segunda-feira, outubro 08, 2007

República de treta

A irrelevância das celebrações de um decadente 5 de Outubro de 1910 devia ser suficiente sinal de que não vale a pena insistirem nelas. Os dias que merecem ser recordados são aqueles que permitiram que nos afirmássemos, todos, como nação livre, unida e independente. O mais são recalcitrantes desvarios de facção condenados às esquinas mal frequentadas da História.
Não pretendo, como disseram alguns, que o regresso à Monarquia (como se fosse uma viagem ao passado em vez de um salto para o futuro) seja a solução para todos os males. Não é e nunca disse o contrário. Não aceito também que se pense que a manutenção da república seja um imperativo de uma ventilada noção de democracia. Nem o Sudão é uma monarquia nem o Japão uma ditadura. Deve ser denunciado qualquer branqueamento da História, como essa aleivosia de nos considerarem em plena II República.
Para mim, hoje, do que se cuida é de escolher a forma de organização do Estado que melhor se adequa à natureza do nosso Povo, que melhor simboliza uma genuína representação e que mais eficazmente potencia uma verdadeira união. E essa forma é, a meus olhos, a monarquia.
Há tempos escrevi isto, que mantenho:

Este espírito de entrega, de dedicação, é próprio dos que abraçam a chefia de Estado com a certeza de que têm de servir, com elevação, o País e as pessoas que nele vivem ou que por ele suspiram. A missão que assumem os soberanos é ditada muito mais pela consciência do que representam do que pela circunstância do que são e é por isso que apenas cessa quando baixam à sepultura. Não digo que a república não possa conhecer chefes de Estado honrados e respeitáveis. Temo, porém, que só a Monarquia possa gerar uma genuína representação simbólica, capaz de agregar, sem quaisquer reservas mentais, o que fomos e o que queremos ser, no respeito pela contingência e pela diversidade do que somos. É este o trunfo maior da Instituição Real. E continuarmos a abdicar da Coroa é condenar o Estado a esta escusada renúncia.

2 Comments:

Blogger José Luís Malaquias said...

Mas meu caro Nuno Pombo,
a democracia que desde 1974 vivemos e a constituição que desde 1976 celebramos permite-te manifestar essa opinião e lutar politicamente pela alteração da constituição para a consagração de uma monarquia. Por isso, acho que deves continuar a lutar por esse teu modelo e eu, por cá, continuarei a lutar pelo meu.
Felizmente, espero que estaremos os dois a lutar pelo modelo democrático que nos permite aos dois lutar em liberdade por aquilo em que acreditamos.
Quanto a agregar sem reservas naturais, eu diria que a figura do PR em Portugal, independentemente da sua cor política, reune maiores consensos do que, por exemplo, a figura do Rei na nossa vizinha Espanha. Por isso, não vejo que a Presidência da República, por alternativa à figura do monarca, seja menos simbólica e capaz de agregar a população portuguesa.
Não votei no actual PR, nem sequer gosto dele como pessoa. No entanto, tenho a certeza de que poderei confiar nele, se for chamado a intervir numa situação de crise institucional e tenho também a certeza de que exerce uma influência positiva sobre o governo que temos.

10/08/2007 12:51 da tarde  
Blogger nuno pombo said...

Caro ZL,
Não te fies muito em constituições. Repugna-me o regime em que cada todos não possam escolher o destino comum. Isso faz de mim, creio, um democrata. E como bem fazes notar, é aqui que a porca torce o rabo. Não é por ser república que eu hoje posso dizer o que quiser e defender a monarquia. É por ser uma democracia. Antes de 1910 os republicanos também podiam dizer o que queriam e até concorriam a eleições... e até as ganhavam. Depois a história mudou. Os monárquicos não puderam beneficiar, com os novos tempos, das prerrogativas que tinham dispensado aos seus adversários republicanos. Há muita mentira nestas coisas...

10/08/2007 1:09 da tarde  

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