sexta-feira, janeiro 05, 2007

A minha pátria é a língua portuguesa!

O Bloco de Esquerda seria um partido cómico se não fosse trágico.
Preocupado com os filhos dos imigrantes em Portugal, os seus dirigentes propõem que as diversas disciplinas, a partir do ensino básico, sejam leccionadas também na língua materna daqueles. Imagino aulas de Português em chinês ou criolo e relembro as declarações de uma cabo-verdiana que, entrevistada a este propósito, dizia "mas eu quero é aprender português, porque é isso que eu não sei!".
Qual factor de identidade nacional... Deviamos era todos optar pelo esperanto. A mim dava-me imenso jeito. Especialmente hoje que me dedico a traduzir um texto alemão para português.

15 Comments:

Blogger L. Rodrigues said...

A diferença entre uma língua e um dialecto é que a primeira tem um exército e, frequentemente, uma marinha.

1/05/2007 2:44 da tarde  
Blogger hulsenn said...

Mafalda, se aquilo que você aqui defende não fosse trágico era cómico.E se quiser, eu digo-lhe porquê.

1/05/2007 4:56 da tarde  
Blogger Mafalda said...

Diga, diga. Estou ansiosa por saber. Espero é que tenha entendido o que eu quis dizer.

1/05/2007 5:17 da tarde  
Anonymous valete de copas said...

Esperanto foi o grande mito(e pretendia ser uma das grandes armas) dos internacionalistas,sabia?

1/06/2007 12:39 da manhã  
Anonymous picapau said...

De facto,foi uma pena a Mafalda não ter travado no final do penúltimo parágrafo:teria evitado o desastre que se seguiu...

1/06/2007 12:51 da manhã  
Blogger hulsenn said...

Sabe, Mafalda, eu já trabalhei numa escola portuguesa no estrangeiro e sei que para a maior parte dos alunos que a frequentavam essa era a única maneira de progredirem escolarmente. O seu título, muito orgulhoso e provinciano, diz: "A minha pátria é a língua portuguesa". Que bom para si. Não transforme isso é num pesadelo para inocentes.

1/06/2007 1:36 da manhã  
Blogger Mafalda said...

Caro Valete,

estava a ser, obviamente, irónica.

Caro Hulsenn,

primeiro, o que chama de orgulho provinciano eu vejo como a defesa de um factor de identidade e coesão nacional. Fique para mais a saber que o título a que se refere não saiu da minha cabeça, mas da de um dos maiores escritores nacionais. Talvez ache que Fernando Pessoa era provinciano, não sei...
Segundo, se os filhos dos imigrantes pretendem de facto a integração por que razão não hão-de eles fazer um esforço para aprender português?
Em terceiro lugar, porque haveremos de ser nós os provincianos que nos adaptamos aos outros? Se for estudar para o estrangeiro acha mesmo que alguém vai leccionar conteúdos programáticos na sua língua materna?

1/06/2007 11:55 da manhã  
Blogger Rui Castro said...

Mafalda, já percebi que trouxeste os mal dispostos todos contigo. Já estou como o Lima: "NÃO PODEMOS SER TODOS AMIGOS?"

1/07/2007 12:22 da manhã  
Blogger ZMD said...

Parece me óbvio q não ajuda a integração as aulas serem dadas nas linguas de origem dos imigrantes.

Embora os imigrantes n devam rejeitar a sua lingua e a sua cultura, têm q se integrar no novo país para onde vêm, para que este se transforme realmente no seu país.

1/07/2007 1:36 da tarde  
Blogger Mafalda said...

Vamos lá ser todos amigos...

1/07/2007 1:51 da tarde  
Blogger hulsenn said...

Sabe, Mafalda, eu não acho Fernando Pessoa provinciano (cruzes, credo!). Provinciano é usá-lo como um broche luzidio no peito a arfar de nacionalismo desbragado. Não sei se já se deu ao trabalho de situar o aforisma no seu contexto. Surge numa passagem do Livro do Desassossego. Esta: «Não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento atriótico.Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse».

1/07/2007 11:59 da tarde  
Blogger hulsenn said...

Caro Zé, recomendo-lhe vivamente o documentário de Sérgio Tréfaut, "Lisboetas".

1/08/2007 12:02 da manhã  
Blogger hulsenn said...

Caro Rui Castro, eu penso ainda que o debate sobre o aborto poderia ajudar a purificar o catolicismo português de alguns tiques exasperantes. Por exemplo, a identificação imediata entre o catolicismo e a direita; a ausência de consciência social entre algumas elites que buscam na religião apenas uma conforto; uma espiritualidade tépida e muito auto-justificativa, etc, etc. Eu, que o respeito muito, não o acompanho na recusa do atrito.

1/08/2007 12:12 da manhã  
Blogger Rui Castro said...

Caro hulsenn,
Por aqui todas as polémicas e discussões são bem-vindas.
Abraço

1/08/2007 12:29 da manhã  
Blogger Mafalda said...

Será que me enganei e vim parar ao blogue do não? O que é que a discussão tem a ver com o aborto?

1/08/2007 12:30 da manhã  

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