quinta-feira, dezembro 28, 2006

Natal

Ainda há quem tenha saudades do Natal.
Do Natal à antiga, com os avós e as familias reunidas, a missa do Galo e os presentes no sapatinho.
Não que o Natal propriamente dito seja dado a modas ou épocas. Foi UMA vez um Natal... e o resto é conversa!!
Na verdade o natal de hoje é mais uma daquelas coisas bonitas, que todos - mais ou menos - apreciam precisamente devido a essa intemporalidade.
Mais um pretexto para proclamar a paz e, como todas as coisas que despertam sentimentos de emoção e generosidade a uma escala global, é passageiro e superficial.
Para além disso, acredito que seja até deveras irritante para os mais insensíveis!
Haverá alguma coisa, afinal, por trás de tudo o que fizeram do Natal??
Este ano não tive "férias de Natal", pela primeira vez.
(vejam só, este ano o Natal nem sequer me serviu para poder ter uns dias de descanso à lareira...)
Em vez disso, assisti ao frenesim de um período pré-natal típico de um local de trabalho moderno, com gente nova, século XXI.
[pouco faltou para me sentir uma personagem, em carne e osso, daqueles filmes americanos típicos de Natal: com muita neve, um par de namorados desencontrados, um pobre sem abrigo que não tem onde passar a noite de Natal, e que acabam, inevitavelmente, com o beijinho amoroso do reencontro, debaixo da àrvore de Natal gigante do Rockfeller Center em NYC...]
Vi a correria das pessoas, com vidas e preocupações variadíssimas.
Umas mais sensíveis do que outras. Mas todas contentes... porque era Natal.
Tudo parecia ter ganho uma justificação e uma credibilidade fora do comum, porque... é Natal.
As pessoas sorriam mais; ou pelo menos faziam um esforço maior por aparentar (uma certa) felicidade.
Com o pretexto de ser Natal, organizam-se jantares e encontros há muito adiados; trocam-se presentes, que, sem querer, vêm alimentar relações adormecidas, quando não esquecidas já!
O frio parece pedir também outro tipo de "calor"... e as pessoas sentem-se naturalmente inclinadas a fazer boas acções.
[Quem não sente que a pressão no ar?! É Natal, temos de ser bondosos e pacientes uns com os outros; "ó senhor polícia, é Natal, não me vai passar uma multa na véspera de Natal, pois não?!"]
Apesar do tom irónico destas minhas considerações, foi graças a tudo isto e mais à intensíssima comercialização do "Natal/conceito" que, mesmo enfiada na minha secretária, o Natal parece ter feito questão de chegar até mim!
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