos 7 são médicos que estão tirar a especialidade e 1 deles em neurocirurgia...
O alatas, um dos responsáveis pelo 11/9, também era um oprimido que estudava num universidade em hamburgo!
A culpa é do Bush e dos americanos em geral, bem como dos ingleses etc etc. São estes que não compreendem estes desafortunados da vida e que os omprimem, não lhe dando condições para singrar na vida ou para professarem a sua religião!

7/05/2007 11:23 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

L. Rodrigues disse... at 7/05/2007 10:49 AM

Uma data de idiotices.
Ou é da minha vista ou este gajómetro é parvo até dizer chega ou, melhor dito, até que os terroristas lhe dêem cabo do canastro.
Que fique claro que não lhe desejo isso ao invés do que mais parece que ele no deseja.

...

7/06/2007 7:32 da manhã  

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