quarta-feira, novembro 22, 2006

Weigel e a Europa

A propósito de filosofias, de política e de debates. Ou talvez a despropósito.
Recordo George Weigel, biógrafo do Papa que esteve cá em Lisboa e falou sobre a Europa.

Diz Weigel - nos seus livros e discursos - que a Europa enfrenta um “declínio civilizacional”, com este "humanismo ateu" que impregnou a vida intelectual do século IXX, também designado "relativismo cultural pós-moderno".
É uma constante em Weigel esta advertência que faz à Europa. Este declínio não vem da imensa burocracia governamental que enferruja as máquinas estaduais, nem dos "fiscally shaky health care schemes", nem das míseras pensões de reforma, nem do drama da abordagem internacional do terrorismo jihadista. Vem sobretudo do "suicídio demográfico" da Europa (maior do que o do séc. XIV na peste negra).
Para mim, o mais grave de tudo é ver que a Europa se desenvolveu - é mais rica, mais sã, mais segura do que nunca - mas não foi capaz de assegurar o futuro na sua forma mais elementar: a próxima geração.

A velha Europa que era o centro da civilização mundial, produziu 2 guerras mundiais, 3 regimes totalitários, uma guerra fria que ameaçou um desastre nuclear de consequências globais. E a nova Europa continua sem conseguir cumprir o compromisso que tomou na defesa dos valores da democracia, dos direitos humanos, porque está enfraquecida nos seus alicerces fundamentais: Atenas (Racionalismo), Roma (Democracia/Estado de Direito) e Jerusalém (Cristianismo).
O Papa, em Ratisbona, falava para os Europeus, apesar de apenas os muçulmanos terem ouvido. Na Europa a liberdade é apenas mais um prémio de consolação instrumentalizado. Perdeu-se a Razão, a Fé, e a fé na Razão.
E tudo isto conduz a uma incapacidade tremenda para tomar decisões, para defender as heranças e o património, enfim para se afirmar. Como dizia JCEspada no Expresso: "Quando uma Civilização perde a confiança nos seus próprios valores, dificilmente consegue enfrentar os que os querem destruir".
Outras culturas podem ter espaço dentro da Europa, quando a Europa encontrar o seu espaço dentro de si própria,para que haja - então - igualdade de partes.
Mas para tal é preciso que os Europeus oiçam finalmente este "call to renewal - a moral and cultural call to arms".
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