quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Ulisses

Agradecendo as boas vindas e especialmente as palavras da Mafalda (que mostram sobretudo que sou um amigo) apresento-me aqui tambem como europeista convicto sem medo de uma Europa Federal na forma de Governo, sustentada numa verdadeira confederacao de linguas e de culturas.

Inspirando-me no texto de boas vindas da Mafalda e fazendo a vontade ao Ricardo Pinheiro Alves decidi juntar dois textos que, parecendo que nao, se encontram umbilicalmente ligados:

ULISSES

"O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.

Este, que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.

Assim a lenda se escorre
A entrar na realidade.
E a fecundá-la decorre.
Embaixo, a vida,
metade De nada, morre."


"The contribution which an organised and living Europe can bring to civilisation is indispensable to the maintenance of peaceful relations. In taking upon herself for more than 20 years the role of champion of a united Europe, France has always had as her essential aim the service of peace. A united Europe was not achieved and we had war. "

Robert Schuman, Declaration of 9 May, 1950.

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Fernando Pessoa na sua diversidade interior foi, em si, um pedaco de Europa unida fora de tempo. Multifacetada, Multicultural a Europa apresenta-se , sob as palavras de Schuman, como ideia, projecto indispensavel a manutencao da paz, presssuposto fundamental do desenvolvimento dos seus povos. Patrocinadora da paz, impulsionadora do crescimento economico, e promotora da cultura que a compoe, a Europa, fundada nos Direitos Fundamentais, cedo abriu fronteiras que rapidamente se transformaram em estradas de realizacao pessoal e caminhos de prosperidade.

Europa e um sonho, e um estado de espirito que apenas por lapso, a meu ver, se encontra subsumida a um territorio compartimentado por fronteiras. E neste sentido o mito mas, simultaneamente, toda uma nova realidade fecundada enquanto o Estado, se "orgulhosamente so", " metade de nada, morre".

Eis a Europa, o projecto, que urge concretizar.

PS: A ausencia de sinais ortograficos, nao representa nem uma opcao estlistica (de duvidosissimo gosto), nem, tao pouco, uma vontade de reinventar a escrita em portugues (evidente que seria o pretensiosismo). Trata-se antes de um PC configurado para ingles, e nada mais!

12 Comments:

Anonymous rpa said...

Caro Miguel,

Bem vindo mais uma vez. Gostei do seu esforço de ligar Ulisses e Fernando Pessoa ao projecto europeu. No entanto, o primeiro, pelo mito de fundador de Lisboa, serviu de argumento para fundamentar a independência de Portugal face a Castela. O segundo deixou-nos alguns dos mais belos poemas sobre o nosso grande país e os feitos dos seus heróis. Se tirar o Schuman, que não faz falta nenhuma, temos uma ode a Portugal muito bonita. Obrigado por me lembrar.

2/21/2008 12:03 da manhã  
Blogger Miguel Cortez Pimentel said...

Caro RPA,

Ai e que esta! O ADN da nossa Portugalidade funde-se, e parte integrante do projecto Europeu, nao se dilui. Penso que o texto ja cumpriu em parte o seu objectivo: abstrair de discussoes mais complexas trazidas pelo quotidiano e voltar a essencia do problema aquela que, estou certo, motiva as nossas escolhas a montante. Afinal mais Europa significa mais, ou menos Portugal? Para mim significa mais! Nao temo perder a identidade, a lingua e a cultura em consequencia de uma Uniao de contornos economicos e politicos. Aqueles que receiam pela sua longevidade cultural e civilizacional, para mim, ja a perderam a partida. O instinto protector da patria e afinal um canto de cisne, estetico quica, mas efemero certamente. A Portugalidade nao precisa tanto que a defendam neste rectangulo exiguo, precisa mais que a deixem, hoje, como em passados nao obscurantistas (sim estou mesmo a falar do Estado Novo), expraiar-se Europa e Mundo fora. Isso e alias a materia de que somos todos feitos. Um abraco!

2/21/2008 12:35 da manhã  
Blogger jorge lima said...

Bem-vindo, Miguel! E ajude-nos a pôr o Ricardo na ordem...

2/21/2008 1:10 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Bem-vindo, Miguel. Estou é a ver que temos de fazer uma vaquinha para comprar um teclado e enviar para os states...
Rui Castro

2/21/2008 9:07 da manhã  
Blogger TPestana said...

Excelente contratação...

é bom abrir o espaço à "perigosa esquerda revolucionária" para o exercício do contraditório...

brincadeiras à parte e uma vez que começaste logo com Pessoa (um autor que me diz muito), aqui fica uma bela citação para explicar a vantagem das diferenças pessoais, que tão bem se enquadram nest blog:

"Quanto mais diferente de mim alguém é, mais real me parece, porque menos depende da minha subjectividade "

Livro do Desassossego

2/21/2008 9:46 da manhã  
Blogger MSN said...

MIguel, boas escritas e bem-vindo aqui a esta tua casa.

Miguel (o outro ali do lado)

2/21/2008 12:20 da tarde  
Blogger José Luís Malaquias said...

Até que enfim, alguém que não se envergonha de ser europeu e federalista.
Muito bem-vindo, Miguel.
É curioso que quem está nos EUA se apercebe, pelo contraste, que é muito mais o que une a Europa do que aquilo que a separa.
Acho que também foi nos EUA que eu me tornei convictamente europeísta e federalista.
A Europa Unida já nos deu uma coisa que nenhum rei nem nenhum partido político alguma vez nos conseguiu dar: mais de 60 anos de paz continuada no continente.

2/21/2008 4:05 da tarde  
Anonymous rpa said...

Zé Luís,

Referes-te á Bosnia? Ou à Croácia? Ou ao Kosovo?

2/21/2008 6:17 da tarde  
Anonymous rpa said...

Caro Miguel, eu também não temo perder a identidade. Não é com certeza com a ideologia socialista que asfixia a Europa que eu a vou perder.

Mas se mais Europa representa mais Portugal depende da forma como essa Europa é construída. Se é com a mentira, como foi no caso da constituição europeia e agora do referendo, se é com corrupção como parece ser hábito no PE e em outras instituições como a Comissão, se é com acordos tácitos entre jornalistas e a Comissão Europeia para só noticiarem o que interessa, e se é com a Comissão Europeia a pagar às televisões nacionais para transmitirem programas a propagandear a ideia de Europa que alguns como o Miguel defendem, não. Mais Europa representa menos Portugal.

2/21/2008 6:57 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Bem-vindo Miguel e só posso desejar que te endireites, rapaz!
Nuno Pombo

2/21/2008 7:47 da tarde  
Blogger Miguel Cortez Pimentel said...

Ricardo,

Entao concorda que sem "patifarias" (a seu tempo procurarei demonstrar que elas nao existem ou se existem nao nao culpa da Europa) mais Europa significa mais Portugal?

2/21/2008 9:20 da tarde  
Anonymous rpa said...

A resposta é a mesma: Tudo depende da forma como a Europa for construida. Quanto ás patifarias não se dê muito ao trabalho de procurar demonstrar que elas não são culpa da Europa (ou de quem a representa e de quem a defende). È tempo perdido.

Se quiser discutir de uma forma positiva o que é que pode vir a ser a União Europa, estou pronto para isso. Aliás é uma discussão que eu desejo e que não é feita em nenhum país da Europa.

2/21/2008 10:15 da tarde  

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