A Boa Esperança

As eleições intercaleres para a Câmara Municipal de Lisboa têm trazido vários motivos de reflexão. E de esperança. Um deles, a candidatura de Telmo Correia. São inegáveis os méritos deste distinto parlamentar. Homem de pensamento e de acção, tem sabido emprestar ao partido (de que eu próprio sou militante) o melhor de si. Tribuno de verve fácil, viu-se alcandorado, no Parlamento, a lugares de elevada representação, sinal evidente das suas qualidades parlamentares. Sempre soube servir o partido com dedicação e, sobretudo, com disciplina, ainda que na base de fidelidades pouco institucionais, aceitando, com o invulgar espírito de mortificação que caracteriza os desapegados do poder, as agruras e os vexames muitos a que o sujeitaram maiorias episódicas e fugazes e, talvez por isso, na sua leitura de fidelidades outras, falhas de integral legitimidade. Seja como for, nunca fugiu à liça, em obediência a princípios castrenses antiquíssimos na base dos quais sempre preferirá as cicatrizes da refrega à escorreição corporal da fuga. E de fugas, manifestamente, não reza a sua História. Candidato a tudo ou a quase tudo quanto possa ser de serventia. Mesmo quando o inimigo é valoroso em coragem e entrega e numeroso em homens, o seu espírito compraz-se no gosto da peleja.
A candidatura do Telmo Correia foi, nessa medida, uma boa notícia. Habituado a vitórias (a única semi-derrota que lhe conheço foi a do Congresso em que disputou a liderança do partido... semi-derrota, não apenas porque quase ia ganhando mas também porque a valia do concorrente e o domínio que ele tinha do aparelho não oferecia cenário alternativo), a aposta em Telmo Correia foi uma aposta (de quem?) táctica ou mesmo estratégica.
Em 2001, o CDS teve, nas eleições autárquicas, em Lisboa, 7,55%. Em 2005, com Maria José Nogueira Pinto, de quem já se disse tudo, apenas 5,92%, ficando mesmo atrás do BE. Esta erosão eleitoral só podia ser contrariada por quem vivesse Lisboa ( e todos os outros cargos para que já foi eleito) de forma diferenciada. E os lisboetas reconhecem-no: sendo ele cabeça de lista nas legislativas de 2005, o partido logrou obter, na cidade de Lisboa, 10,5%. Ora aí está a meta desta candidatura. Quando muitos buscam a fórmula para dobrar o Cabo das Tormentas (os famosos dois dígitos que tanta mossa e orfandade já semearam), o Telmo é o nosso Bartolomeu Dias. Ele conhece, em Lisboa, como se dobra o Cabo, agora, da Boa Esperança. Que os ventos soprem de feição. Ele merece!


9 Comments:
Mas será que tão ilustre e valoroso parlamentar estará disposto a abandonar a sua cadeira no parlamento para abraçar a vereação em Lisboa? Ou será que pretende acumular funções?
E o mesmo se pergunte dos restantes candidatos da lista que também são deputados.
Caro Pombo,
que maldade...
Abraço!
Não estou nada de acordo com tantos encómios...
O homem é só um palavroso maçador...
Vasco
Caro Vasco,
é simples:
"quando mais alto se levanta um passáro que não sabe voar, maior é a sua queda quando alguém o largar"
http://in-direita.blogspot.com/
Pelos vistos, há ainda quem não distinga os encómios da ironia. Pássaro que não sabe voar é uma boa imagem, também. Resta saber quantos Telmos valem uma Maria José Nogueira Pinto.
Também sou militante do CDS mas ainda não tenho argumentos suficientes para votar seja lá em quem for...
Só espero que o Zé - o embargador-mor do reino a quem ninguém pede contas e indemnizações... - não seja eleito.
O elogio é tal que parece - ou é mesmo - ironia.
AH! ah! ah!
Caro incontinente,já experimentou a produtora da Teres Guilherme para escrever ´"sitcoms"?
Aí está o seu futuro !
6/06/2007 10:04 PM
Gostava que esse anónimo dissesse o que vale uma Maria José Nogueira Pinto...
Nada?
Nuno
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